quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Internet tem efeito similar ao de drogas ou álcool no cérebro, diz pesquisa

Viciados em internet têm alterações similares no cérebro àqueles que usam drogas e álcool em excesso, de acordo com uma pesquisa chinesa.
Cientistas estudaram os cérebros de 17 jovens viciados em internet e descobriram diferenças na massa branca - parte do cérebro que contém fibras nervosas - dos viciados na rede em comparação a pessoas não-viciadas.
A análise de exames de ressonância magnética revelou alterações nas partes do cérebro relacionadas a emoções, tomada de decisão e autocontrole.
"Os resultados também indicam que o vício em internet pode partilhar mecanismos psicológicos e neurológicos com outros tipos de vício e distúrbios de controle de impulso", disse o líder do estudo Hao Lei, da Academia de Ciências da China.

Computadores

A pesquisa analisou o cérebro de 35 homens e mulheres entre 14 e 21 anos. Entre eles, 17 foram classificados como tendo Desordem de Dependência da Internet, após responder perguntas como "Você fez repetidas tentativas mal-sucedidas de controlar, diminuir ou suspender o uso da internet?"
Os resultados então descritos na publicação científica Plos One, que poderiam levar a novos tratamentos para vícios, foram similares aos encontrados em estudos com viciados em jogos eletrônicos.
"Pela primeira vez, dois estudos mostram mudanças nas conexões neurais entre áreas do cérebro, assim como mudanças na função cerebral, de pessoas que usam a internet ou jogos eletrônicos com frequência", disse Gunter Schumann, do Instituto de Psiquiatria do King's College, em Londres.
O estudo chinês também foi classificado de "revolucionário" pela professora de psiquiatria do Imperial College London Henrietta Bowden-Jones.
"Finalmente ouvimos o que os médicos já suspeitavam havia algum tempo, que anormalidade na massa branca no córtex orbitofrontal e outras áreas importantes do cérebro está presente não apenas em vícios nas quais substâncias estão envolvidas, mas também nos comportamentais, como a dependência de internet."

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Quase 90% dos aglomerados subnormais ficam em locais com mais de um milhão de habitantes

A localização e distribuição dos aglomerados subnormais estão associadas ao papel das cidades na rede urbana do país.
Dos 6.329 aglomerados subnormais identificados em 323 municípios do país, 88,2 % deles ficam em regiões metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes.


De acordo com o relatório do IBGE, "na Região Norte, grande parte dos municípios, os aglomerados subnormais se formaram em áreas ribeirinhas sujeitas a inundações periódicas. Na Região Nordeste, eles se concentravam nas Regiões Metropolitanas.
Nas regiões Sul e Sudeste, cerca da metade dos municípios com aglomerados estava em Regiões Metropolitanas e, o restante, em municípios do interior dos estados. Na Região Centro-Oeste havia somente municípios com aglomerados subnormai sem Regiões Metropolitanas e no Distrito Federal.

O que são aglomerados subnormais?

Favela, invasão, grota, baixada, comunidade, vila, ressaca, mocambo, palafita são diferentes tipos de ocupação irregular existentes no país.
O IBGE considera aglomerado subnormal todo "conjunto constituído de, no mínimo, 51 unidades habitacionais (casas, barracos, palafitas etc.) carentes, em sua maioria, de serviços públicos essenciais (abastecimento de água, disponibilidade de energia elétrica, destino do lixo e esgotamento sanitário" ocupando ou tendo ocupado, até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) e estando dispostas, em geral, de forma desordenada e densa.

 
Em 2010, 11.425.644 pessoas, ou 6% da população brasileira, moravam em aglomerados subnormais existentes em 323 municípios. Elas estavam distribuídas em 3.224.529 domicílios, concentrados na Regiâo Sudeste (49,8%). O número de pessoas vivendo nas referidas áreas irregulares subiu 75% entre 2000 e 2010.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Senadores do Amapá gastaram R$ 262 mil em três meses


O subsídio mensal dos senadores, por força de decisão do Congresso Nacional, desde o dia 1º de fevereiro de 2011, é de R$ 26.723,13. Os senadores recebem ajuda de custo, no mesmo valor, no início e no final da sessão legislativa, isto é, em fevereiro e dezembro de cada ano, uma espécie de 13º e 14º salários.
Os senadores que não ocupam apartamentos funcionais podem optar por um auxílio-moradia de R$ 3.800,00 para cobrir despesas com aluguel ou diária de hotel em Brasília. Os gastos precisam ser declarados e comprovados formalmente.
Os senadores ainda contam com outros serviços como o atendimento médico odontológico. Para os senadores no pleno exercício do mandato não há limite para as despesas médicas. O atendimento beneficia o parlamentar, o cônjuge e dependentes com até 21 anos, ou até 24, se universitários. Já com relação às despesas odontológicas e psicoterápicas, está estabelecido um limite anual de R$ 25.998,96.
No caso de ser o beneficiário um ex-senador, assim considerado aquele que exerceu pelo menos 180 dias consecutivos do mandato e que tenha participado de Sessão Deliberativa no Plenário ou em Comissão do Senado Federal, o limite das despesas médicas, psicológicas, odontológicas e de fisioterapia é de 84.508 CH (coeficiente de honorários médicos) que corresponde, em valores atuais, a R$ 32.958,12.

Verba indenizatória
O Ato nº 09 de 2011, da Comissão Diretora, com base em outras resoluções emanadas de várias áreas do Senado, constituiu a Cota para Exercício da Atividade Parlamentar dos Senadores – CEAPS, integrando a antiga verba de transporte aéreo e a verba indenizatória. O uso da CEAPS foi regulamentado por Ato do 1º Secretário, no dia 3 de junho de deste ano (2011).
O total da Cota passou a ser composto pelo valor da antiga verba indenizatória (R$ 15.000,00 mensais) e pelo valor correspondente a cinco passagens aéreas, igualmente mensais, e ida e volta da capital do estado de origem do senador a Brasília. Por isso a verba de passagem aérea difere de estado para estado como, também, pode flutuar ao longo do ano de acordo com o valor das passagens. O ressarcimento só ocorrerá mediante comprovação de gasto pelos senadores e as informações serão disponibilizadas, imediatamente, no Portal da Transparência. O senador tem 90 dias, findo o exercício fiscal (31 de março de cada ano) para pedir o ressarcimento de despesas efetuadas. Não há previsão de cota suplementar devida aos membros da Mesa e Lideranças Partidárias.

