quarta-feira, 27 de maio de 2009

Guerra da Bósnia


A Guerra da Bósnia foi um conflito armado que ocorreu entre abril de 1992 e dezembro de 1995 na região da Bósnia e Herzegovina. Envolveu os três grupos étnicos e religiosos da região: os sérvios cristãos ortodoxos, os croatas católicos romanos e os bósnios muçulmanos. Mais tarde atinge também a Croácia. Se estende até 14 de dezembro de 1995, com a assinatura do Acordo de Dayton. É o conflito mais prolongado e violento da Europa desde o fim da II Guerra Mundial, com duração de 1.606 dias e 200 mil mortos.

Nacionalismo

Com o fim dos regimes socialistas, a partir da desintegração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), emergem as diferenças étnicas, culturais e religiosas entre as seis repúblicas que formam a Iugoslávia, impulsionando movimentos pela independência. Na Bósnia e Herzegovina cresce o nacionalismo sérvio que quer restaurar a chamada Grande Sérvia, formada por Sérvia e Montenegro, parte da Croácia e quase toda a Bósnia. Quando os bósnios decidem pela independência do país e os sérvios não aceitam, os combates entre os dois grupos intensificam-se. A situação de guerra civil é caracterizada em abril de 1992.

Limpeza étnica

Nas áreas ocupadas, os sérvios da Bósnia fazem a chamada limpeza étnica: expulsão dos não sérvios, massacre de civis, prisão da população de outras etnias e reutilização dos campos de concentração da II Guerra Mundial. A Bósnia e Herzegovina pede a intervenção militar internacional, mas só recebe ajuda humanitária, como alimento e medicamentos. A Croácia entra no conflito. No primeiro momento reivindica parte do território bósnio e, em uma segunda etapa, volta-se contra a Sérvia. Com o acirramento da guerra, a Otan envia tropas. A ONU manda uma força de paz, que, no fim de 1995, chega a 40 mil membros. Tentativas de cessar-fogo propostas pela ONU são repetidamente desrespeitadas. No início de 1995, os sérvios dominam 70% do território da Bósnia e Herzegovina. O quadro muda após a Batalha de Krajina, em Agosto, da qual os croatas saem vitoriosos. A relação de forças torna-se mais equilibrada e facilita a estratégia dos Estados Unidos de promover uma negociação de paz.

Negociação

Um acordo proposto pelos EUA, negociado em Dayton, Ohio, é assinado formalmente em Dezembro de 1995, em Paris. Ele prevê a manutenção do Estado da Bósnia e Herzegovina com suas fronteiras atuais, dividido em uma federação muçulmano-croata, que abrange 51% do território, e em uma república bósnia-sérvia, que ocupa os 49% restantes. É previsto um governo único entregue a uma representação de sérvios, croatas e bósnios. Em 1996, a missão de paz da ONU na região é assumida pelas tropas da Força de Implementação da Paz, da Otan, com 60 mil militares e mandato até Dezembro de 1996. Para reforçar o Acordo de Dayton, várias vezes sob ameaça, os EUA realizam no decorrer do ano reuniões em Roma e Genebra.

Tribunal de Haia

Em Maio de 1996, o Tribunal Internacional de Haia inicia o julgamento de 57 suspeitos de crimes de guerra. Os acusados mais importantes são o líder sérvio Radovan Karadzic, presidente do Partido Democrático Sérvio e da República Sérvia (Srpska), e seu principal comandante militar, o general Ratko Mladic. Ambos são responsáveis pelo massacre ocorrido na cidade de Srebrenica, no qual 3 mil refugiados bósnios muçulmanos foram executados e enterrados em fossas e 6 mil encontram-se desaparecidos. Em Maio de 1997, o Tribunal de Haia condena o sérvio-bósnio Dusan Tadic a 20 anos de prisão por crime contra a humanidade em virtude da participação no extermínio de muçulmanos na Bósnia.

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Entenda a polêmica nuclear envolvendo a Coreia do Norte


A Coreia do Norte anunciou na segunda-feira ter realizado o segundo teste nuclear de sua história, desrespeitando uma proibição internacional.
As autoridades dizem que o artefato, detonado em uma área subterrânea no nordeste do país, é mais poderoso do que o usado no teste nuclear anterior, em 2006.
Notícias não confirmadas da Coreia do Sul dizem que Pyongyang também realizou vários testes com mísseis balísticos de curto alcance.
Os testes foram condenados internacionalmente e, provavelmente, levarão a um isolamento ainda maior da Coreia do Norte.

O que levou ao impasse?
Há algumas semanas a Coreia do Norte vem ameaçando reiniciar seu programa nuclear e construir um arsenal de armas nucleares.
As autoridades em Pyongyang ficaram irritadas quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou o lançamento de seu foguete de longo alcance em abril passado e endureceu sanções existentes.
O governo da Coreia do Norte insistiu que havia apenas colocado um satélite de comunicações em órbita, mas vários países acreditam que aquele foi um lançamento mal disfarçado para testar a tecnologia do míssil de longo alcance Taepodong-2, projetado para alcançar regiões dos Estados Unidos.
Uma resolução aprovada em 2006 pelas Nações Unidas (ONU) proibiu a Coreia do Norte de buscar este tipo de tecnologia.
Em resposta às críticas da ONU, Pyongyang expulsou todos os monitores internacionais do país e retirou-se das longas conversações multilaterais (envolvendo Estados Unidos, Rússia, Japão, China e as duas Coreias) que tinham o objetivo de convencer os norte-coreanos a abrir mão de seu programa nuclear em troca de ajuda econômica.

O que está por trás das ações da Coreia do Norte?
A Coreia do Norte parece ter passado de uma posição de negociação para confrontação, desafiando diretamente as políticas adotadas pelos Estados Unidos e Coreia do Sul.
Apesar de ter prometido um novo início para as relações bilaterais, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que qualificou o lançamento do foguete no mês passado como "provocação", não conseguiu até agora convencer os norte-coreanos a voltarem à mesa de negociações.
Em uma declaração lida na mídia estatal, o Ministério do Exterior da Coreia do Norte disse: "Não se ganha nada em conversar com alguém que continua a nos ver com hostilidade."
As relações entre as duas Coreias se tornaram muito frágeis desde que o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak assumiu o cargo em fevereiro.
O líder conservador insiste que não haverá mais ajuda econômica incondicional à Coreia do Norte e que qualquer concessão vai depender da cooperação para pôr fim ao arsenal nuclear.
Analistas sugerem que a Coreia do Norte está adotando uma atitude beligerante para forçar tanto os Estados Unidos quanto a Coreia do Sul a oferecerem mais concessões econômicas e diplomáticas em troca de seu desarmamento nuclear.

Que punição a Coreia do Norte pode esperar?
O governo americano já tinha advertido que haveria consequências se a Coreia do Norte realizasse outro teste nuclear. É provável que sejam adotadas mais sanções contra o país.
Mas, dado o isolamento de Pyongyang, os mecanismos diplomáticos disponíveis para tentar limitar seu comportamento são limitados.
Alguns analistas dizem que o regime comunista isolado e empobrecido nunca vai abrir mão de seu arsenal atômico já que tem outras cartas na mão.
Acredita-se que muito vai depender da resposta da China, que continua a ter mais influência sobre a Coreia do Norte do que qualquer outro país.
Como membro-permanente do Conselho de Segurança da ONU, a China tem poder de vetar qualquer resolução contra a Coreia do Norte. Os chineses também são a principal fonte de apoio econômico do país.
A China condenou o teste nuclear que a Coreia do Norte realizou em 2006, dizendo que foi um insulto à sua liderança, mas desta vez analistas dizem que o país pode conter a sua irritação em meio a preocupações de que Pyongyang possa descartar totalmente uma retomada das conversações multilaterais sobre seu programa nuclear. Elas têm sido realizadas em Pequim.
A China também tem muito em jogo para retirar totalmente o seu apoio à Coreia do Norte e vê o país como um elemento estratégico diante das forças americanas e aliadas presentes na região. Os chineses também temem que o colapso do regime norte-coreano leve à entrada de um fluxo descontrolado de refugiados em seu território.

