segunda-feira, 10 de março de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Evidências mostram que Amazônia já teve até cidades
Olhando ao redor da floresta amazônica hoje é difícil imaginá-la cheia de pessoas. Mas nas últimas décadas arqueólogos encontraram evidências de que antes da chegada de Colombo, a região teve até mesmo cidades. O grau de ocupação humana na Amazônia continua a ser muito debatido, porque diversas áreas da floresta tropical de 6 milhões Km² permanecem inexploradas. Agora os pesquisadores construíram um modelo de previsão onde os sinais de agricultura pré-colombiana serão mais fáceis de serem encontrados, e eles esperam que essa ferramenta ajude a orientar futuros trabalhos arqueológicos na região, relata uma matéria da revista Science desta semana.
A revista diz que arqueologia na Amazônia ainda está em sua "infância". Não só é difícil montar escavações em larga escala no meio de uma floresta tropical, mas até recentemente os arqueólogos presumiam que não havia muito para descobrir. O solo amazônico é notoriamente de má qualidade, todos os nutrientes são imediatamente sugados pela floresta assombrosa, por conta de sua biodiversidade. Por muitos anos os cientistas acreditavam que o tipo de agricultura em grande escala necessária para apoiar as cidades era impossível na região. Descobertas de terraplenagem gigantescas e estradas antigas, no entanto, sugerem que a região foi densamente povoada com centros de longa duração. O segredo agrícola? As agriculturas pré-colombianas enriqueceram o solo, criando o que os arqueólogos chamam de terra preta.
A matéria explica que terra preta, literalmente "terra negra"- é o solo que os seres humanos têm enriquecido a ter duas a três vezes o teor de nutrientes das imediações, solo de má qualidade, explica Cristal McMichael, paleoecologista no Instituto de Tecnologia da Flórida, em Melbourne. Embora não exista uma definição padrão para a terra preta, ela tende a ser mais escura do que outros solos da Amazônia e possuem carvão vegetal e fragmentos de cerâmica pré-colombiana misturadas dentro. A maior parte foi criada entre 2500 e 500 anos atrás. Como as obras de terraplanagem, a terra preta é considerada um sinal de que uma determinada área foi ocupada por seres humanos no passado pré-colombiano.
Analisando a localização e dados ambientais de terra preta, em mais de 1000 sites, e comparando com informações de solos sem nenhuma terra preta, a equipe de pesquisadores encontrou padrões de distribuições e solos enriquecidos. Os cientistas concluíram que é mais provável que se encontre terra preta na Amazônia central e oriental, perto de rios, chegando ao oceano atlântico. É menos provável que se encontre na Amazônia Ocidental, onde o escoamento dos Andes adiciona naturalmente nutrientes ao solo, e em áreas montanhosas, como Llanos e Moxos, na Bolívia, onde se encontra muitas terraplanagens pré-colombianas. Analisando as condições ambientais associadas à terra preta, a equipe de pesquisadores descobriu um modelo de previsão onde a terra preta é mais provável de ser encontrada. A suspeita é de que há 154.063 km² de terra preta na Amazônia, compondo cerca de 3,2% da área total da bacia.
Não só os locais prováveis de terra preta revelam possíveis padrões de ocupação humana na Amazônia, mas também dá os arqueólogos "ponto de partida" para futuras escavações, diz McMichael. "Dentro de uma floresta de quase 6 milhões de quilômetros quadrados, é difícil para os arqueólogos determinar a localização para a amostragem", explica ela.
A revista ressalta que outros especialistas sobre a Amazônia são mais céticos. Michael Heckenberger, arqueólogo da Universidade da Flórida, em Gainesville, que não esteve envolvido na pesquisa, aponta para uma possível discrepância nos métodos de amostragem utilizados pela equipe de McMichael. Os levantamentos feitos para fazer o modelo estatístico, diz ele, "só acontecerá onde houve levantamento arqueológico intensivo." As áreas designadas como terra livre-preta, por outro lado, foram mostrados e categorizados por ecologistas e geólogos, muito antes de alguém estar à procura de terra preta ou outros sinais de assentamentos pré-colombianos na Amazônia. Só porque uma região é rotulada de terra livre-preta, não significa que não há nenhuma terra preta lá, diz Heckenberger. Significa apenas que os arqueólogos não estavam lá para olhar ainda. Mapa de McMichael "serve como um lembrete de que nós não sabemos" sobre o passado da Amazônia, diz ele.
McMichael concorda que um rótulo sem terra preta não deve ser tomado como prova de que os seres humanos nunca se estabeleceram em uma região. A relativa falta de terra preta em torno das obras de terraplanagem de Llanos de Moxos, na Bolívia, prova que os seres humanos não necessariamente enriqueceram o solo, ou fizeram da mesma forma em todos os lugares que viveram, diz ele. "Eu acho que as culturas se adaptaram de forma diferente para as diferentes condições ambientais", a criação de terra preta, onde o solo natural foi particularmente fraco, modificou seu ambiente de outras formas em regiões onde eles não necessariamente precisaram enriquecer o solo para suportar grandes populações.
McMichael espera usar seus métodos estatísticos para modelar todos os tipos de impactos humanos antigos na Amazônia. Sua equipe tem o papel de prever os locais das obras de terraplanagem e, eventualmente, ela espera criar um mapa de correlação entre os assentamentos humanos do passado com vários padrões ecológicos. Se os seres humanos pré-colombianos incentivaram a propagação de certas plantas e animais que encontraram útil nas regiões em torno de seus assentamentos, por exemplo, que pode afetar a distribuição das espécies na Amazônia hoje. Logo, os cientistas podem ser capazes de ir além da terraplanagem e da agricultura e ler a história da Amazônia na própria floresta, finaliza a matéria da revista.
