
sábado, 25 de julho de 2009
Brasil e Paraguai devem chegar a acordo sobre Itaipu
O assessor especial da Presidência brasileira, Marco Aurélio Garcia, disse estar "otimista" em relação ao acordo entre Brasil e Paraguai nas negociações sobre a energia produzida pela Usina de Itaipu. "Vai depender de compatibilizar as propostas que existem de um lado e de outro. Há ainda alguns pontos a se ajustar, mas creio que será possìvel chegarmos a um acordo", afirmou nesta sexta, em Luque, após o encerramento da Cúpula do Mercosul.Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo devem anunciar o acordo na manhã neste sábado (25). O preço pago pela energia paraguaia será reajustado e o Paraguai poderá ter direito de vender parte de sua energia no mercado brasileiro. Antes, na noite desta sexta, os presidentes firmarão acordos de investimentos brasileiros na área de infraestrutura do Paraguai.
Marco Aurélio Garcia não quis considerar o acordo como uma reparação histórica do Brasil, preferindo defender o estabelecimento de uma "relação positiva" entre os países. "O presidente Lugo foi eleito com um determinado programa polìtico e o Brasil declarou sua simpatia a este programa que vem sendo desenvolvido aqui. Nossa disposição é de contribuir para que o Paraguai tenha êxito neste processo de reconstrução econômica e social", disse.
Uma das propostas do Brasil é investir na infraestrutura de transmissão de energia no Paraguai, favorecendo a industrialização do país vizinho. O assessor da Presidência também afirmou que o acordo sobre Itaipu não significará impactos sobre o preço da energia no Brasil. Em relaçao à necessidade de aprovação pelo Congresso brasileiro, ele afirmou que há esta possibilidade, mas o governo deverá consultar sua área jurídica para definir como serão aplicadas as mudanças.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
"Lista suja" adiciona novos produtores da fronteira agrícola
Grandes produtores de áreas de expansão da fronteira agrícola foram incluídos, na manhã de terça-feira (21), na "lista suja" do trabalho escravo - cadastro do governo federal que aponta 175 empregadores flagrados na exploração de pessoas em condições análogas à escravidão.
Promovida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a atualização semestral confirmou 17 inclusões (13 pela primeira vez e quatro após suspensão de liminares que as mantinham fora da lista) e 35 exclusões (34 em definitivo e uma temporária devido a liminar judicial). Todas são pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas em operações de fiscalização de trabalho escravo. Os nomes vão para a "lista suja" após conclusão de processo administrativo gerado a partir da situação encontrada pelos auditores fiscais do trabalho. Quem aparece na relação tem as portas fechadas para crédito público federal e ainda passa a sofrer restrições comerciais das centenas de empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
Rosana Sorge Xavier, da família que controla o Frigorífico Quatro Marcos(empresa com um histórico de problemas trabalhistas), agora faz parte da "lista suja". Entre os 100 maiores desmatadores do país de acordo com ranking do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de 2008, Rosana aparece como segundo maior agente privado devastador do país (e nona na ordem geral), com mais de 12,6 mil hectares de floresta derrubadas - o que lhe rendeu uma multa em torno de R$ 48 milhões. O primeiro entre empreendedores privados é Léo Andrade Gomes, com 15,2 mil hectares desmatados e mais de R$ 32 milhões em multa.
Entre os incluídos, há mais grandes fazendeiros de gado bovino. E assim como Rosana Sorge Xavier, pelo menos dois deles mantém criações de porte nas franjas da Amazônia: Olavo Demari Webber, do Norte do Mato Grosso; e Aurélio Anastácio de Oliveira, escravagista reincidente e dono da Fazenda Iraque, em Eldorado dos Carajás (PA). Regis Francisco Ceolin, pecuarista do Condomínio Agropecuário Ceolin, atua no Oeste baiano.
Além do Condomínio Agropecuário Ceolin, dois outros produtores que entraram para o cadastro de infratores são do Oeste da Bahia, uma das áreas de maior expansão do agronegócio no país. Os dois flagrantes que geraram as inclusões se deram, curiosamente, na área da chamada Fazenda Estrondo, lozalizada no município de Formosa do Rio Preto (BA).
Em terras da Companhia Melhoramentos do Oeste da Bahia (CMOB), que atua tradicionalmente com mineração na região, foram libertados 39 trabalhadores que catavam raízes para viabilizar a produção de soja, em outubro de 2005. Na mesma área da Fazenda Estrondo, mas em outra parte conhecida como Fazenda Indiana (sob a responsabilidade de Paulo Kenji Shimohira), houve 52 libertações de pessoas que faziam a capina de algodão.
Outros fazendeiros entraram na "lista suja" em decorrência de flagrantes na fronteira agropecuária: Lírio Antônio Parisotto, produtor de soja em Uruçuí (PI); Adailto Dantas Cerqueira e Salomão Pires Carvalho, donos de áreas no Maranhão; Elizabete Guimarães de Araújo e Ivan Domingos Paghi, cujas propriedades no Tocantins flagradas pelo MTE. Adailto, Elizabete e Ivan, na realidade, foram reincluídos na relação por causa da perda do efeito de liminar que excluía temporariamente os nomes dos proprietários.
Usinas e outros casos
Grandes usinas de cana-de-açúcar que também já constaram da "lista suja" também foram reinseridas no cadastro. A Agrisul Agrícola Ltda - conhecida como Usina Debrasa, da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool (CBAA), que faz parte do Grupo José Pessoa (que já teve três de suas unidades sucroalcooleiras denunciadas por escravidão, em menos de dois anos) -, de Brasilândia (MS), e a Agropecuária e Industrial Serra Grande (Agroserra), de São Raimundo das Mangabeiras (MA), voltaram a aparecer na "lista suja", que vem sendo divulgada desde 2003.
Uma empresa e um fazendeiro do Ceará, juntamente com o dono de um ferro-velho em Várzea Grande (MT), completam o rol dos infratores incluídos. A Mundial Construções e Limpeza Ltda. foi pega quando explorava trabalhadores no serviço de limpeza e roça de linha de transmissão de energia elétrica da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) em Sobral (CE).
O fazendeiro José Nilo, por sua vez, entrou na "lista suja" em função de fiscalização ocorrida nas Fazendas Pirangi e Três Marias, em Beberibe (CE). Já José Nilson dos Santos explorava duas pessoas com deficiência mental no Auto Guincho Jussara, na cidade que fica ao lado da capital Cuiabá (MT).
