domingo, 21 de junho de 2009

Palestina

Palestina (em árabe فلسطين, translit. Filasṭīn; em hebraico פלשתינה; em grego Παλαιστίνη, transl. Palaistinē, e em latim Palæstina), é a denominação histórica dada pelo Império Britânico a uma região do Oriente Médio situada entre a costa oriental do Mediterrâneo e as margens do Rio Jordão. O seu estatuto político é disputado acesamente.
A área correspondente à Palestina até 1948 encontra-se hoje dividida em três partes: uma parte integra o Estado de Israel; duas outras (a Faixa de Gaza e a Cisjordânia), de maioria árabo-palestina, deveriam integrar um estado palestiniano-árabe a ser criado - de acordo com a lei internacional, bem como as determinações das Nações Unidas e da anterior potência colonial da zona, o Reino Unido. Todavia, em 1967, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia foram ocupadas militarmente por Israel, após a Guerra dos Seis Dias.
Há alguns anos, porções dispersas dessas duas áreas passaram a ser administradas pela Autoridade Palestiniana, mas, devido aos inúmeros ataques terroristas que sofre, Israel mantém o controlo das fronteiras e está actualmente a construir um muro de separação que, na prática, anexa porções significativas da Cisjordânia ocidental ao seu território.
A população palestina dispersa pelos países árabes ou em campos de refugiados, situados nos territórios ocupados por Israel, é estimada em 4.000.000 de pessoas.

O nome
A palavra Palestina deriva do grego Philistia, nome dado pelos autores da Grécia Antiga a esta região, devido ao facto de em parte dela (entre a actual cidade de Tel Aviv e Gaza) se terem fixado no século XII a.C. os Filisteus.
Os Filisteus não eram semitas e sua provável origem é creto-miceniada, uma das mais conhecidas (embora recorrentemente mencionadas) vagas dos chamados "Povos do Mar" que se estabeleceram em várias partes do litoral sul do mar Mediterrâneo, incluindo a área hoje conhecida como Faixa de Gaza. Segundo a tradição bíblica os Filisteus seriam oriundos de Caphtor, termo associado à ilha de Creta. Este povo é igualmente referido nos escritos do Antigo Egipto com o nome de prst, por onde também passaram e foram repelidos.
No século II d.C., os romanos utilizaram o termo Syria Palaestina para se referirem à parte sul da província romana da Síria. O termo entraria posteriormente na língua árabe e é usado desde então para se referir a esta região.

A evolução histórica
A Palestina, sendo um estreito trecho de favorável passagem entre a África e Ásia, foi palco de um grande número de conquistas, pelos mais variados povos, por se constituir num corredor natural para os antigos exércitos.
Em meados do século XV a.C. a região é conquistada pelo faraó Tutmósis III, mas será perdida no final da XVIII dinastia, para ser novamente reconquistada por Seti I e por Ramsés II. Com o enfraquecimento do poder egípcio em finais do século XIII a.C., a região será invadida pelos Povos do Mar.
Um destes povos, os Filisteus, fixa-se junto à costa onde constroem um poderoso reino. Contemporânea a esta invasão é a chegada das tribos hebraicas, lideradas por Josué. A sua instalação no interior gerou guerras com os Filisteus, que se recusam a aceitar a religião hebraica. As tribos hebraicas decidem então unir-se para formar uma monarquia, cujo primeiro rei é Saul. O seu sucessor, David (início do I milénio a.C.) derrota finalmente os Filisteus e fixa a capital do reino em Jerusalém. Durante o reinado do seu filho, Salomão, o reino vive um período de prosperidade, mas com a sua morte é dividido em duas partes: a norte, surgirá o reino de Israel (com capital na Samaria) e a sul, o reino de Judá (com capital em Jerusalém).
Abrevie-se para afirmar que, salvo breves intervalos, a região foi dominada por outras potências tais como a Assíria (722 a.C.), os babilônicos (fins do século VII a.C.), os persas aquemênidas (539 a.C.), os greco/macedônios (331 a.C. pemanecendo em poder dos ptolomaicos de 320 a 220 a.C. e dos Selêucidas de 220 a 142 a.C.) passando por uma retomada pelos locais Asmoneus que dominaram daí até o ano de 63 a.C. quando sobreveio o domínio romano, época da qual a maioria das pessoas tomou conhecimento (embora fantasioso) pela filmografia recente.
No ano de 66 d.C. inicia-se uma rebelião dos judeus que foi fortemente reprimida pelos romanos com a destruição do templo de Iavé no ano de 70, e só no ano de 131 a pax romana foi novamente abalada por rebeliões ao fim das quais o imperador Adriano tornou Jerusalém na Colonia Aelia Capitolia.
Passando pela divisão do Império Romano, a região viveu entre 324 d.C. e 638 d.C., extrema prosperidade e crescimendo demográfico, sendo de se considerar que a esta altura a população era de maioria cristã, aliás, religião oficial do Império Bizantino.
No ano de 614 a região acaba de ser encampada pelos persas Sassânidas que mantém seu jugo até o ano de 628 e no ano de 638 toda a região está sob o domínio árabe muçulmano.
De 1517 a 1917 i império Otomano controla toda região (incluindo Síria e Líbano).
No século XIX (1880 em diante), judeus começam a migrar para a região comprando terras.
Durante a 1ª Guerra Mundial, o império Otomano apoia a Alemanha, acabando derrotado, com a ajuda de povos árabes que auxiliam às tropas aliadas, com a promessa da constituição de um estado árabe independente, no médio oriente. Na sequência do final da 1ª Guerra Mundial (1917), a parte sul do Império Otomano foi atribuído à Grã-Bretanha (Jordânia, Israel e Palestina) e à França (Líbia e Síria).
Em 1923 a Grã-Bretanha divide a sua zona em dois distritos administrativos, separados pelo rio Jordão, sendo que os Judeus apenas seriam permitidos na zona costeira, a oeste do rio (cerca de 25% da parte britânica). Os árabes dessa zona rejeitam a divisão, receando tornar-se uma minoria e incitados pelo crescente nacionalismo árabe no médio oriente, assim como apoiando-se no acordo pós 1ª Guerra Mundial.
A Grã-Bretanha entrega a resolução do problema às Nações Unidas em 1947. A Assembleia Geral das Nações Unidas determina a partilha da Palestina (os 25% em disputa) entre um Estado Judeu e outro Estado Árabe baseado na concentração das populações, através da resolução 181. A 14 de Maio desse ano os israelitas declaram a constituição do estado de Israel, levando à declaração de guerra por parte de Egipto, Jordânia, Síria, Líbano, Arábia Saudita, Iraque e Iémen. Nos 19 meses seguintes, na chamada Guerra da Independência, Israel acabaria por perder cerca de 1% da sua população, mas sairia vencedora, formando um pais maior que o inicialmente proposto pelas Nações Unidas dois anos antes. Egipto e Jordânia ocupam o território restante.
Em 1967, Egipto, Jordânia e Síria mobilizam os seus exércitos, com vista à destruição do estado Israelita. Naquela que ficaria conhecida como Guerra dos seis dias, Israel derrotou os três exércitos em outras tantas frentes, ocupando a península do Sinai (Egipto), Montes Golam (Síria) e Cisjordânia (Jordânia), incluindo o total controlo sobre Jerusalém. Desde esse ano Israel adoptou uma política destinada a promover a instalação de colonatos civis israelitas, expropriando terras aos palestinianos e construindo as casas para os seus cidadãos. Esta atitude é uma violação da Convenção de Genebra, que proíbe os vencedores de uma guerra de colonizar terras estrangeiras anexadas.
O presidente americano Jimmy Carter, em 1978, juntou o presidente egípcio (Sadate) e o primeiro-ministro israelita (Begin) em Camp David, afim de estabelecer o primeiro tratado de paz de sempre entre israelitas e árabes. Foi aqui acordada a devolução da península do Sinai, retirando os colonatos aí existentes, bem como o reestabelecimento de laços políticos e económicos.
No ano de 1982, Israel devolve a península do Sinai ao Egipto.