Fonte: Jornal do Brasil
Foto: Acervo Arqueotrop
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Ministro do STF quer fim de prisão a pequeno traficante e descriminalização da maconha
Luis Roberto Barroso afirma durante sessão que visão atual sobre drogas serve para mandar para a prisão negros e pobres e que criminalização oferece ao tráfico a chance de substituir papel do Estado.
O ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se hoje (19) o primeiro da Corte a defender um debate aberto sobre a descriminalização da maconha e o fim da prisão a pequenos traficantes e a usuários. Durante voto sobre a imposição de penas severas a comerciantes de pequenas quantidades de drogas, Barroso foi além e informou aos colegas que mudou sua opinião sobre o tema depois de se dar conta de que uma grande proporção dos casos judiciais diz respeito a estas situações.
“É por essa razão que em relação à maconha penso que o debate público sobre a descriminalização é menos discutir acerca de uma questão filosófica e mais discutir acerca da circunstância de se fazer uma escolha pragmática”, argumentou, alterando sua visão anterior a respeito do tema, quando considerava que as circunstâncias de apreensão e a quantidade apreendida poderiam ser levadas em conta duas vezes na definição do tamanho da pena, visão contestada pela Defensoria Pública da União.
“Não vou entrar na discussão sobre os malefícios maiores ou menores que a maconha efetivamente cause. Mas é fora de dúvida que esta é uma droga que não torna as pessoas antissociais. E diante do volume de processos que recebemos, cheguei à constatação, que me preocupa, de que boa parte das pessoas que cumprem pena nos presídios brasileiros por tráfico de drogas são pessoas pobres que foram enquadradas como traficantes por portarem quantidades que caracterizavam tráfico, mas não eram significantes, de maconha”, defendeu, afirmando ser inconveniente que a legislação penal atual faça com que a maior parte dos encarcerados no país sejam réus primários detidos por motivos banais.
“Está ao meu alcance e possibilidade optar por uma interpretação menos dura dessa legislação. Por essas razões, metajurídicas, que formam a maneira como vejo e penso, estou reajustando minha posição”, explicou. “Veja que o foco do meu argumento não é a questão do usuário. Não que considere este foco desimportante. Mas minha preocupação é outra e é dupla. A primeira é reduzir o poder que a criminalização dá ao tráfico e aos seus barões nas comunidades pobres do país. A criminalização fomenta o submundo, dá poder político e econômico a esses barões do tráfico, que oprimem essas comunidades porque conseguem oferecer utilidades e remuneração maiores do que o Estado e o setor privado em geral.”
O caso
O voto de Barroso foi dado durante o debate acerca de dois habeas corpus que dizem respeito a pessoas detidas por pequenas quantidades de drogas – um com seis gramas de crack e outro com 70 pedras da mesma droga. Os processos foram encaminhados ao plenário porque as duas turmas de ministros do STF têm posições divergentes a respeito do assunto. A dúvida é se a Lei 11.343, de 2006, que institui o Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas, permite que a circunstância da apreensão e a quantidade apreendida sejam levadas em conta duas vezes na fixação da pena: no cálculo da dosimetria e na hora de avaliar quais elementos podem levar a uma redução ou a um aumento desta dosimetria.
Em um dos casos em questão, o juiz de primeira instância considerou estes dois fatores nos dois momentos, o que, na visão da Defensoria Pública da União, leva à fixação de uma sentença desproporcional ao crime. Para o defensor Gustavo de Almeida Ribeiro, não há dúvidas de que apenas na primeira fase devem ser tomados em consideração a quantidade e a circunstância.
Na segunda, ao avaliar atenuantes, o juiz já tem de reconhecer de antemão que o réu preenche os requisitos necessários: é primário, tem bons antecedentes, não se dedica a atividades criminosas e não integra organização criminosa. “Há ainda a proporcionalidade. Essa consideração excessiva da quantidade para agravar a situação do acusado traz outro problema, que é a enorme discrepância entre os diversos julgadores sobre o que seria uma grande quantidade”, sustentou, acrescentando que a maioria dos detidos por porte de drogas são pobres, muitas vezes forçados ao tráfico por um jogo de poder desproporcional. “Na maioria das vezes o verdadeiro dono da droga, o verdadeiro grande traficante sequer se aproxima dela.”
O Ministério Público Federal pediu a rejeição dos argumentos da Defensoria Pública por entender que não há uma pena mínima prevista em lei e que é preciso que a quantidade e a circunstância sejam tomadas em conta em mais de um momento. “Não me impressionou também o argumento trazido da tribuna de que essas pessoas são pobres, desassistidas da vida, pressionadas pelos grandes traficantes. Se assim levarmos o argumento, o argumento nos levaria à própria descriminalização da conduta”, afirmou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Mas a posição dele acabou derrotada pela maioria dos ministros, que seguiram os argumentos do relator, Teori Zavascki, e de Barroso. Para Zavascki, o juiz pode escolher em qual momento vai levar em conta os dois fatores, mas pode usá-los apenas uma vez. Os ministros Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e o presidente da Corte, ministro Joaquim Barbosa, votaram no mesmo sentido.
Já Luiz Fux, Rosa Weber, Dias Toffoli e Marco Aurélio foram derrotados.
via RBA
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Parabéns SANTANA/AP
Parabéns SANTANA
pelos buracos sem fim,
pela montanha de minérios,
pela lixeira que não apaga,
pelos caminhões da Amcel e Anglo,
pelas eternas obras do Vilelão e outras,
pela violência sem limites,
pela corrupção generalizada,
pelos motoristas embriagados,
pelo porto vergonhoso,
pela população que mora nas pontes,
pela juventude sem alternativas,
pelo tráfico de drogas,
por tudo de ruim que nossa querida cidade tem.