Por que a capacidade nuclear da Coreia do Norte é um assunto tão importante?
As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra porque não foi assinado nenhum acordo de paz depois do conflito ocorrido entre 1950 e 1953.
O analista da BBC para política internacional, Paul Reynolds, diz ainda que não há uma regra fixa para a comunidade internacional lidar com países de comportamento imprevisível. Tudo vai depender do poder que eles têm.
Em 2002, a Líbia foi pressionada a admitir seu programa nuclear e a abrir mão dele porque estava enfraquecida e exposta.
A Coreia do Norte tem um Exército de um milhão de soldados, mais de 4 mil tanques e cerca de 18 mil peças de artilharia, de acordo com o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.
A fronteira entre as duas Coreias é uma das mais militarizadas do mundo e milhares de peças de artilharia estão voltadas para a capital sul-coreana, Seul, que não fica longe dali.
O mais recente teste norte-coreano provavelmente vai reavivar o debate no Japão sobre a opção de lançar um ataque preventivo por medo de um ataque com mísseis.
O teste pode ainda trazer o risco de uma corrida armamentista no Leste da Ásia, pois países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan podem se ver forçados a considerar se também devem buscar armas nucleares.

A Coreia do Norte estaria em condições de detonar uma bomba nuclear agora?
Acredita-se que a Coreia do Norte ainda não desenvolveu um míssil balístico capaz de transportar uma ogiva nuclear.
Mas este segundo teste nuclear vai alimentar temores de que o país esteja mais perto de se tornar uma potência nuclear plena.
Analistas acreditam que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, espera usar os testes para angariar apoio militar em meio a crescentes especulações de que ele está em vias de anunciar um sucessor.
Aparentemente Kim está reafirmando sua posição no poder desde um suposto derrame sofrido no ano passado.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Revolução Iraniana

A Revolução Iraniana, ocorrida em 1979, transformou o Irã - até então comandado pelo Mohammad Reza Pahlevi - de uma monarquia autocrática pró-Ocidente, em uma república populista teocrática islâmica sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini. Para efeito de análise histórica, a Revolução Iraniana é dividida em duas fases:
  • na primeira fase, houve uma aliança entre grupos liberais, grupos de esquerda e religiosos para depor o xá;
  • na segunda, freqüentemente chamada Revolução Islâmica, viu-se a chegada dos aiatolás ao poder.

Causas da Revolução Iraniana

  • A impopularidade do regime dos xás: o xá foi obrigado a promover a revolução branca, pressionado pelas potências ocidentais(Reino Unido, Estados Unidos). A cultura ocidental estava penetrando no Irã na mesma proporção da opressão do regime político.
  • Repressão política executada pelo Savak que empregava censura e recorreria a prisões, tortura de dissidentes, assassinatos de opositores ao regime implantado pelo xá Pahlavi.
  • Os problemas do regime: a pobreza e a inflação, resultado das ações do xá Reza Pahlavi, foram objetos de programa econômico do governo, porém sem sucesso.
  • O crescimento da rivalidade islâmica que se opôs a ocidentalização do Irã e viu em Aiatolá Khomeini como um promotor da Revolução.
  • A subestimação do movimento islâmico do Aiatolá Khomeini pela xá - que pensavam que eles seriam uma ameaça menor - e pelas medidas anti-secularistas de Pahlavi - que pensavam que os pró-Khomeini poderia ser menosprezada.
Antecedentes
O xá estava no poder desde 1941, com uma curta interrupção em 1953 quando teve que abandonar o país. Retornou no mesmo ano ao depor o governo democraticamente eleito de Mohammad Mossadeq, com a ajuda de uma operação da CIA, batizada de Operação Ajax. Pahlevi manteve boas relações com os Estados Unidos, porém conflitou com as visões tradicionais do Islão sobre o álcool, o jogo e as relações sexuais antes do casamento, as quais se recusou a banir. O regime era conhecido por sua corrupção política e práticas brutais, as quais, como resposta, suscitavam protestos tanto internos quanto da comunidade internacional.

Uma forte oposição surgiu durante o regime do xá. Particularmente importante era a oposição religiosa, que crescia desde longa data. A Ulema, ou comunidade de estudiosos das leis islâmicas, unia preocupações religiosas e seculares com uma longa história de ativismo social. Assim, mesclava oposição à brutalidade do governo a um forte compromisso em lutar contra a pobreza. Seu ativismo se mostrava conservador dos valores islâmicos e, à medida em que crescia, o governo reprimia violentamente os dissidentes. Em 1963, por exemplo, estudantes islâmicos foram violentamente atacados quando protestavam contra a abertura de um bar.

O aiatolá Khomeini era um líder da oposição que afirmava que o regime do xá era uma tirania. Após sua prisão e seu exílio em 1964, os protestos dos clérigos aumentaram. Em resposta, Pahlevi decidiu enfrentar os religiosos com violência, prendendo e matando manifestantes. Não se sabe quantos morreram nesta campanha: o regime de Pahlevi falou em 86 mortos; os religiosos afirmaram que foram milhares.

De 1963 a 1967 a economia iraniana cresceu consideravelmente, graças aos aumentos do preço do petróleo e também com a exportação de aço. A inflação cresceu no mesmo período e, embora a economia crescesse, o padrão de vida dos pobres e das classes médias urbanas não melhorava. Ao invés disso, apenas a rica elite e os intermediários das companhias ocidentais é que se beneficiavam das extravagâncias do xá. O governo também dispendia grandes somas na compra de armamentos modernos, particularmente dos Estados Unidos.

Enfrentando crescente oposição de líderes religiosos e de pequenos empresários, o regime do xá decidiu, em 1975, empreender um novo esforço para controlar a sociedade iraniana. Este esforço visava diminuir o papel do islamismo na vida do reino, ressaltando, para isto, as conquistas das civilizações pré-islâmicas do país, especialmente a civilização persa. Nesta linha, em 1976 o calendário islâmico, lunar, foi banido do uso público e substituído por um calendário solar. Publicações marxistas e islâmicas também sofreram forte censura.

As reformas do xá também ficaram conhecidas como a revolução branca. Também foi abolido o regime feudal (dividindo terras dos líderes religiosos, o que diminuiu suas rendas) e dado direito ao voto às mulheres (o que foi visto pelos líderes religiosos como um plano para "trazer as mulheres para as ruas").

A situação pré-revolucionária no Irã

A população mais pobre do país tendia a ser o segmento mais fervorosamente religioso e o menos ocidentalizado. Os pobres viviam predominantemente no campo, ou habitavam favelas das grandes cidades, especialmente de Teerã. Eles desejavam o retorno aos valores básicos do islamismo, em oposição aos esforços modernizadores do regime, cujas promessas de progresso lhes soavam falsas, e baseadas no crescente distanciamento entre os mais ricos e os mais pobres.