Com a atualização da "lista suja", 35 nomes (veja lista abaixo) também foram retirados. Desses, Gilson Muller Berneck foi excluído por motivo de liminar da Justiça. Todos os outros saíram após o cumprimento de dois anos no cadastro, combinado com o pagamento de todas as pendências relativas às autuações e a não reincidência na exploração do trabalho escravo contemporâneo.
Inclusões e Exclusões da "Lista Suja" do Estado
Entraram em 21/07/2009
Adailto Dantas de Cerqueira - CPF - 091.906.195-87
Agrisul Agrícola Ltda (Usina Debrasa/CBAA) - CNPJ - 04.773.159/0002-80
Agropec. Ind. Serra Grande Ltda (Agroserra) - CNPJ - 11.035.672/0001-59
Aurélio Anastácio de Oliveira - CPF - 047.691.122-20
Cia Melhoramentos do Oeste da Bahia (CMOB) - CNPJ - 97.435.234/0001-01
Elizabete Guimarães de Araújo - CPF - 576.510.431-20
Ivan Domingos Paghi - CPF - 016.837.008-56
José Nilo Dourado - CNPJ - 02.930.365/0001-40
José Nilson dos Santos - CPF - 111.645.301-00
Lírio Antônio Parisotto - CPF - 213.676.129-34
Mundial Construção e Limpeza - CNPJ - 04.740.962/0001-38
Olavo Demari Webber - CPF - 213.734.340-15
Paulo Kenji Shimohira - CPF - 507.292.766-00
Regis Francisco Ceolin - CPF - 438.282.480-04
Salomão Pires de Carvalho - CPF - 024.354.897-49
Selson Alves Neto - CPF - 159.949.706-97
Rosana Sorge Xavier - CPF - 993.277.088-49
Saíram em 21/07/2009
Alonso Claristino Resende
Altamir Soares da Costa
Antônio Paulo de Andrade
Benedito Gonçalves de Miranda
Célio José de Resende
E.C.I. Empresa de Invest. Partic. e Empreendimentos Ltda
Eduardo FerreiraFernandes Lavagnoli
Flávio Teixeira MartinsFrancisco de Almeida Leal
Fued Tuma
Gilson Mueller Berneck
Haroldo Luiz de Barros
Indústria Agroflorestal Heyse
Itapicuru Agroindustrial S/A
Espólio de João Neto Moura Macedo
Joaquim Carlos Sabino dos Santos
José Carlos da Silva Porfírio
José Irineu de Souza
Juliano Heringer Branco
Leoni Lavagnoli
Luis Carlos Berti
Luis Otato Neto
Marco Antônio Mattana Sebben
Marco Aurélio Andrade Barbosa
Marco Túlio Andrade Barbosa
Marta Alves Resende
Odilon Ferreira Garcia
Osvaldo BorgesPaulo Roberto Cunha (Ideal Severino da Cruz)
Raimundo Everardo Mendes Vasconcelos
Rosenval Alves dos Santos
Sérgio Noel de Mello Martins
Vitalmiro Bastos de Moura
Wagner Furiati Nabarrete
www.brasildefato.com.br
Promovida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a atualização semestral confirmou 17 inclusões (13 pela primeira vez e quatro após suspensão de liminares que as mantinham fora da lista) e 35 exclusões (34 em definitivo e uma temporária devido a liminar judicial). Todas são pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas em operações de fiscalização de trabalho escravo. Os nomes vão para a "lista suja" após conclusão de processo administrativo gerado a partir da situação encontrada pelos auditores fiscais do trabalho. Quem aparece na relação tem as portas fechadas para crédito público federal e ainda passa a sofrer restrições comerciais das centenas de empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
Rosana Sorge Xavier, da família que controla o Frigorífico Quatro Marcos(empresa com um histórico de problemas trabalhistas), agora faz parte da "lista suja". Entre os 100 maiores desmatadores do país de acordo com ranking do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de 2008, Rosana aparece como segundo maior agente privado devastador do país (e nona na ordem geral), com mais de 12,6 mil hectares de floresta derrubadas - o que lhe rendeu uma multa em torno de R$ 48 milhões. O primeiro entre empreendedores privados é Léo Andrade Gomes, com 15,2 mil hectares desmatados e mais de R$ 32 milhões em multa.
Entre os incluídos, há mais grandes fazendeiros de gado bovino. E assim como Rosana Sorge Xavier, pelo menos dois deles mantém criações de porte nas franjas da Amazônia: Olavo Demari Webber, do Norte do Mato Grosso; e Aurélio Anastácio de Oliveira, escravagista reincidente e dono da Fazenda Iraque, em Eldorado dos Carajás (PA). Regis Francisco Ceolin, pecuarista do Condomínio Agropecuário Ceolin, atua no Oeste baiano.
Além do Condomínio Agropecuário Ceolin, dois outros produtores que entraram para o cadastro de infratores são do Oeste da Bahia, uma das áreas de maior expansão do agronegócio no país. Os dois flagrantes que geraram as inclusões se deram, curiosamente, na área da chamada Fazenda Estrondo, lozalizada no município de Formosa do Rio Preto (BA).
Em terras da Companhia Melhoramentos do Oeste da Bahia (CMOB), que atua tradicionalmente com mineração na região, foram libertados 39 trabalhadores que catavam raízes para viabilizar a produção de soja, em outubro de 2005. Na mesma área da Fazenda Estrondo, mas em outra parte conhecida como Fazenda Indiana (sob a responsabilidade de Paulo Kenji Shimohira), houve 52 libertações de pessoas que faziam a capina de algodão.
Outros fazendeiros entraram na "lista suja" em decorrência de flagrantes na fronteira agropecuária: Lírio Antônio Parisotto, produtor de soja em Uruçuí (PI); Adailto Dantas Cerqueira e Salomão Pires Carvalho, donos de áreas no Maranhão; Elizabete Guimarães de Araújo e Ivan Domingos Paghi, cujas propriedades no Tocantins flagradas pelo MTE. Adailto, Elizabete e Ivan, na realidade, foram reincluídos na relação por causa da perda do efeito de liminar que excluía temporariamente os nomes dos proprietários.
Usinas e outros casos
Grandes usinas de cana-de-açúcar que também já constaram da "lista suja" também foram reinseridas no cadastro. A Agrisul Agrícola Ltda - conhecida como Usina Debrasa, da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool (CBAA), que faz parte do Grupo José Pessoa (que já teve três de suas unidades sucroalcooleiras denunciadas por escravidão, em menos de dois anos) -, de Brasilândia (MS), e a Agropecuária e Industrial Serra Grande (Agroserra), de São Raimundo das Mangabeiras (MA), voltaram a aparecer na "lista suja", que vem sendo divulgada desde 2003.