Robson, Nogueira, Giovane, Dr Tadeu, Rosemiro vcs não passam de um bando de bandidos. Parabéns pra vcs tb que tanto contribuíram com as maravilhas de nossa cidade.
pelos buracos sem fim,
pela montanha de minérios,
pela lixeira que não apaga,
pelos caminhões da Amcel e Anglo,
pelas eternas obras do Vilelão e outras,
pela violência sem limites,
pela corrupção generalizada,
pelos motoristas embriagados,
pelo porto vergonhoso,
pela população que mora nas pontes,
pela juventude sem alternativas,
pelo tráfico de drogas,
por tudo de ruim que nossa querida cidade tem.
Robson, Nogueira, Giovane, Dr Tadeu, Rosemiro vcs não passam de um bando de bandidos. Parabéns pra vcs tb que tanto contribuíram com as maravilhas de nossa cidade.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Repressão e Criminalização dos Lutadores Populares em Mato Grosso
Mais uma vez presenciamos a demonstração dessa ditadura disfarçada de democracia no Estado de Mato Grosso; dessa vez, especificamente no município de Várzea Grande. No dia 29 de novembro de 2013, foi realizada uma manifestação contra a máfia do transporte, que toma conta tanto na cidade de Cuiabá como em Várzea Grande; em Várzea Grande, a população há anos sofre com o descaso dos ditos “representantes” do povo, com enormes problemas na saúde/educação/transporte/moradia, vivenciando cotidianamente os transtornos das obras da Copa do Pantanal.
A população várzea-grandense, além de não possuírem transporte público de qualidade, receberam um presente de natal antecipado, no qual foi construído uma divisão dentro do terminal rodoviário André Maggi. Essa divisão foi feita com catracas e grades de ferro, que força (forçava) a população a pagar duas passagens para poderem pegar outro ônibus e deslocarem-se para outros pontos da cidade e regiões vizinhas. Pode parecer algo simplório, porém, a população não possui o direito de efetuar integração, sem esquecer dos estudantes que não possuem passe-livre estudantil.
Cansados de todo esse abuso gerado pela máfia do transporte (AGER/MTU/EMPRESÁRIOS/PREFEITURA), foi realizada uma manifestação, no dia já citado anteriormente, na qual a própria população aderiu ao ato e arrancou catracas e retiraram as grades que impossibilitavam e aplicavam o roubo contra os passageiros. Foi uma enorme demonstração do quanto a população está cansada de todos esses desvios escancarados para as obras da Copa do Mundo. Foram 25 presos, presos políticos, é claro, boa parte menores e que já foram soltos; no atual momento (30/11/2013), estamos contando com 12 presos políticos.
Nossa maior preocupação agora é a possibilidade de os 12 serem destinados para o presídio Carumbé, caso não paguemos fiança para liberação dos mesmos. O delegado determinou fiança de 8 salários mínimos por militante, que gera o montante de aproximadamente R$ 65.000,00. Estamos atrás de toda solidariedade possível nesse momento, além do suporte jurídico que já está nos acompanhando, estamos precisando de apoio financeiro de todos os companheiros e companheiras que possam contribuir com qualquer valor para que possamos libertar nossos presos políticos.
Não podemos esquecer que isso não passa de uma prática de terrorismo psicológico, que muito foi exercida nos períodos da Ditadura Militar na América Latina como um todo.
NÃO SE INTIMIDAR, NÃO DESMOBILIZAR. NENHUM LUTADOR SOCIAL SEM SOLIDARIEDADE!PROTESTO NÃO É CRIME E NÃO TÁ MORTO QUEM PELEIA!
Rusga Libertária / Resistência Popular–MT / MST / Coordenação Anarquista Brasileira-CAB/SINTECT – MT / Autonomia e Luta /
Pedido de Solidariedade Financeira!
São 11 os presos políticos que já foram encaminhados para os seguintes presídios: Carumbé (masculino) e Ana Maria do Couto (feminino). Foi determinado fiança de R$5.000,00 por militante preso, que gera o montante de R$ 55.000,00. Estamos atrás de toda solidariedade possível nesse momento, além do suporte jurídico que já está nos acompanhando. Estamos precisando de apoio financeiro de todos os companheiros e companheiras, lutadoras e lutadores que possam contribuir com qualquer valor para que possamos libertar nossos presos políticos.
Yan Rocha: AG 0686 OP 013 C/P 15585-6 (Caixa Econômica Federal)
Jelder Pompeu de Cerqueira: AG 1461-3 C/C 53860-4 (Banco Bradesco)
Edzar Allen de M. Santos: AG 1216-5 C/C 73070-X (Banco do Brasil)
Fonte: http://www.farj.org/
Movimentos repudiam criação de efetivo para conter manifestações em SP
29/11/2013
Gisele Brito,
Movimentos sociais declararam repúdio à iniciativa do comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo de criar um efetivo para atuar em manifestações de rua. O coronel Benedito Roberto Meira, comandante da instituição, afirmou durante evento organizado ontem (28) pelo jornal O Estado de S. Paulo que o efetivo terá 120 homens jovens, com mais de 1,80 metro e treinados em artes marciais. O grupo irá reforçar as forças de repressão que atuam em manifestações na cidade.
Atualmente, policiais montados em cavalos, pilotando motocicletas, da Tropa de Choque e da Força Tática são destacados para os protestos, além do efetivo de patrulhamento.
Segundo assessoria de comunicação da PM, o efetivo não tem data para começar a atuar. O treinamento nas técnicas de luta é comum a todos os soldados, sargentos e oficiais e amplia as alternativas disponíveis ao profissional de segurança pública, de acordo com a assessoria. Mas, para ativistas, as características da capacitação representam a disposição do Estado de agir com violência.
