domingo, 18 de março de 2012

Questões - O Brasil no mundo globalizado

01. (UFPEL) Observe a figura a seguir.


A figura é alusiva ao recente cataclismo no centro financeiro do capitalismo mundial, que gerou uma intervenção sem precedentes do governo estadunidense no mercado para sanear o capitalismo financeiro. Essa crise inevitavelmente atingirá a todos.
Nesses momentos de crise financeira, cresce em importância, na economia mundial, a consideração do risco país, um conceito que orienta os investidores internacionais sobre as melhores escolhas.

Leia as afirmativas a seguir. O risco país
I. determina o grau de instabilidade dos países emergentes de primeira linha: Brasil, Rússia, Índia e China, os que são congregados na expressão denominada Bric.
II. indica, quanto maior, menor capacidade de atrair investimentos estrangeiros. Para tornar o investimento atraente, o país tem de elevar as taxas de juros que remuneram os títulos representativos da dívida.
III. é calculado por agências de classificação de risco e por bancos de investimento. Países como
Rússia, Bulgária, Marrocos, Filipinas, Polônia e outros não são considerados como dados comparativos no cálculo dos índices.
IV. não é influenciado pela contração do crédito externo, ou pela queda do preço das ações e oscilações do dólar no cenário interno de um país, uma vez que depende do relacionamento com o mercado internacional.
V. é um conceito que funciona como um termômetro psicológico do mercado internacional de investimentos, uma avaliação do grau de credibilidade econômica que determinado país inspira a quem estuda a possibilidade de nele aplicar o seu capital.

Estão corretas, apenas,
a) II e V.
b) I e III.
c) III, IV e V.
d) IV e V.
e) I, II e III.
f) I.R.

Letra A

02. (UESPI) O conceito de globalização reúne um conjunto vasto de prescrições ancoradas no consenso hegemônico conhecido por “Consenso de Washington”. Sobre esse assunto, assinale a alternativa incorreta.
a) O Consenso de Washington foi subscrito pelos Estados Centrais do sistema mundial.
b) Esse consenso hegemônico elaborou prescrições acerca do futuro da economia mundial.
c) As políticas de desenvolvimento compõem um dos pilares do consenso de Washington.
d) O papel do Estado na economia está inscrito no receituário desse consenso hegemônico.
e) Esse consenso foi elaborado pelos Estados periféricos do sistema mundial, no início da década de 1970, na Inglaterra.

Letra E

03. (Ufc) A partir de 1989, a América Latina incorpora o neoliberalismo. Este modelo, contestado por diferentes grupos e movimentos sociais, caracterizou-se, neste continente, por

a) atenuar as diferenças sociais e a dependência em relação ao capital internacional, ofertando o pleno emprego.
b) estimular o desenvolvimento do campo social e político e implementar uma sociedade mais justa e igualitária.
c) diminuir o poder da iniciativa privada transnacional, mediante a intervenção do Estado a favor da burguesia nacional.
d) ter uma base econômica formada por empresas públicas que regularam a oferta e a demanda, assim como o mercado de trabalho.
e) instaurar um conjunto de idéias políticas e econômicas capitalistas que defendeu a diminuição da ingerência do Estado na economia.

Letra E

04. (Unimontes) O governo Collor lançou, em 1990, um plano de estabilização econômica que se apoiava nos seguintes pontos, EXCETO

a) Eliminação dos monopólios do Estado em telecomunicações e petróleo e fim da discriminação de capital estrangeiro.
b) Abertura da economia ao ingresso de produtos e serviços importados, por intermédio da redução e/ou eliminação dos impostos de importação.
c) Aumento da participação do Estado no setor produtivo, por intermédio de empresas estatais na
concessão de exploração de infra-estrutura.
d) Confisco, por 18 meses, dos depósitos bancários em dinheiro, tanto em caderneta de poupança quanto em outros tipos de investimentos.

Letra C

05. (Falm) Observe a tabela abaixo e responda:

A tabela acima apresenta a evolução do índice Ibovespa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), medido em pontos. Com base na tabela e nas notícias recentemente veiculadas na imprensa brasileira, é possível afirmar que:
a) O mercado de ações brasileiro vive uma de suas maiores crises das últimas décadas, crise representada na tabela pelo aumento do índice nominal de aproximadamente 18 mil pontos em 2000 para aproximadamente 50 mil pontos em 2007.
b) O crescimento do índice Ibovespa reflete a perda do poder aquisitivo da população e o aumento do desemprego, verificados desde o Plano Real.
c) O mercado de ações brasileiro vive o melhor momento de sua história, momento representado na tabela pelo aumento do índice nominal de aproximadamente 18 mil pontos em 2000 para aproximadamente 50 mil pontos em 2007.
d) O índice Ibovespa representa o grau de confiança dos investidores externos e das agências de risco na economia brasileira.
e) O crescimento do Ibovespa reflete o movimento inflacionário que leva à perda de poder aquisitivo por parte do trabalhador brasileiro.

Letra D

06. (Puc-mg)


A associação dos dados apresentados pelo gráfico à realidade brasileira contemporânea permite
afirmar:

a) O imposto é a base da arrecadação no Brasil e vai diminuir gradualmente com a extinção da taxa
da CPMF.
b) O povo está cansado de pagar tantos impostos e sempre dá o seu “jeitinho” de fugir ao compromisso
com o governo.
c) O Brasil cobra impostos de país rico, entretanto não oferece os serviços no mesmo padrão dos
países ricos.
d) O Brasil tem má distribuição de renda; no que se refere à cobrança de tributos, paga mais quem
pode pagar mais.

Letra C

07. (Fuvest) Em setembro de 2007, aconteceram passeatas, em diversas cidades do País, como forma de protesto contra a privatização da Vale (Companhia Vale do Rio Doce, antiga CVRD).

a) Caracterize o contexto político-econômico mundial e nacional em que se deu a privatização da Vale.
b) Outros movimentos pró-reestatização de empresas públicas que foram privatizadas têm ocorrido na América Latina. Identifique um país em que isto aconteceu recentemente e explique o fato.

Resposta

a) A CVRD – Companhia Vale do Rio Doce – integrou o conjunto de empresas estatais brasileiras que
foram privatizadas a partir da década de 1990, num contexto internacional caracterizado pela prevalência do pensamento neoliberal, momento de consolidação de uma ordem global capitalista.
Essa Nova Ordem que se estabelecia exigia a abertura da economia. Nos países do Sul, essa liberalização dos mercados somou-se à privatização de setores em que a presença estatal, imprescindível no período inicial da industrialização pós-Segunda Guerra Mundial, tornava-se um obstáculo à modernização, inviabilizando investimentos externos.
Além disso, dentro de outro momento do neoliberalismo, que foi o Consenso de Washington, exigiu-se dos países em desenvolvimento a racionalização das contas estatais com o intuito de saldar dívidas. A
venda de estatais, como a CVRD, entrava nesse contexto.
Os investimentos necessários à modernização do equipamento industrial dos países do Sul dirigiram-se
para setores estratégicos, como a infra-estrutura de transportes, energia e telecomunicações.
O resultado desse processo de privatização do patrimônio outrora estatal permitiu a sua dinamização,
embora atualmente alguns setores sociais contrários a esse processos exijam sua revisão.
No Brasil, esse processo teve início no governo de Fernando Collor de Mello, sendo aprofundado no
governo de Fernando Henrique Cardoso. À época, houve já a mobilização de setores sociais que se
opuseram às privatizações, muitas das quais se manifestaram recentemente em favor da reestatização
da Companhia Vale do Rio Doce.

b) Dentre os exemplos latino-americanos de movimentos contrários à privatização, destacaram-se recentemente: a nacionalização dos hidrocarbonetos na Bolívia, a reestatização do setor elétrico na Venezuela, além do avanço da estatal petrolífera venezuelana, a PDVSA, sobre projetos multinacionais no vale do Rio Orinoco.

