segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Apostila - MIGRAÇÕES NO ESPAÇO MUNDIAL E NO BRASIL

Desde o surgimento do homem a milhares de anos no continente africano, a busca por melhores condições de vida sempre foi uma das metas a serem alcançadas. Por conta disso, as primeiras sociedades eram nômades, pois migravam sempre em busca daquilo que havia se esgotado por onde já haviam passado, a sedentarização do homem só vai se dar com a chamada Revolução do Neolítico, quando o homem passa domesticar as plantas e animais, e a partir daí desenvolver a agricultura e a pecuária.
A mobilidade espacial das populações humanas, ou seja, as migrações, são motivadas por vários fatores, que podem ser: políticos, religiosos, naturais, culturais, mas sem sombra de dúvidas o fator que historicamente tem sido predominante é o econômico.
Hoje na chamada era da globalização mais do que nunca as migrações se dão por conta do fator econômico, é a busca por emprego, por melhores salários, por melhores condições de vida, etc. Com isso, verificamos uma ampliação dos fluxos de pessoas em especial, se dirigindo em direção dos países mais desenvolvidos, são principalmente pessoas oriundas de países subdesenvolvidos, o que tem gerado graves problemas políticos que ressurgem no mundo atual, como por exemplo a volta do nazismo na Europa, na figura dos chamados neonazistas, ou as barreiras impostas pela União européia e os EUA para imigrantes.

TIPOS DE MIGRAÇÃO
Entende-se por migração, qualquer mobilidade espacial feita por sociedades humanas.
A migração é um movimento que de um lado se configura em emigração, quando o movimento é de saída de um determinado país; e imigração, quando o movimento é de entrada em um determinado país.
Com isso temos países que são considerados países de emigração (aqueles onde predomina a saída de pessoas), e países de imigração (aqueles onde predomina a entrada de pessoas).
As migrações podem ser de vários tipos.
Se considerarmos o espaço de deslocamento temos:
a) Migração internacional ou externa: aquela que se realiza de um país para outro.
b) Migração nacional ou interna: aquela que se realiza dentro do mesmo país. Essa subdividi-se em :
b.1) Migração inter-regional: aquela que se realiza de uma região para outra.
b.2) Migração intra-regional: aquela que se realiza dentro da mesmo região.
Se levarmos em consideração o tempo de permanência do migrante temos:
a) Migração definitiva: quando a migração se dá sem que o migrante saia mais do local para onde foi, ou que não volte mais para o local de onde saiu.
b) Migração temporária: quando a migração se dá por um tempo que pode ser determinado ou indeterminado.
Se considerarmos a forma como se deu a migração temos:
a) Migração espontânea: quando ela se dá por vontade própria do migrante.
b) Migração forçada: quando ela se dá por uma vontade externa ao interesse do migrante.
c) Migração planejada: quando ela se dá de forma planejada afim de cumprir um determinado objetivo.

ALGUNS TIPOS DE MIGRAÇÕES INTERNAS
Dentre as migrações internas temos os seguintes movimentos:
a) Êxodo rural: tipo de migração que se dá com a transferência de populações rurais para o espaço urbano. Esse tipo de migração em geral tende a ser definitivo. As principais causas dele são: a industrialização, a expansão do setor terciário e a mecanização da agricultura.
O êxodo rural está diretamente ligado ao processo de Urbanização.
b) Êxodo urbano: tipo de migração que se dá com a transferência de populações urbanas para o espaço rural. Hoje em dia é um tipo de migração muito incomum.
c) Migração urbano-urbano: tipo de migração, que se dá com a transferência de populações de uma cidade para outra. Tipo de migração muito comum nos dias atuais.
d) Migração sazonal: tipo de migração que se caracteriza por estar ligada a períodos específicos do ano. É uma migração temporária onde o migrante sai de um determinado local em um determinado período do ano, e posteriormente volta, em outro período do ano, é a chamada transumância. É o que acontece, por exemplo, com os sertanejos do Nordeste brasileiro.
e) Migração diária ou pendular: tipo de migração característico de grandes cidades, no qual milhões de trabalhadores saem todas as manhãs de suas casas em direção do seu trabalho, e retornam no final do dia. Os momentos de maior aglomeração de pessoas são chamados de hora do rush. Isso se dá em virtude da periferização dos trabalhadores que muitas vezes moram a vários quilômetros de distância de seu trabalho, em alguns casos até mesmo em outras cidades que passam a ser chamadas de cidades dormitório. Nesse tipo de migração está incluído o commuting, movimentação diária de pessoas que moram em um país e trabalham ou vão buscar serviços em outro, os chamados transfronteiriços ou commuters.
f) Nomadismo: tipo de migração, que se caracteriza pelo deslocamento constante de populações em busca de alimentos, abrigo, etc. Esse tipo de migração é típico de sociedades primitivas e por conta disso se encontra em extinção.