“A própria seleção já indica isso. E essa não é uma resposta que esperamos. É uma resposta militar”, afirma o advogado do grupo Advogados Ativistas, André Zanardo. “Quem selecionava gente com mais de 1,80 metro era Hitler para a SS. Agora vemos o governador Geraldo Alckmin fazer o mesmo contra a população”, compara.
“É um governo sem compromisso com o povo. Com isso, eu não tenho sombra de dúvida que nós temos que nos preparar para o enfrentamento”, acredita o coordenador da Central de Movimentos Populares, Luiz Gonzaga, o Gegê. “Ano que vem terá muita pancadaria. Isso se não matarem alguém. Porque a tática deles é amedrontar o povo. Mas isso não resolve. O que resolve são políticas sociais”, defende.
Para Mariana Félix, integrante do Movimento Passe Livre, responsável pela organização das manifestações do começo de junho, quando se intensificaram os atos de rua em todo o país, a resposta do governo do estado foi um conjunto de ações para reprimir a articulação da população. Nesse sentido foi aprovada ontem a criação de uma comissão especial mista no Congresso para regulamentar dispositivos constitucionais ainda pendentes de um projeto de lei que tipifica e penaliza atos de terrorismo no Brasil e para proibir máscaras em manifestações. “Não entendemos o porquê de os governos direcionarem tanto dinheiro para reprimir e não para atender às demandas sociais”, diz.
Foto: Midia Ninja
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Com reforço de fronteiras na Europa, imigrantes optam por 'rotas da morte'
Com o reforço da segurança nas fronteiras em toda a Europa e nos Estados Unidos, imigrantes ilegais são cada vez mais obrigados a optar por rotas perigosas para chegar aos seus destinos, aumentando o número de vítimas fatais nessas jornadas.
Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), já chega a 900 o número de mortos só na travessia do mar Mediterrâneo, rota usada por imigrantes ilegais africanos que tentam chegar às ilhas de Lampedusa, Sicília e Malta, no sul da Europa.
O número é quase o dobro do registrado em 2012 e o triplo de dez anos atrás.
"O número de mortes vem crescendo porque as fronteiras europeias são cada vez mais vigiadas", disse à BBC Brasil Jumbe Omari Jumbe, porta-voz da OIM.
"Há cada vez menos opções para entrar na Europa. Isso leva as pessoas a utilizar alternativas cada vez mais desesperadas e perigosas".
Outra rota amplamente utilizada por imigrantes clandestinos é a da fronteira entre México e Estados Unidos, onde morreram 463 pessoas no ano passado, o maior número desde 2005. Neste ano, apenas em um ponto da fronteira, na região do rio Grande, 70 pessoas perderam a vida.
A travessia via Golfo de Áden, entre a África e o Iêmen e a Árabia Saudita, também é apontada pela OIM como uma rota migratória bastante perigosa. Não há números oficiais, mas as estimativas apontam para entre 100 e 200 mortes anuais nesta rota.
Sírios
O número de imigrantes africanos que tentam entrar na Europa tem se mantido estável de 2007 a 2012, em torno de 20 mil a 30 mil por ano - exceto 2011, quando o conflito da Líbia elevou o número para 63 mil.
A maioria desses imigrantes vem da África subsaariana, de países como Eritreia, Somália, Etiópia, mas também do Sudão, Mali e Gana, além de refugiados de países árabes em conflito.
Neste ano de 2013, o número dos que tentaram a travessia já tinha chegado a 30 mil no início de novembro, graças, em parte, ao número de sírios fugindo do conflito em seu país e que se juntaram aos imigrantes africanos. Estima-se em 8 mil o número de imigrantes sírios que tentaram a travessia do Mediterrâneo neste ano.
Os perigos dessas jornadas vieram à tona mais uma vez com duas tragédias em outubro. Na primeira, um barco com 500 imigrantes africanos naufragou próximo à Lampedusa, causando 360 mortes.
Na segunda, poucos dias depois, outra embarcação também a caminho de Lampedusa, com cerca de 230 passageiros, afundou ao sul de Malta, provocando 87 mortes.
Os dados causam preocupação, pois, apesar de o número de imigrantes em trânsito ser relativamente estável, o total de mortes está aumentando.
"O número de mortes vem crescendo porque as fronteiras europeias são cada vez mais vigiadas", disse à BBC Brasil Jumbe Omari Jumbe, porta-voz da OIM. "Há cada vez menos opções para entrar na Europa. Isso leva as pessoas a utilizar alternativas cada vez mais desesperadas e perigosas".
"As fronteiras terrestres foram reforçadas e o Mediterrâneo se tornou praticamente a única alternativa para entrar na Europa", diz Jumbe, porta-voz da OIM. "No passado, havia várias outras opções, incluindo a Grécia, a Búlgaria e também por avião".
O exemplo mais recente do reforço das fronteiras terrestres na Europa para impedir a entrada de imigrantes é a decisão da Bulgária de iniciar a construção de um muro de 30 quilômetros (e 3 metros de altura) em sua fronteira com a Turquia.
Esse será o terceiro muro na Europa a obstruir o acesso de imigrantes, após o dos enclaves espanhóis de Celta e Melila, no Marrocos, em 1998, e o construído pela Grécia, de 12,5 quilômetros, também na fronteira com a Turquia, finalizado no ano passado.
O porta-voz da OIM afirma ainda que o número de mortes de imigrantes que atravessam o Mediterrâneo para entrar na Europa vem crescendo desde a criação da Agência Europeia para a Gestão da Cooperação Operacional às Fronteiras Externas (Frontex), que acabaou reforçando o controle nas fronteiras europeias.
