segunda-feira, 22 de junho de 2009

Mikhail Bakunin

Mikhail Aleksándrovich Bakunin, também aportuguesado em Bakunine ou Bakúnine, (Premukhimo, 30 de maio de 1814Berna, 1 de julho de 1876) foi um teórico político russo, principal expoente do anarquismo.
Mikhail Aleksándrovich Bakunin (em russo Михаил Александрович Бакунин) nasceu em 18 de maio de 1814 no calendário juliano) na província de Tver, filho de uma rica familia de proprietários de terras e desde 1837 começou a estudar a filosofia hegeliana. Em 1840 inicia o curso de filosofia na Universidade de Berlim, onde logo começou sua atividade política, criticando a filosofia especulativa preferindo a teoria da ação política. De 1843 a 1848 viajou pela Europa, onde conheceu Karl Marx e Proudhon (em Paris). Participou do Congresso Eslavo no que tinha em mente o pan-eslavismo (Praga, 1848) e no mesmo ano participou da Revolução Proletária em Paris.
Em 1849 foi preso e condenado à morte por uma insurreição em Dresden, mas sua pena foi anulada e ele foi entregue ao governo russo, ficando preso em São Petersburgo e depois exilado na Sibéria (1857). Acabou fugindo para o Japão e depois se fixou na Suíça, onde morreu em 19 de junho de 1876 (no calendário juliano).
Por volta de 1863 tentou montar uma campanha em prol do anarquismo para irem à Polônia, mas não obteve sucesso.
Em 1868 fundou a Aliança Internacional da Democracia Social, que queria fazer a união com a Associação Internacional de Trabalhadores, da qual disputou a liderança com Karl Marx, mas em 1872 acabaram se desentendendo no Congresso da Haia.
A expulsão de Bakunin da Associação Internacional de Trabalhadores se deu por divergências políticas com Marx.
Bakunin defendia que as energias revolucionárias deveriam ser concentradas na destruição das "coisas", no caso, o Estado, e não das "pessoas".
Na obra de 1872, Bakunin faz oposição a Comte, pois identifica a fonte de todo problema na centralização da autoridade e do Estado, que acabam por criar um obstáculo ao desenvolvimento das pessoas e das Nações. A paz e a realidade devem estar diante das coisas para a realização do homem, mediante a descentralização dos poderes e conhecimentos que levariam ao desenvolvimento dos homens.
A participação de Bakunin, a partir de 1870, acabou influenciando o proletariado e atraindo mais pessoas, e nesse mesmo período ele começou a criticar o comunismo de Estado, com propostas antiautoritárias de socialismo. Com o fracasso da Comuna de Paris, as duas tendências começaram uma briga que a cada ano se agravava, de um lado os comunistas de Estado ou socialistas autoritários, como eram chamados pelos socialistas libertários, na época, até que, em 1876, a Associação Internacional dos Trabalhadores encerrou suas atividades.
Depois desse rompimento Bakunin planejava a construção de uma associação para unir os anarquistas de todos os países. Acabou criando grupos anarquistas em vários países do mundo, repassando a tradição anti-autoritária, mutualista e o caráter descentralizador do anarquismo para outros anarquistas, que viriam a se tornar célebres dentro do movimento, como Piotr Kropotkin, anarquista russo, Enrico Malatesta, anarquista italiano, Elisée Reclus, belga, e outros.
Após sua morte, diversos acontecimentos políticos com influência anarquistas puderam ser notados, como a insurreição anarquista de 1918 no Rio de Janeiro, cujo movimento sindical era em sua totalidade composto pela maioria de anarquistas, e culminando com a guerra civil espanhola e a Revolução Espanhola em 1936, que seria a derradeira e última revolução de massas da ideologia anarquista.
Todavia, a obra e a vida de Bakunin influenciara diversos movimentos alternativos após os anos 1960, como os grupos ambientalistas, que utilizam a tática de ação direta, descrita em toda sua obra. Movimentos cooperativistas, de ocupação e reforma urbana, grupos e locais de trabalho autogestionados, também carregam em si o germe da ideologia anarquista e o pensamento célebre de Bakunin.

Obras
- Die Reaktion in Deutschland (A Reação na Alemanha) – 1842
- O Império Knuto-Germânico e a Revolução Social - 1871
- A Comuna de Paris e a Noção de Estado - 1871
- Federalismo, Socialismo e Antiteologia – 1872
- Staat und Anarchie (Estado e Anarquia) – 1873
- Deus e o Estado – 1882
- Textos Anarquistas - 1874

Piotr Kropotkin


Pyotr Alexeyevich Kropotkin, em russo Пётр Алексе́евич Кропо́ткин, (Moscou, 9 de dezembro de 1842Dmitrov, 8 de fevereiro de 1921) foi um escritor russo

Biografia
Seu pai, príncipe de Smolensk, Alexei Petrovich Kropotkin, afirmava pertencer a antiga casa real de Rurik que governara Moscou antes dos Romanov. Sua mãe, Yekaterina Nikolaevna Sulima, filha de um general do exército russo, tinha dotes artísticos (gostava de ler, escrever e pintar) e inclinações pelos ideais liberais.
Na infância, época em que viveu numa casa de campo em Kaluga, teve contato com leituras de Pushkin, Nekrasov, Chernyshevsky (jornalista radical), tudo graças a tutores que cuidaram de sua educação nesta época.
Com quinze anos foi matriculado no Corpo de Pagens, a mais exclusiva escola militar da Rússia czarista, por ordens do próprio Nicolau I, onde eram educados somente 150 garotos na sua maioria filhos da realeza palaciana. Nesta época, entre 1857 e 1861 Kropotkin viu florescer uma atividade intelectual forte em seu país e passou a receber influências da nova literatura liberal revolucionária. Demonstrou grande interesse pelos enciclopedistas franceses assim como pela história deste povo. Com o passar dos anos também dirigiu sua atenção às condições do campesinato russo.
Em 1862 foi promovido para o exército. Como membro do corpo de pagens tinha possibilidades de escolher o regimento em que gostaria de servir, tendo optado pelo dos Cossacos Siberianos no recém conquistado distrito de Amur. Lá tinha perspectivas de conseguir um cargo administrativo. Sua condição de Sargento da Corporação implicava em, por um ano, ter sido pagem pessoal do então czar, Alexandre II.
Na Sibéria fez vistorias aos cárceres e à situação dos condenados daquela divisa. As condições deploráveis e o descaso das autoridades impressionavam-no.
Sua reputação como geógrafo se deu em grande parte pelas viagens que realizou nesta época pelo oriente siberiano onde percorreu cerca de 50 mil milhas a fim de explorar um terreno ainda muito virgem. Fez observações e desenvolveu teorias sobre as estruturas das cadeias montanhosas e platôs da Ásia Oriental. Contribuiu também para o conhecimento da história da Terra.