O domínio árabe
Ao contrário de várias potências que por alí só estenderam seu domínio de passagem, as vezes legando a administração da região a potentados locais, os árabes (à semelhança dos antigos hebreus) se estabeleceram na região, e o primeiro elemento cultural que introduzam foi a língua uma vez que aparentada com o aramaico, obteve fácil aceitação.
Desde o ano de 660 até 750, vigorou o domínio omíada, cuja capital era Damasco datando daí a construção do Nobre Santuário na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém, substituída pela dinastia dos abássidas cuja capital era Bagdá que dominou até o ano de 974, seguindo-se a dinastia dos fatímidas que perduraram até o ano 1071.
Ao fim do longo domínio árabe de mais de quatro séculos, a religião islâmica acabou amplamente majoritária, seguindo-se de uma pequena minoria de cristãos e um menor número ainda de judaítas Samaritanos, até quando, no ano de 1072, sobreveio a conquista da região pelos turcos seldjúcidas que tinham capital em Bagdá.
No ano 1099 com a Primeira Cruzada europeus conquistaram Jerusalém e lá estabeleceram o seu domínio sob o nome de Reino Latino de Jerusalém cuja existência periclitante em meio à sociedade islâmica se demorou até o ano de 1187 quando a cidade foi reconquistada por Saladino.

O Império Otomano
Após a expulsão dos Cruzados, a Palestina tornou-se parte do Sultanato mameluco do Egipto, integrada no distrito (Wilayah) de Damasco.
Sob a administração mameluca a região viveu cerca de 100 anos de prosperidade, com a consequente reconstrução de escolas, mesquitas destruídas ou negligênciadas durante o período dos Cruzados. Em torno de 1382 a expansão territorial dos Mamelucos leva-os a confrontarem os Mongóis, e posteriormente os Otomanos. Estas campanhas vão estender-se até 1516, quando as forças do Sultão Selim I derrotam os Mamelucos na batalha de Marj Dabiq, e ocupam a totalidade da Palestina.
Durante os próximos 400 anos, o nome Palestina praticamente desaparece, pois a designação oficial sob a administração turca, uma vez que estes dividem o território em sub-províncias (vilayet) que recebiam o nome da sua cidade capital (ex.: vilayet de Saída).
Em 1799, durante a Guerras Napoleónicas, e no âmbito da Campanha do Egito, as tropas napoleónicas invadem por pouco mais de um mês as cidades de Jaffa, Haifa e Caesarea; é ainda nesta altura, durante o cerco a Acre, que um estadista europeu publicamente avança com a ideia de um estado judaico na Palestina. De facto, Napoleão tinha uma proclamação preparada nesse sentido, mas nunca chegou a ser publicada.
Entre 1832 e 1840 esteve sob administração do Egipto de Muhammad Ali, voltando à dependência directa do Império Otomano no fim desse período.
Em 1873 a região é reorganizada administrativamente, sendo dividida em três grandes àreas: a Norte, de Jaffa a Jericó e o Rio Jordão a pertencer ao vilayet de Beirute. De Jaffa, ao longo da costa até ao Sinai, pertencia ao distrito de Jerusalem, enquanto o restante território (Península do Sinai, Deserto de Negev pertencia ao vilayet de Hijaz, que se estendia até à parte ocidental da Arábia.
É também em torno desta data que os primeiros emigrantes judeus europeus, sionistas, começam a chegar à Palestina. A escola Mikveh Israel tinha sida fundada em 1870 pela Alliance Israélite Universelle, com o objectivo de ensinar aos colonos como cultivar a terra, por forma a obter os melhores resultados. As terras exploradas por estes colonos eram arrendadas directamente à administração Turca.
Apesar das designações oficiais, o termo Palestina foi utilizado de forma informal, não só pelas populações locais, como em algumas situações, mesmo pelos Otomanos; a partir do século XIX a expressão Arz-i Filistin (A Terra da Palestina) aparece em vários documentos oficiais para indicar uma região a Oeste do Rio Jordão num sentido lato.
O Império Otomano era um dos membros da Tríplice Aliança, e portanto inimigo da Inglaterra na Primeira Guerra Mundial. Os ingleses, sobretudo a partir do Egipto lançaram várias ofensivas contra os turcos, nomeadamente através das acções de Lawrence of Arabia, que à frente das forças arabes conquista a região, chegando até Damasco a 1 de Outubro de 1918. Contudo, um ano antes, a 2 de novembro de 1917, o então ministro britânico dos Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, havia enviado a Lord Rothschild a carta, conhecida como a Declaração de Balfour, na qual comprometia a Inglaterra na criação de um estado judaico.
Com o Tratado de Versalhes a Palestina no seu sentido lato é dividida entre a França, que ocupa os actuais Libano e a Síria, e a Inglaterra.
O enquadramento legal desta situação será dado pelo Mandato Britânico na Palestina, por decisão da Sociedade das Nações, que, com base no Acordo Sykes-Picot previa que a Palestina seria colocada sob administração internacional. Esta situação iria manter-se até ao final da Segunda Guerra Mundial.