CONSEQÜÊNCIAS DAS MIGRAÇÕES
Várias são as conseqüências das migrações, segundo COELHO e TERRA (2001), podemos destacar as seguintes:
a) Contribuição e influência no processo de ocupação e povoamento, na distribuição geográfica da população e, é claro, no próprio desenvolvimento econômico;
b) Contribuição no processo de miscigenação étnica e na ampliação e difusão cultural entre povos;
c) Quando a emigração significa perda de mão de obra qualificada (fuga de cérebros), os prejuízos para o país emigratório são enormes, ao passo que para o país imigratório as vantagens são muito grandes.
d) Podem acarretar mudanças de costumes, concorrência à mão de obra local e problemas políticos ideológicos, raciais, etc.
e) Vantagens econômicas para os países que não tem condições de atender as necessidades básicas de suas populações.

MIGRAÇÕES NO BRASIL
No Brasil, os movimentos migratórios sempre foram muito intensos, as primeiras migrações podem ser consideradas as feitas pelos europeus, e negros africanos que foram forçados a virem para cá. De lá para os dias de hoje tivemos muitas migrações de importância fundamental para o país, como, por exemplo, a dos migrantes italianos no século XlX, assim como de espanhóis, eslavos, japoneses, árabes, portugueses, dentre outros.O fundamental nesse processo, além da contribuição dada ao país por esses cidadãos, é o fato do enriquecimento cultural, com a grande variação étnico-cultural com a qual o país passou a conviver. Mas, em alguns casos, formaram-se os chamados "quistos culturais", ou seja, comunidades que preservam seus hábitos costumes e língua, sem se integrarem de forma plena a cultura nacional.
Até meados do século XX, o Brasil era um país típico de imigração, a partir da 2ª Guerra Mundial, passa a haver uma inversão nos fluxos, de imigratório o país torna-se de emigração. Hoje são milhões os brasileiros que vivem fora, principalmente em países como os EUA, Japão, Paraguai, etc. Os principais motivos que contribuem com isso são de ordem sócio econômica, ou seja, a imensa maioria dos brasileiros que daqui saem vão em busca de melhores condições de vida, emprego, salários, etc.; acontece que na maioria das vezes não são bem recebidos onde chegam, e passam a ocupar em geral os postos de trabalho relegados pelas populações dos países para onde imigraram.
As migrações internas também sempre foram muito intensas, como por exemplo, a de habitantes do Nordeste que migraram em massa para o Centro-sul do Brasil com o declínio da cana de açúcar e o desenvolvimento da mineração, ou a de nordestinos que migraram para a Amazônia no chamado "Boom da borracha" no final do século XlX.
Com a industrialização nas décadas de 60 e 70, passamos a viver de forma mais intensa migrações internas no território nacional, como a de nordestinos em direção das grandes metrópoles brasileiras, Rio e S. Paulo, e o intenso êxodo rural, que fez o Brasil se tornar um país predominantemente urbano em um espaço de menos de 30 anos.
Na década de 70 os fluxos migratórios se direcionaram para a Amazônia (terra sem homens, para homens sem terra), fruto da política de ocupação do território nacional imposta pelos militares, chamada "integrar para não entregar".
Atualmente, as antigas metrópoles industriais não são mais os locais preferidos por migrantes, por conta do processo de desconcentração industrial, novas áreas do país passam a ser pólo de atração desses cidadãos, como o interior de S. Paulo, do Paraná, etc. As migrações continuam a ser muito comuns no Brasil, tanto do campo para a cidade, assim como as urbano-urbano.
São comuns também nas grandes metrópoles brasileiras, as migrações pendulares, assim como a migração sazonal em regiões como o Nordeste.