Uma empresa e um fazendeiro do Ceará, juntamente com o dono de um ferro-velho em Várzea Grande (MT), completam o rol dos infratores incluídos. A Mundial Construções e Limpeza Ltda. foi pega quando explorava trabalhadores no serviço de limpeza e roça de linha de transmissão de energia elétrica da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) em Sobral (CE).
O fazendeiro José Nilo, por sua vez, entrou na "lista suja" em função de fiscalização ocorrida nas Fazendas Pirangi e Três Marias, em Beberibe (CE). Já José Nilson dos Santos explorava duas pessoas com deficiência mental no Auto Guincho Jussara, na cidade que fica ao lado da capital Cuiabá (MT).
Com a atualização da "lista suja", 35 nomes (veja lista abaixo) também foram retirados. Desses, Gilson Muller Berneck foi excluído por motivo de liminar da Justiça. Todos os outros saíram após o cumprimento de dois anos no cadastro, combinado com o pagamento de todas as pendências relativas às autuações e a não reincidência na exploração do trabalho escravo contemporâneo.
Inclusões e Exclusões da "Lista Suja" do Estado
Entraram em 21/07/2009
Adailto Dantas de Cerqueira - CPF - 091.906.195-87
Agrisul Agrícola Ltda (Usina Debrasa/CBAA) - CNPJ - 04.773.159/0002-80
Agropec. Ind. Serra Grande Ltda (Agroserra) - CNPJ - 11.035.672/0001-59
Aurélio Anastácio de Oliveira - CPF - 047.691.122-20
Cia Melhoramentos do Oeste da Bahia (CMOB) - CNPJ - 97.435.234/0001-01
Elizabete Guimarães de Araújo - CPF - 576.510.431-20
Ivan Domingos Paghi - CPF - 016.837.008-56
José Nilo Dourado - CNPJ - 02.930.365/0001-40
José Nilson dos Santos - CPF - 111.645.301-00
Lírio Antônio Parisotto - CPF - 213.676.129-34
Mundial Construção e Limpeza - CNPJ - 04.740.962/0001-38
Olavo Demari Webber - CPF - 213.734.340-15
Paulo Kenji Shimohira - CPF - 507.292.766-00
Regis Francisco Ceolin - CPF - 438.282.480-04
Salomão Pires de Carvalho - CPF - 024.354.897-49
Selson Alves Neto - CPF - 159.949.706-97
Rosana Sorge Xavier - CPF - 993.277.088-49
Saíram em 21/07/2009
Alonso Claristino Resende
Altamir Soares da Costa
Antônio Paulo de Andrade
Benedito Gonçalves de Miranda
Célio José de Resende
E.C.I. Empresa de Invest. Partic. e Empreendimentos Ltda
Eduardo FerreiraFernandes Lavagnoli
Flávio Teixeira MartinsFrancisco de Almeida Leal
Fued Tuma
Gilson Mueller Berneck
Haroldo Luiz de Barros
Indústria Agroflorestal Heyse
Itapicuru Agroindustrial S/A
Espólio de João Neto Moura Macedo
Joaquim Carlos Sabino dos Santos
José Carlos da Silva Porfírio
José Irineu de Souza
Juliano Heringer Branco
Leoni Lavagnoli
Luis Carlos Berti
Luis Otato Neto
Marco Antônio Mattana Sebben
Marco Aurélio Andrade Barbosa
Marco Túlio Andrade Barbosa
Marta Alves Resende
Odilon Ferreira Garcia
Osvaldo BorgesPaulo Roberto Cunha (Ideal Severino da Cruz)
Raimundo Everardo Mendes Vasconcelos
Rosenval Alves dos Santos
Sérgio Noel de Mello Martins
Vitalmiro Bastos de Moura
Wagner Furiati Nabarrete
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terça-feira, 21 de julho de 2009
Estudo estima que violência pode matar 33 mil jovens no Brasil em 7 anos
Um estudo inédito divulgado nesta terça-feira pela Secretaria Especial de Direitos Humanos estima que 33.504 adolescentes brasileiros serão assassinados em um período de sete anos, que vai de 2006 a 2013.
O levantamento foi realizado pelo Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), em parceria com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e com o Observatório de Favelas.
A estimativa foi feita com base em dados de 2006, considerando-se a hipótese de que as circunstâncias observadas naquele ano sejam mantidas.
Foram coletadas informações sobre as causas de mortes entre jovens de 12 a 19 anos de idade em 267 municípios, todos com mais 100 mil habitantes.
O estudo também apresenta, pela primeira vez, o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) no Brasil, que mede a probabilidade de um adolescente ser assassinado.
O valor médio do IHA brasileiro é de 2,03 – ou seja, de cada 1 mil adolescentes, 2,03 serão vítimas de homicídio antes de completar os 19 anos.
"Esta cifra por si só deveria ser suficiente para transmitir a gravidade do fenômeno no Brasil, particularmente se lembrarmos que o homicídio contra adolescentes deveria ser, a princípio, um fato extremamente raro em qualquer sociedade", diz o estudo.
A cidade com pior índice é Foz do Iguaçu (PR), com IHA de 9,7. Logo em seguida vêm Governador Valadares (MG), com 8,5, e Cariacica (ES), com 7,3.
O município do Rio de Janeiro aparece na 21ª posição na lista, com IHA de 4,9, enquanto São Paulo fica em 151º lugar, com índice de 1,4.
O levantamento foi realizado pelo Laboratório de Análise da Violência da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), em parceria com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e com o Observatório de Favelas.
A estimativa foi feita com base em dados de 2006, considerando-se a hipótese de que as circunstâncias observadas naquele ano sejam mantidas.
Foram coletadas informações sobre as causas de mortes entre jovens de 12 a 19 anos de idade em 267 municípios, todos com mais 100 mil habitantes.
O estudo também apresenta, pela primeira vez, o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) no Brasil, que mede a probabilidade de um adolescente ser assassinado.
O valor médio do IHA brasileiro é de 2,03 – ou seja, de cada 1 mil adolescentes, 2,03 serão vítimas de homicídio antes de completar os 19 anos.
"Esta cifra por si só deveria ser suficiente para transmitir a gravidade do fenômeno no Brasil, particularmente se lembrarmos que o homicídio contra adolescentes deveria ser, a princípio, um fato extremamente raro em qualquer sociedade", diz o estudo.
A cidade com pior índice é Foz do Iguaçu (PR), com IHA de 9,7. Logo em seguida vêm Governador Valadares (MG), com 8,5, e Cariacica (ES), com 7,3.
O município do Rio de Janeiro aparece na 21ª posição na lista, com IHA de 4,9, enquanto São Paulo fica em 151º lugar, com índice de 1,4.