08. (Ufpe) É inegável que a economia brasileira avançou em vários aspectos, nos últimos anos. Embora o país conte com um expressivo mercado interno e um parque produtivo diversificado, a competitividade permanece travada por diversos fatores, tais como:

( ) inflação elevada para os padrões latino-americanos.
( ) alta carga tributária
( ) juros elevados
( ) crescimento negativo do PIB
( ) deficiências na infraestrutura

Resposta: FVVFV

09. Observe os gráficos apresentados a seguir.

 

Com base nas informações anteriores e em seus conhecimentos sobre o comércio exterior brasileiro,
assinale V (VERDADEIRA) e F (FALSA) para cada uma das afirmativas abaixo.

( ) Em 2005, o Brasil apresentou um superávit comercial com os Estados Unidos, a Argentina e a
China mas houve um déficit com a Alemanha. O comércio bilateral brasileiro com a Argélia e com a
Nigéria não é dos maiores, considerando que esses são fortes parceiros exportadores.
( ) Existe uma concentração muito grande de negócios com os Estados Unidos, sendo esse o país para quem mais vendemos e de quem mais compramos. Desse modo, a balança comercial brasileira é
completamente independente daquele mercado.
( ) A estrutura das exportações brasileiras está baseada em produtos que possuem, em geral, baixa
tecnologia e pouco valor agregado, ou seja, vendemos produtos baratos e temos que importar
itens caros de alta tecnologia e muito valor agregado.
( ) As barreiras do comércio internacional e os baixos investimentos internos em pesquisa e tecnologia
dificultam a inserção do Brasil no mercado exportador de produtos de tecnologia intensiva. Como conseqüência, observa-se que as unidades produtivas são de pequeno porte e com fracos
investimentos no exterior.
( ) A política de substituição de importações pela produção industrial local, adotada desde a década
de 1930, foi responsável pela modificação no quadro de extrema dependência externa, uma vez
que o padrão de crescimento econômico adotado voltou-se para o mercado interno.
Indique a opção que apresenta a seqüência correta.

a) F, V, V, F e F.
b) V, V, F, F e V.
c) V, F, V, V, e V.
d) F, F, F, V e F.
e) F, V, F, F, e F.

Letra C

10. (Ufv) Observe a tabela a seguir:

 

base na análise dos dados da tabela e nos conhecimentos sobre comércio exterior brasileiro, assinale a afirmativa CORRETA:

a) As importações cresceram continuamente, em função das importações de produtos agrícolas europeus e de material eletroeletrônico do Mercosul.
b) O crescimento nas exportações deve-se ao desempenho das indústrias brasileiras de produtos de alta tecnologia no mercado africano.
c) O aumento das exportações brasileiras ocorreu porque a Organização Mundial do Comércio (OMC)
reduziu as barreiras comerciais dos países ricos aos produtos oriundos do Mercosul.
d) O superavit na balança comercial deve-se aos esforços políticos do governo federal e ao bom
desempenho dos produtos agropecuários, como a soja, no mercado internacional.
e) O aumento das exportações é conseqüência do processo de globalização, que ampliou trocas comerciais internacionais, reduzindo a desigualdade entre os países ricos e pobres.

Letra D

11. (Uft) A inserção da economia brasileira no movimento de globalização teve início na década de 1990.

É INCORRETO afirmar que essa inserção foi acompanhada pela

a) adoção de processo industrial voltado para a substituição de importações, que reduziu a dependência do mercado interno por produtos manufaturados.
b) consolidação de um modelo econômico estruturado na liberalização comercial e na atração de investimentos estrangeiros diretos.
c) criação de agências de fiscalização das empresas privadas que se tornaram concessionárias de serviços públicos.
d) implantação de um programa de privatização das estruturas produtivas estatais – indústrias siderúrgicas e empresas de telecomunicação, entre outras.

Letra A

12. (Ufpe) “O processo de privatização das indústrias de base, setor de distribuição de energia e de outros setores que praticamente sempre foram controlados pelo Estado brasileiro, foi um fato marcante na década de 1990.”

Sobre esse assunto, analise o que é afirmado abaixo.

0-0) As privatizações ocorridas nesse período foram decorrentes da aplicação de uma política econômica marxista, de caráter “neo-socialista”, posta em prática por setores ligados ao sistema financeiro internacional.
1-1) O sistema TELEBRÁS foi a primeira empresa a ser privatizada na década referida, tendo sido dividido em mais de 10 empresas de telefonia fixa e móvel.
2-2) Um dos argumentos utilizados como justificativa para as privatizações foi o de que as empresas eram ineficientes, pouco competitivas e davam prejuízos. Assim, a venda dessas empresas diminuiria os gastos do governo.
3-3) Antes de serem privatizadas, as empresas estatais que não se mostravam muito rentáveis, economicamente falando, eram, em geral, financeiramente saneadas.
4-4) As privatizações das indústrias de base ocorreram como aplicação de uma ideologia, segundo a qual a participação do Estado na economia tem que ser máxima, sobretudo em setores que não apresentem déficit financeiro.

Resposta: FFVVF

13. (Unesp) Compare o ritmo de crescimento (PIB) e a inflação em alguns países, nos anos de 2004 e 2005.

 

Assinale a alternativa correta.
a) Dos países da América do Norte, Estados Unidos e México apresentam taxas de crescimento semelhantes e elevados índices de inflação nos dois períodos.
b) Dos países asiáticos, apenas Índia e China apresentam elevadas taxas de crescimento e índices de inflação muito elevados nos dois períodos.
c) Dos países sul-americanos, o Brasil apresenta as menores taxas de crescimento com índices de inflação pouco variáveis, enquanto a Argentina apresenta os maiores índices de crescimento com inflação crescente, próxima dos 10% ao ano.
d) Dentre os países desenvolvidos, Japão e Estados Unidos apresentam elevadas taxas de crescimento, enquanto os índices de inflação, nos dois períodos, estão próximos de zero.
e) Dos países latino-americanos, o Brasil e o México apresentam as maiores taxas de crescimento e os menores índices de inflação, próximos de 2% ao ano.

Letra C

14. (ESPM) Leia a matéria:

Crise já faz governo temer freada no crescimento

Análises de economistas do governo indicam que, se houver recessão nos Estados Unidos, a meta de crescimento de 5% do PIB para o ano que vem ficará comprometida.

(O Estado de São Paulo, 19/08/07)

O impacto da crise financeira internacional, deste segundo semestre de 2007 na economia brasileira, se explica pelo fato de:

a) Não ser o Brasil um global trader e depender exclusivamente do mercado norte-americano para alocar suas exportações.
b) Ser o mercado americano o maior destino das commodities brasileiras e o recuo das exportações pode diminuir os superávits alcançados nos últimos anos.
c) A descapitalização afetar os investimentos estrangeiros no país, gerando um conseqüente superávit nas contas correntes.
d) O Brasil não conseguir manter as médias de crescimento em torno de 5% que obteve nos últimos quatro anos, uma vez que as exportações para o mercado norte-americano contribuem decisivamente para o aumento do PIB nacional.
e) Que o Brasil vem se retirando da globalização, devido ao modelo econômico implementado no atual governo.

Letra B

15. (Ufscar) Os gráficos apresentam os resultados, no Brasil, da Balança Comercial e da Balança de Pagamentos entre os anos de 1970 e 2004.

 

Com base nos dados, pode-se afirmar que:

a) o superávit comercial assegura superávit na balança de pagamentos, fato que explica a política de incentivo às exportações adotada pelo Brasil desde os anos de 1990.
b) as políticas de privatização e de abertura às importações, realizadas a partir do Governo Collor, geraram déficits sucessivos na balança comercial e de pagamentos.
c) apesar das oscilações, houve predomínio das exportações frente às importações, no período representado nos gráficos.
d) a desvalorização do dólar a partir do segundo semestre de 2004 gerou aumento das exportações, redução dos investimentos estrangeiros no país e déficit na balança de pagamentos.
e) o aumento dos juros da dívida externa, na década de 1970, em decorrência da crise mundial do petróleo, é responsável pelos déficits na balança comercial em 1975 e 1980.