À medida que a classe média urbana se educava e se expunha aos valores ocidentais, parte dela passou a enxergar o regime do xá como parte do problema. Além disso, após sua restauração em 1953, a posição do xá tornou-se particularmente perigosa. Isto em grande parte devido aos seus fortes laços com o Ocidente, a corrupção interna, as reformas impopulares e a natureza despótica de seu regime, especialmente a repressão da polícia política, conhecida como Savak.

No início da década de 1970 o preço do petróleo cresceu rapidamente, e o descontentamento com a corrupção, os gastos supérfluos e a violenta repressão aumentaram. A decadência interna foi bem ilustrada com a comemoração dos 2500 anos da fundação do Império Persa, ocorrida em outubro de 1971 em Persépolis, com três dias de celebrações a um custo total de US$ 300 milhões. Dentre as extravagâncias havia 1 tonelada de caviar preparada por 200 chefs vindos diretamente de Paris. Enquanto isto, muitos no país sequer tinham comida ou moradia decente.

À medida que a desigualdade crescia, os protestos por mudanças aumentavam. Até mesmo elementos pró-ocidentais no Irã se incomodaram com a crescente autocracia e a crescente repressão da polícia secreta. Muitos deixaram o país antes da revolução, enquanto outros começaram a se organizar. Ao mesmo tempo, um movimento populista passou a se organizar nas mesquitas, através de sermões que denunciavam a maldade do Ocidente e dos valores ocidentais. O choque entre uma crescente população jovem e um regime que não oferecia nem os avanços de um estado moderno, nem a estabilidade de uma sociedade tradicional, criaram as condições para uma revolução.

Protestos e revolução

Em 1977, após pressões por direitos humanos feitas pelo então presidente norte-americano Jimmy Carter (que ameaçou embargar o suprimento de armas) o regime do xá fez concessões, libertando 300 prisioneiros políticos, relaxando a censura e reformando o sistema judicial. Este relaxamanto conduziu ao aumento de protestos da oposição, e escritores passaram a reivindicar a liberdade de pensamento. Ao mesmo tempo, a política de reforma agrária implementada pelo xá sob pressão da administração Carter enfureceu os mulás (líderes religiosos) que declararam uma guerra santa ao xá.

Em 1978 uma série de protestos, iniciada com um ataque à figura de Khomeini na imprensa oficial do país, criou um ciclo ascendente de violência, até que, em 12 de dezembro daquele ano, cerca de 2 milhões de pessoas inundaram as ruas de Teerã para protestar contra o xá. O exército começou a se desintegrar, à medida que os soldados se recusaram a atirar nos manifestantes e passaram a desertar. O xá concordou em introduzir uma constituição mais moderada, porém já era tarde para isto. A maioria da população já era leal a Khomeini, e, quando ele pediu o fim completo da monarquia, o xá foi forçado a abandonar o país, a 16 de janeiro de 1979. O xá antes de se sair do Irã nomeou para primeiro-ministro Shapour Bakhtiar, mas este esteve no poder apenas 36 dias (suprimiu os jogos de casino, a Savak, mas faltava-lhe o apoio popular). Ruhollah Khomeini não queria colaboração com ele, porque o considerava como um traidor e um colaboracionista. Bakhtiar, vendo que era impossível ter qualquer peso político e até ódio (os funcionários impediram a sua entrada no edifício governamental por ordem de Khomeini) saiu do país e refugiou-se em Paris.

Khomeini retornou da França em 1 de fevereiro, convidado pela revolução anti-xá que prosseguia, e rapidamente afastou os elementos mais moderados, criando uma república islâmica onde se tornou o líder supremo.

Muitos costumes ocidentais (vestuário (proibição do uso da mini-saia, e da maquiagem/maquilhagem), música (do baile ao rock), jogo, cinema, etc) foram proibidos pelo novo regime., Foram reintroduzidos os castigos corporais para quem violasse os preceitos da sharia (sexo fora do casamento, adultério, consumo de álcool), etc. e a pena de morte foi aplicada não só aos defensores do xá (sobretudo ministros e militares do anterior regime), como também foram executados prostitutas, homossexuais, marxistas (por defenderem o laicismo do Estado), membros de outras igrejas (judeus), etc.

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Caxemira

A Caxemira[1] (caxemira: کٔشِیر; balti: کشمیر; poonchi/chibhali: کشمیر; dogri: कश्मीर; shina: کشمیر; uigur: كھسىمڭر) é uma região do norte do subcontinente indiano, hoje dividida entre a Índia e o Paquistão. Uma parte foi anexada pela China.

O termo "Caxemira" descrevia historicamente o vale ao sul da parte mais ocidental do Himalaia. Politicamente, no entanto, o termo "Caxemira" descreve uma área muito maior, que inclui as regiões de Jammu, Caxemira e Ladakh.

Disputas pelo território

Atualmente localizada no norte do subcontinente indiano, a Caxemira é disputada por Índia e Paquistão desde o fim da colonização britânica. As tensões na região têm início com a guerra de independência, em 1947, que resulta no nascimento dos dois Estados - a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, muçulmano. Segundo uma resolução da ONU datada de 1947, a população local deveria decidir a situação política da Caxemira por meio de um plebiscito acerca da independência do território. Tal plebiscito, porém, nunca aconteceu, e a Caxemira foi incorporada à Índia, o que contrariou as pretensões do Paquistão e da população local - de maioria muçulmana - e levou à guerra de 1947 a 1948. O conflito termina com a divisão da Caxemira: cerca de um terço fica com o Paquistão (Caxemira Livre e Territórios do Norte) e o restante com a Índia (Jammu e Caxemira).

Em 1962, a China conquista um trecho de Jammu e Caxemira (Aksai Chin); no ano seguinte, o Paquistão cede aos chineses uma faixa dos Territórios do Norte. Um novo conflito, em 1965, não traz modificações territoriais.

Nos anos 1980, guerrilheiros separatistas passam a atuar na Caxemira indiana. Mais de 25 mil pessoas morrem desde então. A Índia acusa o governo paquistanês de apoiar os guerrilheiros - favoráveis à unificação com o Paquistão - e intensifica a repressão.

A situação da área continua tensa - além do conflito com o Paquistão, existe atualmente um forte movimento pró-independência na Caxemira.

Explosões nucleares

O conflito serve como justificativa para a militarização da fronteira e para a corrida armamentista. Índia e Paquistão realizam testes nucleares em 1998 e, em abril de 1999, experimentam mísseis balísticos capazes de levar ogivas atômicas, rompendo acordo assinado meses antes. Os dois países chegam à beira da guerra total. O primeiro-ministro ultranacionalista da Índia, Atal Vajpayee, ordena um pesado contra-ataque, que expulsa os separatistas em julho. A derrota paquistanesa leva a um golpe militar, liderado pelo general Pervez Musharraf, que depõe o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif. Índia e Paquistão travam na Caxemira, em 1999, um confronto com um saldo de 1200 mortos.

Terrorismo

Uma onda de explosões mata dezenas de civis nas maiores cidades paquistanesas, entre o final de 1999 e o primeiro semestre de 2000. Fracassam negociações de paz entre o governo da Índia e separatistas muçulmanos da Caxemira em julho de 2000. Os combates recomeçam, assim como as ações terroristas nos territórios do Paquistão e da Índia. Em agosto de 2000, o Hizbul Mujahidine, principal grupo separatista muçulmano na Caxemira, anuncia uma trégua unilateral. A Índia suspende operações militares na Caxemira, pela primeira vez em 11 anos. As negociações fracassam diante da recusa da Índia em admitir o Paquistão na negociação de paz.