Kropotkin foi um dos principais anarquistas da Rússia e um dos defensores do que ele mesmo chamava de "comunismo libertário".
A base de tal concepção encontra-se na idéia de que o critério para o consumo (tanto de bens quanto de serviços) dos indivíduos não seja o trabalho, mas a necessidade. Kropotkin advogava assim um sistema de distribuição livre da produção, conceito este que está ligado ao raciocínio de que não é possível medir a contribuição isolada de um indivíduo na produção social, e que, portanto, uma vez realizada, toda ela deva ser desfrutada socialmente.
Kropotkin vê, socialista que é, a coletivização dos meios de produção como o objetivo da transformação social, mas, diferentemente de alguns, infere que a este fenômeno seguiriam como consequência inevitável a distribuição livre e a extinção de qualquer sistema de salários.
Numa tal sociedade a produção seria orientada para o consumo e não para o lucro. E Kropotkin vai além em suas considerações sobre esta outra forma de sociabilidade ao vislumbrar uma ciência dedicada a descobrir meios para conciliar e satisfazer as necessidades de todos.
Ao problema que se levanta quando se pensa a distribuição livre, Kropotkin não vê aí uma abertura para a instauração de um governo revolucionário, pelo contrário, diz ser a cooperação voluntária o substituto tanto para a propriedade privada quanto para a desigualdade, categorias nas quais se fundamentam o Estado. Neste sentido, Kropotkin defende um sistema de administração pública fundada na idéia de comuna não apenas enquanto unidade administrativa mais próxima do povo e de suas preocupações imediatas, mas também enquanto associação voluntária que reúne os interesses sociais representados por grupos de indivíduos diretamente ligado a eles.
A união destas comunas produziria uma rede de cooperações que substituiria o Estado.
Por causa de seu título e sua proeminência como um anarquista no final do século XIX e começo do XX, ele foi conhecido por alguns como "o Príncipe Anarquista", título que refutou durante toda sua vida.
Cronologia de vida
1842 – Nasceu em Moscou, Rússia, em 9 de dezembro.
1857 – Entrou para o "Corps of Pages", onde começou a desenvolver uma reputação de rebelde.
1858 – Seus primeiros escritos mostraram interesses em economia política e estatística; iniciou os primeiros contatos com camponeses "de verdade".
1861 – Foi para a prisão pela primeira vez como resultado por participar de um protesto estudantil.
1862 – Tornou-se desiludido com a realeza quando, como page de chambre para o tsar, testemunhou as extravagâncias da vida na corte.
1862-1867 – Por pedido próprio, serviu como militar na Sibéria. Testemunhou as condições de vida lá, e a falta de vontade da administração corrupta para fazer qualquer coisa a fim de melhorá-las.
1868-1870 – Buscou conhecimento sobre agrimensura e geografia.
1871 – Tornou-se interessado no movimento trabalhista e em acontecimentos acerca da Comuna de Paris.
1872 – Viajou para a Suíça, onde entrou para a Internacional Socialista; voltou para a Rússia com vários escritos Socialistas proibidos.
1873 – Como membro do Círculo de Tchaikovsky, ajudou reescrevendo panfletos de uma forma que pudesse ser lida pelos com menos educação; ele mostrou grande habilidade para se comunicar com os trabalhadores.
1874 – Foi preso na Fortaleza de Pedro e Paulo por causa de suas atividades revolucionárias. Com a intervenção da Sociedade Geográfica, ele ganhou dispensa especial para trabalhar num jornal.
1876 – Fugiu do hospital militar e se mudou para a Inglaterra.
1877 – Retornou à Suíça para trabalhar com a Federação Jura. Foi ao último encontro da Internacional Socialista em Gante.
1881 – Foi à Internacional Anarquista em Londres. Deu suporte ao assassinato do Czar Alexandre II, com base no fato de que uma explosão é bem mais efetiva do que um voto para encorajar os trabalhadores à revolução. Isso o expulsou da Suíça. O governo Russo ficou constrangido quando ele descobriu um plano para assassiná-lo em Londres.
1882 – Logo depois de se mudar para a França, foi preso por seu trabalho na Primeira Internacional Socialista e sentenciado a cinco anos na prisão. Ele ficou lá até 1886, quando foi solto sob a condição de que deixasse a França.
1886 – Voltou à Inglaterra. Descobriu que seu Irmão Alexander havia cometido suicídio no exílio por atividades políticas na Sibéria.
1890-1900 – Passou a maior parte de seu tempo escrevendo. Visitou o Canadá e os Estados Unidos em 1897. O Atlantic Monthly concordou em publicar suas memórias. Nos seus livros, ele tentou desenvolver uma visão de sociedade Anarco-comunista.
1901-1909 – Escreveu materiais em russo para leitores de sua terra natal. Ficou muito desapontado com o fracasso da Revolução de 1905.
1909-1914 – Voltou à Suíça sob a condição de refrear suas atividades anarquistas. Tentou tornar de conhecimento público o massacre de 270 trabalhadores nas Minas de Lena, mas sua atividade foi cortada por causa da Primeira Guerra Mundial. Então, ele se mudou para o Reino Unido, onde passou algum tempo em Brighton.
1914-1917 – Deu suporte ativo à guerra contra a Alemanha como uma guerra contra o Estado. Essa posição, estranha e questionável para um anarquista, fez com que muitos companheiros se afastassem dele, em particular Errico Malatesta.
1917 – Voltou a São Petersburgo, onde ajudou o governo de Kerensky a formular políticas. Parou suas atividades quando os Bolcheviques tomaram o poder.
1921 – Seu funeral no Cemitério de Novodevichy, com a aprovação de Lenin, tornou-se a última grande reunião de anarquistas na Rússia.

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Pierre-Joseph Proudhon


Pierre-Joseph Proudhon (Besançon, 15 de Janeiro de 1809Paris, 19 de Janeiro de 1865) Anarquista, filho de família muito pobre, foi pastor de pequeno rebanho de gado quando criança. Em 1840 publica um livro que o torna conhecido, seu ensaio Qu'est-ce que la propriété?, afirma « La propriété c'est le vol » (A propriedade é o roubo) e, em seu livro Les confessions d'un révolutionnaire, defende que l'anarchie c'est l'ordre » (A anarquia é a ordem). A propriedade é um roubo o leva à justiça, mas é absolvido.
Após tentar criar um banco para empréstimos sem juros, Proudhon lançou as bases de um sistema mutualista cujos princípios são ainda hoje aplicados nos serviços de seguro.