Do Mandato Britânico a Israel
Apoiada no Mandato Britânico na Palestina, a Inglaterra estabelece uma administração semi-colonial, que apesar da Declaração de Balfour é reticente quanto à emigração judaica, tentando apaziguar a reacção da população árabe - receosa de passar a ser uma minoria, por um lado, e por outro sentindo-se traída pelas promessas feitas por Lawrence da Arábia durante a guerra contra os turcos a Faiçal, e depois quebradas.
A insatisfação é crescente entre os grupos de sionistas. Então, já em 1931, surge o primeiro grupo terrorista conhecido como tal, o Irgun. Essa força para-militar sionista consistia em apressar a criação do estado de Israel pela imposição da força, expulsar e massacrar os povoados palestinos que se recusavam a vender suas terras aos sionistas, tal como vemos aconteceu com vila Deir Yassin.
A ascensão do Nazismo e as perseguições aos judeus aumentam a pressão migratória sobre a administração inglesa, que, face a uma crescente oposição arabe, à qual não é estranha a ajuda nazi ao Grão-Mufti de Jerusalém, Mohammad Amin al-Husayni, na propaganda antijudaica, fecha cada vez mais os portos, chegando mesmo a repatriar emigrantes judeus para a Alemanha nazi.
No final da Segunda Guerra Mundial, os sobreviventes do Holocausto são impedidos de emigrar para a Palestina pela administração britânica. Os ânimos de ambos os lados exaltam-se e são acompanhados por uma escalada de violência que a Inglaterra já não consegue conter.
A Grã-Bretanha, enfraquecida pela guerra e debilitada pela acção dos grupos judaicos extremistas- que, após uma trégua durante a guerra, regressam mais activos e combativos no apoio à emigração clandestina e na luta armada - e de grupos arabes igualmente activos, entrega a administração da Palestina à recém-criada Organização das Nações Unidas(ONU).
O aumento dos conflitos entre judeus, ingleses e árabes forçou a reunião da Assembleia Geral da ONU, realizada em 29 de Novembro de 1947, que deliberou a partição da Palestina em dois estados, um judeu e outro árabe, que deveriam formar uma união económica e aduaneira.
A 14 de Maio de 1948 David Ben-Gurion declara o nascimento do Estado de Israel, ao assinar a Declaração de Independência. A Liga Árabe recusa esta partilha, e não reconhece Israel.

Da Fundação de Israel à atualidade
Em 15 de Maio de 1948, um dia depois da fundação do Estado de Israel, sete exércitos de países da Liga Árabe atacaram Israel.
Durante a Guerra árabe-israelense, estimulada pelos países árabes, a maioria da população árabe da Palestina foge para os países vizinhos (Libano, Jordânia, Síria e Egipto) em busca de segurança. Com a vitória de Israel, a maioria desses refugiados, cerca de 750 mil, fica impedida de regressar às suas terras.
É na sequência do trabalho efetuado no apoio a estes refugiados que nasce o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.
Após um período inicial de estadia nos países árabes vizinhos, muitos destes refugiados são expulsos desses países de acolhimento, dirigindo-se para o sul do Líbano, onde permanecem em campos de refugiados até hoje.
Em 1964, o Alto Comissariado da Palestina solicitou à Liga Árabe a fundação de uma Organização para a Libertação da Palestina (OLP), cujo missão estatutária é a destruição do Estado de Israel. Em 1988, a OLP proclamou o estabelecimento de um estado palestiniano. O principal líder da organização foi o egípcio Yasser Arafat, falecido em 2004. Arafat, após anos de luta contra Israel, renegou a luta armada, a violência e o terrorismo e iniciou as negociações que levaram aos Acordos de Paz de Oslo.
Desde 1994 parte da Palestina está sob a administração da Autoridade Nacional Palestiniana, como resultado dos Acordos.
Atualmente a Palestina é governada pelo primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, e pelo presidente Mahmoud Abbas, do Fatah, tendo havido confrontos armados entre os dois grupos em Gaza em 2007.

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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Entenda quem é quem na política iraniana

O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei
O líder supremo do Irã é a figura mais poderosa do país.
Ele nomeia o chefe do Judiciário, seis dos 12 membros do Conselho dos Guardiões, os comandantes de todas as Forças Armadas, líderes das orações das sextas-feiras e o chefe da rádio e da televisão estatais. Ele também confirma o resultado da eleição presidencial.
Khamenei foi figura-chave na Revolução Islâmica e um confidente próximo do aiatolá Khomeini, fundador da República Islâmica. Ele foi presidente do Irã entre 1981 e 1989 antes de se tornar líder supremo em caráter vitalício.