Letra C

16. Com base nos dados, pode-se afirmar que:

a) o superávit comercial assegura superávit na balança de pagamentos, fato que explica a política de incentivo às exportações adotada pelo Brasil desde os anos de 1990.
b) as políticas de privatização e de abertura às importações, realizadas a partir do Governo Collor, geraram déficits sucessivos na balança comercial e de pagamentos.
c) apesar das oscilações, houve predomínio das exportações frente às importações, no período representado nos gráficos.
d) a desvalorização do dólar a partir do segundo semestre de 2004 gerou aumento das exportações, redução dos investimentos estrangeiros no país e déficit na balança de pagamentos.
e) o aumento dos juros da dívida externa, na década de 1970, em decorrência da crise mundial do petróleo, é responsável pelos déficits na balança comercial em 1975 e 1980.

Letra D

17. (Unesp) Observe a tabela e assinale a alternativa que indica a relação entre PIB total e PIB per capita, no período considerado.

 

a) Os aumentos do PIB total e do PIB per capita não foram proporcionais, indicando acelerado crescimento econômico.
b) Os aumentos do PIB total e do PIB per capita foram proporcionais, indicando elevado crescimento econômico.
c) O PIB total não aumentou ano após ano, ao contrário do PIB per capita, indicando moderado crescimento econômico.
d) O PIB total aumentou pouco e o PIB per capita praticamente duplicou, indicando elevado crescimento econômico.
e) tanto o PIB total como o PIB per capita aumentaram pouco, indicando lento crescimento econômico.

Letra E

18. (Unesp) Observe as tabelas.



Analisando-se os dados, pode-se afirmar:

a) mais da metade das exportações brasileiras destina-se à União Européia e Estados Unidos, enquanto que a América Latina, o Oriente Médio e a África são as regiões com piores resultados no saldo comercial.
b) quase a metade das exportações brasileiras destina-se à União Européia e Estados Unidos, enquanto que a África, a Ásia e o Oriente Médio são as áreas com piores resultados no saldo comercial.
c) União Européia e Mercosul são os destinos da metade das exportações brasileiras, enquanto que América Latina, Ásia e África são as regiões com piores resultados no saldo comercial.
d) mais de 80% das exportações brasileiras destinam-se a apenas três regiões do globo, enquanto que os piores resultados do saldo comercial concentram-se em apenas duas regiões.
e) União Européia e Mercosul absorvem quase a metade das exportações brasileiras, enquanto que África e Ásia são os continentes com piores resultados no saldo comercial.

Letra B

19. (Cefet) O fundamento da nova ordem econômica é a liberdade dos indivíduos. Mas o que se vê é sua destruição: a violência do desemprego, a precariedade da sobrevivência física, o medo da insegurança: o homem passou a temer o futuro. O reinado do mercado implica o reinado do consumidor, o substituto comercial (despolitizado) do cidadão: o bem público é o bem privado, a coisa pública é a coisa privada. Dizem que as fronteiras entre Estados já não funcionam, mas os trabalhadores não têm livretrânsito. Ao livre fluxo de mercadorias (no sentido Norte-Sul) e do capital não corresponde o livre-trânsito de homens; a mão-deobra farta das antigas colônias e os conflitos religiosos, estimulados, alimentam na Europa e em todo o mundo políticas migratórias racistas e discriminatórias. Importam-se empresas e mercadorias; exportam-se empregos e territórios.

E, em nome do mercado e da liberdade, do livre-câmbio e do neoliberalismo, temos o monopólio absoluto ou mais perfeito (e não estamos em face de uma contradição em termos):

O monopólio estatal pelo Estado único.
O monopólio da economia.
O monopólio do mercado.
O monopólio dos valores.
O monopólio da informação e, finalmente, o monopólio da violência e da guerra.
(Roberto Amaral, Civilização e barbárie. Texto editado)

No Brasil, as idéias relacionadas à “nova ordem econômica”, ao “reinado do mercado” e à “exportação de empregos”, às quais o autor do texto se refere, caracterizaram “Planos Econômicos”
nos governos dos presidentes

a) Fernando Collor e de Fernando Henrique Cardoso.
b) Juscelino Kubitschek e Luiz Inácio Lula da Silva.
c) João Batista Figueiredo e Jânio Quadros.
d) João Goulart e Fernando Collor.
e) José Sarney e Itamar Franco

Letra A

20. (Unicap) Sobre a situação econômica brasileira no contexto neoliberal, são feitas as afirmações a seguir.

( ) 0 No início da década de 1990, o Brasil intensificou as barreiras protecionistas, prejudicando, assim, a entrada de investimentos internacionais no País.
( ) A adoção do modelo neoliberal pelo governo brasileiro acarretou uma certa redução de postos de trabalho nos setores Terciário e Secundário da economia.
( ) Muitas indústrias brasileiras não conseguiram competir com as estrangeiras e foram obrigadas a fechar.
( ) A política neoliberal no Brasil advoga uma maior intervenção do Estado na economia, recebendo, por isso, forte oposição das forças de esquerda internacionalistas.
( ) Com a introdução de tecnologias de informação, robótica e automação, os empregos diretos nas indústrias ampliaram-se, contribuindo, dessa maneira, para a diminuição do desemprego, em especial no início deste século.

Resposta

F V V F F

21. (Pucrio) Desde as últimas décadas do século XX, o Brasil, diante das novas exigências do comércio global, vem mantendo ou criando estratégias econômicas com o objetivo de aumentar sua participação na economia mundial. Sobre o comércio exterior brasileiro, hoje, NÃO É CORRETO afirmar que:

a) as exportações de produtos industrializados superam, em valor, as de produtos agrícolas;
b) a valorização do real frente ao dólar aumenta a competitividade das exportações brasileiras;
c) os principais importadores dos produtos industrializados brasileiros são os Estados Unidos e a Argentina;
d) os superávits crescem graças ao aumento das exportações de produtos industrializados e de commodities;
e) as ações políticas mais agressivas aumentaram as relações comerciais com a Índia, a África do Sul, os países do Oriente Médio e a China.

Letra B

22. (Cesgranrio) A década de 90 do século XX será lembrada na história da economia brasileira como o período em que o Brasil entrou para a era da globalização, ao mesmo tempo em que se desmontaram as bases do modelo de substituição das importações, adotado desde a ultima década do século XIX.

Sobre o processo mencionado, pode-se afirmar que:

I – a estruturação de um novo modelo desenvolvimentista no Brasil permitiu o aparecimento de um ritmo de crescimento econômico classificado como um dos mais elevados do mundo;
II – para atingir as suas metas, o governo brasileiro implementou a estabilidade econômica, com a redução dos altos juros inflacionários que prevaleciam antes da adoção do Plano Real;
III – a redução dos gastos públicos e a diminuição do papel do Estado na economia levaram a cortes nos investimentos em infra-estrutura, piorando a oferta de serviços públicos;
IV – a paridade cambial que marcou este período resultou em uma aceleração do consumo e, em conseqüência, no aumento da oferta de emprego e na elevação da qualidade de vida da população.

Estão corretas as afirmativas:

a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) II e III, apenas.
d) II e IV, apenas.
e) III e IV, apenas.

Letra C

23. (Pucrs) Na Conferência da Organização Mundial do Comércio, realizada em setembro de 2003, em Cancun (México), o Brasil teve uma posição de destaque ao

a) defender uma ampliação da política de livre comércio para as Américas, que beneficiasse também os interesses do Segundo Mundo.
b) liderar um bloco de mais de 20 países visando à revisão da política protecionista dos países ricos de subsídios ao setor agrícola.
c) propor o fim da intervenção americana no Iraque e uma solução pacífica para o conflito entre árabes e israelenses no Oriente Próximo.
d) preconizar a formação de um fundo internacional para a erradicação da fome no mundo, administrado pelo Brasil.
e) defender a proibição internacional do cultivo e da comercialização de produtos geneticamente modificados (transgênicos).

Letra B

24. (Pucsp)

"Se os parceiros (do Mercosul) souberem valorizar-se reciprocamente... será possível promover uma união que leve em conta alguns fatores... é preciso construir um sentido de urgência e premência comparável ao do europeu: se não nos unirmos, seremos devastados pela ALCA".
(Renato Janine Ribeiro em entrevista para "O mundo em português", nZ 29, fev. 2002).