Demografia

O censo de 1901 da Índia Britânica revelou que os muçulmanos constituíam 74,16% da população total do Estado principesco de Caxemira e Jammu, frente a 23,72% de hindus e 1,21% de budistas. Os hindus encontravam-se principalmente em Jammu, onde formavam pouco menos de 80% da população.[2] No vale de Caxemira, os muçulmanos contavam 93,6% da população e os hindus, 5,24%.[2] Tais percentuais mantiveram-se relativamente inalterados nos últimos 100 anos.[3] Quarenta anos depois, o censo de 1941 da Índia Britânica indicou que os muçulmanos formavam 93,6% da população do vale de Caxemira e os hindus, 4%.[3] Em 2003, o percentual de muçulmanos no vale de Caxemira era de 95%[4] e o de hindus, de 4%; no mesmo ano, em Jammu, a percentagem de hindus totalizava 66% e a de muçulmanos, 30%.[4]

Segundo o censo de 1901, a população total do Estado principesco de Caxemira e Jammu era de 2 905 578 habitantes, dos quais 2 154 695 eram muçulmanos (74,16%); 689 073, hindus (23,72%); 25 828, siques e 35 047, budistas. No vale de Caxemira, a população contava 1 157 394 habitantes, dos quais 1 083 766 muçulmanos (93,6%) e 60 641 hindus.[2]

Conforme o censo de 2001 da Índia, a população total do estado indiano de Jammu e Caxemira era de 10 143 700 habitantes, dos quais 6 793 240 eram muçulmanos (66,97%); 3 005 349, hindus (29,63%); 207 154, siques; e 113 787, budistas.

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sábado, 23 de maio de 2009

Exército Republicano Irlândes


O Exército Republicano Irlandês, mais conhecido como IRA (do inglês Irish Republican Army), é um grupo paramilitar católico e reintegralista, que pretende a separação da Irlanda do Norte do Reino Unido e reanexação à República da Irlanda. Outrora recorreu a métodos terroristas, principalmente ataques bombistas e emboscadas com armas de fogo, e tinha como alvos tradicionais protestantes, políticos unionistas e representantes do governo britânico. O IRA tem ligações com outros grupos nacionalistas irlandeses e um braço político: o partido nacionalista Sinn Fein ("Nós Próprios"). Durante mais de duas décadas de luta armada, o grupo foi responsável por mais de 3500 mortes.
A principal razão pela qual o IRA lutava era a igualdade religiosa, visto que 75% da população norte-irlandesa era protestante e o pouco que restava, católica, o que fazia com que houvesse desigualdade e preconceito entre as religiões. Como os protestantes eram maioria, decidiam candidaturas políticas e plebiscitos, entre outros, impedindo que a vontade católica se manifestasse.
Em 28 de Julho de 2005, o IRA anuncia o fim da "luta armada" e a entrega de armas. O processo de entrega de armas terminou em 26 de Setembro de 2005. Todo o processo de desmantelação do armamento foi orientado pelo chefe da Comissão Internacional de Desarmamento, o general canadiano John de Chastelain.

História da Chechênia

Como parte do Império Russo desde 1859, a região da Checheno-Inguchécia foi incorporada como República Socialista Soviética Autônoma da Checheno-Ingushkaya durante a fundação da União Soviética. Durante o regime soviético, os tchetchenos, acusados de colaboração com os nazistas (os quais não chegaram na Chechênia), sofreram uma deportação - de natureza genocidária - para a então República Socialista Soviética do Casaquistão (o atual Cazaquistão independente) e para a Sibéria durante a Segunda Guerra Mundial. A república foi abolida entre 1944 e 1957, tornando-se no óblast de Grózni. Depois do colapso da União Soviética, um movimento de independência surgiu na Chechênia, enquanto a Rússia recusava-se a permitir a secessão.
Djokhar Dudaiev, presidente nacionalista da República da Chechênia, declarou a independência chechena em 1991. Em 1994 o presidente da Rússia Boris Iéltsin enviou quarenta mil soldados para evitar a separação da região da Chechênia, importante produtora de petróleo, da Rússia.
A Rússia entrou numa guerra que alguns comparam ao que foi a guerra do Vietnã para os EUA. Os insurgentes chechenos infligiram grandes baixas aos russos. As tropas russas não tinham conseguido capturar a capital tchetchena, Grózni, até o fim daquele ano. Os russos finalmente tomaram Grózni em fevereiro de 1995 após pesada luta. Em agosto de 1996 Iéltsin concordou com um cessar-fogo com os líderes chechenos, e um tratado de paz foi formalmente assinado em maio de 1997.
O conflito retornou em setembro de 1999, dando início à II Guerra da Chechênia, tornando sem sentido o acordo de 1997. Os separatistas tchetchenos ainda querem a independência da Tchetchênia e organizaram ataques na Chechênia e em outras regiões da Rússia, incluindo Moscou. Uma década de guerra deixou a maior parte da Chechênia sob controle militar. Guerrilheiros islâmicos chechenos invadem a vizinha república russa do Daguestão e anunciam a criação de um Estado islâmico. A maioria da população, em ambas as repúblicas, é muçulmano-sunita. Os militares russos expulsam os rebeldes para a Chechênia em setembro. Neste mês, atentados contra edifícios, em cidades russas, matam mais de 300 pessoas. O governo responsabiliza os separatistas chechenos e envia tropas à república.
Apesar da pressão para um cessar-fogo, o governo russo rejeita mediação internacional. Mas as denúncias de massacres, estupros e torturas cometidos pelas tropas contra centenas de civis levam o país a aceitar em março de 2000 a visita de representantes da ONU à Chechênia. As emboscadas e os ataques camicases contra as tropas russas prosseguem, assim como os bombardeios aéreos russos. Em junho de 2000, Putin põe a Chechênia sob administração direta da Presidência da federação.
Em setembro de 2004, uma escola de Beslan, na república russa da Ossétia do Norte, foi palco de uma das maiores barbáries da atualidade. Terroristas aprisionaram, torturaram e mataram crianças, pais e professores. O líder separatista checheno Shamil Bassaiev assumiu esse e outros ataques (como a explosão no metrô de Moscou, em fevereiro de 2004).
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Curdos 2

A língua curda pertence ao subgrupo noroeste das línguas iranianas, que por sua vez pertence ao ramo indo-iraniano da família de línguas indo-européias. O curdo deve ter evoluído a partir de línguas caucasianas e do aramaico devido a certas peculiarides que a fazem distinta das outras línguas iranianas. A maioria dos ancestrais dos curdos falava várias línguas da família indo-européia.
A língua original dos curdos foi o hurrita, uma língua não indo-européia que pertencia à família caucasiana. A antiga língua foi substituída pelo indo-europeu por volta de 850 a.C. com a chegada dos medos ao Curdistão. Todavia, a influência do hurrita no curdo ainda é evidente na sua estrutura gramatical ergativa e nos topônimos.
A maioria dos curdos são bilíngües ou poliglotas, falando as línguas dos povos da vizinhança tais como o árabe, o turco e o persa como segunda língua. Os judeus curdos e alguns cristãos curdos (não confundir com os assírios étnicos do Curdistão) habitualmente falam aramaico (por exemplo, lishana deni) como sua primeira língua. O aramaico é uma língua semítica muito mais próxima do árabe e do hebraico que do curdo.
A língua curda compreende dois dialetos principais e vários subdialetos:
- O dialeto curmânji
- O dialeto sorâni
- Os subdialetos gorâni, zazaki, feyli, kermanshahi e laki.
Comentando sobre as diferenças entre os dialetos curdos, Kreyenbroek esclarece que em algumas direções, curmânji e sorâni são tão diferentes um do outro como inglês e alemão, dando como exemplo que o curmânji possui gênero gramatical e finais casuais, enquanto o sorâni não, e considera que a referência ao sorâni e ao curmânji como "dialetos" de uma língua é suportada apenas pela "sua origem comum... e o fato de que esta convenção reflete o senso de identidade étnica e unidade dos curdos."