Presidente Mahmoud Ahmadinejad
Mahmoud Ahmadinejad, na Presidência do Irã desde 2005, esteve ativamente envolvido na Revolução Islâmica e foi um dos fundadores do grupo estudantil que ocupou a embaixada dos Estados Unidos em Terã em 1979. Ele nega ter sido um dos sequestradores de reféns americanos feitos à época por revolucionários na embaixada.
Ahmadinejad foi um dos primeiros não integrantes do clero a ser eleito presidente do Irã desde 1981, ao derrotar o então presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, em eleições em junho de 2005.
É linha-dura tanto em casa - onde não aprova o desenvolvimento ou reforma de instituições políticas - como no exterior, onde tem mantido uma postura anti-Ocidente e atitudes combativas no que se refere ao programa nuclear do Irã.
Muito do apoio que recebe vem de setores mais pobres e religiosos da população iraniana. A maior parte dos que o apóiam vive fora da capital, Teerã.

Houssein Mousavi
O ex-primeiro-ministro, com 68 anos de idade, está fora da política há alguns anos, mas retornou para concorrer como um candidato moderado.
Ele nasceu no leste do Azerbaijão e se mudou para Teerã para estudar arquitetura.
É casado com Zahra Rahnavard, ex-chanceler da Universidade de Alzahra e assessora política do ex-presidente iraniano Mohammad Khatami.
Um dos seus aliados mais próximos nessa eleição foi Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, ex-presidente do Irã, hoje à frente de dois dos órgãos mais importantes do governo: o Conselho de Expediência, que julga disputas sobre legislação, e a Assembléia de Especialistas, que nomeia e, em teoria, substitui, o líder supremo.

Os reformistas
O movimento de reforma iraniano é um movimento político liderado por um grupo de partidos políticos e organizações que apóiam os planos de Mohammad Khatami de introduzir maior liberdade e democracia.
Em 1997, Khatami foi eleito presidente com promessas de de maior liberdade de expressão, assim como medidas para combater o desemprego e acelerar privatizações. Entretanto, muitas de suas medidas de liberalização foram bloqueadas pelas instituições conservadoras do país. Khatami concorreu inicialmente às eleições de 2009, mas depois se retirou da disputa e apoiou Hossein Mousavi.
Outras figuras importantes do movimento pró-reforma são Hossein Mousavi, Mohsen Mirdamadi, Hadi Khamenei, Mohsen Aminzadeh e Mostafa Tajzadeh.

A Guarda Revolucionária e o Exército
As Forças Armadas são compostas pela Guarda Revolucionária e pelas forças comuns, todas sob um comando geral único.
O Corpo da Guarda da Revolução Islâmica do Irã foi criado logo após a revolução para defender o sistema islâmico do país e para oferecer um contrapeso para as Forças Armadas. Desde então, tornou-se uma importante força militar, política e econômica no Irã, com fortes vínculos com o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e o presidente Mahmoud Ahmadinejad, um de seus ex-membros.
Calcula-se que a força tenha 125 mil tropas ativas. Ela tem suas próprias tropas terrestres, marinhas e aéreas, e controla as armas estratégicas do Irã.
A guarda também tem uma presença poderosa em instituições civis e, acredita-se, controla cerca de um terço da economia do Irã por meio de uma série de subsidiárias.

As milícias
A Guarda Revolucionária também controla a Força de Resistência Basij, uma milícia voluntária islâmica com cerca de 90 mil homens e mulheres e capacidade adicional de mobilizar quase um milhão de pessoas.
Em tempos de crise, a Basij, ou Mobilização dos Oprimidos, é chamada com frequência às ruas para acabar com a discórdia por meio da força. Ela possui núcleos em todas as cidades do país.

O clero
O clero domina a sociedade iraniana.
Apenas membros do clero podem ser eleitos para a Assembléia dos Especialistas, que nomeia o líder supremo, monitora sua atuação e pode, em teoria, retirá-lo do cargo se ele for considerado incapaz de cumprir suas funções. Atualmente, a assembléia é chefiada pelo aiatolá Ali Rafsanjani, tido como um conservador pragmático.
O ex-presidente Mohammad Khatami acusou o clero de bloquear as reformas e alertou para os perigos do "despotismo religioso"
O clero também domina o Judiciário, que é baseado na lei islâmica, ou sharia.
Nos últimos anos, conservadores de linha-dura vêm usando o sistema Judiciário para minar reformas, aprisionando personalidades reformistas e jornalistas, assim como fechando jornais pró-reformas.

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Guerra civil do Sri Lanka

A guerra civil do Sri Lanka é o nome dado para o conflito que se instalou na nação e ilha de Sri Lanka por 26 anos, entre 1983 e 2009. Desde 23 de julho de 1983, começa uma guerra civil não-contínua, envolvendo principalmente o governo do Sri Lanka e os "Tigres da Libertação do Tamil Eelam" (TLLE), estes últimos conhecidos como "Tigres do Tâmil", uma organização armada separatista que lutava pela criação de um estado independente, que seria chamado de Tamil Eelam, que está localizado ao norte e ao leste da ilha do Sri Lanka.
Mais de 70.000 pessoas morreram oficialmente na guerra desde 1983, segundo dados oficiais,sendo um dos conflitos que provocou mais mortes, a guerra causou grandes adversidades à população, ao meio ambiente e à economia do país.
As táticas usadas pelos Tigres do Tâmil resultaram no banimento da organização e na sua classificação como organização terrorista nos Estados Unidos, no Brasil, na Austrália, nas nações da União Europeia e no Canadá.
Após duas décadas de luta e três tentativas frustradas de negociações de paz, incluindo a intervenção do Exército Indiano através de uma força pela manutenção da paz, sem sucesso, entre 1987 e 1990, uma longa negociação sobre a solução do conflito começou a parecer possível quando um cessar-fogo foi declarado em dezembro de 2001, e quando um acordo de cessar-fogo foi assinado com mediação internacional em 2002. Porém, as hostilidades recomeçaram no final de 2005, e o conflito começou a escalar até que o governo do Sri Lanka lançou várias ofensivas militares contra o LTTE, que começou em julho de 2006, terminando em maio de 2009.
As forças armadas expulsaram os Tigres do Tâmil para fora da Província do Leste do Sri Lanka. O LTTE, então, declarou que "recomeçaria a disputa pela liberdade para alcançar a independência".
O governo então mudou os seus ataques ofensivos para o norte do país, e anunciou oficialmente a desistência do acordo de cessar-fogo em 2 de janeiro de 2008, alegando que o LTTE violou o acordo mais de 10.000 vezes. Desde então, ajudado pela destruição de vários navios de contrabando de armas que pertenciam ao LTTE, e pela ajuda financeira internacional. o governo do Sri Lanka já tomou 98% do território que era antes controlado pelos Tigres do Tâmil, incluindo a capital de facto Kilinochchi, a principal base militar de Mullaitivu e toda a autoestrada A9.
Como resultado dos conflitos recentes, especialistas predizem que o longo conflito pode ter logo um fim assim que o pequeno território ainda controlado pelos Tigres do Tâmil for conquistado.Porém, os rebeldes prometeram continuar a lutar, e espera-se que os rebeldes comecem uma campanha armada tipo "guerrilha", lançando golpes e atentados contra o exército, além de ataques suicidas por todo o país, se os Tigres do Tâmil forem derrotados através dos meios tradicionais. Em 3 de fevereiro de 2009, os Estados Unidos, a União Europeia, o Japão e a Noruega pediram aos Tigres do Tâmil para que entregassem suas armas e que parassem com as hostilidades, já que há pouco tempo para que o Exército do Sri Lanka conquiste o território remanescente dos rebeldes.