Biografia
De origem humilde, começou a trabalhar cedo, numa tipografia, onde entrou em contato com liberais e comunalistas e socialistas experimentais, que representavam as mais importantes correntes políticas de sua época. Assim conheceu Charles Fourier, que muito influenciaria suas idéias. Em 1838, já diplomado pela faculdade de Besançon, foi para Paris, onde em 1840 publicou Qu´est-ce que la propriéte? (Que é propriedade?). Nessa obra se afirma anarquista, criticando a propriedade privada. Sustentava que a exploração da força de trabalho de um semelhante era um roubo e que cada pessoa deveria comandar os meios de produção de que se utilizasse.
Em 1842 lançou algumas teses em Avertissement aux propriétaires (Advertência aos proprietários) e foi processado. No entanto acabou sendo absolvido, pois os juízes se declararam incompetentes para julgá-lo. Depois disso foi para Lyon, onde se empregou no comércio. Nesse período entrou em contato com uma sociedade secreta que defendia uma doutrina segundo a qual uma associação de trabalhadores da nascente indústria deveria administrar os meios de produção. Com isso esperavam transformar as estruturas sociais, não pela atração econômica mas pela revolução violenta.
Em Paris, Proudhon conheceu Karl Marx e outros revolucionários, como Mikhail Bakunin.
Em 1846 escreveu Système des contradictions économiques, ou philosophie de la misère (Sistemas de contradições econômicas ou filosofia da miséria), onde criticou o autoritarismo comunista e defendeu um estado descentralizado. Marx, que admirava Proudhon, leu a obra, não gostou, e respondeu a Proudhon em 1847 com Misère de la philosophie (Miséria da filosofia), decretando o rompimento de relações entre ambos.
Proudhon participou da Revolução de 1848 em Paris. Entre 1849 e 1852 ficou preso por causa de suas críticas direcionadas a Napoleão III. Em 1851 escreveu Idée générale de la révolution au XIX siècle ("Idéia geral de revolução no século XIX"), que colocava a visão de uma sociedade federalista de âmbito mundial, sem um governo central, mas baseada em comunas autogeridas. Os comunistas acabaram por tachá-lo de reacionário, quando defendeu uma união entre proletários e burgueses.
Depois de publicar, em 1858, De la justice dans la révolution et dans l'église("A justiça na revolução e na igreja"), obra totalmente anticlerical, passou a viver sob vigilância da polícia, o que o levou a se exilar em Bruxelas. Em 1864 voltou a Paris e publicou Du Principe fédératif ("Do princípio federativo"), uma síntese de suas concepções políticas.
As idéias de Proudhon se espalharam por toda a Europa, influenciando organizações de trabalhadores e os mais fortes movimentos sindicais que se manifestaram na Rússia, Itália, Espanha e na França.
Proudhon sempre foi um confesso cristão. Se dizia seguidor de cristo e do cristianismo, um anarquista cristão.

Ideias
As idéias de Proudhon, assim como as de Owen, eram opostas ao liberalismo. Denunciam a organização econômica, governamental e educacional, propondo a criação de sociedades cooperativas de produção.
Saint-Simon, difere de Owen e Proudhon por defender a industrialização e o desenvolvimento do Estado.
Paralelamente Marx e Engels foram os principais críticos do socialismo utópico, fundando o chamado socialismo científico.
O pensamento de Proudhon, assim como o de Fourier e Saint-Simon, era voltado para uma reorganização da sociedade, tendo como princípio a justiça. Essa justiça seria a base da harmonia social, mas também do pensamento humano e até mesmo das relações físicas.
Segundo Proudhon, o homem deveria abandonar a condição econômica e moral baseada na sujeição a outros homens - que levaria à desarmonia social. A nova sociedade deveria apoiar-se no mutualismo, uma forma de cooperação baseada em associações, sem o poder coercitivo do Estado.

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domingo, 21 de junho de 2009

Errico Malatesta

Errico Malatesta (Santa Maria Capua Vetere, província de Caserta, 14 de dezembro de 1853Roma, 22 de julho de 1932) foi um teórico e ativista anarquista italiano.