Origens genéticas e étnicas
De acordo com a Encyclopædia Britannica, "os persas, curdos e falantes de outras línguas indo-européias no Irã são descendentes das tribos arianas que começaram a migrar da Ásia Central para o atual Irã no segundo milênio a.C." De acordo com a Columbia Encyclopedia, os curdos, assim como outros grupos étnicos migrantes da região, estão "entre os descendentes menos miscigenados dos iranianos originais". De acordo com a Enciclopédia do Islã, a classificação dos curdos como arianos é principalmente baseada em dados lingüísticos e históricos e não prejudica o fato de haver uma complexidade de elementos étnicos a eles incorporados.
De acordo com um estudo de 2001 sobre a população turca, os ancestrais dos "curdos, armênios, iranianos, judeus, e outros grupos mediterrâneos (orientais e ocidentais) parecem dividir um ancestral comum" e pertenciam a um substrato mediterrâneo antigo, ou seja, a grupos hurritas e hititas e que estes povos não tinham conexão com uma invasão ariana que se supõe ter ocorrido por volta de 1200 a.C.
"Conclui-se que esta invasão, se ocorreu, teve relativamente poucos invasores em comparação às populações já estabelecidas, como os grupos hititas anatolianos e hurritas (anteriores a 2000 a.C.). Estes devem ter iniciado as atuais populações curda, turca e armênia."
Em 2001, uma equipe de cientistas israelenses, alemães e indianos descobriu que entre as várias comunidades judaicas, os judeus asquenazi apresentam uma relação mais próxima com os curdos muçulmanos que com a população falante de línguas semíticas mais afastadas do sul da península Arábica, enquanto os judeus curdos e os judeus sefarditas parecem ser muitos próximos entre eles. Mais de 95% dos curdos muçulmanos testados indicam uma procedência no norte do Iraque. Além disso, de acordo com outro estudo, o haplótipo modal Cohen é um marcador genético do norte do Oriente Médio que não é exclusivo dos judeus.
Em outro estudo, os judeus curdos foram identificados como sendo próximos dos muçulmanos curdos, mesmo sendo asquenazi ou sefarditas, sugerindo que muito se não a maioria das similaridades genéticas entre os judeus e muçulmanos curdos descende de épocas antigas.
A comparação da distância genética em outro estudo revelou que os povos falantes de línguas turcas e turcomenas na região do mar Cáspio agrupam-se com os curdos, gregos e ossetas. Neste estudo, os falantes de persa são geneticamente afastados destas populações; eles são, todavia, próximos dos parsis que migraram do Irã para a Índia no final do século VII.

População
O número exato de curdos vivendo no Oriente Médio é desconhecido, devido á análise dos recenseamentos recentes e à relutância dos vários governos das regiões habitadas por curdos em fornecer dados precisos.
De acordo com o CIA Factbook, os curdos compreendem 20% da população da Turquia, de 15 a 20% no Iraque, possivelmente 8% na Síria, 7% no Irã e 1,3% na Armênia. Em todos estes países com exceção do Irã, os curdos formam o segundo maior grupo étnico. Aproximadamente 55% dos curdos no mundo vivem na Turquia, 20% no Irã, 20% no Iraque e um pouco menos de 5% na Síria. Estas estimativas estabelecem o número total de curdos entre 27 e 36 milhões.
Há outras fontes que registram uma população maior de curdos que a mencionada acima. Além disso, estima-se que os curdos, especialmente na Turquia, têm um índice de natalidade quase 50% superior que os turcos. Devido a isso, eles são vistos como um desafio demográfico para o estado.

História moderna

Curdos no Iraque
Os curdos liderados por Mustafa Barzani estiveram em luta contra os sucessivos regimes iraquianos de 1960 a 1975. Em março de 1970, o Iraque anunciou um plano de paz contemplando a autonomia curda. O plano seria implementado em quatro anos. No entanto, ao mesmo tempo, o regime iraquiano iniciou um programa de arabização nas regiões ricas em petróleo de Kirkuk e Khanaqin. O acordo de paz não durou, e em 1974, o governo iraquiano iniciou uma nova ofensiva contra os curdos. Além disso, em março de 1975, Iraque e Irã assinaram o Pacto de Argel, de acordo com o qual o Irã cortava suprimentos para os curdos iraquianos. O Iraque iniciou outra onda de arabização enviando árabes para os campos de petróleo no Curdistão, particulamrnete aos arredores de Kirkuk. Entre 1975 e 1978, duzentos mil curdos foram deportados para outras regiões do Iraque.
Durante a guerra Irã-Iraque na década de 1980, o regime implementou políticas anticurdos e uma guerra civil de facto eclodiu. O Iraque foi amplamente condenado pela comunidade internacional, mas nunca foi seriamente punido pelos meios opressivos que utilizou tais como assassinato em massa de centenas de milhares de civis, a destruição generalizada de milhares de aldeias e a deportação de milhares de curdos para o sul e o centro do Iraque. A campanha do governo iraquiano contra os curdos em 1988 foi chamada Anfal ("Pilhagem de Guerra"). Os ataques Anfal levaram à destruição duas mil aldeias e entre 50 e 100 mil curdos foram mortos.
Após o levante curdo de 1991 (em curdo: Raperîn) liderado pela União Patriótica do Curdistão (UPC) e pelo Partido Democrático do Curdistão (PDC), tropas iraquianas recapturaram as regiões curdas e centenas de milhares de curdos fugiram pelas fronteiras. Para suavizar a situação, uma "zona de exclusão" foi estabelecida pelo Conselho de Segurança da ONU. A região autônoma curda ficou sendo controlada principalmente pelos partidos rivais UPC e PDC. A população curda recebeu com prazer as tropas americanas em 2003. A área controlada pelas forças curdas foi expandida, e os curdos agora têm o controle efetivo em Kirkuk e em partes de Mosul. No início de 2006, as duas regiões curdas foram unidas em uma região unificada. Uma série de consultas populares está agendada para 2007, para determinar as fronteiras definitivas da região curda.