Origem e evolução
O Mahavamsa, um registro religioso antigo do Sul da Índia, já relatava conflito entre o povo tâmil e os cingaleses. Porém, a origem do conflito atual é da época do Pacto Colonial Britânico, quando o país ainda era conhecido como Ceilão. No começo do século XX, surgiu um movimento político nacionalista com o objetivo de conseguir a independência da ilha, que foi concedido pelo Reino Unido de forma pacífica em 1948. Porém, os conflitos entre o povo tâmil e os cingaleses começaram logo após a promulgação da primeira constituição do Sri Lanka. O Sinkala Only Act, uma declaração do então primeiro-ministro, S. W. R. D. Bandaranaike, que trata sobre a política que trata a língua cingalesa como a única língua oficial do país, foi um dos motivos principais que levou ao conflito armado no país. O estabelecimento da guerra civil foi o resultado direto do escalonamento dos conflitos que se seguiram. As revoltas populares de 1950, de 1977 e a formação da "Frente Unida de Libertação do Tâmil (TUFA), juntamente com a sua "Resolução Vaddukkodei", foram os eventos chave para o estabelecimento da guerra civil no país. Isto levou a hostilidades de ambos os lados.

Início da guerra civil ou a guerra de Eelam I
Apoiados por conflitos políticos em andamento no Sri Lanka, jovens tâmis, já influenciados pela política, começaram a formar grupos militares no norte e no leste do Sri Lanka. Estes grupos formaram-se independentemente das lideranças tâmis em Colombo, que foram extintas pelos próprios grupos militares. O mais importante desses grupos é os Tigres da Libertação do Tamil Eelam (LTTE). Inicialmente, os Tigres do Tâmil usavam-se de violência, realizando atentados contra policiais e políticos moderados tâmis. A primeira grande operação dos Tigres do Tâmil foi o assassinato do prefeito de Jaffna, Alfred Duraiappah, em 1975. De fato, o estabelecimento do conflito armado foi baseado em assassinatos de políticos e de pessoas influentes. O próprio líder dos Tigres do Tâmil, Vellupillai Prabhakaran, assassinou um membro tâmil do Parlamento do Sri Lanka, M. Canagaratnam, em 1977.
Em julho de 1983, Os Tigres do Tâmil lançaram um ataque contra o Exército do Sri Lanka, matando 13 soldados. A população cingalesa retaliou o ataque, e organizou massacres e carnificinas contra tâmis em Colombo e aos arredores. Entre 400 e 3.000 pessoas tâmis foram mortas naquele julho, conhecido como Julho Negro. Outros milhares de tâmis fugiram de regiões predominantemente cingalesas. O ataque dos Tigres do Tâmil contra o exército e a retaliação desproporcional da população cingalesa foi o estopim inicial da guerra civil do Sri Lanka, que se arrasta até os dias de hoje.
Houve inicialmente vários grupos militares tâmis, mas a posição política dos Tigres do Tâmil, baseada na Organização para a Libertação da Palestina, foi a única entre os grupos militares. No ano seguinte, os Tigres do Tâmil promoveram ataques avalassadores, tais como o massacre das fazendas Kent e Dollar, de 1984, e o massacre de Anuradhapura, que matou 146 pessoas em 1985. O massacre de Anuradhapura foi aparentemente retaliado pelas forças do governo, que mataram 23 civis no massacre do barco Kumudini. Com o passar do tempo, os outros grupos militares começaram a se fundir com os Tigres do Tâmil; aqueles que se recusaram a se fundir foram eliminadas pelos próprios Tigres. Como resultado, muitos grupos militares, já despedaçados, começaram a agir como grupos paramilitares juntamente com o governo do Sri Lanka, ou denunciaram a extrema violência e se juntaram com a tendência política principal do Sri Lanka. Alguns partidos remanescentes tâmis são totalmente opositores aos Tigres do Tâmil, que têm uma visão separatista.
As conversações de paz entre os Tigres do Tâmil e o governo do Sri Lanka começaram em 1985, mas logo falharam. Em 1986, houve outro massacre realizado pelos Tigres, o massacre de Akkaraipattu. Em 1987, as tropas governamentais conseguiram retirar os Tigres do Tâmil para fora da cidade de Jaffna. Durante aquele ano, a guerra atingiu o seu primeiro pico de atividade, com várias operações sangrentas de ambos os lados.
O Exército do Sri Lanka lançou uma forte ofensiva em maio e junho de 1987, com o objetivo de expulsar os simpatizantes dos Tigres do Tâmil da península de Jaffna. O evento foi a primeira operação do Exército do Sri Lanka no seu próprio solo desde a independência do país. A ofensiva obteve sucesso, porém, os líderes dos Tigres, Prabhakaran, e o líder da marinha dos Tigres do Tâmil, conhecido como Tigres Marinhos, Soosai, conseguiram escapar do exército.
Ainda em 1987, os Tigres do Tâmil realizaram o seu primeiro ataque suicida, quando um caminhão carregado de explosivos invadiu o acampamento do Exército, matando mais de 40 soldados. Desde então, os Tigres do Tâmil já realizaram mais de 170 ataques suicidas, mais que qualquer outra organização no mundo. Os ataques suicidas realizadas pelos Tigres tornaram-se também, uma "marca registrada" do grupo, e consequentemente, da guerra civil