Apostilas do Professor Rodrigo Bandeira

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Bin Sabbah, o homem que inspirou Bin Laden

O precursor de Osama bin Laden viveu no século XI e criou os comandos suicidas da seita Assassinos, uma ramificação do ismaelismo que atuou no Irã, na Síria e no Iraque.
Os seguidores de Bin Sabbah - que se intitulava a sétima encarnação do Imã Ismael - eram homens dispostos a obedecê-lo cegamente, aceitando até mesmo o sacrifício da própria vida.Eu farei todo o Oriente tremer!"... No dia 4 de setembro de 1090, quando Hassan bin Sabbah Homairi proferiu sua ameaça, acabava de conquistar sua mais importante vitória. A fortaleza de Alamut, que ele cobiçava havia anos, estava em suas mãos, enfim. Essa posição estratégica, chamada de "fortaleza dos abutres", estava no coração das montanhas Elbourz, a 1.800 metros de altitude, no noroeste do Irã. Dominando três vales férteis, o local era o centro de uma rede de comunicações que conduzia, principalmente, a Teerã. Hassan bin Sabbah usou a mesma operação já testada com sucesso em outras incursões: seus seguidores se misturaram com a população, penetraram na fortaleza e abriram passagem para o seu chefe. Dessa cidadela inexpugnável, que ele não abandonaria durante os 35 anos seguintes e que seus sucessores também usaram como apoio por mais de um século, Bin Sabbah impôs à região sua religião e a lei do terror. Bin Sabbah era filho de uma poderosa família iraniana de Qom, centro de propagação, desde o século IX, do ismaelismo, ramo dissidente dos xiitas que, ultrapassando o Corão, acrescentou aos seis profetas do Verbo (Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus, Maomé) um sétimo enviado, Ismael.
Hassan estudou na capital do Egito, Cairo. Ali viveu a partir de 1079, onde aperfeiçoou seu conhecimento do Corão, descobriu o Antigo e o Novo Testamentos e os textos vedas hindus, conhecidos desde as invasões de Alexandre, o Grande. Ele tentou fazer uma síntese de todas essas religiões, misturando ainda o zoroastrismo, crença abraçada pelas populações iranianas desde o século VII a.C. Nesta síntese, ele acrescentou ainda um pouco de neoplatonismo. Durante sua permanência no Cairo, Hassan relacionou-se com Nizar, filho do califa da dinastia fatímida, al-Mustansir. O herdeiro foi afastado da sucessão pelo primeiro-ministro, o vizir al-Afdal. Talvez fosse desse período o ódio de Hassan à dinastia fatímida, que reinava naquela região que os ocidentais - desde os gregos e os romanos - chamavam de Pérsia, mas que os seus habitantes já chamam de Irã. Foi em torno do nome de Nizar - depois assassinado - que ele reuniu os seus primeiros fiéis, os nizaritas.A fortaleza da fortunaAo retornar para o Irã, Hassan difundiu sua doutrina em Isfahan. Sua pregação religiosa inquietou as autoridades. Na Pérsia, os turcos seljúcidas controlavam o poder e, como adeptos da ortodoxia sunita, perseguiam os xiitas. Por respeito à sua rica família, Hassan foi apenas expulso. Suas andanças o levaram e a seus fiéis para a Síria e, depois, para as montanhas ao sul do Mar Cáspio, que se tornaram seu feudo.Ele adotou como lema o "tudo ousar". Para si mesmo é Davi, e o resto do mundo muçulmano, Golias. As fortalezas caíram, uma após a outra, em suas mãos. Até que, em 4 de setembro de 1090, ele conquistou Alamut. A "fortaleza dos abutres" foi rebatizada como "fortaleza da fortuna". Bin Sabbah estava certo de que conseguiria controlar os reinos localizados entre o Mar Cáspio e o Mediterrâneo. Ele começou, assim, a estabelecer em torno de Alamut uma rede de fortalezas, como postos avançados destinados a propagar sua autoridade e sua força. Lamiassar e Meimoundiz foram também anexadas à sua rede, que se estendeu da Síria até o Iraque.
O dinheiro não era sua principal motivação, mas o instrumento que lhe permitiu liberar a Pérsia, restaurar sua raça e impor sua própria concepção dos ismaelismo. Revoltado com a ocupação de seu país - primeiro pelos abássidas (árabes que reivindicam a ascendência de Abbas, tio de Maomé) e depois pelos seljúcidas (turcos sunitas) - ele estava decidido a eliminar a dinastia reinante dos fatímidas (descendentes de Fátima, filha de Maomé). Ele não queria, porém, recrutar mercenários, mas sim contar com homens que se entregassem de corpo e alma à sua doutrina. Seus discursos, em que se apresentava como o houdschet, a reencarnação do sétimo Imã Ismael, seduziam cada vez mais os fiéis. Os novos adeptos estavam dispostos a obedecer cegamente a seu grande líder, aceitando até mesmo o sacrifício supremo da própria