Homens e negros
O estudo também indica que, entre os homens, a probabilidade de uma morte por homicídio é 12 vezes maior do que entre as mulheres.
Já a probabilidade de que um negro seja assassinado é duas vezes maior do que um branco, de acordo com o levantamento. A maior diferença foi constatada na cidade de Rio Verde (GO), onde a chance de um adolescente negro ser morto é 40 vezes maior.
Também foi calculada a probabilidade de um adolescente ser morto por uma arma de fogo. Em todo o Brasil, essa chance é três vezes maior, em comparação com outras armas.
Os homicídios foram responsáveis por 46% das mortes entre adolescentes registradas em 2006. As mortes naturais somaram 26% e os acidentes, 22%. Os números apontam ainda que 3% dos adolescentes mortos se suicidaram e outros 3% morreram de causas "indefinidas".
Já a probabilidade de que um negro seja assassinado é duas vezes maior do que um branco, de acordo com o levantamento. A maior diferença foi constatada na cidade de Rio Verde (GO), onde a chance de um adolescente negro ser morto é 40 vezes maior.
Também foi calculada a probabilidade de um adolescente ser morto por uma arma de fogo. Em todo o Brasil, essa chance é três vezes maior, em comparação com outras armas.
Os homicídios foram responsáveis por 46% das mortes entre adolescentes registradas em 2006. As mortes naturais somaram 26% e os acidentes, 22%. Os números apontam ainda que 3% dos adolescentes mortos se suicidaram e outros 3% morreram de causas "indefinidas".
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Saiba mais sobre o plano de sete pontos para solucionar a crise em Honduras
O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, mediador da crise política em Honduras, apresentou neste sábado uma proposta de sete pontos para a solução do conflito político no país. A proposta, que inclui a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya e um governo de união, não foi aceita completamente pelas delegações, mas deve continuar sob discussão neste domingo.
Arias disse que os sete pontos colocarão fim ao conflito e "permitirão ao povo do país irmão recobrar a fé perdida e voltar a transitar pela rota da democracia".
"O que importa neste momento é alcançar a reconciliação e não se centrar nas razões que originaram o enfrentamento, já que mais de sete milhões de hondurenhos não merecem a angústia de ignorar o que será de sua pátria no dia de amanhã", disse Arias.
Saiba quais são os sete pontos da proposta de Arias
1- A legítima restituição de Zelaya ao cargo, no qual permanecerá até o fim do período constitucional para o qual foi eleito, e que se encerra no dia 27 de janeiro de 2010. Nesta data ele deverá entregar o poder ao candidato designado livre e democraticamente pelo povo, em eleições supervisionadas e reconhecidas pela comunidade internacional
2- Formação de um governo de unidade e reconciliação nacional, composto por representantes dos principais partidos políticos
3 - Declaração de uma anistia geral para todos os delitos políticos ocasionados por este conflito, antes e depois do dia 28 de junho, quando foi realizado o golpe.
4- Renúncia expressa do presidente Zelaya, e de seu governo, da pretensão de colocar uma quarta urna nas próximas eleições, ou realizar qualquer consulta popular não autorizada expressamente pela Constituição da República de Honduras
5- Adiantamento das eleições nacionais, previstas para o dia 29 de novembro. O novo pleito seria realizado no último domingo de outubro
6- Transferência do comando das Forças Armadas do Poder Executivo ao Tribunal Supremo Eleitoral, um mês antes das eleições, para garantir a transparência e a normalidade do sufrágio, conforme os términos da Constituição da República de Honduras
7- Integração de uma comissão de verificação composta pelos hondurenhos notáveis e membros de organismos internacionais, em especial por representantes da OEA (Organização de Estados Americanos), que deverá vigiar o cumprimento desses acordos e supervisionar o correto retorno à ordem constitucional
Arias disse que os sete pontos colocarão fim ao conflito e "permitirão ao povo do país irmão recobrar a fé perdida e voltar a transitar pela rota da democracia".
"O que importa neste momento é alcançar a reconciliação e não se centrar nas razões que originaram o enfrentamento, já que mais de sete milhões de hondurenhos não merecem a angústia de ignorar o que será de sua pátria no dia de amanhã", disse Arias.
Saiba quais são os sete pontos da proposta de Arias
1- A legítima restituição de Zelaya ao cargo, no qual permanecerá até o fim do período constitucional para o qual foi eleito, e que se encerra no dia 27 de janeiro de 2010. Nesta data ele deverá entregar o poder ao candidato designado livre e democraticamente pelo povo, em eleições supervisionadas e reconhecidas pela comunidade internacional
2- Formação de um governo de unidade e reconciliação nacional, composto por representantes dos principais partidos políticos
3 - Declaração de uma anistia geral para todos os delitos políticos ocasionados por este conflito, antes e depois do dia 28 de junho, quando foi realizado o golpe.
4- Renúncia expressa do presidente Zelaya, e de seu governo, da pretensão de colocar uma quarta urna nas próximas eleições, ou realizar qualquer consulta popular não autorizada expressamente pela Constituição da República de Honduras
5- Adiantamento das eleições nacionais, previstas para o dia 29 de novembro. O novo pleito seria realizado no último domingo de outubro
6- Transferência do comando das Forças Armadas do Poder Executivo ao Tribunal Supremo Eleitoral, um mês antes das eleições, para garantir a transparência e a normalidade do sufrágio, conforme os términos da Constituição da República de Honduras
7- Integração de uma comissão de verificação composta pelos hondurenhos notáveis e membros de organismos internacionais, em especial por representantes da OEA (Organização de Estados Americanos), que deverá vigiar o cumprimento desses acordos e supervisionar o correto retorno à ordem constitucional
Definição de Anarquia
Anarquia é uma palavra grega que significa literalmente "sem governo", isto é, o estado de um povo sem uma autoridade constituida. Antes que tal organização começasse a ser cogitada e desejada por toda uma classe de pensadores, ou se tornasse a meta de um movimento, que hoje é um dos fatores mais importantes do atual conflito social, a palavra "anarquia" foi usada universalmente para designar desordem e confusão. Ainda hoje, é adotada neste sentido pelos ignorantes e pelos adversários interessados em distorcer a verdade. Não vamos entrar em discussões filológicas, porque a questão é histórica e não filológica. A interpretação usual da palavra não exprime o verdadeiro significado etimológico, mas deriva dele. Tal interpretação se deve ao preconceito de que o governo é uma necessidade na organização da vida social. O Homem, como todos os seres vivos, se adapta às condições em que vive e transmite , através de herança cultural, seus hábitos adquiridos. Portanto, por nascer e viver na escravidão, por ser descendente de escravos, quando começou a pensar, o homem acreditava que a escravidão era uma condição essencial à vida. A liberdade parecia impossível. Assim também o trabalhador foi forçado, por séculos, a depender da boa vontade do patrão para trabalhar, isto é, para obter pão. Acostumou-se a ter sua própria vida à disposição daqueles que possuíssem a terra e o capital. Passou a acreditar que seu senhor era aquele que lhe dava pão, e perguntava ingenuamente como viveria se não tivesse um patrão. Da mesma forma, um homem cujos membros foram atados desde o nascimento, mas que mesmo assim aprendeu a mancar, atribui a estas ataduras sua habilidade para se mover. Na verdade, elas diminuem e paralisam a energia muscular de seus membros. Se acrescentarmos ao efeito natural do hábito a educação dada pelo seu patrão, pelo padre, pelo professor, que ensinam que o patrão e o governo são necessários; se acrescentarmos o juiz e o policial para pressionar aqueles que pensam de outra forma, e tentam difundir suas opiniões, entenderemos como o preconceito da utilidade e da necessidade do patrão e do governo são estabelecidos. Suponho que um médico apresente uma teoria completa, com mil ilustrações inventadas, para persuadir o homem com membros atados, que se libertar suas pernas ou mesmo viver. O homem defenderia suas ataduras furiosamente e consideraria todos que tentassem tira-las inimigos.