Envolvimento da Índia
A Índia ficou envolvida na guerra civil do Sri Lanka por várias razões. Entre elas, pode-se mencionar o desejo da Índia de se tornar uma potência regional, e a preocupação das autoridades indianas sobre a situação dos tâmis indianos que vivem na província de Tâmil Nadu, que influenciados pelo conflito, poderiam querer também a independência. Este último foi particularmente uma forte preocupação, já que a população tâmil indiana apoiava fortemente da independência dos tâmis do Sri Lanka. Durante o conflito, os governos central e estadual da Índia apoiaram os dois lados do conflito de modos diferentes. Durante a década de 1980, a agência de inteligência da Índia, a Research and Analysis Wing (RAW) forneceu armas, treinamento e apoio monetário para grupos militares tâmis, incluindo os Tigres do Tâmil e o seu principal rival, a Organização para a Libertação do Tamil Eelam (TELO). O surgimento inicial dos Tigres do Tâmil foi baseado principalmente no apoio dado pela agência de inteligência indiana. Acredita-se que o motivo de a Índia ter apoiado vários grupos militares, rivais entre si, era de manter a dividida a busca pela independência dos tâmis, e com isso, manter o controle efetivo sobre a rebelião.
A Índia ficou mais participativa na guerra no final da década de 1980. Em 5 de julho de 1987, a Força Aérea Indiana lançou alimentos para a cidade de Jaffna, que estava cercada pelas forças do Sri Lanka. Naquele momento, o governo do Sri Lanka disse que estava perto de derrotar os Tigres, mas as 25 toneladas distribuídas pela Índia para os Tigres do Tâmil apoiaram e reforçaram os rebeldes. Negociações foram feitas, e foi assinado um acordo de paz entre a Índia e Sri Lanka em 29 de julho de 1987. No acordo, o governo do Sri Lanka fez uma série de concessões para os Tigres do Tâmil, incluindo a devolução de territórios já conquistados, incluindo a devolução do poder de duas províncias, a fusão da Província do Leste com a Província do Norte, formado então a Província do Nordeste, e além da inclusão da língua tâmil como idioma oficial do Sri Lanka. Por outro lado, a Índia concordou em estabelecer a ordem nas províncias do Leste e do Norte através de sua Força de Manutenção da Paz, e concordou em parar de apoiar as investidas tâmis. Inicialmente, os grupos militares tâmis relutaram em concordar com os requisitos previstos no acordo, mas entregaram as suas armas para a Força de Manutenção da Paz Indiana (IPKF).
Naquele momento, o governo do Sri Lanka pediu a presença do Exército Indiano. Com a Força de Manutenção da Paz Indiana atuando nas regiões rebeldes, houve um cessar-fogo e um modesto desarmamento dos grupos militares. Com isso, o governo do Sri Lanka recuou o seu exército e deixou o controle da situação para a IPKF.
Enquanto que a maioria dos grupos militar concordou em parar o conflito e em entregar as suas armas para a IPKF, os Tigres do Tâmil recusaram todas as propostas. Com isso, a IKPF teve que intervir mais agressivamente, entrando em conflito com os Tigres do Tâmil para tentar desmantelar a organização rebelde. O conflito entre o IPKF e os Tigres do Tâmil seguiu por três anos. Nesta época, a IPKF foi acusada de violar os direitos humanos. Além disso, a IPKF também encontrou forte oposição por parte dos tâmis. Simultaneamente, os cingaleses também começaram a se tornar opositores da presença indiana no Sri Lanka. Isso levou ao governo do Sri Lanka a pedir a retirada indiana, alegando que não mais precisava da ajuda da Índia, já que tinha assinado secretamente um acordo de cessar-fogo com os Tigres do Tâmil. A resistência indiana de permanecer no Sri Lanka levou ao governo local a armar os grupos militares tâmis, seus rivais, para tentar retirar a ocupação da Índia no Sri Lanka. Porém, o primeiro-ministro indiano, Rajiv Gandhi, recusou em retirar a IPKF do território do Sri Lanka, tendo como consequência, o aumento das hostilidades contra a IPKF de ambos os lados. Porém, em dezembro de 1989, a derrota de Gandhi nas eleições parlamentares fez que a IPKF fosse retirada do Sri Lanka em março de 1990.

Assassinato de Rajiv Gandhi e o apoio Pan-tâmil
O apoio da população indiana para com os Tigres do Tâmil caiu consideravelmente em 1991, após o assassinato do ex-primeiro-ministro Rajiv Gandhi por uma mulher bomba. Segundo a imprensa indiana, o líder dos Tigres do Tâmil, Prabhakaran, temia a volta do IPKF no caso de vitória de Gandhi nas eleições parlamentares de 1991. A Índia condenou em 1998 o líder dos Tigres do Tâmil pelo assassinato de Gandhi. A Índia permanece como um observador externo do processo em andamento pela obtenção da paz no Sri Lanka, e pede frequentemente a extradição de Velupillai Prabhakaran, líder dos Tigres do Tâmil.
Em 2008, a coalizão central tâmil na Índia foi abalada por ameaças, demissões, e por protestos baseados no nacionalismo tâmil, para que começasse apoiar os tâmis do Sri Lanka. Após a ascensão histórica do partido pró-tâmil ao poder na Índia, espera-se que haverá mais apoio indiano para com os tâmis no Sri Lanka. Por outro lado, outros líderes do Sri Lanka responsabilizaram o governo indiano em parte pela guerra civil no Sri Lanka. Todos os partidos tâmis da província indiana de Tâmil Nadu exigiram o cessar-fogo imediato. Como contrapartida, os tâmis do Sri Lanka acusam o próprio povo tâmil indiano de apoiar os cingaleses.