Indique a alternativa que melhor se ajuste a afirmação acima.

a) O ideal seria fazer do Mercosul uma espécie de prolongamento do Nafta, que, assim como a União Européia, é uma associação de países apenas para o livre comércio.
b) Os parceiros do Mercosul devem buscar uma união que ultrapasse apenas o livre comércio, e que promova a cooperação em outros níveis (política, cultura etc) de modo a poder se relacionar com a ALCA com mais força.
c) Mercosul e ALCA são duas realidades excludentes. Aqueles que insistirem em unir-se em torno do Mercosul serão boicotados pela ALCA cuja organização segue o modelo da União Européia.
d) Uma vez inseridos na ALCA, os países que hoje formam o Mercosul se beneficiarão pelo acesso às tecnologias modernas dos EUA e ao seu mercado, o que permitirá um desenvolvimento sem igual a esses países.
e) Tanto NAFTA quanto Mercosul são acordos de livre comércio, assim como outros existentes na América. Na prática, a criação da ALCA busca otimizar todos os acordos do continente, eliminando a divisão desnecessária entre blocos econômicos.

Letra B

25. (Unifesp) Em meio a crises, os países sul-americanos negociam a

a) fusão do Mercosul à União Européia, eliminando taxas para o comércio de produtos agrícolas.
b) implementação da ALCA, sofrendo pressão dos Estados Unidos pela abertura de seus mercados.
c) criação do CARICOM, para instalar bases militares nos países da região, visando combater o terrorismo.
d) ampliação do Pacto Andino, graças ao Plano Colômbia, que visa criar uma infra-estrutura viária comum aos países do bloco.
e) integração dos países do Pacto Amazônico com o NAFTA, propondo o uso sustentável dos recursos genéticos e da água doce.

Letra B

26. (Uurj) "Quem sabe, então, se não seria conveniente, do ponto de vista do interesse nacional, direcionar nossos esforços para a consolidação do Mercosul, como forma de resgatar o velho sonho de integração econômica latino-americana, concebida originariamente - e com surpreendente atualidade nos dias de hoje - em oposição aos mesmos que agora tratam de nos impingir a Alca."
(TAVARES, Maria da Conceição. "Folha de São Paulo", 29/03/98.)

A crítica de economistas brasileiros sobre a formação da Alca, ao mesmo tempo em que defendem a consolidação do Mercosul, justifica-se principalmente porque:

a) o pequeno porte das empresas do setor de serviços nos conduziria a uma situação vantajosa no mercado externo
b) o fim das barreiras comerciais no continente nos colocaria numa situação de falência do setor industrial de capital estrangeiro
c) a estrutura industrial e agrária subordinada aos países centrais nos levaria ao confronto com outras organizações supranacionais
d) a abertura indiscriminada às exportações norte-americanas nos reduziria à condição de produtores de bens primários e de "commodities"

Letra D

27. (Pucrio) "As estruturas estatais no mundo moderno se construíram em torno de um território nacional. Esse foi o parâmetro básico da atuação dos Estados, embora não o único. O Estado desenvolvimentista brasileiro não fugiu a essa regra e delineou o perfil do Brasil atual. Mal ou bem, criou-se por conta da arquitetura estatal um conjunto de interesses nacionais que por vezes se opõem, mesmo que de modo frágil, aos interesses estrangeiros. Na verdade, isso é comum a todas as nações modernas.
Extraído de OLIVA, Jaime. GIANSANTI, Roberto. "Temas da Geografia do Brasil". São Paulo: Atual, 1999.

No Brasil, estamos assistindo ao desmonte desse Estado desenvolvimentista. Dentre os argumentos favoráveis a esse desmonte, podemos citar:

I) O desenvolvimento socioeconômico não pode ser pensado a partir da dimensão nacional devido à crescente globalização da produção.
II) O desenvolvimento encontra-se no mercado e na integração econômica mundial, já que as empresas tomam decisões e operam recursos segundo uma lógica de integração mundial.
III) Para a integração mundial, é necessário remover os obstáculos que dificultam a presença dos interesses da economia global.
IV) O território será mais atraente quanto mais vantagens competitivas apresentar ao capital externo.

Estão corretas as afirmativas:
a) I e III.
b) II e IV.
c) I, II e III.
d) II, III e IV.
e) I, II, III e IV.

Letra E

28. (Ufmg) Considerando-se as questões que envolvem o processo de integração da economia brasileira com a economia mundial globalizada, é INCORRETO afirmar que

a) a abertura da economia aos produtos estrangeiros, por um lado, contribuiu para o aumento da competitividade, mas, por outro, favoreceu o fechamento de postos de trabalho.
b) a persistência da concentração de renda no País acentua a diferença entre o tamanho da população e o tamanho do mercado, desestimulando pequenos e médios empresários, que produzem sobretudo para o consumo interno.
c) a reserva de mercado para o capital nacional, no setor eletroeletrônico, contribuiu para afugentar o capital estrangeiro dos ramos industriais que empregam tecnologia de ponta.
d) o custo/salário da mão-de-obra brasileira vem perdendo importância como fator de atração de investimentos, já que a indústria tem privilegiado o uso intensivo de capital, em detrimento do trabalho.

Letra C

29. (Puccamp) O Mercosul "é uma plataforma de inserção competitiva numa economia mundial que simultaneamente se globaliza e se regionaliza em blocos".
(Celso Lafer, ex-chanceler brasileiro)

Sobre os integrantes desse bloco pode-se afirmar que,

a) o Paraguai tem taxas de mortalidade e analfabetismo semelhantes às da Argentina.
b) a Argentina e o Uruguai têm os melhores indicadores sociais.
c) o Brasil tem a maior esperança de vida e o menor crescimento vegetativo.
d) o Paraguai e o Uruguai têm os mais baixos percentuais de população urbana.
e) o Brasil e a Argentina apresentam volumes de dívida externa semelhantes.

Letra B

30. (Uff) A respeito das relações entre o movimento de entrada e saída de capitais nos "países em desenvolvimento" e a estrutura econômica desses países, entre 1991 e 2000, assegura-se que:

a) O movimento de entrada e saída de capitais nos países em desenvolvimento demonstra o caráter especulativo do dinheiro globalizado que pouco alterou as estruturas econômicas desses países.
b) A fuga de capitais registrada no final da década de 90 decorreu das restrições à livre circulação do capital financeiro estabelecidas pelos países em desenvolvimento.
c) O crescimento econômico dos países em desenvolvimento aumentou sua participação no Mercado Financeiro Internacional, fato evidenciado pela saída de capitais observada no final da década de 90.
d) O intenso movimento de capitais nos países em desenvolvimento sustentou as políticas de fortalecimento das empresas nacionais e proporcionou novos meios de pagamento de suas dívidas externas.
e) O movimento de entrada de capitais nos países em desenvolvimento foi influenciado, especialmente, pelo processo de abertura do mercado e pela privatização de empresas estatais.

Letra E

31. (Ufpi) Com relação a algumas características sócio-econômicas dos países subdesenvolvidos, assinale a alternativa correta.

a) Forte influência de empresas multinacionais que controlam grande parte da economia, além de considerável dívida para com bancos estrangeiros.
b) Nível científico e tecnológico elevado, com altas taxas de escolaridade proporcionando um grande crescimento industrial.
c) Elevado nível de vida da população, com boas condições de alimentação e habitação, além de elevada eficiência na prestação de serviços.
d) Agricultura intensiva com elevados índices de produtividade resultantes do emprego de tecnologia avançada.
e) A população apresenta no seu conjunto elevado nível de vida com baixas taxas de mortalidade infantil e de expectativa de vida.

Letra A

32. (Ufmg) Nos últimos anos, o Brasil experimentou um amplo processo de privatização da economia.
É INCORRETO afirmar que esse processo

a) constituiu uma resposta do Estado brasileiro à necessidade de se tornar mais ágil nas questões que lhe competem e, também, às pressões neoliberais, que acompanham a tendência internacionalmente imposta.
b) aumentou o índice de desemprego no País pelo fechamento de postos de trabalho, uma das exigências do capital privado para se tornar competitivo em nível mundial.
c) fortaleceu a presença do Estado brasileiro dentro das fronteiras políticas nacionais em relação tanto ao capital especulativo quanto ao produtivo, que interferem na economia do País.
d) contribuiu para um expressivo aumento da participação do capital estrangeiro na economia brasileira, no setor produtivo e naqueles de prestação de serviços, anteriormente considerados monopólio do Estado.