vida. Na época, eram chamados de os "assassinos". Não sabemos, hoje, exatamente quais eram os ensinamentos e as práticas desses Assassinos, já que os textos da seita desapareceram. Restaram os testemunhos dos seus adversários e dos cronistas europeus que participaram das Cruzadas.TUDO O QUE PUDESSE ENFRAQUECER OS INVASORES ÁRABES ERA BOM PARA O GRANDE SENHOR, CUJA MÁXIMA ERA "OS INIMIGOS DE MEUS INIMIGOS SÃO MEUS AMIGOS"Seus inimigos contavam que, para assegurar a fidelidade de seus seguidores, Bin Sabbah levava-os, sob o efeito do haxixe, para um maravilhoso jardim perfumado onde fontes derramavam água fresca e jovens mulheres nuas faziam generosas carícias. Durante este estado, era fácil conseguir dos adeptos um juramento de obediência absoluta. Quando despertavam, os sectários eram convencidos de que o paraíso que conheceram brevemente na terra era o mesmo que os aguardava após a morte. Mas era preciso, ainda, que a morte servisse aos interesses do soberano, eliminando seus inimigos. Seus seguidores passavam por um treinamento físico para aprender, entre outras coisas, o uso do punhal com que eliminavam o inimigo. Além disso, eram submetidos à doutrinação religiosa, com nove etapas de iniciação.No ponto mais baixo da hierarquia estavam os lassek, a massa dos fiéis, constituída pelos habitantes das regiões vizinhas. Acima deles estavam os mujib, os noviços. Dependendo das suas aptidões, eles estavam destinados a formar os quadros da seita ou a se tornar fedayin, os que se sacrificam. Os quadros, chamados de rafik, eram capazes de comandar uma fortaleza e dirigir a organização secreta no âmbito de uma cidade ou de uma província. Restavam os daï, os propagandistas, os missionários, os pregadores da nova religião. Por fim, no ápice dessa pirâmide, estava o grande senhor, o próprio Hassan.
Coube a Hussein Qâ\\'ini, seu melhor agente, a formação da organização clandestina. Os futuros Assassinos aprendiam a língua do país para o qual eram enviados, o modo de se vestir de seus habitantes, seus usos e costumes. Abû Ibrâhim Asibâdâsi, capturado durante uma missão suicida em Bagdá, resumiu de forma simples o modus operandi dos sectários. Quando os carcereiros levavam um Assassino para ser executado, ele solicitava a presença do califa e dizia: "Você pode me matar, mas poderá matar todos aqueles que se encontram em seu castelo?" De fato, antes de praticar os atentados, os agentes do senhor de Alamut realizavam um longo trabalho de infiltração. Ganhavam a confiança da futura vítima e a matavam, quando ela acreditava estar segura no seio de sua fortaleza. Tal como resumia essa ameaça proferida por um outro seguidor: "O nosso senhor elaborou ciladas e armadilhas para prender nas malhas da morte os seus inimigos e os da religião. Ninguém está ao abrigo de sua vingança: a vítima será atingida no coração de sua própria cidade e no centro de seu próprio palácio." Os príncipes temiam ver um de seus favorecidos se precipitar em sua direção com um punhal na mão.O primeiro dignitário vítima da lâmina de um punhal foi o vizir de Isfahan, Nizam al-Mulk Tusi. O atentado foi preparado pelo próprio Hassan bin Sabbah. Um dos Assassinos, Rachi al-Dîn contou: "O grande senhor nos convocou e perguntou qual dentre nós livraria nosso Estado do maligno Nizam al-Mulk Tusi. Era uma bela caça para os membros da seita. Um dos fedayim, Bu Tâhin Arrani, levanta-se e, colocando a mão no peito, oferece-se. Ele é assim eleito. Disfarçado de religioso muçulmano, ele se aproxima de Nizam e o apunhá-la."
A marca da adagaDo Irã ao Cáucaso, da Síria ao Egito, acumulavam-se os cadáveres dos príncipes muçulmanos. Todos traziam a marca da adaga de Hassan bin Sabbah. A partir de então, nenhum chefe árabe ou turco "ousou sair de sua residência sem escolta, e todos usavam uma armadura sob a vestimenta, temerosos de ser atingidos pelo punhal dos Assassinos". Estava fora de questão o uso de veneno, que poderia fazer o crime passar por uma morte natural. O lema da seita era: "Só podemos curar a ferida do mundo com a lâmina que a gerou."Príncipes, vizires, emires, sultãos: todos temiam, ignorando quando e de onde viria o golpe fatal. Mas avisos não faltavam. De fato, a melhor maneira de aterrorizar a vítima era deixá-la de sobreaviso. Assim, o cronista Djoueïny contou que Hassan bin Sabbah, ao perceber que um sultão estava decidido a proteger as caravanas de suas investidas e que organizava um exército para combatê-lo, corrompia membros da corte, em particular um dos eunucos. "Subornado pelo dinheiro, o eunuco é encarregado de fixar um punhal