Biografia
Nasceu em 1853 em uma família abastada do sul da Itália. De fato, os Malatesta dominaram a província de Rimini e, no período de maior expansão, os castelli do norte de San Marino, a província de Pesaro, parte de Ancona, Forlì e Ravenna, entre 1295 e 1528.
Desde muito jovem, Errico adere aos ideais republicanos de Giuseppe Mazzini. Aos catorze anos de idade, protesta contra uma injustiça local, enviando uma carta ao rei Vítor Emanuel II, considerada por Luigi Fabbri como “insolente e ameaçadora”. As autoridades levaram o fato a sério e ordenaram a sua prisão, em 25 de março de 1868. Seu pai conseguiu libertá-lo recorrendo a amigos. Dois anos mais tarde foi novamente preso em Nápoles, por liderar uma manifestação, sendo suspenso por um ano da Universidade de Nápoles, onde estudava medicina.
Em 1871, após a Comuna de Paris abandona as idéias republicanas e adere ao anarquismo, ingressando na Associação Internacional dos Trabalhadores, AIT (Primeira Internacional) . Nessa época, entusiasmado com a atividade revolucionária, escreveria sobre a Internacional:
Todos entregavam para a propaganda tudo o que podiam, e também o que não podiam, pois quando o dinheiro escasseava, vendiam tranqüilamente os objetos de suas casas, aceitando com resignação as censuras das respectivas famílias. Pela propaganda esquecíamos o trabalho e os estudos! Enfim, a Revolução estava a ponto de eclodir a qualquer momento e consertaria tudo. Alguns acabavam com freqüência na cadeia, todavia, saíam dali com mais energias do que antes: as perseguições não tinham outro efeito senão consolidar nosso entusiasmo. É verdade que as perseguições daquele momento eram fracas comparadas com as que viriam mais tarde. Naquela época, o regime havia saído de uma série de revoluções e as autoridades, rígidas desde o início com os trabalhadores, em particular no campo, mostravam certo respeito pela liberdade na luta política, uma espécie de indisposição parecida com a dos governantes austríacos e a dos Bourbons, que, todavia, se desfez tão rápido quanto se consolidou o regime, e a luta pela independência nacional foi relegada a um segundo plano.
Nessa época, Malatesta se dedica de corpo e alma à Federação Italiana e colabora com Carlo Cafiero em L’Ordine e La Campana de Nápoles, abandonando seus estudos para dedicar os próximos sessenta anos de sua vida à agitação anarquista. Ao longo desse período passou várias vezes pela prisão e lutou não só na Itália como em outros países distantes e tão diferentes entre si quanto a Turquia e a Argentina. Participou também de insurreições na Bélgica, Espanha e Itália.
Em 1872, no Congresso de Saint-Imier, no cantão de Berna, conheceu Bakunin, de quem iria sofrer profunda influência:
... e assim fui para a Suíça com Cafiero. Encontrava-me enfermo, cuspia sangue e tinha em mente a idéia de que estava tuberculoso... Enquanto atravessava à noite o Gotardo (naquela época ainda não havia o túnel, sendo necessário atravessar a montanha coberta de neve em diligência) resfriei-me e cheguei à casa de Zurique, onde vivia Bakunin, tiritando de febre. Depois das primeiras saudações, Bakunin me preparou uma cama e me convidou – ou melhor, me forçou – a deitar-me, cobriu-me com todos os cobertores que pôde encontrar e insistiu para que eu descansasse e dormisse. Tudo isso com um cuidado e uma ternura maternal que me chegaram diretos ao coração. Quando me encontrava envolto nos cobertores e todos pensavam que eu dormia, ouvi Bakunin dizer coisas admiráveis sobre mim e comentava melancolicamente:“É uma pena que tenha ficado tão enfermo, em breve o perderemos; não lhe restam sequer seis meses!”
Entre as influências que determinaram o desenvolvimento de Malatesta, a de Bakunin foi a mais importante. Malatesta se refere a ele como o grande revolucionário, aquele a quem todos nós vemos como nosso pai espiritual. Sua maior qualidade era a capacidade de comunicar fé, desejo de ação e sacrifício a todos aqueles que tinham a oportunidade de encontrá-lo. Costumava dizer que era preciso ter o diabo no corpo, e sem dúvida o tinha em seu corpo e sua mente.
No ano de 1873 eclodem os movimentos insurrecionais preparados por Bakunin e Cafiero. A polícia, advertida, faz fracassar esses movimentos. Malatesta se encontra em Puglia, foge numa carroça de feno, mas é reconhecido, preso e novamente encarcerado na prisão de Trani. No processo, em 1875, a propaganda pela Internacional não cessa e ele é absolvido. Junta-se então a Bakunin e Cafiero na Suíça. Nesse mesmo ano, apesar dos conselhos de Bakunin, parte para a Hungria a fim de participar da insurreição da Herzegovina contra os turcos. É preso e entregue à polícia italiana.
Juntamente com Carlo Cafiero e outros militantes prepara uma insurreição em Letino, província de Caserta, em 1877, que se tornou legendário na luta social italiana. Ele e seus companheiros distribuiram armas para à população e queimaram arquivos públicos, proclamando o socialismo libertário. Malatesta e Cafiero, ainda que sabendo como fugir permaneceram no local e foram presos. A aventura durou doze dias, um policial foi morto, um outro foi ferido. No processo, todos declararam ter disparado contra os policiais, mas o júri os absolveu.
Malatesta volta a Nápoles em 1878 e é constantemente vigiado pela polícia. Gasta sua herança em propaganda. Parte por um tempo para o Egito. Lá, o cônsul italiano o expulsa para Beirute; o de Beirute o envia para Esmirna. A bordo de um navio francês, torna-se amigo do capitão, que o conserva no navio até a Itália. Em Livorno, a polícia quer prendê-lo, mas o capitão se recusa a entregá-lo. Finalmente, Malatesta desce para Marselha e dali vai para Genebra onde ajuda Kropotkin a publicar Le Revolté. Expulso, dirige-se à Romênia, em seguida, à França, em 1879. De novo expulso, vai para a Bélgica, depois para Londres. Fixa-se, enfim, em Londres, onde trabalha como vendedor de sorvetes e bombons, antes de abrir uma nova oficina mecânica.
No Congresso Anarquista de Londres de 1881 defendeu a criação de uma Internacional Anarquista.
Em 1885 exilou-se na Argentina, onde colaborou com os primeiros núcleos anarquistas, desenvolvendo uma ativa propaganda do Anarquismo, publicando o jornal Questione Sociale.
Regressou à Europa em 1889, desta vez indo para França. Mas logo teve de se exilar na Inglaterra.
Em 1913, vai à Itália, encontra-se com Mussolini, diretor do Avanti, importante jornal operário. Ao longo do ano de 1914 dedica-se a acalmar as querelas pessoais entre os anarquistas. Entra em contato com as outras organizações revolucionárias, faz conferências e encoraja os sindicalistas ).
Em Ancona, durante manifestações antimilitaristas das quais Malatesta participava, a polícia dispara e o povo se apodera da cidade. Os sindicatos decretam greve geral. É a “semana vermelha”. Porém, o exército intervém. Mussolini apóia o movimento em palavra, mas nada faz. Malatesta foge não sem declarar: Continuaremos a preparar a revolução libertadora que deverá assegurar a todos a justiça, a liberdade e o bem-estar.
Ainda em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial, proclama o Internacionalismo e manifesta-se contra aqueles que defendiam a causa aliada, inclusive seu amigo Kropotkin.
Em 1920, já na Itália, inicia negociações com os socialistas para fazer a revolução. A polícia tenta provocar desordens e assassiná-lo. Apesar dos obstáculos legais, seu jornal Umanità Nova tem uma tiragem inicial de 50.000 exemplares. Malatesta impulsiona a União Sindicalista Italiana (U.S.I.), de influência anarquista. No mesmo ano, em Ancona, eclode uma insurreição e as fábricas são ocupadas. Mas o movimento é traído pelos os social-democratas da C.G.T., que devolvem as fábricas.
Após um encontro anarquista em Bolonha, no qual Malatesta toma a palavra, eclodem incidentes, há vítimas e feridos do lado dos operários e da polícia. Malatesta e a equipe do Umanità Nova são presos. Os protestos se multiplicam, ocorrem atentados fascistas. O fascismo, financiado pela burguesia e ajudado pelo governo, avança. Em contrapartida, Malatesta favorece a formação dos grupos armados.
Em julho de 1922, a greve geral é proclamada pela Aliança do Trabalho - união de diversos sindicatos estimulados por Malatesta. Mas os fascistas dizima pela força. Em seguida, em outubro, acontece a “marcha sobre Roma” e, na praça Cavour, os fascistas queimam um retrato de Malatesta. Umanitá Nova é proibido. Malatesta, aos sessenta e nove anos, retoma sua profissão de eletricista. A polícia o vigia em todos os seus movimentos.
Em 1924, surge a revista Pensiero e Volontà. O fascismo, no seu início, permite a liberdade de imprensa, mas a censura se faz cada vez mais severa até a proibição da revista em 1926. A oficina de Malatesta é destruída pelos fascistas e ele é obrigado a sobreviver com a ajuda dos camaradas, assim como de sua companheira, Elena Mulli e a filha desta última, Gemma.
Malatesta passou os últimos anos de sua vida na Itália e, durante o regime fascista, correspondeu-se com Makhno e criticou duramente a Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários. Foi mantido em prisão domiciliar, morrendo em 22 de julho de 1932. Tal era o medo que inspirava às autoridades da época que, ao morrer, seu corpo foi jogado em uma vala anônima, para impedir que seu túmulo se transforma-se em um símbolo e ponto de partida para as agitações dos dissidentes.