Letra C

33. (Pucrs) Responder à questão com base no fenômeno das "ondas" neoliberais que aportaram no Brasil com maior intensidade em 1989, causando modificações políticas, sociais e econômicas.

Apontam-se como fatos relacionados a esta situação:

I. As eleições elevam Fernando Collor de Mello, que defendia a "entrada do Brasil no Primeiro Mundo", à presidência da república em 1989.
II. A diminuição da inflação efetiva-se através do encarecimento do dinheiro, restringindo a circulação e diminuindo investimentos em verbas sociais.
III. A redução do poder de compra provoca o desemprego e o aumento da "economia informal".
IV. Investidores estrangeiros afluem ao país, atraídos por uma economia estável e uma boa infra-estrutura.

Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas as da alternativa
a) I e II
b) I, II e III
c) I, III e IV
d) I e IV
e) II, III e IV

Letra B

34. (Pucrs) Responder à questão com base no fenômeno das "ondas" neoliberais que aportaram no Brasil com maior intensidade em 1989, causando modificações políticas, sociais e econômicas.

Apontam-se como fatos relacionados a esta situação:

I. As eleições elevam Fernando Collor de Mello, que defendia a "entrada do Brasil no Primeiro Mundo", à presidência da república em 1989.
II. A diminuição da inflação efetiva-se através do encarecimento do dinheiro, restringindo a circulação e diminuindo investimentos em verbas sociais.
III. A redução do poder de compra provoca o desemprego e o aumento da "economia informal".
IV. Investidores estrangeiros afluem ao país, atraídos por uma economia estável e uma boa infra-estrutura.

Pela análise das afirmativas, conclui-se que estão corretas as da alternativa
a) I e II
b) I, II e III
c) I, III e IV
d) I e IV
e) II, III e IV

Letra E

35. (Pucrio) Na década de 1990, iniciou-se no Brasil o processo de transferência da infra-estrutura territorial e de segmentos importantes do setor produtivo para a iniciativa privada. Indique, na relação a seguir, o setor que NÃO participou desse processo.

a) Ferroviário
b) Siderúrgico
c) Farmacêutico
d) Telecomunicações
e) Mineração

Letra C

sábado, 17 de março de 2012

Escassez de água pode gerar conflitos no futuro, dizem especialistas

A escassez de água no futuro poderá aumentar os riscos de conflitos no mundo, afirmam especialistas que participam do Fórum Mundial da Água, em Marselha, na França.
Apesar da quantidade de água disponível ser constante, a demanda crescente em razão do aumento da população e da produção agrícola cria um cenário de incertezas e conflito, segundo os especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) diz que a demanda mundial de água aumentará 55% até 2050.
A previsão é que nesse ano, 2,3 bilhões de pessoas suplementares – mais de 40% da população mundial – não terão acesso à água se medidas não forem tomadas.


"O aumento da demanda torna a situação mais complicada. As dificuldades hoje são mais visíveis e há mais conflitos regionais", afirma Gérard Payen, consultor do secretário-geral da ONU e presidente da Aquafed, federação internacional dos operadores privados de água.
Ele diz que os conflitos normalmente ocorrem dentro de um mesmo país, já que a população tem necessidades diferentes em relação à utilização da água (para a agricultura ou o consumo, por exemplo) e isso gera disputas.
Problemas também são recorrentes entre países com rios transfronteiriços, que compartilham recursos hídricos, como ocorre entre o Egito e o Sudão ou ainda entre a Turquia e a Síria e o Iraque.

Brasil x Bolívia

O Brasil também está em conflito atualmente com a Bolívia em razão do projeto de construção de usinas hidrelétricas no rio Madeira, contestado pelo governo boliviano, que alega impactos ambientais.
Tanto no caso de disputas locais, que ocorrem em um mesmo país, ou internacionais, a única forma de solucionar os problemas "é a vontade política", segundo o consultor da ONU.
O presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) Vicente Andreu, que também participa do fórum em Marselha, acredita que hoje existe maior preocupação por parte dos governos em buscar soluções para as disputas.
"O problema dos rios transfronteiriços é discutido regularmente nos fóruns internacionais. Aposto na capacidade dos governos de antecipar os potenciais conflitos."
Durante o fórum, que termina neste sábado, o Brasil defendeu uma governança global para a água e a criação de um conselho de desenvolvimento sustentável onde a água seria um dos temas tratados de maneira específica.
"A água está sempre vinculada a algum outro setor, como meteorologia, agricultura ou energia. Achamos que ela tem de ter uma casa própria para discutir suas questões", diz Andreu.

Direito universal

Na declaração ministerial realizada no fórum em Marselha, aprovada por unanimidade, os ministros e chefes de delegações de 130 países se comprometeram a acelerar a aplicação do direito universal à água potável e ao saneamento básico, reconhecido pela ONU em 2010.
No fórum internacional da água realizado na Turquia em 2009, esse direito universal ainda era contestado por alguns países.
Os números divulgados por ocasião do fórum mundial em Marselha são alarmantes. Segundo estudos de diferentes organizações, 800 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável e 2,5 bilhões não têm saneamento básico.
Houve, no entanto alguns progressos: o objetivo de que 88% da população mundial tenha acesso à água potável em 2015, segundo a chamada meta do milênio, já foi alcançado e mesmo superado em 2010, atingindo 89% dos habitantes do planeta.
Mas Gérard Payen alerta que o avanço nos números globais ocultam uma situação ainda preocupante.
"Entre 3 bilhões e 4 bilhões de pessoas não têm acesso à água de maneira perene e elas utilizam todos os dias uma água de qualidade duvidosa. É mais da metade da população mundial", afirma.
Ele diz que pelo menos 1 bilhão de pessoas que têm acesso à água encanada só dispõem do serviço algumas horas por dia e que a água não é potável devido ao mau estado das redes de distribuição.
Segundo Payen, 11% da população mundial ainda compartilha água com animais em leitos de rios.
De acordo com a OMS, sete pessoas morrem por minuto no mundo por ingerir água insalubre e mais de 1 bilhão de pessoas ainda defecam ao ar livre.

Daniela Fernandes
De Paris para a BBC Brasil

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/03/120316_agua_escassez_df.shtml

 

sexta-feira, 16 de março de 2012

Análise: Síria e Líbia trilham caminhos distintos na luta por mudança

Tanto sírios como líbios se rebelaram contra décadas de governos ditatoriais em seus países. Passado um ano desde que essa revolução começou, por que os dois países árabes vivem realidades tão diferentes?
Houve um momento, durante o levante na Líbia, em que a população local assistiu com preocupação aos desdobramentos transmitidos pela TV.
Ao mesmo tempo, eles assistiam aos sírios repetindo em casa o levante contra um presidente que os reprime há décadas.


Os líbios pensaram que suas próprias necessidades seriam esquecidas enquanto a Síria se tornaria a prioridade internacional. Agora vemos o quanto eles estavam errados.
Será que era simplesmente mais fácil para a comunidade internacional se unir contra o coronel líbio Muamar Khadafi, um homem que aparentava ser um maluco desgrenhado perante os olhos do mundo, do que contra o presidente sírio, Bashar al-Assad, de aparência suave e um tom público mais comedido?
Certamente isso facilitou a aprovação, no Conselho de Segurança, de uma resolução que pavimentou a intervenção internacional na Líbia. No entanto, havia outros fatores mais importantes em jogo.