Escritório de apoio
Os senadores estão autorizados a manter Escritório de Apoio às Atividades Parlamentares, mediante comunicação expressa à Mesa do Senado Federal, onde deve constar o endereço completo de sua localização. O senador pode optar por instituí-lo em diversos municípios quando, a seu critério, a extensão territorial de seu estado ou sua atividade política assim exigirem, sem que essa decisão acarrete qualquer elevação nos quantitativos de pessoal ou de recursos postos à sua disposição. As despesas de instalação e manutenção do Escritório de Apoio correrão por conta da CEAPS a que faz jus cada senador, na forma prevista na regulamentação específica.
No Escritório de Apoio, somente poderão ser mantidas ou desenvolvidas ações ligadas ao exercício do mandato do seu titular.
Somente servidores ocupantes de cargo em comissão em exercício no gabinete do senador poderão ser lotados no respectivo Escritório de Apoio, mediante solicitação à Diretoria-Geral do Senado.
Os senadores não podem lotar ou requisitar, para exercício no Escritório de Apoio, servidores do Quadro de Pessoal Efetivo do Senado Federal e de seus órgãos supervisionados, bem como servidores ocupantes de cargo em comissão vinculados à Mesa Diretora, aos Gabinetes das Lideranças ou às demais unidades administrativas.
Aos senadores poderá ser concedido, se solicitado, passaporte diplomático emitido pelo Ministério das Relações Exteriores. A concessão de passaporte diplomático ao cônjuge, companheiro ou companheira, e aos dependentes dos senadores, também é regulado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Cotas
Correios – as despesas com os Correios variam de acordo com o Estado de origem do parlamentar e o tamanho de sua população. O senador tem direito a duas unidades postais para cada grupo de 1.000 (mil) habitantes do estado representado. A cota mensal mínima é de 4.000 mil correspondências.
Gráfica – valor de R$ 8.500,00 pro senador, mas é proibida a impressão, editoração e publicação de qualquer material que não seja inerente às atividades parlamentares, ao Conselho Editorial e a renovação e manutenção de material de expediente administrativo. Revistas e Jornais - cada senador tem direito a assinatura de duas revistas de sua escolha e quatro jornais: sendo um de Brasília, um do Rio de Janeiro, um de São Paulo e um do Estado representado.
Internet (envio de e-mails) – até agora não há norma específica para a cota de internet dos senadores. Eles utilizam os parâmetros globais do sistema de correio. A única particularidade é que a caixa do Outlook dos senadores é considerada como caixa institucional, com capacidade maior de armazenamento.
Telefone – a cota mensal dos senadores para telefone fixo é de R$ 500,00. As despesas com o uso de telefone residencial podem ser ressarcidas com base nos mesmos valores. Por outro lado, não há limite para gastos com telefone celular. Cada gabinete de senador está aparelhado com uma linha direta para uso normal; uma linha direta para uso de FAX; seis ramais digitais (MD 110); e dois ramais analógicos.
A manutenção dos ramais e das linhas telefônicas fica associada ao gabinete, não se admitindo a transferência de linha e ramais entre gabinetes, ainda que ocupados por um mesmo parlamentar, ou por ocasião de mudança.
Combustível de veículos – a cota diária de combustível dos senadores é de 25 litros de gasolina ou 36 litros de álcool, de segunda a sesta-feira, quando da estada em Brasília. A cota não pode ser antecipada ou acumulada.
Os gastos com combustível nos Estados podem ser custeados com recursos da verba indenizatória.
Cada senador tem direito ao uso de um veículo oficial em Brasília.

Os senadores
amapaenses
Os três senadores eleitos pelo Estado do Amapá que estão no exercício do mandato são: José Sarney (PMDB e presidente do Senado), Geovani Borges (PMDB que substitui Gilvan Borges) e Randolfe Rodrigues (PSOL). O senador Randolfe Rodrigues foi eleito nas eleições regionais de 2010 e, portanto, está iniciando o mandato de oito anos.
Durante o último trimestre (julho, agosto e setembro) os três senadores gastaram da CEAPS – Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar R$ 262,8 mil reais, sendo que o mais gastador foi o senador Geovani Borges que quase chegou aos R$ 140 mil. O senador Sarney, dessa rubrica, utilizou R$ 24 mil para contratação de consultoria, assessorias, etc.
O senador Randolfe Rodrigues (PSOL) ficou bem perto dos R$ 100 mil, alcançando o total de R$ 99.800,99.
O quadro a seguir mostrar os gastos que estão no Portal da Transparência do Senado (www.senado.gov.br/transparência/).
Por Rodolfo Juarez

sábado, 17 de dezembro de 2011

Geografia do Amapá

Localizado no nordeste da região norte do país, ocupando uma área de 143.453,7 km2, limitado ao norte com a Guiana Francesa, a nordeste com o Suriname, a leste com o oceano Atlântico e ao sul e oeste com o Pará, do qual está separado pelo rio Amazonas. Parte de sua superfície é constituída por terras baixas onde se encontram mangues e lagos — bacia do Oiapoque, litoral atlântico, foz do Amazonas —, embora possua trechos mais elevados, com altitudes superiores a 200 metros, na região centro-ocidental, incluída no Planalto das Guianas. O ponto mais elevado do Estado é a serra do Tumucumaque, com 500 metros de altitude, situada em sua parte noroeste. O clima predominante no Amapá é equatorial, ou seja, quente e muito úmido, com índice de pluviosidade superior a 2.500 mm anuais. As temperaturas médias anuais oscilam entre 25 e 30º C. A maior parte do território do Estado do Amapá, cerca de 73% do total, que corresponde a aproximadamente 97.000 km2, está coberta pela Floresta Amazônica ou Hiléia Brasileira. No entanto, na faixa oriental encontram-se campos "cerrados", com árvores esparsas e esgalhadas, e o solo recoberto de gramíneas e manguezais.
Aproximadamente 39% da área de sua bacia hidrográfica, que ocupa toda a extensão do Estado, pertence à bacia amazônica, enquanto o restante incorpora-se ao trecho norte e nordeste da bacia do Atlântico Sul. Seus rios mais extensos são o Jari, o Oiapoque e o Araguari, que correm diretamente para o oceano Atlântico. O Jari é principal tributário do rio Amazonas e o Oiapoque corre na fronteira com a Guiana Francesa. Destacam-se ainda na bacia hidrográfica do Estado, os rios Calçoene e Maracá.

Economia - Destacam-se as atividades extrativistas tanto vegetais como minerais. No extrativismo vegetal são exploradas a castanha-do-pará, palmito e as madeiras. Entre os minerais mais encontrados estão as jazidas de manganês, ouro, caulim e granito. A produção agrícola limita-se ao cultivo de arroz e mandioca. Na pecuária predominam as criações de búfalos e o gado bovino.O setor industrial dedica-se ao processamento das principais riquezas do Estado, ou seja, a extração mineral, a madeira e também a pesca. A produção de energia elétrica no Amapá supera o seu consumo doméstico. Entre junho de 1993 e julho de 1994, foram produzidos 451 milhões de kWh de energia, para um consumo local de 220 milhões de kWh.