ao lado do travesseiro do sultão enquanto este dorme e de depositar uma carta nas proximidades. Quando o sultão acorda, ele vê o punhal e lê a carta: \\'Se eu não te quisesse bem, esta lâmina estaria em teu peito e não em tua cama. Não recuses minhas ofertas, ou te farei mal\\'. Aterrorizado, o sultão decidia deixar que o grande senhor atacasse as caravanas. Entre a sua vida e a sua fortuna, o soberano fazia sua escolha. Outros não ousavam nem obedecer nem desobedecer. Como o cádi que, intimado a abandonar sua fortaleza, decidiu destruí-la. Foi a única solução que ele encontrou para permanecer fiel ao seu sultão e não contrariar as ordens do terrorista.Foi nesse Oriente Médio ameaçado pelos Assassinos que desembarcam os cruzados vindos da Europa cristã. O objetivo deles era recuperar Jerusalém, a cidade santa. Não é o caso de refazer, aqui, o percurso das oito cruzadas que se desenrolam entre 1096 e 1270. Mas o que chamaríamos hoje de "operações conjuntas" não perturbou em nada a política terrorista de Bin Sabbah.
Em várias ocasiões, os cruzados negociaram até mesmo a sua neutralidade. A cada um a sua guerra santa. Quando Bin Sabbah morreu, em 1124, era tempo da Segunda Cruzada e as tropas cristãs haviam fundado o reino latino de Jerusalém, o principado de Antióquia, os condados de Edessa e de Trípoli.Um de seus filhos, Buzourg Umid, tomou o comando da seita e o nome do pai. Foi o início da lenda do Velho da Montanha. Ignorando a morte de Hassan bin Sabbah pai, seus adversários pensavam que o chefe dos Assassinos era imortal. Tal pai, tal filho: as rapinas e os atentados aos dignitários se sucediam: dois vizires, dois califas, um prefeito, um governador, um mufti feneciam sob o punhal dos assassinos.Os aliados objetivosBuzourg morreu em 1138, mas o fim do terror ainda estava longe. Muhammad, neto de Hassan pai e filho de Buzourg, tornou-se chefe da seita. Seu "reinado" de 23 anos viu a morte de sultãos, cádis, vizires, outros califas, e até mesmo um primeiro príncipe cristão, o conde Raymond II, de Trípoli, em 1150. A dinastia e a lenda do Velho da Montanha perpetuaram-se em 1161 com Qadal al-Dîn Hassan, um dos filhos de Muhammad.Nada provocava medo neste quarto grande senhor, nem a seus seguidores. Decidido a pôr fim à dinastia dos Ayyubidas, ele ordenou, por três vezes, a morte de Saladino, seu mais célebre representante. A primeira tentativa ocorreu em 1174, a segunda, em 1175 e a última, em 22 de maio de 1176. Assassinos disfarçados de soldados da guarda pessoal de Saladino tentaram enforcar o sultão do Egito e da Síria. Antes da morte de Raymond II de Trípoli, os Assassinos consideravam os cruzados como "aliados objetivos". Felipe Augusto e Ricardo Coração de Leão até mesmo se entenderam com o chefe da seita. O tratado foi regido pela máxima: "os inimigos de meus inimigos são meus amigos." O grande senhor considerava que tudo o que podia enfraquecer os invasores árabes era bom para os persas.
Assim, quando São Luís desembarcou no Oriente, em 1248, os Assassinos eram uma força a levar, forçosamente, em conta. O apetite de dinheiro e de reconhecimento da seita permanecia igual. Após sua derrota em Mansoura, o rei franco recebeu uma mensagem que não poderia ser mais clara: "Os príncipes ocidentais anteriores, como o rei da Hungria e o imperador da Alemanha, pagaram-me um tributo, e o senhor, que foi derrotado, deve fazer o mesmo." Os embaixadores exibiam os atributos habituais do Velho da Montanha: o punhal, símbolo de sua força, e a mortalha com a qual envolvia suas vítimas. A ameaça era clara. Mas, se outros cederam à chantagem, São Luís resistiu. Com isso, ele ganhou a consideração do grande senhor. Duas semanas mais tarde, o grande senhor ofereceu ao rei da França seu anel e a sua camisa: "A camisa é a vestimenta que está mais próxima do corpo; o grande senhor quer estar assim mais próximo do rei franco." Esta declaração de amizade foi acompanhada por presentes: um jogo de xadrez de âmbar perfumado, um elefante e uma girafa de cristal. O rei, em retribuição, ofereceu-lhe jóias e deixou no local um embaixador permanente, o dominicano Yves Le Breton.Outro príncipe, Halagu, recusou a chantagem do Velho da Montanha. Era um chefe mongol e estava decidido a acabar de uma vez por todas com os Assassinos e seu chefe. Em 1256, ele conquistou e arrasou a cidadela de Alamut, pondo fim a 166 anos de terrorismo. Um cronista da época alardeava: "Eles ousaram ameaçar o tigre e este os esmagou." Passados nove séculos, uma ameaça semelhante se ergue, desta vez do Oriente rumo ao Ocidente.