Segundo dados do OIM, no ano da criação do Frontex, em 2004, foram registradas 296 mortes na rota do Mediterrâneo entre a África e as ilhas de Lampedusa, Sicília e Malta.
Em 2008, esse número havia saltado para 682, mas caiu para 431 em 2009, mesmo assim isso representa um aumento de 45% em relação a 2004.
Números globais
A OIM calcula que 20 mil pessoas morreram desde 1988 na travessia do Mediterrâneo entre a África e o sul da Europa em geral, o que representa uma média de 800 pessoas por ano.
A OIM ressalta que as estatísticas de mortes na rota entre a África e Lampedusa, Sícilia ou Malta, via mar Mediterrâneo, são consideradas, desde 2005, as mais realistas na comparação com rotas migratórias de outras regiões do mundo, onde os dados podem ser subestimados.
Por esse motivo, não há números globais de mortes em rotas migratórias.
A Austrália, que recebeu nos últimos anos milhares de refugiados do Afeganistão e Iraque, também possui números considerados mais precisos: 1.484 imigrantes morreram afogados tentando entrar no país nos últimos 13 anos (incluindo os corpos não encontrados), o que dá uma média de 114 pessoas por ano.
O total de mortes na rota México-Estados Unidos vêm crescendo pela mesma razão observada na Europa: reforço cada vez maior da segurança nas fronteiras, o que leva as pessoas a utilizarem caminhos cada vez mais "isolados, traiçoeiros e perigosos", diz a ONG de direitos humanos Wola.
Para especialistas e ONGS, o controle maior das fronteiras dos países ricos também têm feito com que imigrantes caiam nas mãos de redes de tráfico humano.
Mortes de imigrantes na rota do Mediterrâneo entre a Africa e Lampedusa, Sicilia e Malta
2004 – 296 mortes
2008 – 682 mortes
2009 – 431 mortes
2012 – 500 mortes
2013 – 900 mortes
Fonte: OIM
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Marcos defende anarquistas e critica “moderninhos” e esquerda “bem-comportada
Em comunicado divulgado no dia 3 de novembro, o subcomandante Marcos defendeu anarquistas e black blocs e mandou um recado para os “moderninhos”, com os seus “ismos”, e para a esquerda “bem-comportada”.
No informe intitulado “Más e não tão más notícias”, Marcos se posiciona frente a ofensiva “anti-anarquista que levantam as boas consciências e a 'esquerda bem-comportada', unidas na santa cruzada com a direita ancestral para acusar jovens e velh@s anarquistas por desafiarem o sistema (como se o anarquismo tivesse outra opção)”.
Entre detalhes operacionais de quanto custou a primeira etapa da Escuelita Zapatista, realizada em agosto com 1.281 pessoas de todo o mundo, e ataques às “reformas estruturais” de fachada prometidas pelo governo mexicano, o porta-voz zapatista refez o convite para que outros venham participar da segunda etapa da escuelita, prevista para acontecer no final de dezembro deste ano. Com um detalhe:
“Venham, mas venham para escutar e aprender, porque houve quem veio [na primeira etapa da escuelita] para querer dar aulas de feminismo, vegetarianismo, marxismo e outros 'ismos'. E agora estão desgostosos porque os zapatistas não obedecemos o que nos vieram ensinar: que devemos mudar a lei revolucionária de mulheres como elas dizem e não como decidam as zapatistas; que não entendemos as vantagens da maconha; que não façamos nossas casas de cimento porque é melhor com adobe e palha; que não usemos calçados porque ao andar descalço estaríamos mais em contato com a mãe-Terra. Enfim, que obedeçamos o que nos vem a ordenar... ou seja, que não sejamos zapatistas.”
Quanto à ofensiva contra os anarquistas, a quem acusam “de serem os responsáveis por tudo o que está acontecendo”, Marcos os convidou a escreverem, no momento da inscrição para a segunda escuelita, ao menos uma folha de papel, ou uma palavra, sobre as acusações que lhes estão sendo impostas.
“Compas anarquistas: nós, @s zapatistas, não vamos culpabilizá-los por nossas deficiências […], nem vamos lhes fazer responsáveis pelos nossos erros, nem muito menos, vamos persegui-los por serem quem são. Mais ainda, lhes conto que vários convidados em agosto cancelaram sua vinda porque disseram que não podiam compartilhar a aula com “jovens anarquistas, esfarrapados, punks, cheios de brincos e tatuagens”, que esperavam (os que não são jovens, nem anarquistas, nem esfarrapados, nem punks, nem cheios de brincos e tatuagens) uma desculpa e que se aperfeiçoasse a inscrição. Seguem esperando inutilmente.
O que queremos lhes pedir é que, no momento da inscrição, entreguem um texto, no máximo de uma folha de papel, onde respondam às críticas e acusações que lhes têm feito os meios de comunicação pagos. Este texto será publicado numa seção especial de nossa página eletrônica (enlacezapatista.ezln.org.mx) e em uma revista-fanzine-como-se-diga que está prestes a aparecer no mundo mundialmente mundial, dirigida e escrita por indígenas zapatistas. Será uma honra para nós que em nosso primeiro número esteja sua palavra junto a nossa.
Vale uma folha só com uma palavra que abarque todo o espaço: algo como “Mentem!”. Ou algo mais extenso como “Eu lhes explicaria o que é o anarquismo se pensasse que iam entender”; ou “O anarquismo é incompreensível para os anões do pensamento”; ou “As transformações reais primeiro aparecem na nota vermelha”; ou “Tô cagando com o policiamento do pensamento”; ou a seguinte citação do livro “Golpes e contra-golpes”, de Miguel Amorós: “Todo mundo deveria saber que o Black Bloc não é uma organização, sim uma tática de luta de rua similar à 'kale borroka', que uma constelação de grupos libertários, “autônomos” ou alternativos vinha praticando desde as lutas dos squats (“okupações”) nos anos 80 em várias cidades alemãs' e agregar algo como 'se vão criticar algo, primeiro investiguem bem. A ignorância bem redigida é como uma idiotice bem pronunciada: inútil igual.”