Formação Histórica - A região foi doada ao português Bento Manuel Parente, em 1637, com o nome de capitania da Costa do Cabo do Norte. A região sofreu incursões de ingleses e holandeses, que foram expulsos pelos portugueses. No século XVIII, os franceses também reivindicaram a posse da área e em 1713, o Tratado de Utrecht estabeleceu os limites entre o Brasil e a Guiana Francesa, os quais não foram respeitados pelos franceses. Os portugueses construíram então a fortaleza de São José do Macapá, para proteger seus limites das incursões dos franceses.
O povoamento do território começou a se intensificar no século XIX, com a descoberta de ouro na área e o crescimento da extração da borracha, que havia atingido altos preços internacionais na época. A descoberta de riquezas, no entanto, fez crescer as disputas territoriais, que culminaram com a invasão dos franceses em maio de 1895. A Comissão de Arbitragem, em Genebra, em 1º de janeiro de 1900, deu a posse da região ao Brasil e o território foi então incorporado ao Estado do Pará com o nome de Araguari. Em 1943, passou à administração do governo federal, com o nome de Amapá. Em 1945, a descoberta de ricas jazidas de manganês na serra do Navio, revolucionou a economia local. Procedeu a nova divisão territorial, passando a parte do Amapá ao norte do Rio Cassiporé a constituir o Município de Oiapoque. Foi mais uma vez desmembrado em dezembro de 1957, com a criação do município de Calçoene e a cessão de terras ao norte dos rios Amapá Grande e Mutum. A nova Constituição, promulgada em 5 de outubro de 1988, elevou o território do Amapá à categoria de Estado da Federação.

Manganês - Principal riqueza do Estado do Amapá, o manganês teve sua exploração iniciada em 1957. Ali se encontram as maiores reservas do País, chegando o Estado a extrair 80% da produção total de manganês brasileiro na década de 60. Suas jazidas foram arrendadas por 50 anos pela ICOMI, Indústria e Comércio de Mineração, do grupo Bethlehem Steel, que paga royalties de 4 a 5% do valor do minério extraído ao Governo local, sendo as encomendas asseguradas por um contrato com o Defense Materials Procurement Agency, órgão governamental norte-americano. A renda dos royalties do manganês foi destinada à construção da Usina de Paredão, para assegurar base energética às indústrias que vierem a ser ali instaladas. A mineração do manganês provocou deslocamento de mão-de-obra e contribuiu consideravelmente para o aumento da população no Estado, antes Território administrado pelo Governo Federal. Essa empresa construiu uma estrada de ferro com capacidade para 700.000 toneladas de minério e 200.000 toneladas de outros tipos de mercadorias, assim como um porto, a que podem ter acesso navios de até 45.000 toneladas.

Outras riquezas minerais - Além do manganês, o Amapá tem também grande reserva de recursos naturais que inclui minerais como o ouro, explorado nos garimpos dos rios Calçoene, Cassiporé e Igarapé de Leona, além do rico veio existente no rio Gaivota. Diamantes são também muito encontrados na região de Santa Maria. A 80 km da capital, Macapá, existe uma jazida de 9,6 milhões de toneladas de hematita, com 70% de ferro, explorada pela empresa Hanna Company.


Macapá - A capital do Estado do Amapá ocupa área de 6.562,4 km2, localizada a uma altitude de 16,5 metros a 1.783 km de distância de Brasília, a capital do País. A cidade é um porto fluvial situado no braço mais largo e mais ao norte do delta do rio Amazonas, no lado oposto ao arquipélago de Marajó. O acesso à cidade é possível por via aérea ou de barco. O Forte de São José de Macapá, que deu origem à cidade, foi fundado em 1688. Em 1758, o povoado recebeu o status de vila e recebeu o nome de São José de Macapá.
Entre os principais atrativos turísticos da cidade encontra-se a igreja de São José de Macapá, construída em 1761, no período em que chegou grande número de portugueses ao local. O forte de São José de Macapá, construído entre 1764 e 1784, numa língua de terra que avança pelo rio Amazonas, é outra atração da cidade, que atualmente encontra-se em sua zona central.
A linha do Equador, conhecida como "Marco Zero", ou seja, com sua latitude de 0º, encontra-se a 5 km do centro da cidade de Macapá e pode ser alcançada pela Rodovia Juscelino Kubitscheck. Na cidade de Laranjal do Jari, ao sul de Macapá, encontra-se a cachoeira de Santo Antonio, queda d´água de 30 metros de altura, que proporciona linda paisagem. Próxima a esse local, está o vilarejo de Mazagão Velho, fundada no século XVII, mas tendo preservado seu estilo, costumes tradicionais e algumas construções do período colonial. A partir do Porto de Santana, 28 km ao sul de Macapá, existe uma variedade de passeios de barco que podem ser feitos pelas ilhas do rio Amazonas, incluindo a ilha de Marajó, os igarapés, os estreitos canais entre as ilhas e, na direção do Oiapoque, ao norte, pode ser visitada a área de fronteira com a Guiana Francesa.


Lago Piratuba - Reserva natural com área de 385.000 hectares, localiza-se no município de Amapá, costa leste do Estado, e é banhada pelo rio Araguari, que nesta altura deságua no oceano Atlântico.

Parque Nacional do Cabo Orange - Com área de 619.000 hectares, na região da baía do Oiapoque, extremo norte do Estado do Amapá, o parque foi criado em 1980 e se estende ao longo da costa, passando pelos municípios de Oiapoque e Calçoene. O acesso ao parque se dá através da rodovia BR-156, que liga Macapá a Oiapoque e Clevelândia do Norte, na fronteira com a Guiana Francesa. Pode também ser alcançado por barco, a partir de Macapá ou Porto Santana.

Pororoca - A palavra é de origem indígena e expressa o barulho produzido pelo fenômeno do encontro das águas do rio Amazonas com o oceano Atlântico, com um volume de 240.000 m3 por segundo. O choque é particularmente violento no período das marés de primavera. Na primeira fase do encontro, as águas do Amazonas penetram por vários quilômetros dentro do oceano. Em seguida, a maré empurra o rio de volta na direção de seu curso e este se expande pela terra ao redor, inundando toda a região, inclusive praias e as ilhas mais rasas. Dessa forma, o rio é então impedido de despejar suas águas no oceano, ao mesmo tempo em que faz pressão para impedir a força do mar contra seu percursos. A certa altura essa disputa se encerra e a força da maré penetra no estuário do rio Amazonas. As ondas crescem a uma altura de 4 metros, com ruídos que podem ser ouvidos a vários quilômetros de distância. Esse espetáculo natural pode ser observado em vários pontos do estuário do Amazonas, mas sua performance mais impressionante ocorre no maior braço do rio, situado no litoral do Amapá. Existem barcos que levam os turistas ao delta do rio Araguari, que também fica alagado, em viagem que dura 15 horas a partir de Macapá.


Indígenas - A população indígena do Estado do Amapá está estimada em 4.100 habitantes, divididos em quatro grupos — Galibi, Juminá, Uacã e Waiãpi — que ocupam área total de 1.091.454 hectares. Todas essas áreas já se encontram definitivamente demarcadas pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI).

domingo, 27 de novembro de 2011

“Esta luta não é só dos chilenos, mas de todos os jovens do mundo”


Oleg Yasinsky
Santiago, Chile
Desinformémonos

Um renovado movimento estudantil cresce no Chile desde maio deste ano. São já seis meses de protestos nas ruas, assembleias e articulações com outros setores da sociedade, sob a primeira demanda de um novo modelo de educação que se traduz em uma demanda contra o sistema neoliberal em geral.