por Marie Helène Parinaud

Rock no Bar do Claudeci

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Demografia do Brasil

A demografia do Brasil é um domínio de estudos e conhecimentos sobre as características demográficas do território brasileiro. O Brasil possui cerca de 193 milhões de habitantes (estimativa do IBGE, 2008) o que representa uma das maiores populações absolutas do mundo, destacando-se como a quinta nação mais populosa do planeta. Ao longo dos últimos anos, o crescimento demográfico do país tem diminuído o ritmo, que era muito alto até a década de 1960. Em 1940, o recenseamento indicava 41.236.315 habitantes; em 1950, 51.944.397 habitantes; em 1960, 70.070.457 habitantes; em 1970, 93.139.037 habitantes; em 1980, 119.002.706 habitantes; e finalmente em 1991, 146.825.475 habitantes.
O sobrenome mais popular do Brasil é Silva, com um milhão de nomes nas listas telefônicas da Brasil Telecom, Telemar e Telesp. embora não se tenha certeza dessa pesquisa feita por recenseadores.
As razões para uma diminuição do crescimento demográfico relacionam-se com a urbanização e industrialização e com incentivos à redução da natalidade (como a disseminação de anticoncepcionais). Embora a taxa de mortalidade no país tenha caído bastante desde a década de 1940, a queda na taxa de natalidade foi ainda maior.

Densidade demográfica
O Brasil apresenta uma baixa densidade demográfica — apenas 22 hab./km² —, inferior à média do planeta e bem menor que a de países intensamente povoados, como a Bélgica (342 hab./km²) e o Japão (337 hab./km²).
O estudo da população apoia-se em alguns fatores demográficos fundamentais, que influenciam o crescimento populacional.

Distribuição populacional
A distribuição populacional no Brasil é bastante desigual, havendo concentração da população nas zonas litorâneas, especialmente do Sudeste e da Zona da Mata nordestina. Outro núcleo importante é a região Sul. As áreas menos povoadas situam-se no Centro-Oeste e no Norte.

Taxa de natalidade
Até recentemente, as taxas de natalidade no Brasil foram elevadas, em patamar similar a de outros países subdesenvolvidos. Contudo, houve sensível diminuição nos últimos anos, que pode ser explicada pelo aumento da população urbana — já que a natalidade é bem menor nas cidades, em conseqüência da progressiva integração da mulher no mercado de trabalho — e da difusão do controle de natalidade. Além disso, o custo social da manutenção e educação dos filhos é bastante elevado, sobretudo no meio urbano.

Taxa de mortalidade
O Brasil apresenta uma elevada taxa de mortalidade, também comum em países subdesenvolvidos, enquadrando-se entre as nações mais vitimadas por moléstias infecciosas e parasitárias, praticamente inexistentes no mundo desenvolvido.
Desde 1940, a taxa de mortalidade brasileira também vem caindo, como reflexo de uma progressiva popularização de medidas de higiene, principalmente após a Segunda Guerra Mundial; da ampliação das condições de atendimento médico e abertura de postos de saúde em áreas mais distantes; das campanhas de vacinação; e do aumento quantitativo da assistência médica e do atendimento hospitalar.