Leia a íntegra em espanhol do comunicado abaixo ou clique aqui:
MALAS Y NO TAN MALAS NOTICIAS.
Noviembre del 2013.
A l@s estudiant@s que tomaron o quieren tomar el primer nivel de la Escuelita Zapatista:
A quien corresponda:
Compañeros, compañeras y compañeroas
Pues como ya es costumbre, me han designado a mí para darles las malas noticias. Así que ahí les van.
PRIMERO.- Las cuentas (ahí les encargo que chequen bien las sumas, restas y divisiones porque las matemáticas no son mi fuerte, quiero decir, tampoco son mi fuerte):
A).- Gastos del primer nivel en Agosto de 2013 para 1281 alumnos:
.- Material de apoyo (4 libros de texto y 2 Dvd´s) para 1281 alumnos: $100,000.00 (cien mil pesos m/n).
.- Transporte y alimentación para 1281 alumnos del CIDECI a la comunidad en que tomaron el curso y de regreso: $ 339,778.27 (trescientos treinta y nueve mil setecientos setenta y ocho pesos con veintisiete centavos), repartidos de la siguiente forma:
Gastos de cada Zona en llevar alumn@s del CIDECI y distribución en cada pueblo en carros y regresarlos a CIDECI, además de alimentación de niñ@s que trajeron l@s alumn@s.
Realidad ————- $ 64,126.00
Oventik—————- $ 46,794.00
Garrucha————– $ 122,184.77
Morelia—————- $ 36,227.50
Roberto Barrios—- $ 70,446.00
Total general—– $ 339,778.27
Nota: Sí, a mí también me llamó la atención eso de “77 centavos”, pero así me pasaron la cuenta. O sea que no estamos en la onda del redondeo.
.- Transporte de 200 guardianas y guardianes al CIDECI donde impartieron el curso y de regreso: $ 40,000.00 (cuarenta mil pesos). Su alimentación fue cubierta por l@s compañer@s del CIDECI-Unitierra. Gracias al Doc Raymundo y a tod@s l@s compas de CIDECI, especialmente a l@s de la cocina (ojo: me deben los tamales).
Total de gasto de las comunidades zapatistas para el curso de primer nivel en agosto del 2013 para 1281 alumnos: $ 479, 778.27 (cuatrocientos setenta y nueve mil setecientos setenta y ocho pesos con veintisiete centavos).
Gasto promedio por alumno: $ 374.53 (trescientos setenta y cuatro pesos con cincuenta y tres centavos m/n).
B).- Ingresos de la Escuelita Zapatista:
Ingresos por registro (el bote que estaba en CIDECI): $ 409,955.00 (cuatrocientos nueve mil novecientos cincuenta y cinco pesos m/n).
Moneda nacional: $ 391, 721.00
Dólares: $ 1,160.00
Euros: $ 175.00
Ingresos en promedio por pago de registro de cada alumno: $ 320.02 (trescientos veinte pesos con dos centavos).
SEGUNDO.- Resumen y consecuencias:
En promedio, a cada alumno se le apoyó con $54.51 (cincuenta y cuatro pesos con cincuenta y un centavos m/n), mismos que fueron cubiertos gracias a donaciones solidarias. Es decir, se apoyaron entre alumn@s.
O sea que, como quien dice, no sale la paga, compas. Fue gracias a que algun@s alumn@s dieron más de los cien pesos obligatorios (algun@s no pusieron nada) y a las donaciones de personas generosas, que apenas pudimos salir a mano.
A l@s que dieron de más y a quienes hicieron esas donaciones extraordinarias, les agradecemos de corazón. Y también deberían agradecerles quienes no pagaron los cien pesos completos o no dieron absolutamente nada.
Pero sabemos bien que es difícil que se repita esto y que algun@s asistentes les paguen el curso a otr@s, así que nos enfrentamos a las siguientes opciones:
a).- Cerramos la escuelita.
b).- Reducimos el cupo a lo que podamos cubrir l@s zapatistas. Me dice el Subcomandante Insurgente Moisés que serían unos 100 por caracol, 500 en total.
c).- Subimos el costo y lo ponemos obligatorio.
Pensamos que no debemos cerrar la escuelita porque ella nos ha permitido conocer y que nos conozca gente que antes no conocíamos ni nos conocía.
Pensamos que si reducimos el cupo, pues much@s se van a quedar tristes o brav@s porque ya tienen todo preparado para asistir, y qué tal que quedan fuera. Sobre todo ahora que ya saben que la esencia del curso está en las comunidades y l@s guardian@s. Y bueno, como a mí tocaría dar la noticia, pues me redundarían las mentadas que no son de menta.
Entonces pues sólo queda pedirles que paguen lo de su transporte-alimentación. Sabemos que eso, además de que va a molestar a algun@s, puede dejar fuera a vari@s más. Por eso les avisamos con tiempo para que vean la forma de completar su paga y/o la de sus compas que quieren y pueden asistir pero no completan.
El costo será ahora de $ 380.00 (trescientos ochenta pesos m/n) por estudiant@ y deberá ser cubierto en el momento de registrarse en el CIDECI los días señalados. Si además quieren traer un kilo de frijol y uno de arroz, pues se les agradecería.