Camila Vallejo, uma jovem de 23 anos, estudante de Geografia, tornou-se uma das figuras visíveis do movimento mais importante no Chile desde a chegada da Concertación. Presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile, militante das Juventudes Comunistas, Camila fala em entrevista ao Desiformémonos dos desafios e esperanças do movimento, das conquistas obtidas e dos temores atuais. Na primeira entrevista concedida a um meio de comunicação mexicano, Camila saúda aos estudantes da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e envia uma mensagem aos jovens da América Latina.

A seguir a entrevista completa:

O que é ser de esquerda hoje?

Primeiro, tem que se entender que é necessário fazer mudanças profundas na sociedade e no sistema político-econômico e cultural, que é a estrutura, mas também tem que se ter a consciência de que isso requer fazer ação coletiva, trabalho coletivo e trabalhar de maneira organizada e em unidade. Em segundo lugar, essa transformação tem que ter o objetivo de recuperar a soberania dos distintos povos, particularmente no Chile, que essa soberania não somente se traduza na recuperação dos recursos naturais, mas também no poder de distribuir de melhor forma o poder político, uma democracia muito mais coletiva, muito mais participativa que implica em gerar a nível institucional os espaços necessários para que as diferentes sociedades tomem em suas próprias mãos a construção do futuro, e isso com o princípio básico de ter maior justiça social, que passa tanto por justiça distributiva como justiça produtiva e, nesse sentido, não só se foca na recuperação dos meios de produção materiais, mas também culturais, no conhecimento, tem que se democratizar. Acredito que esse é o grande desafio hoje em dia da esquerda.

Por que este movimento surge agora, 23 anos depois do término da ditadura? Por que deixou-se passar tanto tempo? Parecia que no Chile não acontecia nada...

No Chile sempre estão acontecendo coisas, o que acontece é que para fora não se mostra isso, para fora se diz que somos uns jaguares da América Latina, que somos um país exemplar, com um modelo educacional exemplar, que temos uma estabilidade a nível de governo muito clara, um abrupto crescimento econômico, que temos acabado com a pobreza, mas não se mostra como se tem acumulado certos descontentamentos sociais, resultado de lutas, que não têm tido um bom final.
Temos tido mobilizações não tão massivas como esta, mas que têm sido importantes, que têm colocado mudanças sobre a mesa e ainda assim nossa institucionalidade política não tem lhes permitido expressar-se e que essa opinião se traduza em algo vinculativo, como um projeto de lei; então, há uma acumulação de descontentamento que obviamente tem a ver também com o desenvolvimento, a perpetuação e o aprofundamento da desigualdade em nosso país, um país que tem combatido a pobreza, a indigência e onde, contudo, a desigualdade cresce cada vez mais, e o pior, é que a gente tem tomado consciência de que essa desigualdade não é por mero continuísmo de algo, mas que está se reproduzindo como resultado do sistema dominante que foi instaurado à força na ditadura. Aqui se reflete que este estouro social, como se tem assinalado, não é algo espontâneo, mas que vem de toda essa acumulação e amadurecimento de lutas sociais anteriores.

Por que vocês têm tanto apoio e tanta simpatia do povo e não só no Chile? Esperavam uma reação assim a princípio?

Acredito que atacamos problemas centrais do sistema e creio que isso tem gerado transversalidade. Esta não é uma luta sindical, pela defesa de algo corporativo ou algo que não implique diretamente aos estudantes, mas a problemática que se tem apresentado e a demanda que se levanta é uma demanda social, que é para todos, não somente para a atual geração, mas para a futura, e isso tem gerado simpatia e tem também despertado a consciência de muita gente, devolvendo a esperança a aqueles que haviam lutado anteriormente, mas por temor não seguiram lutando, e creio que isso tem sido a principal riqueza deste movimento: a transversalidade, o despertar da consciência, o ataque ao problema central e, sobretudo, o resultado do movimento; creio que não temos negociado, não por intransigência, mas por responsabilidade ante questões que para nós são éticas e morais, que são luta legítima. Nesse aspecto, creio que se tem gerado o maior respaldo social a este movimento.

Quais são os medos e as esperanças deste movimento depois de tantos meses?

A esperança é muita, porque se vê que o Chile já não é mais o mesmo de antes, que a partir disto há um despertar, mas também uma mudança ou o início de uma mudança na estrutura mental, que não chegou ainda, mas se vislumbra; e que a partir daqui podem se desenvolver processos de construção muito mais arraigados na base social que possibilitem reconstruir o tecido social que foi destruído durante a ditadura.
O temor mais grande é que isto se mantenha de maneira linear e que não tenha êxito, e que a frustração seja tão grande que o recolhimento também seja muito prolongado. Nesse sentido, o como poder fazer agora, por exemplo, retirada tática para a acumulação de força e para reformular-se a estratégia, dado que o governo não está fazendo nada, creio que é o maior temos - “O que vai acontecer com isto?”, não somente o dizia Lenin, mas que outros grandes intelectuais falavam de como tem que dar-se as lutas sociais, é que têm momentos onde um não pode fazer só pressão, pressão, pressão, inerte, mas que um também tem que tomar o pulso, retroceder e voltar a pressionar com mais força. E creio que isto falta, e ainda não o podemos aplicar.


Que lugar ocupa a tecnologia na vida cotidiana dos jovens chilenos? Que valor vocês dão às redes sociais? Elas têm sido realmente importantes para este movimento?

São uma ferramenta dinamizadora dos fluxos de informação, das convocações, acredito que têm permitido maior fluidez, mas não têm sido o fator determinante para a articulação de um movimento amplo e massivo. Acredito que isso se trabalha no seio da organização, de uma forma personalizada. Quer dizer, este movimento não se levantou graças às redes sociais. Antes pela construção que vem desenvolvendo-se há muitos anos. São as organizações, é seu amadurecimento político orgânico, a articulação que se gerou com o movimento; a construção tem sido do trabalho pessoal, não midiatizado por Facebook, nem Internet ou Twitter.

Como o povo mapuche participa nas mobilizações estudantis?

O povo mapuche é um ator que ainda não é maioritário, mas tem se integrado a este processo. Não somente porque a demanda histórica da recuperação de suas terras é muito mais antiga que a nossa, mas porque a problemática da educação é muito mais integral do que pensávamos. De como se forma, como se educa. É através do processo de educação que se respeitam as distintas identidades e, neste caso, considerar como uma nação um povo que não é o mesmo que o povo chileno, que é o povo mapuche, que é diferente. Então, o projeto educativo que nós acreditamos que tem que se criar para o futuro envolve a realidade do povo mapuche: sua história, sua construção, sua visão de sociedade, sua visão de futuro, sua relação com o meio; essas coisas nós não somente temos que apresentar como um desafio para envolvê-las no sistema educacional, mas como uma questão à parte, também temos que nos alimentar desse conhecimento. Aqui tem exercido um papel muito importante o povo mapuche com a integração particular da Federação Mapuche de Estudantes, a Confech, que tem nos permitido repensar o projeto educativo com este fator.

Qual é o papel da imprensa e dos jornalistas nesse processo?