Taxa de mortalidade infantil
O Brasil apresenta uma taxa de mortalidade infantil de 27,62 mortes em cada 1.000 nascimentos (estimativa para 2007) elevada mesmo para os padrões latino-americanos. No entanto, há variações nessa taxa segundo as regiões e as camadas populacionais. O Norte e o Nordeste — regiões mais pobres — têm os maiores índices de mortalidade infantil, que diminuem na região Sul. Com relação às condições de vida, pode-se dizer que a mortalidade infantil é menor entre a população de maiores redimentos, sendo provocada sobretudo por fatores endógenos. Já a população brasileira de menor renda apresenta as características típicas da mortalidade infantil tardia.

Crescimento vegetativo
A população de uma localidade qualquer aumenta em função das migrações e do crescimento vegetativo. No caso brasileiro, é pequena a contribuição das migrações para o aumento populacional. Assim, como esse aumento é alto, conclui-se que o Brasil apresenta alto crescimento vegetativo, a despeito das altas taxas de mortalidade, sobretudo infantil. A estimativa da Fundação IBGE para 2010 é de uma taxa bruta de natalidade de 18,67‰ — ou seja, 18,67 nascidos para cada grupo de mil pessoas ao ano — e uma taxa bruta de mortalidade de 6,25‰ — ou seja 6,25 mortes por mil nascidos ao ano. Esses revelam um crescimento vegetativo anual de 1,268.

Expectativa de vida
No Brasil, a expectativa de vida está em torno de 68,3 anos para os homens e 76,38 para as mulheres, conforme estatimativas para 2007. Dessa forma, esse país se distância das nações paupérrimas, em que essa expectativa não alcança 50 anos (Mauritânia, Guiné, Níger e outras), mas ainda não alcança o patamar das nações desenvolvidas, onde a expectativa de vida ultrapassa os 70 anos (Noruega, Suécia e outras).
A expectativa de vida varia na razão inversa da taxa de mortalidade, ou seja, são índices inversamente proporcionais. Assim no Brasil, paralelamente ao decréscimo da mortalidade, ocorre uma elevação da expectativa de vida.

Taxa de fecundidade
Conforme estimativa de 2006, a taxa média de fecundidade é de 2,0 filhos por mulher. Esse índice sofre variações, caindo entre as mulheres de etnia branca e elevando-se entre as pardas. Tal variação está relacionada ao nível sócio-econômico desses segmentos populacionais; em geral, a população parda concentra-se nas camadas menos favorecidas social e economicamente, levando-se em conta a renda, a ocupação e o nível educacional, entre outros fatores.
Há também variações regionais: as taxas são menores no Sudeste e no Sul — regiões de maior crescimento econômico e urbanização —, sendo maiores no Norte e no Nordeste.

Composição por sexo
O Brasil não foge à regra mundial. A razão de sexo no país é de 98 homens para cada grupo de 100 mulheres, conforme estimativas de 2008.
Até os 60 anos de idade, há um equilíbro quantitativo entre homens e mulheres, acentuando-se a partir desta faixa etária o predomínio feminino. Esse fato pode ser explicado por uma longevidade maior da mulher, devido por outras razões, ao fato de ela ser menos atingida por moléstias cardiovasculares, causa freqüente de morte após os 40 anos.
O número de mulheres, na população rural brasileira, pode-se dizer que no Nordeste, por ser uma região de repulsão populacional, há o predomínio da população feminina. Já nas regiões Norte e Centro-Oeste predomina a população masculina, atraída pelas atividades econômicas primárias, como o extrativismo vegetal, a pecuária e, sobretudo, a mineração.
O número de mulheres, na população rural brasileira, também tende a ser menor, já que as cidades oferecem melhores condições sociais e de trabalho à população feminina.
Um relativo equilíbrio entre os sexos, entretanto, só se estabeleceu a partir dos anos 1940 — pois até a década de 1930 o país apresentava nítido predomínio da população masculina, devido principalmente à influência da imigração — e, ainda que nascessem mais meninos que meninas, a maior mortalidade infantil masculinas (até a faixa de 5 anos de idade) fez com que se estabelecesse o equilíbrio.