Por favor, les suplicamos, les rogamos, les imploramos que aclaren bien con quiénes vienen, cuántos son y edades, porque luego llegan correos que dicen “voy con mis hijos” y ya que llegan olvídate del casting para “The Walking Dead”. Tod@s l@s que asistan, deben registrarse antes, sean niñ@s, adultos, más mayores, muertos vivientes.
Y aclaren las fechas en las que asisten. Hay 2 fechas ahora, una a finales de diciembre y otra a inicios de enero. Es importante saber a cuál se inscriben porque, como ya saben, hay una familia indígena que se prepara para recibirl@ y atenderl@, un guardián o guardiana que se prepara para orientarl@, un chofer o chofera que alista su vehículo para transportarl@, un pueblo entero que l@ recibe. Y aclaren también si vienen a comunidad o tomarán el curso en el CIDECI de San Cristóbal de Las Casas, Chiapas.
Ah, y vengan a escuchar y aprender, porque hay quien vino a impartir cátedras de feminismo, vegetarianismo, marxismo y otros “ismos”. Y ahora están a disgusto porque los zapatistas no obedecemos lo que nos vinieron a enseñar: que debemos cambiar la ley revolucionaria de mujeres como ellas dicen y no como decidan las zapatistas, que no entendemos las ventajas de la mariguana, que no hagamos las casas de cemento porque es mejor con adobe y paja, que no usemos calzado porque al andar descalzos estamos más en contacto con la madre tierra. En fin, que obedezcamos lo que nos vienen a ordenar… o sea, que no seamos zapatistas.
CASOS ESPECIALES: L@s Anarquistas.
Vista la campaña Anti Anarquismo que levantan las buenas conciencias y la izquierda bien portada, unidas en santa cruzada con la derecha ancestral para acusar a jóvenes y viej@s anarquistas de desafiar al sistema (como si el anarquismo tuviera otra opción), además de descomponer sus escenografías (¿lo de apagar la luz es para no ver a l@s anarquistas?), y que es llevada al delirio con calificativos como “anarco-halcones”, “anarco-provocadores”, “anarco-porros”, “anarco-etcétera” (por ahí leí el calificativo de “anarco-anarquista”, ¿no es sublime?), las zapatistas, los zapatistas no podemos ignorar el clima de histeria que, con tanta firmeza, demanda y exige que se respeten los cristales (que no muestran sino ocultan lo que pasa justo detrás del mostrador: condiciones laborales esclavistas, nula higiene, mala calidad, bajo nivel nutricional, lavado de dinero, defraudación fiscal, fuga de capitales).
Porque ahora resulta que esas raterías mal disimuladas llamadas “reformas estructurales”, que el despojo laboral al magisterio, que la venta “outlet” del patrimonio de la Nación, que el robo que el gobierno perpetra contra los gobernados con los impuestos, que la asfixia fiscal – que favorece sólo a los grandes monopolios-, que todo es por culpa de los anarquistas.
Que la gente bien ya no sale a las calles a protestar (oiga, pero si ahí están las marchas, los plantones, los bloqueos, las pintas, los volantes. Sí, pero son de maestr@s-transportistas-ambulantes-estudiantes-o-sea-nacos-y-nacas-y-de-provincia, yo digo gente bien-bien-del-df. -Ah, la mítica clase media, tan cortejada y al mismo tiempo despreciada y defraudada por todo el espectro mediático y político-), que la izquierda institucional también despoja los espacios de manifestación, que el “único opositor al régimen” ha sido opacado por los sin nombre una y otra vez, que a la imposición arbitraria se le llama ahora “diálogo y negociación”, que el asesinato de migrantes, de mujeres, de jóvenes, de trabajadores, de niñ@s, que todo es por culpa de los anarquistas.
Para quienes militan y se reivindican como de la “A”, bandera sin nación ni fronteras, y que son parte de la SEXTA, pero que en verdad militen y no sea una moda de vestir o de calendario, tenemos, además de un abrazo compañero, un pedido especial:
Compas Anarquistas: nosotros los zapatistas, nosotras las zapatistas, no les vamos a achacar nuestras deficiencias (incluida la falta de imaginación), ni los vamos a hacer responsables de nuestros errores, ni mucho menos los vamos a perseguir por ser quienes son. Es más, les cuento que varios invitados en agosto cancelaron porque, dijeron, no podían compartir el aula con “jóvenes anarquistas, andrajosos, punks, aretudos y llenos de tatuajes”, que esperaban (los que no son jóvenes, ni anarquistas, ni andrajosos, ni punks, ni aretudos, ni llenos de tatuajes) una disculpa y que se depurara el registro. Siguen esperando inútilmente.
Lo que les queremos pedir es que, en el momento del registro, entreguen un texto, máximo de una cuartilla de extensión, donde respondan a las críticas y acusaciones que se les han hecho en los medios de paga. Dicho texto será publicado en una sección especial de nuestra página electrónica (enlacezapatista.ezln.org.mx) y en una revista-fanzine-como-se-diga próxima a aparecer en el mundo mundialmente mundial, dirigida y escrita por indígenas zapatistas. Será un honor para nosotr@s que en nuestro primer número esté su palabra junto a la nuestra.
¿Eh?
Sí, sí se vale una cuartilla con una sola palabra que abarque todo el espacio: algo como “¡MIENTEN!”. O algo más extenso como “Les explicaría lo que es el Anarquismo si pensara que van a entender”, o “El Anarquismo es incomprensible para los enanos de pensamiento”; o “Las transformaciones reales primero aparecen en la nota roja”; o “Me cago en la policía del pensamiento”; o la siguiente cita del libro “Golpes y Contragolpes” de Miguel Amorós: “Todo el mundo debería saber que el Black Bloc no es una organización sino una táctica de lucha callejera similar a la “kale borroka”, que una constelación de grupos libertarios, “autónomos” o alternativos, venía practicando desde las luchas de los squats (“okupaciones”) en los años 80 en varias ciudades alemanas” y agregar algo como “si van a criticar algo, primero investiguen bien. La ignorancia bien redactada es como una idiotez bien pronunciada: igual de inútil”.