Jogo de poder

Em comparação com a Síria, a Líbia era um caso simples. Não havia ali divisões sectárias, e a maioria dos líbios estava unida em torno de uma causa comum.
Na Síria, em contraste, qualquer consideração sobre uma intervenção militar externa tem que levar em conta tudo o que deu errado no Iraque - também conhecido por suas divisões sectárias - e na longa e sangrenta guerra civil no vizinho Líbano.
O chanceler francês, Alain Juppé, citou a possibilidade de uma "guerra civil catastrófica" se a comunidade internacional armar a oposição síria.
Também há que se levar em conta as vastas reservas de petróleo da Líbia. Será que o Ocidente poderia se dar ao luxo de esperar mais tempo pelos desdobramentos, vistos como inevitáveis, do levante líbio?
Além disso, há as diferenças políticas e geográficas. A Síria é um campo minado diplomático tanto para os que tentam derrubar o regime quanto para as potências ocidentais que debatem como ajudá-los. O governo de Assad tem aliados no Irã e entre o grupo radical libanês Hezbollah.
O Líbano, por sua vez, tem muito a temer quanto à ameaça de guerra civil no país vizinho. Trípoli já está tendo que lidar com enormes quantidades de refugiados vindos da Síria, e a opinião pública libanesa se divide quanto a apoiar o Exército Livre da Síria (formado por dissidentes do Exército) ou simplesmente se distanciar de sua luta, por medo de que ela respingue no Líbano.
Em contrapartida, na Líbia, Muamar Khadafi havia se isolado de boa parte do mundo. Líderes de países vizinhos e de boa parte do mundo árabe desprezavam o coronel líbio, aberta ou discretamente.

Caminho sem volta

No caso da Síria, o que aconteceu com as pessoas que, um ano atrás, tomaram as ruas pedindo liberdades básicas e a queda do regime de Assad?
Muitos deles foram mortos. Mas deixaram para trás parentes obstinados e manifestantes destemidos certos de que, agora que sua oposição ao regime se tornou pública, eles de qualquer forma morrerão se caírem nas mãos das forças de segurança sírias.
Para eles e para os que deixaram o Exército para se unir à oposição, não há como voltar para trás.
Isso deixa tanto o Ocidente quanto o regime de Assad em um aparente ciclo sem fim de incertezas quanto ao que fazer a seguir.

Rana Jawad
Da BBC News em Trípoli (Líbano)

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/03/120316_anlise_sirialibia_pai.shtml

quinta-feira, 15 de março de 2012

ATUALIDADES / CONCURSO DA SAÚDE 2012 - Parte 3


Estado palestino
Autoridade Nacional propõe reconhecimento na ONU
Sem sucesso em acordos de paz com Israel, a Autoridade Nacional Palestina decidiu mudar de estratégia e propor na 66ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) o reconhecimento do Estado Palestino nas fronteiras pré-1967, situando a capital na parte oriental de Jerusalém. A proposta é recusada por Israel e Estados Unidos.

Mesmo que seja aprovada, uma resolução em favor da Palestina não garantirá o fim dos conflitos com os israelenses. As negociações de paz estão paralisadas há um ano devido à resistência de Israel em desocupar territórios árabes.

Mas ser aceito como o 194º. Estado da ONU teria um efeito político importante para os palestinos. Eles teriam acesso, por exemplo, a tribunais internacionais, onde poderiam abrir processos contra o governo israelense por conta das áreas invadidas.

Há décadas
árabes e judeus disputam as mesmas terras no Oriente Médio. No século 19, colonos judeus foram incentivados a migrarem da Europa para a Palestina. O objetivo era constituir o Estado de Israel. Os árabes, contudo, já habitavam a região há séculos.

Durante a perseguição nazista, na
Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o fluxo migratório de judeus se intensificou. Em 1947, a ONU propôs a divisão da Palestina, formando dois Estados independentes. Jerusalém, cidade considerada sagrada por cristãos, judeus e muçulmanos, foi colocada sob controle internacional, para evitar conflitos. Os árabes não aceitaram o acordo e, no ano seguinte, Israel se tornou um Estado independente.

A tensão entre Israel e países árabes culminou na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Ao fim dos combates, os israelenses assumiram o controle da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, então pertencentes à Jordânia; da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, domínios do
Egito; e das Colinas de Golã, território da Síria.

Os árabes que viviam nessas terras foram expulsos ou se retiraram para campos de refugiados. Os judeus, estimulados pelo governo, começaram a criar assentamentos em Gaza e na Cisjordânia. Nos anos seguintes, ocorreram guerras, massacres e atentados terroristas. A Península do Sinai foi finalmente devolvida ao Egito em 1982, e a Faixa de Gaza, entregue aos árabes em 2005.
Em 23 de setembro, o presidente da autoridade palestina, Mahmoud Abbas, entregou ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, uma carta com o  pedido de inclusão da Palestina como membro pleno da organização,  nas fronteiras definidas antes das ocupações. Países como o Brasil já reconheceram o Estado Palestino.
A reivindicação tem respaldo na Resolução 242 da ONU, de 1967, que determina a desocupação das áreas palestinas. O documento, contudo, nunca foi seguido por Israel.

Votação

Israel não aceita a proposta, pois ela significaria a dissolução dos assentamentos da Cisjordânia, onde vivem cerca de 300 mil judeus (e 2,5 milhões de palestinos), além de abrir mão de Jerusalém Oriental, dividindo novamente a capital. Haveria riscos, de acordo com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de expor o país à ação de radicais islâmicos.

Em maio, quando o presidente americano,
Barack Obama, pediu para que as negociações de paz se pautassem pelas fronteiras traçadas em 1967, Netanyahu considerou o pedido "irreal" e "indefensável".

Agora, o governo americano, principal aliado de Israel, deve ser o maior obstáculo para a admissão do Estado Palestino na ONU. Isso porque a proposta deve ser antes aprovada por nove dos 15 países membros do Conselho de Segurança, sem sofrer nenhum veto. Cinco membros permanentes têm poder de veto: Estados Unidos,
França, Reino Unido, Rússia e China. Washington sinalizou que, se preciso, vetará a medida para pressionar os palestinos a retomarem as negociações com Israel.
Por outro lado, se a candidatura palestina receber aprovação do Conselho, deverá ser votada na Assembleia Geral, onde precisará do voto de dois terços dos 193 países membros.Uma decisão da ONU como esta poderá isolar ainda mais Israel no cenário internacional. Hoje, revoltas em curso em países como Síria e Egito, junto com o apoio de países ocidentais à causa palestina, fortalecem os árabes na geopolítica do Oriente Médio.

Plebiscito: 11 de dezembro
Se aprovada, divisão do Pará criará mais dois Estados
Dois novos Estados podem surgir na região norte do Brasil, dependendo da decisão de um plebiscito para a separação do Pará em três, formando os estados de Carajás e Tapajós. A proposta é rejeitada por grupos que apontam nela interesses políticos, sem benefícios para a população.

O plebiscito foi aprovado pelo Congresso em maio e será realizado em 11 de dezembro. O Brasil possui hoje 27 unidades federativas, sendo 26 Estados e o Distrito Federal. Se a divisão for aceita pelos paraenses, será a primeira vez que um Estado brasileiro surgirá das urnas, de uma decisão popular.

A campanha pelo plebiscito começou em 13 de setembro. Para os defensores da medida, ela levará progresso para o interior do Estado, onde a ausência do governo dificulta o desenvolvimento econômico.

O Pará é o segundo maior Estado do país, atrás somente do
Amazonas. Santarém, por exemplo, fica a 700 Km de Belém em linha reta (por rodovia essa distância é de 1500 Km e por transporte fluvial 800 Km). Com a estrutura política que acompanha a formação de um Estado, será mais fácil, segundo os separatistas, direcionar recursos federais para as regiões mais distantes da capital.

Já os opositores acreditam que a separação, ao contrário, vai piorar os indicadores sociais das cidades paraenses, que estão entre as mais violentas e pobres do país. Além disso, eles apontam interesses políticos e econômicos na repartição.

De acordo com o projeto, o Pará ficaria com 78 cidades (17% do território), 4,6 milhões de habitantes e 56% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 32,5 bilhões. Tapajós, na região oeste, teria como capital Santarém, incluindo 27 cidades (58% do território), 1,2 milhões de habitantes e 11% do PIB (R$ 6,4 bilhões). Carajás, ao sul, cuja capital seria Marabá, contaria com 39 cidades (25% do território), 1,6 milhões de habitantes e 33% do PIB (R$ 19,6 bilhões).

Desde o século 19 há movimentos em defesa da criação do Tapajós, que quase chegou a ser oficializado na
Assembleia Constituinte de 1988, junto com Tocantins. A separação de Carajás tem à frente pecuaristas e empresários do setor de mineração. Mas o fator decisivo para aprovação será o convencimento dos moradores de Belém. A capital concentra o maior foco de resistência à divisão do Estado.