Guerra de Eelam II
Durante das décadas de 1980 e 1990, o governo do Sri Lanka tentou apaziguar a situação por fazer várias novas leis e emendas à constituição, tais como o reconhecimento oficial da língua tâmil como idioma oficial, e a fusão das províncias do Norte e do Leste em uma só, para formar a província do Nordeste.
Porém, a violência continuou. Os Tigres do Tâmil tomaram para si grandes quantidades de território do norte do Sri Lanka logo após a desistência da Força de Manutenção da Paz da Índia (IPFK). Uma tentativa de cessar-fogo ocorreu em 1990, quando os Tigres do Tâmil se firmaram como o principal grupo militar tâmil por aniquilar os outros grupos militares. Ao mesmo tempo, levantes marxistas aconteciam no sul do país. Quando os Tigres do Tâmil e o levante marxista liderado por Janatha Vimukhti Peramuna, se estabeleceram, ambos começaram a realizar ataques um contra o outro. No meio do fogo cruzado, o Exército do Sri Lanka tentou retomar a cidade de Jaffna.
Esta fase da guerra civil ficou conhecida como Guerra de Eelam II. Esta fase da violência no Sri Lanka ficou marcada por grandes massacres realizados pelos Tigres do Tâmil e pelo Exército do Sri Lanka. O clima de medo e impunidade se instaurou no norte do Sri Lanka. Os ataques envolviam também a minoria muçulmana na região. Como retaliação, os muçulmanos também realizaram massacres em vilas tâmis. Como resultado, os Tigres do Tâmil expulsaram todos os muçulmanos de Jaffna; cerca de 28.000 pessoas tiveram que deixar suas casas apenas com a roupa do corpo. A maior batalha da Guerra de Eelam II foi o cerco à Passagem do Elefante, base do Exército do Sri Lanka. Cerca de 5.000 Tigres do Tâmil cercaram a base militar e o confronto direto durou mais de 1 ano, levando à morte de 2.000 soldados de ambos os lados. Finalmente, o Exército do Sri Lanka teve que deixar a base em julho de 1992.
Em fevereiro de 1992, outras tentativas de capturar a cidade de Jaffna foram frustradas. Numa destas tentativas, o General Denzil Kobbekaduwa e o Major-General Vijaya Wimalaratne foram mortos numa explosão de uma mina. A morte de pessoas da alta elite do Exército causou grande impacto em todo Sri lanka. Uma das maiores conquistas dos Tigres do Tâmil durante a Guerra de Eelam II foi o assassinato do então presidente, Ranasinghe Premadasa, em maio de 1993.

Guerra de Eelam III
Após um período de relativa calmaria em 1994, Chandrika Kumaratunga venceu as eleições presidenciais em Sri Lanka de 1994, baseado na promessa de estabelecer a paz no Sri Lanka. O cessar-fogo entre o governo e os Tigres do Tâmil foi oficialmente acordado em janeiro de 1995. Porém, os Tigres quebraram o acordo quatro meses depois, e deu início à guerra de Eelam III. A partir de então, o governo começou a pregar o ideal "guerra pela paz", e começou uma pesada investida contra as tropas dos Tigres na península de Jaffna. O Exército logo conseguiu conquistar a península e se dirigiu para a cidade de Jaffna. Após sete semanas de forte conflito, o Exército do Sri Lanka conseguiu tomar a cidade dos Tigres. Foi a primeira vez em mais de 10 anos que a cidade de Jaffna ficou sob o controle do governo. Segundo o próprio governo do Sri Lanka, mais de 2.500 soldados e rebeldes morreram na batalha. A pedido dos Tigres do Tâmil, a população de Jaffna realizou uma diáspora pelo todo o território do Sri Lanka; cerca de 350.000 pessoas deixaram a cidade para se refugiar em áreas mais remotas. Porém, praticamente toda a população que saiu da cidade retornou no ano seguinte.
Os Tigres do Tâmil responderam com a Operação "Ondas Incessantes" e ganhou a batalha de Mullaitivu, em julho de 1996. Como resposta, o governo lançou outra ofensiva no mês seguinte. A cidade de Kilinochchi foi tomada pelo Exército no final de setembro daquele ano. Porém, mais de 200.000 civis tiveram que fugir da região do conflito. Em maio de 1997, o Exército do Sri Lanka tentou tomar a área cortada por linhas de transmissão de eletricidade na região de Vanni, controlada pelos Tigres, mas falhou. Como retaliação, os Tigres mataram centenas de civis e espalharam seus corpos ao longo da trajetória da linha de transmissão.
Assim que a violência extrema persistia no norte do Sri Lanka, ataques terroristas realizadas pelos Tigres do Tâmil aterrorizavam o sul do Sri Lanka. Após um ataque dos Tigres a um templo budista, o governo do Sri Lanka considerou oficialmente os Tigres como uma organização terrorista e pediu para vários países do mundo a fazerem o mesmo. Como resultado, o financiamento de recursos para os Tigres do Tâmil ficou seriamente comprometido.
Em setembro de 1998, os Tigres do Tâmil lançaram a Operação "Ondas Incessantes II" e conseguiram com sucesso recapturar a cidade de Kilinochchi. Em março do ano seguinte, o governo lançou mais uma ofensiva para tentar tomar para si a região de Vanni. No entanto, os resultados foram apenas parciais. Como retaliação, os Tigres realizaram outros massacres de civis cingaleses. Os Tigres do Tâmil lançaram a Operação "Ondas Incessantes III" e reconquistaram os territórios perdidos. Além disso, os Tigres conquistaram importantes fábricas do país e retomaram o controle da Passagem do Elefante e da cidade de Jaffna. Além disso, os Tigres retomaram os territórios em torno de Kilinochchi, ainda ocupados pelo Exército. Em dezembro de 1999, os Tigres tentaram assassinar a presidente Chandrika Kumaratunga. A tentativa foi frustrada, mas ela perdeu um olho, entre outros ferimentos. Logo após o atentado, ela conseguiu ser reeleita como presidente do Sri Lanka. Em abril, a Passagem do Elefante, a estreita faixa de terra que separa os territórios controlados pelos Tigres da península de Jaffna e a região de Vanni, foi completamente reconquistada pelos Tigres. Como resposta, o Exército lançou ofensivas para tentar tomar novamente o sul da península, mas fracassou. No entanto, o Exército do Sri Lanka conseguiu manter a cidade de Jaffna sob o seu controle.