Portanto, se considerarmos que o governo é necessário e que sem o governo haveria desordem e confusão, é natural e lógico, que a anarquia, que significa ausência de governo, também signifique ausência de ordem. Existem fatos paralelos na história da palavra. Em épocas e países onde se considerava o governo de um homem (monarquia) necessário, a palavra "república" (governo de muitos) era usada exatamente como "anarquia", implicando desordem e confusão. Traços deste significado ainda são encontrados na linguagem popular de quase todos os países. Quando esta opinião mudar, e o público estiver convencido de que o governo é desnecessário e extremamente prejudicial, a palavra "anarquia", justamente por significar "sem governo" será o mesmo que dizer "ordem natural, harmonia de necessidades e interesses de todos, liberdade total com solidariedade total". Portanto, estão errados aqueles que dizem que os anarquistas escolheram mal o nome, por ser este mal compreendido pelas massas e levar a uma falsa interpretação. O erro vem disto e não da palavra. A dificuldade que os anarquistas encontram para difundir suas idéias não depende do nome que deram a si mesmos. Depende do fato de que suas concepções se chocam com os preconceitos que as pessoas têm sobre as funções do governo, ou o "Estado" como é chamado.
Por Errico Malatesta (em anarquia, 1907)
domingo, 19 de julho de 2009
Entenda o que é a camada pré-sal
A chamada camada pré-sal é uma faixa de 800 quilômetros de extensão por 200 quilômetros de largura que vai do litoral de Santa Catarina ao do Espírito Santo situada a 7 mil metros abaixo da superfície do mar.
O petróleo encontrado nesta área, que engloba três bacias sedimentares (Santos, Campos e Espírito Santo), é de qualidade superior àquele comumente extraído da camada pós-sal, que fica acima da extensa camada de sal de 2 mil metros de espessura que dá nome às duas camadas.
A Petrobras não descarta a hipótese de que toda a camada pré-sal seja interligada, e suas reservas sejam, como os técnicos chamam, unitizadas, formando assim um imenso campo único de petróleo submerso.
Se as reservas do pré-sal de fato estiverem interligadas, o governo estuda a criação de um novo marco regulatório que estabeleça cotas de extração para evitar que o petróleo seja “sugado” de áreas não licitadas.
As nove áreas de pré-sal já leiloadas na Bacia de Santos também seriam afetadas pela medida. Oito pertencentes à Petrobras e sócios privados e uma à ExxonMobil.
Sócios privados
A Petrobras não perfura os poços sozinha. Das 48 áreas (entre pós-sal e pré-sal) exploradas na Bacia de Santos, por exemplo, só dez são exploradas com exclusividade pela empresa.
A descoberta do campo de Tupi, por exemplo, única área do pré-sal cujas reservas foram dimensionadas por meio de testes de produção até o momento, foi feita por um consórcio que inclui a britânica BG (que vai ficar com 25% do que o campo produzir), a portuguesa Galp Energia (que ficará com 10%) e a Petrobras (que terá direito a 65%). O mesmo acontecendo com os outros campos, com percentuais e empresas diferentes.
Além do Tupi, que só deve atingir seu pico de produção a partir de 2017, já foram descobertos no pré-sal da Bacia de Santos os campos: Iara, Carioca, Júpiter, Caramba, Bem-Te-Vi, Parati, Guará e Ogum.
“Mamute”
Apesar da histeria atual em torno do pré-sal, a discussão sobre sua potencialidade não é nova. Desde meados dos anos de 1970, os geólogos da Petrobras apostavam na existência de um “mamute” de petróleo na camada – forma como são chamados os campos gigantes pelos especialistas –, mas não dispunham de tecnologia adequada para sua prospecção.
No final da década, em 1979, a empresa conseguiu perfurar poços que alcançaram o pré-sal na bacia de Campos, mas as descobertas confirmadas não foram significativas.
As expectativas de se encontrar uma considerável quantidade de petróleo após a camada de sal ressurgiram com mais força em 2005, com o anúncio da descoberta do megacampo de Tupi, uma reserva estimada pela Petrobras de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo.
Números
No momento, há uma enorme especulação sobre quantos barris de petróleo pode conter o pré-sal. Uma estimativa não-ufanista feita pelo Credit Suisse, fala em algo entre 30 e 50 bilhões de barris – o que já aumentaria em cerca de quatro vezes as reservas provadas brasileiras, que contavam com 12,1 bilhões de barris em janeiro deste ano.
Mas os números podem ser ainda maiores. Alguns acreditam que o pré-sal poderia esconder no mínimo 100 bilhões de barris – o que colocaria o Brasil em 6º lugar entre as maiores reservas de petróleo do mundo.
Já outros, como um ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Newton Monteiro, chegam a afirmar que o pré-sal pode guardar 338 bilhões de barris, o que faria do Brasil o maior detentor de reservas provadas do mundo, superando de longe a Arábia Saudita – hoje com 264 bilhões de barris.
Para efeito comparativo, se o preço por barril de petróleo cair para US$ 100 dólares, os 338 bilhões de barris dariam uma renda em potencial de US$ 33,8 trilhões de dólares. Quase três vezes o PIB dos Estados Unidos ou 19 vezes o PIB brasileiro.