O resultado do plebiscito será encaminhado ao Congresso. De acordo com a Constituição, a criação de Estados e territórios depende da aprovação de uma lei complementar.
 

Como nascem os Estados

Tramitam hoje no Congresso projetos de lei para a instituição de mais 16 Estados federativos. Os projetos podem ganhar novo fôlego, caso a população paraense aprove a divisão no Norte.

Entre os projetos está a criação do Estado do Triângulo, que separa o Triângulo Mineiro do restante de
Minas Gerias, com 37 municípios; Gurguéia, no sul do Piauí, com 87 cidades (60% do território); o Araguaia, com 32 municípios, e o Mato Grosso do Norte, com 47, desmembrados do Mato Grosso; o Rio São Francisco, com 34 municípios, localizado a oeste da Bahia; o Maranhão do Sul, com 49 municípios, dividindo o Maranhão; o Oiapoque, no Amapá; e os territórios do Rio Negro, Solimões e Juruá, no Amazonas.

A primeira divisão territorial brasileira aconteceu após o descobrimento, com a fundação de 15
capitanias hereditárias. No período colonial, as capitanias foram uma maneira encontrada pela Coroa Portuguesa para compensar a falta de recursos para colonizar o país, transferindo terras para particulares.

A hereditariedade foi extinta em 1759 pelo
Marquês de Pombal, mas as capitanias foram mantidas até 1821. Nessa época, a maior parte delas se tornou províncias, que deram origem a quase todos os Estados brasileiros.

No período imperial havia 19 províncias, duas delas oriundas do desmembramento do Pará (Amazonas) e de
São Paulo (Paraná). Em 1828, a província de Cisplatina, no sul, se tornou independente e originou o Uruguai. Com a Proclamação da República, em 1889, as províncias se transformaram em Estados.

Em 1903, o governo comprou da
Bolívia três territórios que, em 1920, seriam unificados para formar o Acre. Durante a Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas desmembrou seis territórios estratégicos do país: Amapá, Fernando de Noronha, Guaporé, Iguaçu, Ponta Porã e Rio Branco.

Com o fim da guerra, Ponta Porã e Iguaçu foram reincorporados aos Estados de Mato Grosso (hoje, Mato Grosso do Sul),
Santa Catarina e Paraná. Os demais viraram Estados: Rio Branco virou Roraima e Guaporé, Rondônia. Fernando de Noronha voltou a pertencer a Pernambuco.

Em 1960 o território de
Goiás passou a abrigar o Distrito Federal, enquanto a antiga capital do país, a cidade do Rio de Janeiro, se tornou o Estado da Guanabara, de 1960 a 1975. Em 1977 parte de Mato Grosso virou o Mato Grosso do Sul e, na Constituinte de 1988, foi criado o Tocantins, ao norte de Goiás.
 
Fome na África
Na Somália, problema atinge quase metade da população
Seca, guerras civis, restrições à ajuda humanitária e caos político resultaram numa crise de fome que afeta 12,5 milhões de pessoas que vivem na região conhecida como Chifre da África, que inclui Djibuti, Etiópia, Quênia, Somália e Uganda. A epidemia de fome já é considerada a pior deste século.

A situação é mais grave na Somália, onde 29 mil crianças morreram nos últimos três meses – uma média de 300 por dia – e 640 mil estão subnutridas, podendo morrer nos próximos meses. Cerca de 3,2 milhões de somalianos (quase metade da população) dependem de doações de alimentos para sobreviver.

A
ONU (Organização das Nações Unidas) decretou crise de fome no país em 20 de julho. O estado de emergência é declarado quando a fome atinge 20% das famílias e o índice de subnutrição ultrapassa 30% da população infantil. Na região de Bay, uma das seis em estado crítico na Somália, a taxa de desnutrição entre crianças é de 58%, a mais alta no país.

Desde os anos 1980, foi a primeira vez que a ONU declarou crise de fome no continente africano. Todos os dias, centenas de pessoas partem de suas cidades em direção a acampamentos improvisados na capital, Mogadíscio, e nos arredores. As barracas já abrigam 400 mil somalianos.

Campos de refugiados mantidos pela ONU como o de Dadaab, na fronteira com o Quênia, tornaram-se refúgio para os exilados. O campo foi criado em 1991 para receber refugiados da guerra civil da Somália e hoje é o maior do mundo, com 440 mil pessoas. Desde o começo do ano, recebeu mais 170 mil refugiados por conta da fome, e o número aumenta a cada dia.

A estiagem no Chifre da África é a mais severa dos últimos 60 anos. A seca prejudicou a produção de alimentos, reduzida a um quarto do necessário para alimentar a população. Estudos apontam que o aquecimento global teria agravado o período de seca, comum nessa região africana.

Entretanto, as condições climáticas não são responsáveis pelas mortes na Somália. Organização política, técnicas de irrigação e doações poderiam ter evitado a tragédia. A guerra civil, em curso no país há duas décadas, impediu que tais medidas fossem adotadas a tempo.
 

Sem governo

A Somália não possui governo desde 1991, quando o regime de Siad Barre foi derrubado por milícias armadas, dando início a uma guerra civil. Um governo provisório foi instaurado em 2004, mas não foi reconhecido pelas milícias e nem pela própria população. O país é considerado um dos mais pobres e violentos de todo o mundo.

Dois anos depois, o grupo islâmico Al Shabab, filiado à Al Qaeda, passou a controlar a região sul, hoje a mais atingida pela fome. Os guerrilheiros impedem que os somalianos recebam mantimentos de agências, como a Cruz Vermelha Internacional, e que saiam de suas cidades de origem. A guerra também destruiu a infraestrutura do país, dificultando o acesso às áreas mais críticas.

Além dos conflitos, questões políticas impediram a chegada de parte das doações aos refugiados. O governo dos Estados Unidos, maior fonte de financiamento de agências humanitárias, teme que verbas sejam desviadas para facções islâmicas que mantém relações com a Al Qaeda.

O governo brasileiro anunciou o envio de quase 72,5 mil toneladas de alimentos à Somália, Etiópia e Quênia. O
Brasil está entre os dez maiores doadores de fundos para os países africanos assolados pela fome.
 
Protestos no Chile
Onda de manifestações estudantis sacode o país
O governo do Chile enfrenta a maior onda de protestos estudantis desde o fim do regime militar (1973-1990). Iniciadas em 6 de junho, as manifestações vêm causando conflitos nas regiões metropolitanas de Santiago, capital de uma das economias mais prósperas da América Latina.

Os jovens querem melhorias na qualidade do ensino e acesso a universidades públicas. Eles conquistaram a adesão de sindicalistas, que convocaram greves gerais no país. Houve ocupações de escolas, universidades e greves de fome entre estudantes chilenos.

Em 2006, cerca de 790 mil alunos foram às ruas protestar contra o governo de Michelle Bachelet. O movimento ficou conhecido como a “revolução dos pinguins”, em referência aos uniformes usados por alunos do ensino secundário. A mobilização atual tem sido comparada com os movimentos estudantis em curso na Europa e no Oriente Médio.

No último dia 26 de agosto, o estudante Manuel Gutiérrez Reinoso, 16 anos, foi morto com um tiro no peito disparado por policiais durante uma marcha em Santiago. A tragédia comoveu a população e aumentou a tensão nas ruas.

A morte do jovem ocorreu no dia seguinte a uma greve geral de dois dias, convocada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores). A paralisação em apoio aos estudantes atingiu 80 setores, entre eles a indústria de mineração, uma das maiores fontes de riqueza do Chile.

Apesar do crescimento econômico recorde de 8,4% no primeiro semestre, os chilenos estão insatisfeitos com a má distribuição da renda no país. O desenvolvimento da economia nos últimos vinte anos concentrou a riqueza nas mãos de poucos.

Outro fator que contrasta com as condições econômicas favoráveis é o sistema educacional, elaborado nos anos 1980 durante a ditadura de
Augusto Pinochet, uma das mais brutais do século 20.