São um poder real. A imprensa no Chile está muito manipulada pelos grandes grupos econômicos, joga em grande medida a favor dos interesses do governo, obviamente. Todos conhecemos dos duopólios que estão por trás dos grandes meios de comunicação. Neste processo, ao menos a princípio, dispôs muito bem a opinião pública ao que estava acontecendo porque não havia outra, porque era muito massiva a manifestação, muito criativa, muito diversa, alegre; aqui o papel que exercem os meios também tinha que ser um pouco mais imparcial. Contudo, com o desenvolvimento do conflito se chegou ao ponto em que não se resolve nada com o governo e os meios tomaram outra estratégia, já clara, de indispor a opinião pública ante o movimento estudantil, os movimentos sociais, e isso se vê nas ruas, a disposição se centra na suposta delinquência, na violência, na necessidade de se reprimir, de criminalizar o protesto social; então, obviamente, os meios de comunicação são do sistema – um sistema comunicacional – em que se permite reproduzir a hegemonia de um discurso dominante, um discurso que provém particularmente do governo atual, dos setores mais reacionários.
Outra coisa são os meios alternativos, a rádio; eles exercem um papel que está se diversificando e ampliando mais, resultado da necessidade de comunicar da melhor forma o que está acontecendo. Com mais objetividade, um pouco mais a favor do que é realmente o movimento estudantil.

Em que momento sentiram que este movimento teria tanta força?

A verdade é que todos nós nos surpreendemos. Na primeira manifestação não esperávamos mais de 3 mil pessoas e chegaram em torno de 10 mil; esta foi a primeira vez que nos surpreendemos. Depois veio a segunda e a terceira crescia e não parava, não parava e todos nos surpreendemos; a cada manifestação que convocamos aderia mais gente.
A verdade é que houve uma surpresa contínua durante todo esse tempo e em algum momento pensamos “bom, houve um salto qualitativo maior”. Nós sempre soubemos que a demanda partia de algo simples, concreto: o endividamento, o problema do financiamento, chegando às propostas mais políticas, o sistema educacional que queremos e uma questão mais social – e política, também – que tem a ver com o questionamento do modelo de desenvolvimento que há no Chile. Então começamos a ver que a demanda não era setorial, mas que era multi-setorial, um problema mais sistêmico, que havia uma totalidade de setores e que todos eram afetados pelas consequências deste modelo de desenvolvimento que produz desigualdade, que produz injustiça, que não garante os direitos fundamentais.
Em determinado momento nos demos conta de que estávamos dando um salto qualitativo e que aqui não somente se questionava a qualidade da educação, mas a qualidade da nossa democracia, uma democracia falha, débil, que precisa se modificar, reformular-se e, nesse questionamento, começam a envolver-se muitas outras organizações, muitos outros setores, onde está a principal riqueza do movimento atual. Envolvem-se trabalhadores, povos, movimentos ambientais, homossexuais, etc.. Todas as minorias com projetos de maiorias.

Uma vez, falando dos partidos oficiais da esquerda do México, o deputado Marcos disse que são “a mão esquerda da direita”. Esta identificação seria válida para a Concertación também?

Sim, claro que sim. Finalmente a Concertación é a outra direita. A verdade é que no Chile nunca tivemos socialdemocracia. Nunca tivemos um regresso à democracia dentro de um processo de transição; é como uma transição que nunca termina, mas que é nada mais que a administração do modelo imposto na ditadura que nunca conseguiram questionar apesar de terem as possibilidades e o quórum necessário para fazer uma mudança estrutural, porque se acomodaram no modelo neoliberal que lhes gerou também um benefício, no âmbito da educação, por exemplo.
A Concertación tem um conflito de interesse. Tem escolas, tem universidades, etc. Então, toda esta crítica, toda esta desconfiança que surge dos jovens e em geral da sociedade em seu conjunto para a Concertación se justifica, e aqui a Concertación tem que encarregar-se. Tem que encarregar-se de todo o feito e de capitalizar politicamente isto ou o que impere o oportunismo político; tem que ter humildade e tem que ter uma auto-crítica muito forte.
A revolução dos pinguins.
Durante a revolução dos eu estava no primeiro ano da Universidade; claro, eu a via como uma questão impressionante, impactante a nível de massividade. Foi muito mais curta, mais breve, essa manifestação.
Minha opinião pessoa é que se perdeu a oportunidade de chamar a outros setores; acredito que os estudantes secundários quiseram exercer um papel protagonista. Acho que eles quiseram ser protagonistas nesse momento e não envolver outros setores; pensavam nos universitários como “apoiem mas não façam parte”. Então, acredito que houve uma marginalização, que talvez seja compreensível e legítima nesse momento, para não misturar elementos e posicionar em uma demanda central e para que ninguém instrumentalize o movimento; havia uma oportunidade real de fazer uma questão mais transversal e de maior pressão, porque entrou uma instância de negociação com a Comissão Assessora Presidencial onde não houve uma boa preparação, a classe política, e isso gerou um golpe e uma frustração muito grandes, que acabou com seu trabalho. Mas isso também nos ajudou a amadurecer e a ter esses elementos para não cair no mesmo jogo, nos serviu como experiência e, por isso, também, tem durado tanto e não caiu tampouco no jogo da manipulação de ninguém.


Quando o movimento de estudantes chilenos recém estava ascendendo, a impressa não sabia nem escrever corretamente seu apelido, de imediato te chamou de “líder” deste movimento. Parece que nestes tempos, depois da queda dos “socialismos reais”, que talvez não foram tão reais nem tão socialismos, o povo e os jovens não querem mais líderes nem vanguardas iluminadas... Vivemos uma necessidade de reformular o tema do poder não só fora, mas também dentro dos nossos movimentos... Como vê esse tema? Você se sente uma líder, uma dirigente, uma coordenadora, uma porta-voz?

Eu creio que a história nos pôs aqui. Não creio que sejamos líderes natos, eu acredito que as circunstâncias me obrigaram a estar aqui; poderia estar outro. E nos colocou como dirigentes neste momento. Acredito que este movimento se deve, principalmente, ao trabalho de todos, não principalmente às caras mais visíveis, mas a todos os que constroem dia a dia isto. Não porque saem para marchar, mas que constroem desde a assembleia, desde a articulação com outras organizações, e, nesse sentido, compartilho a ideia de que o poder não tem que estar concentrado em uma liderança, mas na base do movimento. E isso é um desafio também, porque hoje em dia não existe a revogação do poder, ou seja, ainda se apresenta como a problemática, a demanda e a exigência, o mesmo de sempre, mas não é a real consciência ainda, mesmo sendo um potencial que está se gerando, o de encarregar-se, do “encarreguemo-nos do que estamos pedindo”, sabendo que é uma luta ao longo prazo.
Nós não depositamos um cheque em branco a cada quatro anos a quem supostamente delegamos a responsabilidade de fazer mudanças, mas que nós mesmos nos encarregamos disso. Agora, eu acredito que ainda existe muito, e não somente a nível nacional, mas a nível mundial, a necessidade de ver o tema das lideranças, estes heróis que sempre se tratam de instalar na história, de que haja heróis que encabecem processos e povos como quem sente essa necessidade para retomar a esperança, mas acredito que tem que se reformular isso, fazer prevalecer a ideia de que o poder e a condução tem que ser em massa. Isso é fundamental, e no Chile, de alguma maneira, tem se desenvolvido assim, apesar dos meios instalarem muito a personificação.