Composição por faixa etária
Considerando os dados de 1995, observa-se que o número de jovens é proporcionalmente pequeno nos países desenvolvidos, mas alcança quase a metade da população total como o Brasil, o Peru e outros do Terceiro Mundo. Nos países desenvolvidos, o nível sócio-econômico é muito elevado e, em consequência, a natalidade é baixa e a expectativa de vida bastante alta, o que explica o grande número de idosos na população total. No Brasil, apesar da progressiva redução das taxas de natalidade e mortalidade verificada nas últimas décadas, o país continua exibindo elevado número de jovens na população.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

EUA ameaçam agir se Eritreia apoiar rebeldes na Somália

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta quinta-feira que os Estados Unidos vão "agir" se a Eritreia não parar de dar apoio a militantes islâmicos que atuam na vizinha Somália.
Clinton fez a declaração na capital do Quênia, Nairóbi, onde se encontrou com o presidente da Somália, Sharif Ahmed.
Ahmed lidera o chamado governo transitório de união somali, que é reconhecido pela ONU, mas que não tem controle de fato do território do país - a coalizão liderada por Ahmed administra apenas uma pequena área da capital Mogadíscio. A Somália não tem um governo central com controle total do país desde 1991.
Os Estados Unidos acusam a Eritreia de apoiar o grupo Al-Shabab, que luta pelo poder na Somália - acusação que o governo da Eritreia nega.

Al Qaeda
"Já passou da hora da Eritreia parar de apoiar o Al-Shabab e se tornar um vizinho construtivo, e não desestabilizador", disse Hillary Clinton. "Estamos dizendo de forma bastante clara que essas ações são inaceitáveis. Temos a intenção de agir se elas não cessarem."
"Não há dúvidas de que o Al-Shabab quer controlar a Somália para usar o país como base para influenciar e mesmo se infiltrar em países vizinhos para lançar ataques contra outras nações, próximas e distantes", acrescentou.
De acordo com a secretário de Estado americana, o grupo - que é acusado de ligações com a Al-Qaeda - será "uma ameaça aos Estados Unidos" se obtiver o controle da Somália.
Os militantes do movimento radical islâmico Al-Shabab têm cada vez mais força no país, e mais de 250 mil pessoas abandonaram suas casas nos últimos três meses.
Há informações de que o Al-Shabab estaria conseguindo apoio de militantes islâmicos do mundo todo. No começo da semana, a polícia da Austrália prendeu quatro suspeitos de planejar ataques suicidas em uma base militar do país e acusou os detidos de envolvimento com o Al-Shabab.
Os Estados Unidos admitem que forneceram às forças partidárias do governo somali 40 toneladas de armas e munição em 2009 e outro carregamento de armas está previsto.
Hillary Clinton está em uma viagem de 11 dias pela África e deve passar também por África do Sul, Nigéria, Angola, Libéria, República Democrática do Congo e Cabo Verde.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Como é feita a pasta de cocaína

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Estudo de Impacto Ambiental do Porto da Cargill em Santarém (PA) está incompleto

Faltam informações no estudo ambiental sobre o Porto Graneleiro da Cargill, localizado em Santarém (PA). Esta é a conclusão da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará (Sema). Após dez meses do seu recebimento, a Secretaria devolveu, na última semana, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do porto, solicitando que sejam feitas complementações. A Cargill é uma das maiores empresas mundiais do comércio de grãos.
Segundo o Departamento de Controle e Qualidade Ambiental, com o estudo incompleto, a Secretaria não consegue dar um parecer sobre os impactos ambientais e sociais gerados pelo Porto da Cargill.
Na avaliação da Secretaria, um dos problemas é a falta de definição da área de influência do porto na região. A área deve ser redimensionada para incluir tanto os municípios cuja produção de soja é escoada pelo porto, quanto aqueles que, embora não usem o porto, sofrem influência da malha viária de escoamento do produto.
O procurador da república Cláudio Henrique Días revelou que outras recomendações de alteração do estudo, feitas pelo Ministério Público Federal, também poderão ser adicionadas ao pedido de complementação do documento.
“Há problemas na questão do tráfico de caminhões. Também há a questão do latifúndio, pois o que acontece com a construção do porto? A produção rural vai ceder espaço para a monocultura latifundiária, porque a soja só se desenvolve em latifúndios. Ainda, tem que especificar o derramamento de óleo.”
A entrega do novo estudo com as modificações deve levar no mínimo 120 dias. Enquanto isso, o Porto Graneleiro da Cargill continua funcionando, de acordo com decisão do poder judiciário.

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