No ensino superior, não há gratuidade nas universidades públicas e os estudantes terminam os cursos endividados e sem perspectivas quanto ao mercado de trabalho. Nas faculdades particulares, o ensino é caro e de má qualidade. Sem uma fiscalização mais rigorosa por parte do governo, os diplomas são comercializados indiscriminadamente nessas instituições.

Problemas semelhantes afetam o ensino secundário. A gestão das escolas foi passada do Estado para os municípios, resultando em escassos investimentos em infraestrutura. O terremoto do ano passado, um dos piores na história do Chile, agravou a situação. Escolas danificadas ainda não foram reconstruídas.
 

Reforma política

Para o ensino superior, a Confederação dos Estudantes do Chile (Confech) quer mais financiamentos para alunos de universidades públicas, mudanças no processo de admissão, ensino gratuito para os mais pobres e fiscalização em faculdades privadas, entre outras reivindicações.

As contrapropostas apresentadas pelo governo foram rejeitadas pela Confech, e as negociações seguem em impasse.

Com a população favorável aos estudantes, o governo do conservador
Sebastián Piñera enfrenta uma crise de legitimidade. Piñera foi eleito em março do ano passado, em uma disputa apertada com a então presidente Michelle Bachelet, encerrando duas décadas de uma coalizão de centro-esquerda no poder.

Na ocasião do resgate dos 33 mineiros, há um ano, o líder contava com altos índices de popularidade junto ao povo chileno. Com os protestos dos estudantes, o governo acumulou os piores índices desde a redemocratização em 1990 – 29% de aprovação e 62% de rejeição.

A oposição, representada pelo Concertación – coligação partidária de Bachelet que governou o Chile por 20 anos – também perdeu o prestígio dos tempos da presidente, que terminou o mandato com a maior taxa de popularidade na América Latina (81%).

Mais do que as questões referentes ao sistema educacional, o Chile precisa, portanto, solucionar uma crise política. As divisões entre esquerda e direita não foram superadas pelo governo atual e os políticos perderam a confiança junto ao eleitorado.

Por esta razão, além da reforma na Educação, os chilenos apontam a necessidade de uma reforma na Constituição do país, outra herança da ditadura militar. Espera-se que essa reforma possibilite mudanças na política.
 
Reformas em Cuba
Pacote deve permitir compra de casa própria e viagens ao exterior
Casa própria, carro e viagens ao exterior fazem parte do sonho de consumo de trabalhadores de todo o mundo. Em Cuba, desde a revolução socialista de 1959, bens e turismo eram restritos ou inacessíveis à população. Agora, um conjunto de medidas anunciadas pelo governo deve mudar o cotidiano dos cubanos.

As reformas econômicas em Cuba são as primeiras em mais de meio século de socialismo. Elas não significam, entretanto, uma abertura política e econômica do mesmo tipo realizado na antiga
União Soviética, em 1991.

As propostas do Partido Comunista, que governa a ilha, foram aprovadas pela Assembleia Nacional no dia 1º. de agosto. O objetivo das Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e da Revolução é estimular a economia do país, afetada pela crise de 2008.

O plano possui 313 itens que tiveram o aval do presidente
Raúl Castro em abril, no congresso partidário. Raúl substituiu o irmão, Fidel Castro, no cargo. Fidel foi afastado em fevereiro de 2008 depois de 49 anos no poder, por causa de problemas de saúde.

As medidas devem reduzir a interferência do Estado na economia – um dos pilares do socialismo – e estimular a iniciativa privada.

Elas incluem um “enxugamento” na máquina estatal, com a demissão de mais de um milhão de funcionários públicos e o corte gradual de subsídios, como alimentos e energia elétrica. Atualmente, 85% do contingente de trabalhadores estão na folha de pagamento do governo cubano.

O Estado, que hoje controla quase que totalmente a economia do país, também deve diminuir a participação em áreas como agricultura, transporte, construção civil e comércio, abrindo espaço para empresas. A previsão é de que as medidas sejam implantadas no prazo de cinco anos.
 

Viagens

As primeiras intervenções na economia já foram feitas no sistema de câmbio. Cuba possui duas moedas: o peso, com o qual são pagos os salários dos cubanos, e o peso conversível, usado principalmente por estrangeiros.

O peso conversível foi criado em 1994 e atrelado ao dólar até 2005. Em abril, o governo desvalorizou em 8% a moeda, que retornou à taxa original. Dessa forma, ficará mais barato viajar a Cuba, reaquecendo o turismo.

As mudanças mais emblemáticas, porém, devem afetar a vida do cidadão comum. Pela primeira vez, será permitido ao cubano comercializar imóveis e carros. Em Cuba, a propriedade privada, base do capitalismo, foi abolida pela revolução. Tudo pertence ao Estado. As famílias vivem por gerações na mesma casa: quando uma pessoa se casa, vai morar com a família do noivo ou da noiva. Somente é permitida a troca de imóveis, não a comercialização, fato que alimenta um comércio paralelo.

Também devem ser facilitadas as viagens ao exterior, que hoje dependem de uma difícil e burocrática aprovação do governo. O custo de tirar um passaporte e pagar as despesas de todo o processo é proibitivo para um trabalhador comum. Além disso, opositores do regime têm as autorizações para deixar o país sistematicamente negadas. É o caso do dissidente Guillermo Fariñas e da blogueira Yoani Sanchéz, que não puderam viajar para receber prêmios internacionais.
 

Socialismo

A Revolução Cubana depôs em 1º. de janeiro de 1959 o ditador Fulgencio Batista, que ocupava o cargo de presidente há 25 anos com o apoio dos Estados Unidos. No auge da Guerra Fria, nos anos 1960, a ilha passou a sofrer embargos do governo americano.

A situação econômica de Cuba começou a se deteriorar no começo dos anos 1990 com o fim da União Soviética, principal parceiro comercial. Nos anos seguintes, houve uma melhora, graças a intercâmbios com a
China e a Venezuela.

Cuba é o único Estado socialista da América Latina, e um dos poucos que restam no mundo, ao lado da China e da
Coreia do Norte. O país possui 11,4 milhões de habitantes e ocupa a 51ª posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que mede o grau de desenvolvimento dos países (à frente do Brasil, por exemplo, que está em 73º lugar).

Os serviços cubanos são conhecidos pela qualidade nas áreas de saúde e educação (a taxa de analfabetismo é quase zero). Por outro lado, a população sofre com a perseguição política, a falta de direitos civis e a censura.
 
China
Partido Comunista faz 90 anos, sustentado pelo capitalismo
O Partido Comunista chinês completou 90 anos de fundação no dia 1o de julho. No comando do país mais populoso do planeta, o partido sobreviveu ao colapso dos regimes comunistas do século 20 e continua mais forte do que nunca.

Vive, no entanto, um paradoxo que precisa ser solucionado: uma moderna e dinâmica economia de mercado aliada a um Estado repressor que limita as liberdades individuais e que destoa das democracias em vigor nos demais países desenvolvidos.

Para se adaptar ao mundo globalizado, o PC chinês precisou adotar o modelo econômico capitalista. As reformas começaram em 1978. Em três décadas, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu numa média anual de 10%, tirando 400 milhões de pessoas da pobreza.

O "milagre" chinês transformou um país agrário e analfabeto na atual segunda maior potência econômica do mundo, atrás somente dos Estados Unidos.

Na política, o governo mantém o controle total sobre a vida dos chineses. Não tolera oposição, reprime com violência os dissidentes e censura a imprensa e a internet. O país vivencia uma das maiores ondas de repressão dos últimos anos, tendo como alvo os ativistas pró-democracia (inspirados pelas revoltas no mundo árabe), tibetanos e outras minorias étnicas.

Hoje, o partido gasta mais com segurança interna, na censura e repressão ao povo, do que com a própria segurança externa.

O
regime ditatorial é o ponto fraco no domínio do partido, que sofre críticas de países ocidentais. Apesar disso, conta com o apoio da maior parte da população, beneficiada pelos avanços na área econômica.

O PC chinês foi fundado em 1921, numa reunião clandestina em Xangai, com apenas 53 integrantes (hoje possui 80,2 milhões de filiados, segundo dados oficiais). Entre os delegados presentes no primeiro encontro estava o líder revolucionário
Mao Tsé-tung, então com 27 anos. O líder é cultuado até hoje na China.