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Nestor Makhno

Néstor Ivánovitch Makhnó (26 de outubro de 188825 de julho de 1934), líder anarco-comunista ucraniano, se negou a se submeter ao governo bolchevique após a Revolução de Outubro sendo um dos principais figurantes da Revolução Ucraniana.
Constituiu o Exército Insurgente Makhnovista de princípios anarquistas que combateu as "forças brancas" que tentavam invadir a Ucrânia durante a Guerra Civil Russa, tendo eventualmente se aliado ao Exército Vermelho dos bolcheviques para tanto. Finda a guerra civil, sua milícia foi declarada ilegal e seus membros foram presos, deportados ou executados. Conseguiu fugir para a Roménia com um pequeno grupo de militantes, e se exilou na França até sua morte.
Durante seu exílio em Paris, Makhnó manteve contato com outros anarquistas famosos, dentre os quais Alexander Berkman e Buenaventura Durruti.
Dentre suas obras, destaca-se a Plataforma Organizacional dos Comunistas Libertários, publicada em 1926 pelo grupo de anarquistas russos exilados Dêlo Trudá (A Causa dos Trabalhadores), do qual fez parte. Neste trabalho, os autores procuraram analisar a experiência dos anarquistas durante a Revolução Russa de 1917 e as razões pelas quais a ditadura comunista pôde se impôr. Identificando a desorganização do movimento como uma das causas principais de sua derrota, eles sugeriram a formação de uma "União Geral dos Anarquistas", que seria baseada em quatro princípios: unidade teórica, unidade tática, responsabilidade coletiva e federalismo.
Esta obra foi criticada por outros anarquistas (por exemplo, Errico Malatesta), que a consideraram autoritária e imprática ao tentar criar uma unidade teórica e organizacional.

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Revolta de Kronstadt

A Revolta de Kronstadt foi uma insurreição de marinheiros contra o governo russo (bolchevique). Foi o último confronto armado de importância da Guerra Civil Russa.
A revolta aconteceu nas primeiras semanas de Março de 1921, em Kronstadt, uma fortaleza naval localizada na ilha de Kotlin, no Golfo da Finlândia. Tradicionalmente, Kronstadt servia de base para a frota báltica russa e de defesa marítima para a cidade de São Petersburgo (mais tarde chamada Petrogrado, depois Leningrado e então São Petersburgo novamente, que é seu atual nome), a 35 milhas de distância.

Causas da revolta
Ao final da Guerra Civil Russa, o país estava exausto e arruinado. As secas de 1920 e 1921 e a fome dos anos subseqüentes foram o capítulo final do desastre. Nos anos que se seguiram à Revolução de Outubro, epidemias, fome, guerra civil, execuções, e o desabamento econômico e social custaram por volta de 20 milhões de vidas. Um milhão de pessoas deixaram o país. Grande parte desses emigrados eram de alta escolaridade.
O comunismo de guerra ajudou o governo bolchevique a alcançar vitórias na Guerra Civil Russa, mas ele devastou a economia. Com a iniciativa privada e o comércios proscritos e o recém formado Estado incapaz de realizar essas funções adequadamente, grande parte da economia russa parou. Estima-se que a produção fabril e mineira tenha caído em 1921 para 20% dos níveis de pré-guerra, com muitos itens essenciais tendo um declínio ainda mais drástico. A produção de algodão, por exemplo, caiu para 5% e de ferro para 2% dos níveis de pré-guerra. Os camponeses responderam à expropriação de sua produção recusando-se a cultivar o solo. Em 1921 a extensão das terras cultivadas encolheu para 62% da área de pré-guerra, e a colheita era apenas 37% do normal. O número de cavalos declinou de 35 milhões em 1916 para 24 milhões em 1920, e o gado caiu de 58 para 37 milhões de cabeças durante o mesmo período. O câmbio do dólar americano, que havia sido de dois Rublos em 1914, subiu para 1.200 em 1920.
Essa situação insustentável levou a insurreições no interior, como a Revolta de Tambov, e a greves e distúrbios nas fábricas. Em algumas áreas urbanas, ocorreu uma onda de greves espontâneas.

Uma lista de exigências
Em 26 de Fevereiro, em resposta a essas condições e confrontados com boatos de greves e insurreição em Petrogrado, veiculados pelo jornal Isvestia de Kronstadt, as tripulações dos navios de guerra Petropavlovsk e Sebastopol realizaram uma reunião de emergência que aprovou uma resolução com quinze exigências:
1. Novas eleições imediatas para os sovietes. Os presentes sovietes não mais expressam os desejos dos trabalhadores e camponeses. As novas eleições devem ocorrer sob voto secreto, e devem ser precedidas de livre propaganda eleitoral.
2. Liberdade de expressão e de imprensa para trabalhadores e camponeses, para os anarquistas, e para partidos socialistas de esquerda.
3. Direito à reunião, e liberdade para sindicatos e organizações camponesas.
4. A organização, no mais tardar até o dia 10 de Março de 1921, de uma conferência de trabalhadores, soldados e marinheiros de Petrogrado, Kronstadt e do distrito de Petrogrado não militantes do Partido.
5. A libertação de todos os presos políticos dos partidos socialistas, e de todos os trabalhadores, camponeses, soldados e marinheiros militantes de organizações operárias e camponesas atualmente presos.
6. A eleição de uma comissão para estudar os dossiers de todos os detidos em prisões e campos de concentração.
7. A abolição de todas as seções políticas dentro das forças armadas. Nenhum partido político deve ter privilégios para a propagação de suas idéias, ou receber subsídios do Estado para este fim. No lugar de seções políticas vários grupos culturais devem ser criados, tomando recursos do Estado.
8. A abolição imediata das barreiras militares criados entre as cidades e o campo.
9. A isonomia de rações para todos os trabalhadores, exceto para os que executam funções perigosas ou insalubres.
10. A abolição dos destacamentos de combate do Partido em todos os grupos militares. A abolição dos guardas do Partido nas fábricas e empresas. Se guardas fazem-se necessários, eles devem ser nomeados, levando-se em consideração as opiniões dos trabalhadores.
11. A concessão aos camponeses de liberdade de ação sobre seu próprio solo, e do direito de possuir gado, contanto que sejam diretamente responsáveis por aqueles e que não utilizem mão de obra assalariada.
12. Nós pedimos que todas as unidades militares e grupos de cadetes aspirantes se juntem a esta resolução.
13. Nós exigimos que a imprensa dê publicidade adequada a esta resolução.
14. Nós exigimos a instituição de grupos de controle operário móveis.
15. Nós exigimos que a produção artesanal seja autorizada desde que não utilize mão de obra assalariada.
Das quinze exigências, apenas duas estavam relacionadas com o que os marxistas chamam de "pequena burguesia", os camponeses e artesãos relativamente ricos. Estes exigiam "libertade plena de ação" para todos os camponeses e artesãos que não empregavam mão de obra assalariada. Como os trabalhadores de Petrogrado, os marinheiros de Kronstadt exigiam a isonomia de salários e o fim das barreiras nas estradas que restringiam tanto viagens quanto a capacidade dos trabalhadores de trazer comida para as cidades.
Finalmente, em Março de 1921, a base naval de Kronstadt se levantou em revolta contra o domínio bolchevique. Os marinheiros e outros rebeldes exigiam sovietes livres e a realização de uma assembléia constituinte. O governo bolchevique respondeu com um ultimato em 2 de Março. Este afirmava que a revolta havia sido "certamente preparada pela contra-inteligência francesa" e que a resolução de Petropavlovsk era uma resolução da "Centúria Negra-SR" (SR significava "Socialistas Revolucionários", um partido socialista democrata que havia sido maioria nos sovietes antes do retorno de Lenin, cuja direita havia se negado a apoiar os bolcheviques; a "Centúria Negra" eram uma força reacionária, proto-fascista, anterior à revolução, que atacava judeus, militantes trabalhistas e radicais, entre outros). Eles também chegaram a afirmar que a revolta havia sido organizada por oficiais ex-Tzaristas liderados pelo ex-general Kozlovsky (ironicamente, ele havia sido enviado ao forte por Trotsky). Essa era a versão oficial durante toda a revolta.