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O petróleo encontrado nesta área, que engloba três bacias sedimentares (Santos, Campos e Espírito Santo), é de qualidade superior àquele comumente extraído da camada pós-sal, que fica acima da extensa camada de sal de 2 mil metros de espessura que dá nome às duas camadas.
A Petrobras não descarta a hipótese de que toda a camada pré-sal seja interligada, e suas reservas sejam, como os técnicos chamam, unitizadas, formando assim um imenso campo único de petróleo submerso.
Se as reservas do pré-sal de fato estiverem interligadas, o governo estuda a criação de um novo marco regulatório que estabeleça cotas de extração para evitar que o petróleo seja “sugado” de áreas não licitadas.
As nove áreas de pré-sal já leiloadas na Bacia de Santos também seriam afetadas pela medida. Oito pertencentes à Petrobras e sócios privados e uma à ExxonMobil.
Sócios privados
A Petrobras não perfura os poços sozinha. Das 48 áreas (entre pós-sal e pré-sal) exploradas na Bacia de Santos, por exemplo, só dez são exploradas com exclusividade pela empresa.
A descoberta do campo de Tupi, por exemplo, única área do pré-sal cujas reservas foram dimensionadas por meio de testes de produção até o momento, foi feita por um consórcio que inclui a britânica BG (que vai ficar com 25% do que o campo produzir), a portuguesa Galp Energia (que ficará com 10%) e a Petrobras (que terá direito a 65%). O mesmo acontecendo com os outros campos, com percentuais e empresas diferentes.
Além do Tupi, que só deve atingir seu pico de produção a partir de 2017, já foram descobertos no pré-sal da Bacia de Santos os campos: Iara, Carioca, Júpiter, Caramba, Bem-Te-Vi, Parati, Guará e Ogum.
“Mamute”
Apesar da histeria atual em torno do pré-sal, a discussão sobre sua potencialidade não é nova. Desde meados dos anos de 1970, os geólogos da Petrobras apostavam na existência de um “mamute” de petróleo na camada – forma como são chamados os campos gigantes pelos especialistas –, mas não dispunham de tecnologia adequada para sua prospecção.
No final da década, em 1979, a empresa conseguiu perfurar poços que alcançaram o pré-sal na bacia de Campos, mas as descobertas confirmadas não foram significativas.
As expectativas de se encontrar uma considerável quantidade de petróleo após a camada de sal ressurgiram com mais força em 2005, com o anúncio da descoberta do megacampo de Tupi, uma reserva estimada pela Petrobras de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo.
Números
No momento, há uma enorme especulação sobre quantos barris de petróleo pode conter o pré-sal. Uma estimativa não-ufanista feita pelo Credit Suisse, fala em algo entre 30 e 50 bilhões de barris – o que já aumentaria em cerca de quatro vezes as reservas provadas brasileiras, que contavam com 12,1 bilhões de barris em janeiro deste ano.
Mas os números podem ser ainda maiores. Alguns acreditam que o pré-sal poderia esconder no mínimo 100 bilhões de barris – o que colocaria o Brasil em 6º lugar entre as maiores reservas de petróleo do mundo.
Já outros, como um ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Newton Monteiro, chegam a afirmar que o pré-sal pode guardar 338 bilhões de barris, o que faria do Brasil o maior detentor de reservas provadas do mundo, superando de longe a Arábia Saudita – hoje com 264 bilhões de barris.
Para efeito comparativo, se o preço por barril de petróleo cair para US$ 100 dólares, os 338 bilhões de barris dariam uma renda em potencial de US$ 33,8 trilhões de dólares. Quase três vezes o PIB dos Estados Unidos ou 19 vezes o PIB brasileiro.
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sábado, 18 de julho de 2009
Sarney, a personificação da classe dominante brasileira
Estranho como só agora descobriram suas artimanhas
16/07/2009
Editorial ed. 333
Todos os dias a imprensa corporativa vem denunciando alguma falcatrua do senhor José Ribamar Sarney como se ele não tivesse sido eleito presidente do Senado pela maioria dos seus “ingênuos coleguinhas”. Estranho como só agora descobriram suas artimanhas. Caso ele tivesse declarado apoio à candidatura de José Serra, certamente a chamada grande mídia não se interessaria por suas qualidades.
Vamos lembrar algumas, que eles sempre esconderam.
Afinal ele está, desde 1962, em cargos públicos adotando as mesmas práticas. Lá no início de sua carreira patrocinou a maior grilagem de terras públicas do Maranhão. Basta ler o livro do Padre Victor Angelim, editado pelos franciscanos na Editora Vozes. Depois disso, assumiu de corpo e alma a ditadura civil-militar. Construiu a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido do regime, no Nordeste. Então, de simples oligarca rural e regional, montou um império de comunicação. Controla jornais, rádios e, claro, é sócio da Globo. Seu afilhado, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) é acionista do SBT.
Ao ver cair a ditadura, Sarney mudou de lado para continuar no poder. Virou presidente da Republica, só Deus sabe como.
Em São Luís, apropriou-se do Convento das Mercês, patrimônio histórico público, e colocou em nome de sua fundação, a qual preside. E lá pretende ser enterrado. O mausoléu e a lápide já estão prontos para visitação do público. Fez isso tudo com dinheiro público, inclusive da Petrobras.
Depois, desgastado com o pior governo que esse país já teve, foi candidatar-se senador pelo Amapá, Estado que jamais havia visitado, quanto mais morado. E a Justiça eleitoral aceitou sua candidatura.
Lá fez carreira com seus métodos. Conseguiu que cupinchas nos tribunais hipócritas cassassem o governador João Capiberibe do cargo de senador, para abrir espaço para um outro afilhado seu. Alegação: o senador Capiberibe teria usado R$ 36 para comprar o voto de duas empregadas domésticas, que negaram a acusação nos tribunais.
Em abril deste ano, conseguiu tirar do cargo, após mover pedras e montanhas, o governador legitimamente eleito no Maranhão, Jackson Lago. Chegou a ameaçar publicamente pelos jornais o advogado do governador, por ser seu afilhado político. A acusação que conseguiu tirar o cargo de Lago: participou de um comício em Imperatriz (MA), em abril de 2006, fora de época eleitoral, junto com o então governador, que era afilhado do Sarney, mas o havia traído. E, finalmente, sua filha pode retornar ao Palácio dos Leões, sede do governo estadual em São Luís.
Voltou a ser presidente do Senado duas vezes. Agora, na última, com apoio de senadores do PSB, PT etc., mesmo contra a candidatura do senador do PT do Acre, Tião Vianna.