En fin, estoy seguro de que no les faltarán ideas.
TERCERO.- Una no tan mala noticia: les recuerdo las fechas y la forma de solicitar su invitación y pedir su registro:
Fecha de segunda vuelta de la escuelita:
Registro el 23 y 24 de diciembre del 2013.
Clases del 25 de diciembre y hasta el 29 de diciembre de este año. Salen el día 30.
Y los que quieran quedar a la fiesta del 20 aniversario del alzamiento zapatista, para festejar y acordar el amanecer del 1 de enero de 1994, con fiesta el día 31 de diciembre y el 1 de enero.
Fecha de tercera vuelta de la escuelita:
Registro el 1 y 2 de enero del 2014.
Clases del 3 de enero al 7 de enero del 2014. Salen el día 8 de enero de 2014, regresando cada quien en sus rincones.
Para pedir su invitación y su registro, mandar un correo a:
CUARTO.- Otra no tan mala noticia es que se supone que yo iba a abrir esta etapa con un texto muy otro, saludando a nuestr@s muert@s, al SubPedro, al Tata Juan Chávez, a la Chapis, a los infantes de la guardería ABC, al magisterio en resistencia, y con un cuento de Durito y el Gato-Perro. Pero como me dijeron que urgía lo de las cuentas y la ratificación de las fechas, pues será para otra ocasión. Está visto: lo urgente no da tiempo para lo importante. Así que se libraron de leer sobre cosas que no son “trascendentes-para-la-presente-coyuntura”… por ahora.
Vale. Salud y, créanlo o no, el mundo es más grande que el titular mediático más escandaloso. Cuestión de ampliar el paso, la mirada, el oído… y el abrazo.
Desde las montañas del Sureste Mexicano.
El SupMarcos.
Conserje de la Escuelita y encargado de dar malas noticias.
México, noviembre del 2013.
"Black Bloc"
Por Lincoln Secco
A imagem de um coronel da PM paulista agredido chocou a imprensa. Deixemos de lado o fato estranho: numa corporação militar não é comum que justamente o oficial de máxima patente fosse deixado sozinho em meio a manifestantes que não costumam ser bem tratados por seus soldados.
A presidente da República, movida pelas pesquisas de opinião, logo se declarou contra os "vândalos". A Folha de S. Paulo já tinha uma pesquisa pronta para revelar que 95% dos paulistanos são contra os Black blocs. Mas o mesmo jornal não explica como a esmagadora maioria da população pode se posicionar sobre aquilo que ninguém sabe o que é!
Afinal, a grande imprensa costuma mostrar o "vandalismo" como um ato irracional. Por que, afinal, alguém ataca caixas de banco? Um articulista da Folha de S. Paulo sugeriu covardemente o uso do exército contra manifestantes! Já o Governador paulista, sempre movido pelo feixe para onde convergem suas ideias, pede que as leis sejam mais duras para agressores de policiais. Ele sequer tem o pejo de violar o artigo 5 da Constituição. Não somos todos iguais perante a lei? Sobre a desmilitarização da polícia nem uma palavra, afinal é uma obra da ditadura tão intocável quanto os torturadores ainda soltos por aí.
Depois dos confrontos do terminal Parque Dom Pedro em São Paulo foram 78 os jovens encarcerados. Segundo relato de um apoiador dos manifestantes, "na delegacia da Mooca havia um advogado do grupo dos ativistas com uma marca de tiro de borracha no abdômen, uma mãe rockeira orgulhosa do filho, pais moradores da Cohab e duas meninas da USP, combativas, e muito gratas pela nossa presença inútil por ali, que era basicamente para afastar os olhares repugnantes dos PMs rodeando no entorno como cães impunes.
Mais surpreendente foi o caso de um garoto que chegou de madrugada procurando o irmão que estava preso por formação de quadrilha. Detalhe: estavam passeando em São Paulo, vieram de Curitiba (portanto formaram a "quadrilha" em poucas horas).
O fato é que jovens sem a cultura política tradicional resolveram deixar a ideologia da espera. Tratados a pão e tijolo, enjaulados em terminais horrendos como o do Parque Dom Pedro, submetidos a infinitas baldeações, eles perderam o medo. Descobriram que não é a esperança que vence o medo. Mas a raiva.
Se algum articulista já esperou de madrugada a saída do 1178 na Praça do Correio; depois chegou ao seu bairro e levou a milésima batida policial, engoliu a seco, chutou tudo o que viu pela frente e foi dormir chorando de raiva, deve só imaginar o que sente a juventude mascarada.
O velho Mao disse certa vez: uma Revolução "não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa". Não vivemos nenhuma revolução até porque a ação dos blocos negros está muito longe da violência revolucionária, especialmente num país com as taxas de homicídio do Brasil. Só a PM mata mais gente do que alguns países em guerra declarada.
Excessos? Sem dúvida. Não advogo aqui tudo o que se faz sob a tática dos blocos negros. Acredito que nem eles. Quando uma esquerda revolucionária retomar seu lugar nas ruas, talvez eles voltem para o fundo das periferias de onde saíram e deixem a direita e a esquerda aliviadas.
Para os que têm dúvidas como eu, repetiria o que me disse um colega há muitos anos numa greve: “Eles estão errados, mas se a repressão está do outro lado, eu não tenho dúvida. Estarei sempre do lado de cá.
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