A revolta é derrotada
Os trabalhadores de Petrogrado estavam sob lei marcial e impossibilitados de oferecer apoio a Kronstadt. O governo bolchevique começou seu ataque em 7 de Março. Depois de 10 dias de ataque contínuo, durante o qual muitas unidades do Exército Vermelho foram forçadas a recuar sob fogo, e onde algumas até se juntaram à rebelião, a revolta de Kronstadt foi esmagada. O Exército Vermelho utilizou por volta de 50 mil soldados sob o comando de Mikhail Tukhachevsky, dos quais mais de 10 mil morreram antes da queda de Kronstadt em 17 de Março. Embora não hajam estimativas precisas para as baixas rebeldes durante a batalha, historiadores estimam que milhares foram executados nos dias que se seguiram à rendição, e um número semelhante foi enviado a campos de trabalho forçado siberianos. Um grande número de rebeldes mais afortunados conseguiram fugir para a Finlândia. Ironicamente, no dia seguinte à rendição de Kronstadt, os bolcheviques celebraram o 50 aniversário da Comuna de Paris.
A despeito da supressão impiedosa da insurreição pelo Exército Vermelho, a insatisfação geral com o estado das coisas não poderia ter sido mais claramente expressa. Nessa atmosfera de descontentamento, Lenin, que também concluiu que a revolução mundial não era iminente, substituiu na primavera de 1921 o Comunismo de Guerra pela sua Nova Política Econômica.

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Palestina

Palestina (em árabe فلسطين, translit. Filasṭīn; em hebraico פלשתינה; em grego Παλαιστίνη, transl. Palaistinē, e em latim Palæstina), é a denominação histórica dada pelo Império Britânico a uma região do Oriente Médio situada entre a costa oriental do Mediterrâneo e as margens do Rio Jordão. O seu estatuto político é disputado acesamente.
A área correspondente à Palestina até 1948 encontra-se hoje dividida em três partes: uma parte integra o Estado de Israel; duas outras (a Faixa de Gaza e a Cisjordânia), de maioria árabo-palestina, deveriam integrar um estado palestiniano-árabe a ser criado - de acordo com a lei internacional, bem como as determinações das Nações Unidas e da anterior potência colonial da zona, o Reino Unido. Todavia, em 1967, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia foram ocupadas militarmente por Israel, após a Guerra dos Seis Dias.
Há alguns anos, porções dispersas dessas duas áreas passaram a ser administradas pela Autoridade Palestiniana, mas, devido aos inúmeros ataques terroristas que sofre, Israel mantém o controlo das fronteiras e está actualmente a construir um muro de separação que, na prática, anexa porções significativas da Cisjordânia ocidental ao seu território.
A população palestina dispersa pelos países árabes ou em campos de refugiados, situados nos territórios ocupados por Israel, é estimada em 4.000.000 de pessoas.

O nome
A palavra Palestina deriva do grego Philistia, nome dado pelos autores da Grécia Antiga a esta região, devido ao facto de em parte dela (entre a actual cidade de Tel Aviv e Gaza) se terem fixado no século XII a.C. os Filisteus.
Os Filisteus não eram semitas e sua provável origem é creto-miceniada, uma das mais conhecidas (embora recorrentemente mencionadas) vagas dos chamados "Povos do Mar" que se estabeleceram em várias partes do litoral sul do mar Mediterrâneo, incluindo a área hoje conhecida como Faixa de Gaza. Segundo a tradição bíblica os Filisteus seriam oriundos de Caphtor, termo associado à ilha de Creta. Este povo é igualmente referido nos escritos do Antigo Egipto com o nome de prst, por onde também passaram e foram repelidos.
No século II d.C., os romanos utilizaram o termo Syria Palaestina para se referirem à parte sul da província romana da Síria. O termo entraria posteriormente na língua árabe e é usado desde então para se referir a esta região.