Os tais atos secretos da mesa diretora do Senado foram instituídos desde sua primeira gestão, há seis anos. Milhares de funcionários foram contratados. O senado gasta ao redor de R$ 2 bilhões por ano. Gasta mais do que a maioria dos ministérios. Em que? Algum cidadão brasileiro é beneficiado?
O velho senador sofre agora de falta de memória. Esqueceu alguns seguranças do Senado protegendo sua casa em São Luís. Esqueceu de colocar na declaração de renda uma pequena casa de R$ 4 milhões que possui em Brasília. Esqueceu que mora lá e seguiu cobrando ajuda de aluguel do Senado. Esqueceu de avisar os demais correntistas e retirou R$ 2 milhões de suas contas do Banco Santos, 12 horas antes do Banco Central fechá-lo.
Há no Maranhão mais de 40 edifícios de órgãos públicos que levam nomes da família e inclusive um colégio estadual com nome dado a sua bisneta, quando a menina tinha apenas 5 anos. Já o Tribunal de Contas do Estado, que deveria fiscalizar isso tudo, se chama Governadora Roseana Sarney. Tudo isso é proibido pela Constituição. Mas nenhum jornalão paulista ou carioca criticou.
Sarney é a cara da classe dominante brasileira. A cara dele é a cara de todos os exploradores do povo brasileiro, que, no entanto, são mais “vivos” e hipócritas.
Muita gente do PT e do governo estão agora defendendo o nobre senador. Dizem ser uma pessoa de curriculum invejável. Fazem bem. Por duas razões: primeiro, porque ajudam o povo brasileiro a entender melhor como funciona a “democracia burguesa”, sempre a serviço de uma minoria; segundo, relembram o velho ditado: “Diga-me com quem andas e te direi quem és!”
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16/07/2009
Editorial ed. 333
Todos os dias a imprensa corporativa vem denunciando alguma falcatrua do senhor José Ribamar Sarney como se ele não tivesse sido eleito presidente do Senado pela maioria dos seus “ingênuos coleguinhas”. Estranho como só agora descobriram suas artimanhas. Caso ele tivesse declarado apoio à candidatura de José Serra, certamente a chamada grande mídia não se interessaria por suas qualidades.
Vamos lembrar algumas, que eles sempre esconderam.
Afinal ele está, desde 1962, em cargos públicos adotando as mesmas práticas. Lá no início de sua carreira patrocinou a maior grilagem de terras públicas do Maranhão. Basta ler o livro do Padre Victor Angelim, editado pelos franciscanos na Editora Vozes. Depois disso, assumiu de corpo e alma a ditadura civil-militar. Construiu a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido do regime, no Nordeste. Então, de simples oligarca rural e regional, montou um império de comunicação. Controla jornais, rádios e, claro, é sócio da Globo. Seu afilhado, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) é acionista do SBT.
Ao ver cair a ditadura, Sarney mudou de lado para continuar no poder. Virou presidente da Republica, só Deus sabe como.
Em São Luís, apropriou-se do Convento das Mercês, patrimônio histórico público, e colocou em nome de sua fundação, a qual preside. E lá pretende ser enterrado. O mausoléu e a lápide já estão prontos para visitação do público. Fez isso tudo com dinheiro público, inclusive da Petrobras.
Depois, desgastado com o pior governo que esse país já teve, foi candidatar-se senador pelo Amapá, Estado que jamais havia visitado, quanto mais morado. E a Justiça eleitoral aceitou sua candidatura.
Lá fez carreira com seus métodos. Conseguiu que cupinchas nos tribunais hipócritas cassassem o governador João Capiberibe do cargo de senador, para abrir espaço para um outro afilhado seu. Alegação: o senador Capiberibe teria usado R$ 36 para comprar o voto de duas empregadas domésticas, que negaram a acusação nos tribunais.
Em abril deste ano, conseguiu tirar do cargo, após mover pedras e montanhas, o governador legitimamente eleito no Maranhão, Jackson Lago. Chegou a ameaçar publicamente pelos jornais o advogado do governador, por ser seu afilhado político. A acusação que conseguiu tirar o cargo de Lago: participou de um comício em Imperatriz (MA), em abril de 2006, fora de época eleitoral, junto com o então governador, que era afilhado do Sarney, mas o havia traído. E, finalmente, sua filha pode retornar ao Palácio dos Leões, sede do governo estadual em São Luís.
Voltou a ser presidente do Senado duas vezes. Agora, na última, com apoio de senadores do PSB, PT etc., mesmo contra a candidatura do senador do PT do Acre, Tião Vianna.
Os tais atos secretos da mesa diretora do Senado foram instituídos desde sua primeira gestão, há seis anos. Milhares de funcionários foram contratados. O senado gasta ao redor de R$ 2 bilhões por ano. Gasta mais do que a maioria dos ministérios. Em que? Algum cidadão brasileiro é beneficiado?
O velho senador sofre agora de falta de memória. Esqueceu alguns seguranças do Senado protegendo sua casa em São Luís. Esqueceu de colocar na declaração de renda uma pequena casa de R$ 4 milhões que possui em Brasília. Esqueceu que mora lá e seguiu cobrando ajuda de aluguel do Senado. Esqueceu de avisar os demais correntistas e retirou R$ 2 milhões de suas contas do Banco Santos, 12 horas antes do Banco Central fechá-lo.
Há no Maranhão mais de 40 edifícios de órgãos públicos que levam nomes da família e inclusive um colégio estadual com nome dado a sua bisneta, quando a menina tinha apenas 5 anos. Já o Tribunal de Contas do Estado, que deveria fiscalizar isso tudo, se chama Governadora Roseana Sarney. Tudo isso é proibido pela Constituição. Mas nenhum jornalão paulista ou carioca criticou.
Sarney é a cara da classe dominante brasileira. A cara dele é a cara de todos os exploradores do povo brasileiro, que, no entanto, são mais “vivos” e hipócritas.
Muita gente do PT e do governo estão agora defendendo o nobre senador. Dizem ser uma pessoa de curriculum invejável. Fazem bem. Por duas razões: primeiro, porque ajudam o povo brasileiro a entender melhor como funciona a “democracia burguesa”, sempre a serviço de uma minoria; segundo, relembram o velho ditado: “Diga-me com quem andas e te direi quem és!”
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Os mapas da alma não têm fronteiras
Eduardo Galeano(*) Palavras proferidas em Montevidéu, dia 9 de julho, quando Galeano foi condecorado com a Ordem de Maio, da República Argentina.
Permitam-me agradecer esta premiação que estou recebendo, que para mim é um símbolo da terceira margem do rio. Nesta terceira margem, nascida do encontro das outras duas, florescem e se multiplicam, juntas, nossas melhores energias, que nos salvam do rancor, da mesquinhez, da inveja e de outros venenos que abundam no mercado.