Nos últimos 5 meses você se converteu em uma pessoa muito conhecida e querida pelo povo, não só no Chile. Há quem diga que as pessoas com o poder ou a fama sempre se transformam. Qual tem sido a sua experiência com este tema?

Não sei se me sobra tempo para que a vaidade suba à minha cabeça. Acredito que ainda me custa assimilar o impacto que tem isto na gente. É que muitos se focalizam no eu, eu, eu.... Mas creio que não. Creio que temos os pés no chão.
Se você escuta os políticos profissionais, a palavra eu é a mais frequente...
Sim, nos políticos profissionais, mas falando do movimento acredito que não, sabemos equilibrar esta situação e sempre dizemos isso também. Acho que é importante enfatizá-lo, porque muitas vezes vamos a fóruns ou conferências e nos aplaudem não por sermos nós. Os aplausos têm que ser para todos os nossos companheiros que nestes momentos o merecem. E nós estamos nas câmaras, e nas reuniões e fazendo mil coisas, mas se esquecem de todo o trabalho que os companheiros estão fazendo e sem eles isto não seria possível. Quem está construindo a base deste movimento são todos os estudantes, trabalhadores, professores que trabalham diariamente. Isso temos muito claro, e acredito que tem ajudado muito a não permitir que a vaidade não nos suba à cabeça.

Influências e referencias históricas

Talvez seja pela cultura que eu recebi do meu partido, mas acredito que não tem que ser comunista para valorizar e admirar Violeta, Víctor Jara e Allende. Eles são os que mais admiro como lutadores no âmbito da cultura e da política, ou seja, eram trabalhadores da cultura e além disso militantes de um projeto de construção, de transformação para maiorias, e sacrificaram tudo por isso. Esses são personagens pelos quais sinto muita admiração e tantos outros que vêm de antes, como (Luis Emilio) Recabarren. E da América Latina há vários, mas talvez são mais intelectuais: Mariátegui, Galeano, o Che, mas me gera muito mais simpatia e admiração o papel dos trabalhadores da cultura e Salvador Allende, que merecem todo o meu respeito e admiração.

O que gostaria de dizer aos jovens do México e da América Latina?
Aos do México, muito obrigada pelo exemplo de luta; eles, os da UNAM, nos mostraram que se pode sim, e isso é para nós muito esperançoso. E ao jovens da América Latina em geral que assumam com responsabilidade o que se tem impulsionado, no sentido de que é necessário sempre reger-se por alguns princípios; primeiro, fortalecer nossas organizações, pois são um fio que a suor, sangue e lágrimas todos temos conquistado, devemos defendê-las e protegê-las, porque são nosso patrimônio, são nossa principal ferramenta para a construção de uma sociedade distinta. A unidade, apesar das diferenças, mantê-la sempre. As esquerdas são muitas em todos os países; têm que ser construídas apesar da diferença. Nosso inimigo é um só, não está dentro. Por outro lado, entender que as grandes transformações não são feitas só pelos estudantes; tem que envolver aos trabalhadores, a nossas famílias, e tem que se ter boas estratégias de comunicação. Muitas vezes acreditamos que qualquer pessoa pode entender o que estamos apresentando, mas não é assim; tem que se usar o sentido comum, ainda que seja o menos comum dos sentidos muitas vezes, mas tem que se usar uma linguagem que chegue até o mais humilde, ao mais pobre. E isso é algo que temos que tratar com inteligência, sem perder o conteúdo. É uma recomendação, e a seguir adiante, que esta luta não é somente dos chilenos mas que é uma luta de todos os jovens, de todos os estudantes de todos os povos no mundo, que é uma luta por dignidade humana e pela recuperação de nossos direitos para alcançar essa dignidade que todos queremos, e sociedades mais humanas.

sábado, 26 de novembro de 2011

Solidariedade aos estudantes da USP

Por esse compromisso histórico do MST com a Educação Brasileira, viemos por meio desta carta demonstrar toda a nossa solidariedade e apoio aos estudantes.

A terra, assim como a educação, são latifúndios que historicamente sempre estiveram nas mãos da elite brasileira, fazendo com que servissem somente aos seus interesses. Mas ao mesmo tempo, a classe trabalhadora se organizou para lutar contra esses latifúndios. O MST e o Movimento Estudantil são provas dessa organização da classe trabalhadora.
O que se viu na ação da Polícia Militar do último dia 8/11 foi mais uma demonstração da truculência e arbitrariedade com que o governo do estado de São Paulo tem tratado os movimentos sociais nos últimos anos, com a clara intenção de reprimir e criminalizar as lutas e os lutadores sociais que sonham em construir um mundo mais justo.
Porém, essa não é uma ação isolada. Faz parte da estratégia que o capital tem para com o nosso continente: transformar todos os bens em mercadoria. A educação e a terra, para eles, são somente mais uma dessas mercadorias. Da mesma forma acontece em outros países, como por exemplo no Chile e na Colômbia, onde leis de reforma da educação propostas pelos governos tem o claro objetivo de transformar a educação em mercadoria.
Mesmo com os avanços desses processos de privatização da educação, os estudantes seguem se organizando e se mobilizando, como demonstram os estudantes chilenos que estão em luta desde o inicio desse ano e os estudantes colombianos, que há cinco semanas estão em greve e hoje fazem uma grande marcha em defesa da educação pública. Para os estudantes chilenos e colombianos, todo nosso apoio e solidariedade.
É nosso dever e nossa tarefa defender uma educação pública, gratuita e de qualidade para o campo e à cidade. Não podemos permitir mais que fechem escolas no meio rural como vem acontecendo nos últimos 10 anos, onde mais de 37.776 escolas do campo foram fechadas. Temos que defender a autonomia e a democracia dentro das universidades e escolas, com eleição direta para reitores e diretores.
Lutaremos por mais verbas para a educação, tendo na bandeira dos 10% do PIB para educação o nosso instrumento de luta para melhores salários aos professores, aumentar a verba para assistência estudantil, expandir o ensino público com contratação de professores e técnicos administrativos e a melhoria da infraestrutura das escolas e universidades no campo e na cidade.
Repudiamos a ação truculenta e antidemocrática da polícia de São Paulo sob o comando do governador Geraldo Alkmin e do Reitor João Grandinho Rodas. Basta de repressão e criminalização das lutas sociais!
Por esse compromisso histórico do MST com a Educação Brasileira, viemos por meio desta carta demonstrar toda a nossa solidariedade e apoio aos estudantes da Universidade de São Paulo, que lutam por autonomia e democracia nos rumos dessa importante universidade do nosso país para que ela represente de fato os anseios do povo brasileiro.

Direção Nacional do MST

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Justificativa

Desculpem por não estar postando no último período é que tenho andando bem ocupado, em breve postarei mais materiais.

Abraços!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O carro triunfou!