A evolução histórica
A Palestina, sendo um estreito trecho de favorável passagem entre a África e Ásia, foi palco de um grande número de conquistas, pelos mais variados povos, por se constituir num corredor natural para os antigos exércitos.
Em meados do século XV a.C. a região é conquistada pelo faraó Tutmósis III, mas será perdida no final da XVIII dinastia, para ser novamente reconquistada por Seti I e por Ramsés II. Com o enfraquecimento do poder egípcio em finais do século XIII a.C., a região será invadida pelos Povos do Mar.
Um destes povos, os Filisteus, fixa-se junto à costa onde constroem um poderoso reino. Contemporânea a esta invasão é a chegada das tribos hebraicas, lideradas por Josué. A sua instalação no interior gerou guerras com os Filisteus, que se recusam a aceitar a religião hebraica. As tribos hebraicas decidem então unir-se para formar uma monarquia, cujo primeiro rei é Saul. O seu sucessor, David (início do I milénio a.C.) derrota finalmente os Filisteus e fixa a capital do reino em Jerusalém. Durante o reinado do seu filho, Salomão, o reino vive um período de prosperidade, mas com a sua morte é dividido em duas partes: a norte, surgirá o reino de Israel (com capital na Samaria) e a sul, o reino de Judá (com capital em Jerusalém).
Abrevie-se para afirmar que, salvo breves intervalos, a região foi dominada por outras potências tais como a Assíria (722 a.C.), os babilônicos (fins do século VII a.C.), os persas aquemênidas (539 a.C.), os greco/macedônios (331 a.C. pemanecendo em poder dos ptolomaicos de 320 a 220 a.C. e dos Selêucidas de 220 a 142 a.C.) passando por uma retomada pelos locais Asmoneus que dominaram daí até o ano de 63 a.C. quando sobreveio o domínio romano, época da qual a maioria das pessoas tomou conhecimento (embora fantasioso) pela filmografia recente.
No ano de 66 d.C. inicia-se uma rebelião dos judeus que foi fortemente reprimida pelos romanos com a destruição do templo de Iavé no ano de 70, e só no ano de 131 a pax romana foi novamente abalada por rebeliões ao fim das quais o imperador Adriano tornou Jerusalém na Colonia Aelia Capitolia.
Passando pela divisão do Império Romano, a região viveu entre 324 d.C. e 638 d.C., extrema prosperidade e crescimendo demográfico, sendo de se considerar que a esta altura a população era de maioria cristã, aliás, religião oficial do Império Bizantino.
No ano de 614 a região acaba de ser encampada pelos persas Sassânidas que mantém seu jugo até o ano de 628 e no ano de 638 toda a região está sob o domínio árabe muçulmano.
De 1517 a 1917 i império Otomano controla toda região (incluindo Síria e Líbano).
No século XIX (1880 em diante), judeus começam a migrar para a região comprando terras.
Durante a 1ª Guerra Mundial, o império Otomano apoia a Alemanha, acabando derrotado, com a ajuda de povos árabes que auxiliam às tropas aliadas, com a promessa da constituição de um estado árabe independente, no médio oriente. Na sequência do final da 1ª Guerra Mundial (1917), a parte sul do Império Otomano foi atribuído à Grã-Bretanha (Jordânia, Israel e Palestina) e à França (Líbia e Síria).
Em 1923 a Grã-Bretanha divide a sua zona em dois distritos administrativos, separados pelo rio Jordão, sendo que os Judeus apenas seriam permitidos na zona costeira, a oeste do rio (cerca de 25% da parte britânica). Os árabes dessa zona rejeitam a divisão, receando tornar-se uma minoria e incitados pelo crescente nacionalismo árabe no médio oriente, assim como apoiando-se no acordo pós 1ª Guerra Mundial.
A Grã-Bretanha entrega a resolução do problema às Nações Unidas em 1947. A Assembleia Geral das Nações Unidas determina a partilha da Palestina (os 25% em disputa) entre um Estado Judeu e outro Estado Árabe baseado na concentração das populações, através da resolução 181. A 14 de Maio desse ano os israelitas declaram a constituição do estado de Israel, levando à declaração de guerra por parte de Egipto, Jordânia, Síria, Líbano, Arábia Saudita, Iraque e Iémen. Nos 19 meses seguintes, na chamada Guerra da Independência, Israel acabaria por perder cerca de 1% da sua população, mas sairia vencedora, formando um pais maior que o inicialmente proposto pelas Nações Unidas dois anos antes. Egipto e Jordânia ocupam o território restante.
Em 1967, Egipto, Jordânia e Síria mobilizam os seus exércitos, com vista à destruição do estado Israelita. Naquela que ficaria conhecida como Guerra dos seis dias, Israel derrotou os três exércitos em outras tantas frentes, ocupando a península do Sinai (Egipto), Montes Golam (Síria) e Cisjordânia (Jordânia), incluindo o total controlo sobre Jerusalém. Desde esse ano Israel adoptou uma política destinada a promover a instalação de colonatos civis israelitas, expropriando terras aos palestinianos e construindo as casas para os seus cidadãos. Esta atitude é uma violação da Convenção de Genebra, que proíbe os vencedores de uma guerra de colonizar terras estrangeiras anexadas.
O presidente americano Jimmy Carter, em 1978, juntou o presidente egípcio (Sadate) e o primeiro-ministro israelita (Begin) em Camp David, afim de estabelecer o primeiro tratado de paz de sempre entre israelitas e árabes. Foi aqui acordada a devolução da península do Sinai, retirando os colonatos aí existentes, bem como o reestabelecimento de laços políticos e económicos.
No ano de 1982, Israel devolve a península do Sinai ao Egipto.

O domínio árabe
Ao contrário de várias potências que por alí só estenderam seu domínio de passagem, as vezes legando a administração da região a potentados locais, os árabes (à semelhança dos antigos hebreus) se estabeleceram na região, e o primeiro elemento cultural que introduzam foi a língua uma vez que aparentada com o aramaico, obteve fácil aceitação.
Desde o ano de 660 até 750, vigorou o domínio omíada, cuja capital era Damasco datando daí a construção do Nobre Santuário na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, substituída pela dinastia dos abássidas cuja capital era Bagdá que dominou até o ano de 974, seguindo-se a dinastia dos fatímidas que perduraram até o ano 1071.
Ao fim do longo domínio árabe de mais de quatro séculos, a religião islâmica acabou amplamente majoritária, seguindo-se de uma pequena minoria de cristãos e um menor número ainda de judaítas Samaritanos, até quando, no ano de 1072, sobreveio a conquista da região pelos turcos seldjúcidas que tinham capital em Bagdá.
No ano 1099 com a Primeira Cruzada europeus conquistaram Jerusalém e lá estabeleceram o seu domínio sob o nome de Reino Latino de Jerusalém cuja existência periclitante em meio à sociedade islâmica se demorou até o ano de 1187 quando a cidade foi reconquistada por Saladino.