Aqui estamos, pois, na terceira margem do rio, argentinos e uruguaios, uruguaios e argentinos, rendendo homenagem a nossa vida compartilhada, e, portanto, estamos celebrando o sentido comunitário da vida, que é a expressão mais íntima do sentido comum.
Ao fim e ao cabo, e perdão por ir tão longe, para um ponto onde a história ainda não se chamava assim, lá no remoto tempo das cavernas, como se viraram para sobreviver aqueles indefesos, inúteis, desamparados avôs da humanidade? Talvez tenham sobrevivido, contra toda evidência, porque foram capazes de compartilhar a comida e souberam defender-se juntos. E se passaram os anos, milhares e milhares de anos, e vemos que o mundo raramente recorda essa lição de sentido comum, a mais elementar de todas e a que mais nos faz falta hoje.
Eu tive a sorte de viver em Buenos Aires, nos anos 70. Cheguei corrido pela ditadura militar uruguaia e acabei saindo corrido pela ditadura militar Argentina. Não saí: me saíram. Mas nestes anos comprovei, uma vez mais, que aquela lição pré histórica de sentido comum não havia sido esquecida de todo. A energia solidária crescia e cresce ao vai e vem das ondas que nos levam e nos trazem, argentinos que vêm e vão, uruguaios que vamos e viemos. E no tempo das ditaduras, soubemos compartilhar a comida e soubemos defender-nos juntos, e ninguém se sentia herói nem mártir por dar abrigo aos perseguidos que cruzavam o rio, indo para lá ou vindo de lá.
A solidariedade era, e segue sendo, um assunto de sentido comum e, portanto, era, e segue sendo, a coisa mais natural do mundo. Talvez por isso sua energia, sempre viva, foi mais viva do que nunca nos anos do terror, alimentada pelas proibições que queriam mata-la. Como o bom touro de lida, a solidariedade cresce no castigo.
E quero dar um testemunho pessoal de meu exílio na Argentina.
Quero render homenagem a uma aventura chamada Crise, uma revista cultural que alguns escritores e artistas fundaram com o generoso apoio de Federico Vogelius, onde eu pude aportar algo do muito que me havia ensinado Carlos Quijano, em meus tempos do semanário Marcha.
A revista Crise tinha um nome um tanto deprimente, mas era uma jubilosa celebração da cultura vivida como comunhão coletiva, uma festa do vínculo humano encarnado na palavra compartilhada. Queríamos compartilhar a palavra, como se fosse pão.
Nós, sobreviventes daquela experiência criadora, que morreu afogada pela ditadura militar, seguimos acreditando no que acreditávamos então.
Acreditávamos, acreditamos, que para não ser mudo é preciso começar por não ser surdo, e que o ponto de partida de uma cultura solidária está na boca daqueles que fazem cultura sem saber que a fazem, anônimos conquistadores dos sóis que as noites escondem, e eles, e elas, são também aqueles que fazem história sem saber que a fazem. Porque a cultura, quando é verdadeira, cresce desde o pé, como alguma vez cantou Alfredo Zitarrosa, e desde o pé cresce a história. A única coisa que se faz desde cima são os poços.
A ditadura militar acabou com a revista e exterminou muitas outras expressões de fecundidade social. Os fabricantes de poços castigaram o imperdoável pecado do vínculo, a solidariedade cometida em suas múltiplas formas possíveis, e a máquina da separação continuou trabalhando a serviço de uma tradição colonial, imposta pelos impérios que nos dividiram para reinar e que nos obrigam a aceitar a solidão como destino.
À primeira vista, o mundo parece uma multidão de solidões amontoadas, todos contra todos, salve-se quem puder; mas o sentido comum, o sentido comunitário, é um bichinho duro de matar. A esperança ainda tem quem a espere, alentada pelas vozes que ressoam desde nossa origem comum e nossos assombrosos espaços de encontro.
Eu não conheço felicidade maior que a alegria de reconhecer-me nos demais. Talvez essa seja, para mim, a única imortalidade digna de fé. Reconhecer-me nos demais, reconhecer-me em minha pátria e em meu tempo, e também me reconhecer em mulheres e homens que são meus compatriotas, nascidos em outras terras, e reconhecer-me em mulheres e homens que são meus contemporâneos, vividos em outros tempos.
Os mapas da alma não têm fronteiras.
Tradução: Katarina Peixoto
http://www.agenciacartamaior.com.br/
Faubourg

Faubourg é um termo arcaico francês que significa aproximadamente "subúrbio" (hoje em dia geralmente denominado banlieue). A sua forma mais primitiva é Forsbourg, derivado do latim foris, 'fora de', e da vulgata (originalmente germânica) burgum, 'cidade' ou 'fortaleza'. Tradicionalmente, este nome aplicava-se a uma aglomeração formando-se em torno de uma via ou caminho dirigido para o exterior a partir de uma das portas da cidade, e habitualmente levava o nome que a mesma via tinha através da cidade.
Os faubourgs são muitas vezes considerados como os precursores dos subúrbios europeus, a partir dos quais estes evoluíram, de uma forma geral, por 1950-60. Embora os subúrbios iniciais ainda conservassem algumas das características dos faubourgs (tais como travessas e becos com portas, pouco espaço entre as casas, etc.), os subúrbios mais tardios sofreram grandes mudanças na sua construção, fundamentalmente em termos de densidade residêncial.
Além das muitas cidades francesas, os faubourgs podem ainda ser encontrados fora da Europa em lugares que incluem a província do Quebec, no Canada, e a cidade de Nova Orleães, na Louisiana. As cidades do Quebec e Montreal contêm exemplos de faubourgs, embora Montreal tenha muito maiores divergências em termos de banlieue, levando a muitas semelhanças com muitos subúrbios americanos e do Ontario.
Os faubourgs são muitas vezes considerados como os precursores dos subúrbios europeus, a partir dos quais estes evoluíram, de uma forma geral, por 1950-60. Embora os subúrbios iniciais ainda conservassem algumas das características dos faubourgs (tais como travessas e becos com portas, pouco espaço entre as casas, etc.), os subúrbios mais tardios sofreram grandes mudanças na sua construção, fundamentalmente em termos de densidade residêncial.
Além das muitas cidades francesas, os faubourgs podem ainda ser encontrados fora da Europa em lugares que incluem a província do Quebec, no Canada, e a cidade de Nova Orleães, na Louisiana. As cidades do Quebec e Montreal contêm exemplos de faubourgs, embora Montreal tenha muito maiores divergências em termos de banlieue, levando a muitas semelhanças com muitos subúrbios americanos e do Ontario.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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