Apesar da campanha do “dia mundial sem carro”, o mesmo está mais do que nunca na moda. A civilização do automóvel já está entre nós brasileiros

21/09/2011

Cesar Sanson*

O carro triunfou. Eles entopem os estacionamentos das universidades privadas e públicas, dos aeroportos, dos shoppings, dos supermercados. Estacionar já se tornou um drama. Ter uma vaga cativa – e gratuita – é um privilégio que se assemelha ao da casa própria.

Nos grandes centros já é mais caro estacionar do que almoçar. A verdade é que ninguém quer andar de ônibus e menos ainda de bicicleta, com as ruas atulhadas de carros se tornou um perigo pedalar, fora a quantidade enorme de gás carbônico que se ingere.

A sugestão da “carona solidária” não pegou. Ninguém quer andar de carona com o outro, todos querem dirigir sua própria máquina. Ninguém quer esperar ninguém. Aliás, o ato de “esperar” se tornou um problema. Em tempos de sociedade da “banda larga”, esperar é o mesmo que sofrer.

O estresse no trânsito é alto, os engarrafamentos enormes, a irritação é grande, mas ninguém quer abrir mão do carro. E ainda mais: quanto mais potente, belo e equipado o carro, melhor. A última novidade é o GPS a bordo. Todos querem.

Já não basta o carro como utilidade de ir e vir, ele tem também que passar a imagem de belo e potente. Pense num mesmo itinerário feito por dois modelos diferentes de carros, um popular e um da categoria Sport Utility Vehicle, os SUV, que são potentes e com design arrojado. Qual é a diferença? A princípio nenhuma, os dois levam ao local desejado e, com os congestionamentos, no mesmo tempo. Porém, o capitalismo vende a ideia de que dirigir um SUV é mais agradável, a paisagem se torna mais bonita, o ar mais puro. Logo dirigir um carro potente oferece a sensação de prazer e poder que um popular não oferece.

Dirigir se tornou um ato de poder e prazer. Quem não tem carro deseja um, mesmo que seja popular, e quem tem um popular deseja um SUV. Ninguém quer regredir no consumo.

Nas eleições municipais do ano que vem, a problemática do trânsito insuportável nas grandes capitais voltará à baila e nenhum candidato terá a coragem de afirmar que a única forma de enfrentar o problema em áreas de congestionamentos é o pedágio urbano. A proposta é antipática. Viadutos, pontes, avenidas e eternas melhorias no transporte coletivo serão prometidas. O Brasil perde uma oportunidade com a proximidade da Copa do Mundo. O tema está desconectado da construção de estádios.

O fato é que apesar da campanha do “dia mundial sem carro”, o mesmo está mais do que nunca na moda. A civilização do automóvel já está entre nós brasileiros. As concessionárias e revendedoras comemoram vendas fantásticas e quebram recordes sucessivos. O governo dá o seu empurrão com as reduções de IPI que vão e voltam.

As montadoras afirmam que o “brasileiro ama carro”. E vai ver que ama mesmo, que o diga a “liturgia” de lavar o carro no final de semana, uma manifestação de amor ao veículo que ganha laços afetivos de membro da família.


*Cesar Sanson é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e doutor em sociologia pela UFPR.

Extraído: http://www.brasildefato.com.br/content/o-carro-triunfou

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Por uma nova geografia, Milton Santos - Fichamento