Curdos na Turquia
Aproximadamente metade de todos os curdos vivem na Turquia. De acordo com o CIA Factbook, eles representam 20% das 70 milhões de pessoas da Turquia, ou seja, há cerca de 8 milhões de curdos na Turquia. Outras estimativas variam entre 8 e 10 milhões. Eles estão predominantemente distribuídos no sudeste do país.
A melhor estimativa disponível do número de pessoas na Turquia falando uma língua relacionada ao curdo indica cerca de 5 milhões (1980). Há cerca de um milhão de falantes de dimli (zazaki meridional) e cerca de 140 mil falantes de kirmanjki (zazaki setentrional), o qual tem cerca de 70% do léxico similar ao dimli. Estas estimativas são de 1999 no caso do dimli e de 1972 no caso do kirmanjki. Cerca de 3.950.000 outros falam curdo setentrional (curmânji) (1980). O crescimento da população sugere que o número de falantes tenha crescido, e também é verdade que o uso da língua tem sido desencorajado nas cidades turcas, e que poucos curdos étnicos vivem no interior do país onde a língua tradicionalmente tem sido usada. O número de falantes é claramente menor que 8 milhões de pessoas que se identificam como sendo curdos étnicos.
De 1915 a 1918, os curdos lutaram pelo fim do domínio otomano sobre sua região. Eles foram encorajados pelo apoio de Woodrow Wilson às nacionalidades não turcas do império e submeteram sua reivindicação por independência na Conferência de Paz de Paris de 1919. O Tratado de Sèvres determinou a criação de um estado autônomo curdo em 1920, mas o subseqüente Tratado de Lausanne de 1923 não mencionou os curdos. Em 1925 e 1930 revoltas curdas foram suprimidas através do uso da força.
Após estes eventos, a existência de grupos étnicos distintos como os curdos na Turquia foi oficialmente negado e qualquer expressão de identidade étnica feita pelos curdos era duramente reprimida. Até 1991, o uso da língua curda - ainda que freqüente - era ilegal. Como resultado de reformas influenciadas pela União Européia, transmissões de televisão e rádio em curdo agora são permitidas embora com severas restrições de tempo (por exemplo, transmissões de rádio não podem exceder sessenta minutos por dia nem constituir mais que cinco horas semanais enquanto as transmissões de TV estão sujeitas a restrições maiores). Além disso, a educação em curdo agora é permitida embora apenas em instituições privadas.
Em 1994, todavia, Leyla Zana, a primeira representante mulher curda no Parlamento da Turquia, foi punida por fazer "discursos separatistas" e sentenciada a quinze anos de prisão. Na sua posse como membro do parlamento, ela supostamente se identificou como curda. A Anistia Internacional relatou que "ela fez o juramento de lealdade em turco, como exigido pela lei, e então acrescentou em curdo: 'Eu lutarei para que os povos turco e curdo vivam juntos em um sistema democrático'. O Parlamento irrompeu com gritos de 'Separatista!', 'Terrorista!', e 'Prendam-na!'."
O Partiya Karkerên Kurdistan (PKK) (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), também conhecido como KADEK e Kongra-Gel, é considerado pelos Estados Unidos e pela União Européia como sendo uma organização terrorista dedicada a criar um estado curdo independente em um território (tradicionalmente referido como Curdistão) consistindo de partes do sudeste da Turquia, nordeste do Iraque, nordeste da Sìria e noroeste do Irã. É uma organização étnica separatista que usa a força e ameaça de força contra alvos civis e militares com o propósito de alcançar seus objetivos políticos.
Entre 1984 e 1999, o PKK e o exército turco entraram em guerra aberta, e a maior parte do interior do país no sudeste foi despovoada, com os civis curdos sendo deslocados para locais defensíveis como Diyarbakır, Van e Şırnak, assim como para cidades da Turquia ocidental e até mesmo para a Europa ocidental. As causas do despovoamento incluem atrocidades do PKK contra clãs curdos que eles não podiam controlar, a pobreza do sudeste, e as operações militares do estado turco. A Human Rights Watch documentou várias ocorrências onde os militares turcos evacuaram vilas com uso de força, destruíndo casas e equipamentos para evitar o retorno dos habitantes. Estima-se que 3.000 vilas e aldeias curdas na Turquia foram verdadeiramente varridas do mapa, o que representou o deslocamento de mais de 378.000 pessoas.

Curdos no Irã
Os curdos constituem aproximadamente 20% da população total do Irã. Alguns curdos iranianos têm resistido aos esforços do governo iraniano, tanto antes quanto depois da revolução de 1979, para assimilá-los na vida nacional. Junto com os curdos de regiões no Iraque e na Turquia, há movimentos separatistas que apóiam a idéia de se estabelecer um estado independente curdo.
No século XVII, um grande número de curdo foi deportado pelo xá Abbas I da Pérsia para Khorasan no Irã oriental e por meio da força foram assentados nas cidades de Quchan e Birjand. Os curdos de Khorasan, cerca de 700.000, ainda usam o dialeto curdo curmânji. Durante os séculos XIX e XX, sucessivos governos iranianos sufocaram revoltas curdas comandadas por figuras notáveis curdas, tais como o xeque Ubaidullah (contra a dinastia Qajar em 1880) e Simko (contra a dinastia Pahlavi na década de 1920).
Em 1946, a República de Mahabad apoiada pelos soviéticos foi estabelecida no Curdistão iraniano como parte de uma série de estados fantoches soviéticos, mas que durou apenas onze meses.
Após o golpe militar de 1953, Mohammad Reza Pahlavi se tornou mais autocrático e suprimiu a maior parte da oposição, inclusive as minorias étnicas, como os curdos. Ele também proibiu qualquer tipo de ensino em língua curda.
Nos anos recentes, lutas intensas ocorreram entre os curdos e o estado iraniano entre 1979 e 1982. Em agosto de 1979, Ruhollah Khomeini declarou uma "guerra santa" contra os curdos. Uma fotografia de um pelotão de fuzilamento da Guarda Revolucionária executando prisioneiros curdos próximo a Sanandaj ganhou fama internacional e venceu o Prêmio Pulitzer em 1980. O Corpo de Guarda da Revolucão Islâmica atacou as regiões curdas para restabelecer o controle do governo iraniano; como resultado, cerca de dez mil curdos foram mortos. Desde 1983, o governo iraniano mantém o controle sobre todas as áreas habitadas pelos curdos. Intranqüilidade freqüente e tomadas de posições militares tem ocorrido desde a década de 1990.
No Irã, os curdos expressam sua identidade cultural livremente, mas os direitos de governo e auto-administração são negados. Da mesma forma que em outras partes do Irã, membros de qualquer partido político não-governamental no Curdistão pode ser punido com perseguição, aprisionamento e até mesmo a morte. Os ativistas de direitos humanos curdos no Irã têm sido ameaçados pelas autoridades iranianas por causa de seu trabalho. Após a morte do ativista opositor curdo Shivan Qaderi e de dois outros homens curdos pelas forças de segurança iranianas em Mahabad em 9 de julho de 2005, seis semanas de tumultos e protestos ocorreram nas cidades e vilas curdas por todo o Curdistão Oriental. Uma grande quantidade de pessoas foi morta ou ferida, e outros tantos foram presos sem acusação. As autoridades iranianas também fecharam vários dos principais jornais curdos e prenderam editores e repórteres. Entre estes estava Roya Toloui, uma ativista feminista e chefe do jornal Rasan ("Despertar") em Sanandaj. Ela foi torturada por dois meses por suposto envolvimento na organização de protestos pacíficos por toda a província do Curdistão.