O Império Otomano
Após a expulsão dos Cruzados, a Palestina tornou-se parte do Sultanato mameluco do Egipto, integrada no distrito (Wilayah) de Damasco.
Sob a administração mameluca a região viveu cerca de 100 anos de prosperidade, com a consequente reconstrução de escolas, mesquitas destruídas ou negligênciadas durante o período dos Cruzados. Em torno de 1382 a expansão territorial dos Mamelucos leva-os a confrontarem os Mongóis, e posteriormente os Otomanos. Estas campanhas vão estender-se até 1516, quando as forças do Sultão Selim I derrotam os Mamelucos na batalha de Marj Dabiq, e ocupam a totalidade da Palestina.
Durante os próximos 400 anos, o nome Palestina praticamente desaparece, pois a designação oficial sob a administração turca, uma vez que estes dividem o território em sub-províncias (vilayet) que recebiam o nome da sua cidade capital (ex.: vilayet de Saída).
Em 1799, durante a Guerras Napoleónicas, e no âmbito da Campanha do Egito, as tropas napoleónicas invadem por pouco mais de um mês as cidades de Jaffa, Haifa e Caesarea; é ainda nesta altura, durante o cerco a Acre, que um estadista europeu publicamente avança com a ideia de um estado judaico na Palestina. De facto, Napoleão tinha uma proclamação preparada nesse sentido, mas nunca chegou a ser publicada.
Entre 1832 e 1840 esteve sob administração do Egipto de Muhammad Ali, voltando à dependência directa do Império Otomano no fim desse período.
Em 1873 a região é reorganizada administrativamente, sendo dividida em três grandes àreas: a Norte, de Jaffa a Jericó e o Rio Jordão a pertencer ao vilayet de Beirute. De Jaffa, ao longo da costa até ao Sinai, pertencia ao distrito de Jerusalem, enquanto o restante território (Península do Sinai, Deserto de Negev pertencia ao vilayet de Hijaz, que se estendia até à parte ocidental da Arábia.
É também em torno desta data que os primeiros emigrantes judeus europeus, sionistas, começam a chegar à Palestina. A escola Mikveh Israel tinha sida fundada em 1870 pela Alliance Israélite Universelle, com o objectivo de ensinar aos colonos como cultivar a terra, por forma a obter os melhores resultados. As terras exploradas por estes colonos eram arrendadas directamente à administração Turca.
Apesar das designações oficiais, o termo Palestina foi utilizado de forma informal, não só pelas populações locais, como em algumas situações, mesmo pelos Otomanos; a partir do século XIX a expressão Arz-i Filistin (A Terra da Palestina) aparece em vários documentos oficiais para indicar uma região a Oeste do Rio Jordão num sentido lato.
O Império Otomano era um dos membros da Tríplice Aliança, e portanto inimigo da Inglaterra na Primeira Guerra Mundial. Os ingleses, sobretudo a partir do Egipto lançaram várias ofensivas contra os turcos, nomeadamente através das acções de Lawrence of Arabia, que à frente das forças arabes conquista a região, chegando até Damasco a 1 de Outubro de 1918. Contudo, um ano antes, a 2 de novembro de 1917, o então ministro britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, havia enviado a Lord Rothschild a carta, conhecida como a Declaração de Balfour, na qual comprometia a Inglaterra na criação de um estado judaico.
Com o Tratado de Versalhes a Palestina no seu sentido lato é dividida entre a França, que ocupa os actuais Libano e a Síria, e a Inglaterra.
O enquadramento legal desta situação será dado pelo Mandato Britânico na Palestina, por decisão da Sociedade das Nações, que, com base no Acordo Sykes-Picot previa que a Palestina seria colocada sob administração internacional. Esta situação iria manter-se até ao final da Segunda Guerra Mundial.

Do Mandato Britânico a Israel
Apoiada no Mandato Britânico na Palestina, a Inglaterra estabelece uma administração semi-colonial, que apesar da Declaração de Balfour é reticente quanto à emigração judaica, tentando apaziguar a reacção da população árabe - receosa de passar a ser uma minoria, por um lado, e por outro sentindo-se traída pelas promessas feitas por Lawrence da Arábia durante a guerra contra os turcos a Faiçal, e depois quebradas.
A insatisfação é crescente entre os grupos de sionistas. Então, já em 1931, surge o primeiro grupo terrorista conhecido como tal, o Irgun. Essa força para-militar sionista consistia em apressar a criação do estado de Israel pela imposição da força, expulsar e massacrar os povoados palestinos que se recusavam a vender suas terras aos sionistas, tal como vemos aconteceu com vila Deir Yassin.
A ascensão do Nazismo e as perseguições aos judeus aumentam a pressão migratória sobre a administração inglesa, que, face a uma crescente oposição arabe, à qual não é estranha a ajuda nazi ao Grão-Mufti de Jerusalém, Mohammad Amin al-Husayni, na propaganda antijudaica, fecha cada vez mais os portos, chegando mesmo a repatriar emigrantes judeus para a Alemanha nazi.
No final da Segunda Guerra Mundial, os sobreviventes do Holocausto são impedidos de emigrar para a Palestina pela administração britânica. Os ânimos de ambos os lados exaltam-se e são acompanhados por uma escalada de violência que a Inglaterra já não consegue conter.
A Grã-Bretanha, enfraquecida pela guerra e debilitada pela acção dos grupos judaicos extremistas- que, após uma trégua durante a guerra, regressam mais activos e combativos no apoio à emigração clandestina e na luta armada - e de grupos arabes igualmente activos, entrega a administração da Palestina à recém-criada Organização das Nações Unidas(ONU).
O aumento dos conflitos entre judeus, ingleses e árabes forçou a reunião da Assembleia Geral da ONU, realizada em 29 de Novembro de 1947, que deliberou a partição da Palestina em dois estados, um judeu e outro árabe, que deveriam formar uma união económica e aduaneira.
A 14 de Maio de 1948 David Ben-Gurion declara o nascimento do Estado de Israel, ao assinar a Declaração de Independência. A Liga Árabe recusa esta partilha, e não reconhece Israel.

Da Fundação de Israel à atualidade
Em 15 de Maio de 1948, um dia depois da fundação do Estado de Israel, sete exércitos de países da Liga Árabe atacaram Israel.
Durante a Guerra árabe-israelense, estimulada pelos países árabes, a maioria da população árabe da Palestina foge para os países vizinhos (Libano, Jordânia, Síria e Egipto) em busca de segurança. Com a vitória de Israel, a maioria desses refugiados, cerca de 750 mil, fica impedida de regressar às suas terras.
É na sequência do trabalho efetuado no apoio a estes refugiados que nasce o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
Após um período inicial de estadia nos países árabes vizinhos, muitos destes refugiados são expulsos desses países de acolhimento, dirigindo-se para o sul do Líbano, onde permanecem em campos de refugiados até hoje.
Em 1964, o Alto Comissariado da Palestina solicitou à Liga Árabe a fundação de uma Organização para a Libertação da Palestina (OLP), cujo missão estatutária é a destruição do Estado de Israel. Em 1988, a OLP proclamou o estabelecimento de um estado palestiniano. O principal líder da organização foi o egípcio Yasser Arafat, falecido em 2004. Arafat, após anos de luta contra Israel, renegou a luta armada, a violência e o terrorismo e iniciou as negociações que levaram aos Acordos de Paz de Oslo.
Desde 1994 parte da Palestina está sob a administração da Autoridade Nacional Palestiniana, como resultado dos Acordos.
Atualmente a Palestina é governada pelo primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, e pelo presidente Mahmoud Abbas, do Fatah, tendo havido confrontos armados entre os dois grupos em Gaza em 2007.

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