Capítulo IX - Uma nova interdisciplinaridade
“Desde que a geografia começou a busca de sua individualidade como ciência, os geógrafos tiveram a pretensão de que ela fosse, antes de tudo, uma ciência de síntese, isto é, capaz de interpretar os fenômenos que ocorrem sobre a face da terra, com a ajuda de um instrumental proveniente de uma multiplicidade de ramos do saber científico tanto no âmbito das disciplinas naturais e exatas, quanto no das disciplinas sociais e humanas”. (p.97)
“A capacidade de síntese, que não é privilégio de nenhum especialista surge como resultado de uma preparação intelectual que vai além da própria especialidade para abarcar o universo das coisas e a compreensão de cada coisa como um universo”. (p.98)
O isolamento da geografia
“Com a geografia além do mais, estamos diante de um paradoxo que, ao mesmo tempo, é uma ironia. Na verdade essa ciência de síntese é, seguramente, aquela que, na sua realização cotidiana, mantém menos relações com outras disciplinas. Tal isolacionismo é mesmo responsável pelas dificuldades que ela encontra para evoluir”. (p.98)
“De fato, a manutenção da ideia da existência de escolas nacionais de geografia está ligada, sobretudo, a um certo gênero de competição, cujos efeitos se fazem originariamente sentir muito mais fora das fronteiras dos diversos países. Cada qual das chamadas Escolas Nacionais de Geografia funciona muito mais eficazmente no estrangeiro do que dentro de casa. Constituem uma forma a mais de exercitar o imperialismo cultural, que é uma maneira insidiosa de insinuar, através dos intelectuais locais, uma interpretação alienada das realidades locais”. (p.99)
“Mas, nesta história cheia de ironias que é a história da geografia, tudo pode acontecer. A exportação de uma forma de elaborar o conhecimento que representa os interesses internos e externos do país exportador, termina por repercutir dentro dele através do condicionamento da pesquisa e do ensino, que formam uma unidade junto com os interesses político-econômicos dominantes em cada país. Isso ajuda, igualmente, a criar um isolacionismo que a barreira linguística e o agravamento das disputas hegemônicas entre países ricos só faz agravar”. (pp.99-100)
Vantagens da interdisciplinaridade
“A geografia padece, mais do que as outras disciplinas, de uma interdisciplinaridade pobre e isso está ligado de um lado à natureza diversa e múltipla dos fenômenos com que trabalha o geógrafo e de outro lado, a própria formação universitária do geógrafo”. (p.100)
“Na realidade, ainda está para ser analisada mais profundamente a coerência de uma autêntica preocupação interdisciplinária entre os geógrafos, potencialmente agravada pelo fato de todos, ou quase todos, estarem absolutamente certos de que trabalham de forma interdisciplinar. Como na realidade isso não se passa, a geografia não se beneficia dessa forma de enriquecimento”. (pp.100-101)
“O filósofo inglês Whitehead (1938 p. 136) nos lembra que a explicação para muitos fenômenos correspondentes a uma dada ciência é muitas vezes encontrada fora do âmbito dessa ciência. Em outras palavras: se ficamos confinados à sociologia para explicar o que se chama o fato social; à economia, para compreender os fenômenos econômicos; à geografia, para interpretar as realidades geográficas, acabamos na impossibilidade de chegar a uma explicação válida. Não há porque temer a invasão do campo do outro especialista”. (p.101)
“Na verdade, o princípio de interdisciplinaridade é geral a todas as ciências. Foi Jacques Boudeville quem escreveu que ‘toda ciência se desenvolve nas fronteiras de outras disciplinas e com elas se integra em uma filosofia. A geografia, a sociologia, a economia, são interpretações complementares da realidade humana’.”(p. 102)
Geografia e interdisciplinaridade
“A busca dessa interdisciplinaridade há tempo sugerida por Ritter inspirou os geógrafos em certo número de soluções. Uma delas foi a entronização do que se poderia chamar de geografias especiais, fórmula adotada por Jean Brunhes como Camille Vallaux, ambos criticados por Maximilien Sorre... ‘Apesar do que disseram Brunhes e Vallaux’, continua Sorre, ‘não há geografia especial nem um problema de geografias especiais, mas, somente capítulos de uma geografia humana cuja unidade não se deve romper porque o homem individual é, em cada um dos seus atos, um homem total’.” (p. 103)
“Além disso, e assim como ocorreu com muitas outras disciplinas, um outro fator veio contribuir para que a meta muito desejada não fosse alcançada. Referimo-nos à confusão entre interdisciplinaridade e multidisciplinaridade. Quando se fala em multidisciplinaridade se está dizendo que o estudo de um fenômeno supõe uma colaboração multilateral de diversas disciplinas, mas isso não é por si mesmo uma garantia de integração entre elas, o que somente seria atingível através da interdisciplinaridade, isto é, por meio de uma imbricação entre disciplinas diversas ao redor de um mesmo objetivo de estudo”. (p. 104)
“...Uma interdisciplinaridade mercantil, ao invés de fazer progredir a ciência, contribui para a sua regressão. Esse modelo, fundado na índole comercial de certas universidades do mundo desenvolvido é, todavia, transplantado para países cujas condições reais são bem diversas”. (p.104)
As etapas da interdisciplinaridade aplicada à geografia
“Em primeiro lugar teremos que falar da interdisciplinaridade clássica, baseada em relações bilaterais entre a geografia e a história. Durante muito tempo se considerou a história e a geografia como uma espécie de irmãs siamesas”. (p. 105)
“A noção de uma história que organiza os fenômenos no tempo e de uma geografia que os organiza no espaço, herança de Kant que Hettner reelaborou aperfeiçoando-a, e que um sem-número de geógrafos do nosso próprio tempo manteve quase intacta é responsável por um equívoco extremamente grave no domínio do método: porque a geografia, na realidade, deve ocupar-se em pesquisar como o tempo se torna espaço e de como o tempo passado e o tempo presente têm, cada qual, um papel específico no funcionamento do espaço atual...”. (p. 105)
“O melhor é pensar em termos de espaço e tempo. Estas duas noções também não são liberadas das mesmas dificuldades, talvez até maiores que as relacionadas com os vocábulos História e Geografia, porque o debate em torno da significação do Tempo e do Espaço iniciou-se com o começo da filosofia”. (p. 106)
“Uma segunda etapa da interdisciplinaridade em geografia é marcada por um fato muito mais negativo do que positivo, quer dizer, pela recusa dos geógrafos em aperfeiçoar conhecimentos oriundos de outras disciplinas. Esta fase é contemporânea daquele momento crucial em que os fundadores da geografia moderna passaram a ter como preocupação fundamental afirmar a geografia como uma ciência e como uma ciência autônoma”. (p. 106)
“A noção de interdisciplinaridade evoluiu com o progresso científico e o progresso econômico. E as novas realidades, exigindo uma explicação particular, exigem o aparecimento de novas disciplinas científicas. Isto equivale à morte da interdisciplinaridade clássica e à sua substituição por uma outra. O que ontem ainda podia ser considerado como um enfoque interdisciplinar correto, hoje não o é mais. Torna-se também necessário recusar aquelas contribuições parciais que anteriormente eram úteis, sempre que elas não mais representem as realidades. Nas condições novas aumenta a possibilidade de ajudar as ciências afins a progredir de fora para dentro com a contribuição de matérias vizinhas. Se, todavia, fazer progredir uma ciência particular não é um privilégio dos seus próprios especialistas, é, todavia, indispensável que o cientista, disposto a esse tipo de exercício, disponha das faculdades de crítica que somente podem ser-lhes oferecidas pela posse de uma concepção filosófica coerente”. (p. 107)
“A transformação da tecnologia em técnica é subordinada a dados econômicos, políticos, ideológicos; daí a necessidade da intervenção dos ensinamentos das ciências respectivas. Em nossos dias a ideologia vê aumentado o seu papel na interpretação do espaço pelo fato de os objetos serem planejados e construídos, com o objetivo de aparentar uma significação que realmente não têm. Tal significação é, muitas vezes, um resultado da preocupação com interesses de ordem internacional. Daí a importância do estudos das relações internacionais. E é para separar o significado assim outorgado ao objeto do seu valor real que a contribuição da semiologia surge como importante”. (p. 108)
“...E David Harvey (1972 p. 41 in Grave), um dos poucos geógrafos a se aventurar nesta seara intrincada que é a epistemologia da geografia, lembrando a dificuldade de termos de compreender psicologia, economia, sociologia, física, química e biologia, teme (1972 p. 41) ‘que a necessidade de especialização possa conduzir muitos dentre nós a nos concentrar apenas em um dos aspectos desse problema tão vasto’. Isto seria chegar ao resultado oposto ao desejado porque, ao invés de alcançar uma interdisciplinaridade suscetível de compreender os diversos aspectos de um mesmo objeto, chegaríamos a uma interdisciplinaridade coxa, uma especialização com todos os perigos da analogia do tipo mecânico”. (p. 109)
“O limite entre a utilização de uma descoberta obtida em um domínio do conhecimento e a posse completa e aprofundada deste domínio é bem colocado por A. N. Whitehead, quando se refere à enorme contribuição de Einstein para o desenvolvimento do conjunto das ciências. Em um discurso pronunciado ante uma assembleia de químicos ele foi levado a dizer: ‘sei bem que estou falando para membros de uma sociedade de química que, na sua maioria não são versados nas matemáticas avançadas. O primeiro ponto sobre o qual devo, pois, insistir é o de que, o que concerne imediatamente aos senhores não são exatamente as deduções detalhadas da nova teoria, mas as modificações de ordem global na base mesmo das concepções científicas, que decorrerão de sua aceitação’(A. N. Whitehead, The concept of nature, Cambridge at the University Press, 1964 p. 164)”. (p. 110)
A necessidade de uma definição do objeto da geografia
“As dificuldades para chegar a uma interdisciplinaridade legítima fizeram pensar a muitos que o melhor caminho poderia ser encontrado por uma espécie de trabalho de pesquisa cooperativa. Especialistas de diversas áreas seriam convocados, trazendo consigo sua bagagem metodológica própria, a fim de oferecer as múltiplas contribuições necessárias a que a geografia pudesse trabalhar de forma realmente interdisciplinar. A sugestão, evidentemente, serviria às outras disciplinas, que seriam, igualmente, interdisciplinares”. (p. 110)
“Uma interdisciplinaridade que não leva em conta a multiplicidade de aspectos com os quais se apresenta aos nossos olhos uma mesma realidade, poderia conduzir a construção teórica de uma totalidade cega e confusa, incapaz de permitir uma definição correta de suas partes, e isso agravaria, ainda mais, o problema de sua própria definição como realidade total”. (p. 111)
“Isto supõe que se reconheça um objeto à geografia e que se hajam identificado suas categorias fundamentais. É bem verdade que as categorias mudam de significação com a história, mas elas também são uma base permanente e portantoum guia permanente para teorização. Em nosso caso, trata-se da produção do espaço”. (p. 111)