Curdos na Síria
Os curdos são cerca de 15% da população da Síria, o que corresponde a cerca de 1,9 milhão de pessoas. Isto faz deles a maior minoria étnica no país. Eles estão majoritariamente concentrados no nordeste e no norte mas há também populações curdas significativas em Aleppo e Damasco. Eles falam com freqüência curdo em público, a menos que todos os presentes não o façam. Os ativistas de direitos humanos curdos são maltratados e perseguidos. Nenhum partido político é permitido a qualquer grupo, curdo ou não.
As técnicas usadas para suprimir a identidade étnica dos curdos na Síria incluem várias proibições do uso da língua curda, recusa em registrar crianças com nomes curdos, substituição de nomes de lugares curdos com novos nomes em árabe, proibição de negócios que não tenham nomes árabes, proibição de escolas privadas curdas e proibição de livros e outros materiais escritos em curdo. Com o direito à nacionalidade síria negado, cerca de trezentos mil curdos são privados de quaisquer direitos sociais, violando-se assim as leis internacionais. Como conseqüência, estes curdos estão efetivamente de mãos atadas dentro da Síria. Em fevereiro de 2006, no entanto, fontes relataram que que a Síria então estava planejando conceder cidadania a estes curdos.
Em 12 de março de 2004, em um estádio em Qamishli (cidade majoritariamente curda no nordeste da Síria), eclodiram confrontos entre curdos e sírios que duraram vários dias. Pelo menos trinta pessoas foram mortas e mais de cento e sessenta feridas. O distúrbio se espalhou para outras cidades curdas ao longo da fronteira com a Turquia, e em seguida para Damasco e Aleppo.

Curdos na Armênia
Entre as décadas de 1930 e 1980, a Armênia fez parte da União Soviética e os curdos, como outros grupos étnicos, tinham o status de minoria protegida. Aos curdos armênios era permitido ter seu próprio jornal patrocinado pelo estado, transmissões de rádio e eventos culturais.
Durante o conflito em Nagorno-Karabakh, muitos curdos não-yazidis foram forçados a deixar suas casas. Com o fim da União Soviética, os curdos na Armênia foram alijados de seus privilégios culturais e a maioria fugiu para a Rússia ou para a Europa Ocidental.

Curdos no Azerbaijão
Em 1920, as duas áreas habitadas por curdos de Jewanchir (capital Kalbajar) e Zangazur oriental (capital Lachin) foram reunidas para formar o Curdistão Vermelho (Kurdistan Uyezd). O período de existência da unidade administrativa curda foi breve e não durou após 1929. Os curdos subseqüentemente enfrentaram muitas medidas repressivas, inclusive deportações. Como resultado do conflito em Nagorno-Karabakh, muitas regiões curdas foram destruídas e mais de 150.000 curdos foram deportados desde 1988.

Diáspora curda
De acordo com um relatório do Conselho da Europa, aproximadamente 1,3 milhão de curdos vivem na Europa Ocidental. Os primeiros imigrantes foram os curdos da Turquia. que se estabeleceram na Alemanha, Áustria, países do Benelux, Reino Unido (especialmente em Londres), Suíça e França durante a década de 1960. Períodos sucessivos de confusão política e social no Oriente Médio durante as décadas de 1980 e 1990 causou novas ondas de refugiados curdos para a Europa, a maioria do Iraque sob Saddam Hussein e do Irã.
Houve também uma imigração significativa de curdos para a América do Norte, principalmente refugiados políticos e imigrantes em busca de oportunidades econômicas. Estima-se que 100.000 curdos vivam nos Estados Unidos, 50.000 no Canadá e menos de 15.000 na Austrália.

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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Curdos


Os curdos (em curdo Kurdên) são um grupo étnico que se considera como sendo nativo de uma região freqüentemente referida como Curdistão, que inclui partes adjacentes de Irã, Iraque, Síria e Turquia. Comunidades curdas também podem ser encontradas no Líbano, Armênia, Azerbaijão (Kalbajar e Lachin, a oeste de Nagorno-Karabakh) e, em décadas recentes, em alguns países europeus e nos Estados Unidos. Etnicamente aparentados com outros povos iranianos, eles falam curdo, uma língua indo-européia do ramo iraniano. Todavia, as origens étnicas curdas são incertas.
De acordo com Vladimir Minorsky, "não há dúvidas que o termo mar (medos) se refere aos curdos". Além disso, ele escreve que "no raro manuscrito armênio contendo amostras de alfabetos e línguas, escrito em algum momento antes de 1446, uma oração curda aparece como exemplo da língua dos medos".

Origens
Embora os curdos habitem as regiões montanhosas de seu atual território por alguns milênios, sua pré-história é vagamente conhecida devido à falta de um estudo extensivo. De acordo com a Encyclopaedia Kurdistanica, os curdos são descendentes de todos aqueles que tenham historicamente se fixado no Curdistão, e não de um grupo em particular. Os hurritas habitaram as regiões do atual Curdistão (na Mesopotâmia e montes Zagros-Taurus) de 4000 a.C. até 600 a.C. Os hurritas falavam uma língua que pertencia possivelmente à família de línguas caucasianas do nordeste (ou à proposta alarodiana), aparentada ao moderno checheno e ao lezguiano. Os hurritas se espalharam e eventualmente dominaram territórios significativos fora de sua base nos montes Zagros-Taurus. No entanto, como os curdos, eles não se expandiram muito além das montanhas. À medida que se estabeleciam, os hurritas se dividiam em vários clãs e subgrupos, fundando cidades-estado, reinos e impérios com epônimos dos nomes dos clãs. Esses clãs incluíam os gutas, kurti, khaldi, mushku, minni, lullubi e os cassitas entre outros. Todas essas tribos eram parte de um grande grupo de hurritas, e juntos ajudaram a formar a fase hurrita da história curda. Estes grupos, exceto os mitanni, não são considerados como tendo sido indo-europeus.
Do segundo ao primeiro milênio antes de Cristo um grande número de povos se juntou aos hurritas. Entre as tribos indo-européias importantes que se estabeleceram nas montanhas curdas estão os medos, os citas e os ságartas cujos nomes ainda estão preservados em alguns nomes de lugares por todo o Curdistão.
Esta amálgama de povos e tribos continuou a ser conhecida sob um único nome pelos habitantes das terras baixas da Mesopotâmia.Uma das primeiras menções nos registros históricos aparece nos escritos cuneiformes dos sumérios datados de cerca de 3000 a.C, referindo-se à "terra de Karda" nos montes Zagros-Taurus do norte e nordeste da Mesopotâmia. A região era conhecida como a terra dos "Karda" ou "Qarduchi" e a terra dos "Guti" ou "Gutium". Eram descritos como sendo o mesmo povo apenas diferindo no nome tribal. Os babilônios chamavam-nos "Gardu" e "Qarda". Na região vizinha da Assíria, eles eram os "Qurti" ou "Guti". Quando os gregos penetraram no território, eles se referiram a esse povo como "Kardukh", "Carduchi", "Gordukh", Kyrti(oi) e os romanos os conheciam como Cyrti. Os armênios os chamavam "Gortukh" ou "Gortai-kh" e os persas os chamavam "Gord" or "Kord". Em siríaco, hebraico e caldeu eles eram, respectivamente, "Qardu", "Kurdaye" e "Qurdaye". Em aramaico e nestoriano, eram chamados "Qadu".
Assume-se que sua língua original foi influenciada e gradualmente substituída pelo iraniano do noroeste, com a chegada dos medos ao Curdistão. Os curdos se consideram indo-europeus e descendentes dos grupos acima mencionados..

História

Antiguidade
O lar atual dos curdos, a região montanhosa a sul e sudeste do lago Van entre a Pérsia e a Mesopotâmia, estava sob domínio curdo antes da época do historiador da Grécia Antiga Xenofonte, e era conhecida como o país dos Carduchi, Cardyene ou Corduene. Xenofonte se referiu aos curdos no Anabasis como "Kardukhi... um povo bárbaro e defensor de sua residência na montanha" que atacou os exércitos gregos em 400 a.C. Um reino curdo chamado Corduene, situado a leste de Tigranocerta (a leste e a sul da atual Diyarbakır, na Turquia) tornou-se uma província do Império Romano em 66 a.C. e permaneceu sob controle romano por quatro séculos até 384. O historiador romano Plínio considerou os Cordueni (habitantes de Corduene) como descendentes dos Carduchi. Ele afirmou, "vizinhos a Adiabena estão os povos anteriormente chamados Carduchi e agora Cordueni, acima de quem navega o rio Tigre..."
Outros pequenos reinos curdos foram kavosidas e existiram durante o período sassânida.


Idade Média
No século VII, os árabes tomaram os castelos e fortificações dos curdos. As cidades de Sharazor e Aradbaz foram conquistadas no ano de 643.
Em 846, um dos líderes dos curdos em Mosul se revoltou contra o califa Al Mo'tasam que enviou o notável comandante Aitack para combatê-lo. Nesta guerra, Aitack saiu-se vitorioso e levou muitos dos curdos à morte. Em 903, durante o período de Almoqtadar, os curdos novamente se rebelaram. Finalmente os árabes conquistaram as regiões curdas e converteram a maioria dos curdos ao Islã.
Na segunda metade do século X, a região curda foi dividida entre quatro grandes principados curdos. No norte ficavam os Shaddadidas (951-1174) em partes da atual Armênia e Arran (Azerbaijão), no Azerbaijão; os Rawadidas (955-1221) ficava em Tabriz e Maragheh; No leste estavm os Hasanwayhidas (959-1015 e os Annazidas (990-1117) em Kermanshah, Dinawar e Khanaqin; no oeste estavam os Marwanidas (990-1096) de Diyarbakır. Depois destes, os Ayyubidas (1171-1250) da Síria e a dinastia Ardalan {do século XIV até 1867) estabeleceram-se onde nos dias atuais estão Khanaqin, Kirkuk e Sanandaj.

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Bascos 2


Geografia e distribuição

A atual região autônoma basca da Espanha, conhecida como "Euskadi" em basco, "País Vasco" em espanhol, "Pays Basque" em francês e País Basco em português, é composta de três províncias ou territórios: Álava (Araba/Álava), Biscaia (Bizkaia/Vizcaya) e Guipúzcoa (Gipuzkoa/Guipúzcoa) (nos três casos, o nome basco seguido do espanhol). Há cerca de 2.130.000 pessoas vivendo no País Basco: Álava, 279.000; Biscaia, 1.160.000; Guipúzcoa, 684.000. As mais importantes cidades são: Bilbao (Bilbo/Bilbao) em Biscaia, São Sebastião (Donostia/San Sebastián) em Guipúzcoa e Vitória (Gasteiz/Vitória) em Álava. Tanto o basco quanto o espanhol são línguas oficiais, sendo o espanhol virtualmente entendido por 100% da população; 27% da população fala basco, mas o número de falantes está crescendo pela primeira vez em muitos séculos, devido ao incentivo oficial e à simpatia popular.
Há também um substancial sentimento basco entre a população da vizinha comunidade autônoma espanhola de Navarra e nas regiões vizinhas da França. Também há pelo menos alguma presença étnica basca em muitos países das Américas, como Bolívia, México, Argentina, Chile, Equador, Peru, Uruguai, Venezuela e comunidades em Idaho, no leste de Nevada, sul do Texas e por toda a Califórnia, para onde primeiro emigraram para criar ovelhas.


Conflitos políticos


Língua

Os governos espanhol e francês tentaram, às vezes, suprimir a identidade cultural e lingüistica basca. A República Francesa, epítome do estado-nação, tem uma longa história de tentativas de absorção cultural completa de grupos étnicos minoritários. A Espanha tem, na maior parte da sua história, garantido algum grau de autonomia lingüística, cultural e política aos bascos, mas sob o regime de Francisco Franco o governo espanhol reverteu os avanços do nacionalismo basco, por ter lutado do lado oposto da Guerra Civil Espanhola. A atividade cultural basca foi limitada a eventos folclóricos e à Igreja Católica.
Atualmente, o País Basco dentro da Espanha goza de uma autonomia política e cultural extensiva. Muitas escolas na região usam o basco como primeira língua de ensino. De acordo com a BBC "cerca de 90% das crianças bascas estão agora matriculadas em escolas de ensino em língua basca". Contudo, em Navarra, o basco foi declarada língua em extinção, desde que o governo conservador da Unión del Pueblo Navarro se opôs ao nacionalismo basco e aos símbolos bascos, destacando sua própria autonomia.[8]
O incentivo à língua basca tem causado protestos por aqueles que temem que os falantes apenas de espanhol passem a ser vistos como cidadãos de segunda classe. De qualquer forma, o espanhol é hoje essencial para a vida cotidiana.


Status político e violência

O nacionalismo basco tem defendido com grande força as instituições bascas. Alguns nacionalistas bascos reivindicam que o País Basco tem o direito à autodeterminação, incluindo uma eventual independência. O desejo pela independência é particularmente comum entre os nacionalistas bascos de esquerda. Como a autodeterminação não é reconhecida na Constituição espanhola de 1978, muitos bascos abstiveram-se ou votaram contra no referendo de 6 de dezembro daquele ano. Contudo, a Constituição foi aprovada pela maioria dos espanhóis, navarros e bascos, e o regime autônomo para o País Basco e Navarra foi aprovado em referendos posteriores pelas respectivas populações de cada região.
A atividade nacionalista basca tem seu lado violento no Euskadi Ta Askatasuna (ETA) que apareceu em 1968, uma organização armada que usa assassinatos, bombas e seqüestros contra o que eles consideram "interesses espanhóis". O ETA tem sido responsável por mais de mil mortes entre militares e personalidades políticas, mas também entre centenas de civis. Um dos ataques mais mortais do ETA ocorreu em 1987 quando uma bomba colocada no supermercado Hipercor em Barcelona matou 17 pessoas, incluíndo várias crianças. O ETA é considerado uma organização terrorista pela União Européia e pelos Estados Unidos.
Na luta contra o ETA, o governo e a justiça espanhóis têm tomado medidas como:

- Banimento da coalização eleitoral HB-Batasuna em 2002 (e sucessivas coalizões) assim como de outras organizações políticas onde foi provado fazerem parte do ETA, dividindo metas e recursos. Um dos parlamentares do Batasuna, Josu Ternera foi responsável pela morte de doze policiais em 1986 em um ataque a bomba em Madrid. Ternera nunca foi julgado e desde 2002 ele está foragido devido às suas pendências com a justiça espanhola.

- Fechamento do jornal Egunkaria em 2003. Várias outras publicações e organizações também ligadas ao ETA foram banidas, como o jornal nacionalista Egin e a estação de rádio Egin Irratia. Os jornais Berria e Gara ocuparam os nochos deixados pelos jornais fechados.


GAL

Na década de 1970, forças policiais paramilitares atacaram o ETA. De 1983 a 1987, o Estado Espanhol fundou e controlou os Grupos Antiterroristas de Liberación (GAL), que era uma força paramilitar de direita que atacava e matava ativistas bascos relacionados com o Batasuna e com o ETA tanto na Espanha quanto na França. O GAL assassinou mais de 23 ativistas e terroristas do ETA. Na década de 1990, várias investigações de figuras públicas conhecidas foram conduzidas na Espanha, o que levou à prisão de oficiais de alta patente da polícia e de um ex-ministro do governo. Há evidências que sugerem que o controle do GAL procedia de altos níveis do governo espanhol.


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