Esforços pela tentativa da obtenção da paz
A exaustão começou a surgir em ambos os lados da guerra após 5 anos de intensa batalha. Em 2000, grupos ativistas de direitos humanos estimaram que mais de um milhão de pessoas tinham sido desalojadas ou desabrigadas pela guerra. Isto levou a formação massiva de organizações de paz. Naquele ano, a Noruega foi convidada para mediar o conflito. A esperança pela paz foi aumentada após o cessar-fogo unilateral dos Tigres do Tâmil, em dezembro de 2000. Porém, o cessar-fogo unilateral durou apenas quatro meses, quando os Tigres começaram a avançar para norte, pondo em sério risco o complexo militar da Passagem do Elefante, base do Exército com cerca de 17.000 soldados. Em 2001, os Tigres do Tâmil lançaram um ataque suicida contra o Aeroporto Internacional de Bandaranaike, destruindo oito aviões militares e quatro aviões civis. O ataque causou um sério impacto à economia do país, que tem o turismo como uma das principais formas de renda do país.

Processo pela obtenção da paz em 2002
Início do cessar-fogo e o memorando de entendimento
Sob pressão internacional, e após os ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos, os Tigres do Tâmil começaram a encontrar meios de encerrar a guerra de forma pacífica, com receio de um possível apoio internacional para o Exército do Sri Lanka, ou mesmo sobre um possível ataque internacional. Ao mesmo tempo, o governo estava sendo severamente criticado pelo o seu ideal "guerra pela paz". Após perder praticamente todo o seu apoio, a presidente Kumaratunga teve que dissolver o parlamento e antecipar as eleições. Durante as eleições parlamentares no Sri Lanka de 2001, a vitória de Ranil Wickremasinghe trouxe a esperança do fim da guerra através de negociações e diálogos. Logo após as eleições, os Tigres do Tâmil declararam cessar-fogo unilateral por um período de 30 dias. O governo mostrou reciprocidade e também declarou um cessar-fogo de um mês e declarou uma pausa no embargo econômico imposto pelo governo nas regiões controladas pelos Tigres.
Em fevereiro de 2002, ambos os lados concordaram em assinar um "Memorando de Entendimento", no qual os dois lados, através da mediação da Noruega, se comprometeram a construir um cessar-fogo consolidado e permanente. Para isso, o governo concordou em legalizar novamente os Tigres como uma organização verdadeira. Logo após a assinatura do memorando, voos comerciais para Jaffna foram retomados, e a autoestrada A9, que liga Jaffna ao resto do país, foi liberada. Com isso, a esperança pelo fim da guerra civil cresceu. A partir de então, a tão esperada negociação pela paz definitiva começou. Durante os diálogos, ambos os lados concordaram pelo princípio da solução federal, e os Tigres desistiram da ideia de um estado independente tâmil.

Mudanças políticas no Sri Lanka
Após as eleições de 2001, pela primeira vez na história do Sri Lanka, o presidente e o primeiro-ministro eram de partidos diferentes. A convivência entre a presidente Kumaratunga e o primeiro-ministro Wickremasinghe foi extremamente difícil. O partido do primeiro-ministro defendia a paz e a solução federal do conflito. No entanto, o partido da presidente defendia a guerra contra os Tigres, e acusava a organização de utilizar o cessar-fogo apenas como um breve descanso das longas guerras travadas. De fato, os Tigres do Tâmil estavam cobrando pedágio em rodovias sob o seu controle como forma de financiar a organização, e construía bases militares em pontos estratégicos.
Os diálogos entre os Tigres do Tâmil e o governo foram interrompidos em abril de 2003. Segundo os Tigres, havia "descontentamentos" sobre "questões críticas", tais como desrespeito do cessar-fogo em alguns pontos isolados e a falta de repasse de recursos econômicos para as áreas controladas pelos Tigres. O governo disse que os Tigres do Tâmil também estavam desrespeitando o cessar-fogo, e que estava eliminando de forma sumária outros grupos militares tâmis. No final de outubro daquele ano, os Tigres do Tâmil emitiram a sua própria proposta de paz, que apelava para a formação de uma região autônoma tâmil no norte e no leste do Sri Lanka. O primeiro-ministro Wickremasinghe concordou com a proposta. Porém, a proposta encontrou forte oposição do partido da presidente Kumaratunga, que acusou Wickremasinghe de se aliar aos Tigres do Tâmil. A partir de então, a presidente Kumaratunga se aliou com o levante marxista de Janatha Vimukthi Peramuna, e formou a Aliança da Liberdade Popular Unida (UPFA). A presidente também dissolveu o parlamento mais uma vez e convocou novas eleições. A UPFA se consagrou vencedora das eleições, realizadas em abril de 2004, e Mahinda Rajapaksa foi apontado como primeiro-ministro. Inicialmente, houve receios da volta da guerra, mas o governo continuou o processo de paz.

Cisão dos Tigres do Tâmil
Enquanto isso, houve uma grande fratura entre as partes ocupantes do Norte e do Leste. O Coronel Karuna, o líder dos Tigres do Tâmil na parte leste do Sri Lanka, rompeu relações com os próprios Tigres, e levou consigo mais de 5.000 soldados, mais da metade de todo o contingente do Exército dos Tigres. Esta foi a pior cisão de toda a história dos Tigres do Tâmil. Após um breve período de guerra civil interna, o grupo de Karuna foi rapidamente derrotado, principalmente devido a deserções. Porém, a "Facção Karuna" ainda se faz presente dentro dos Tigres do Tâmil. Os Tigres acusaram o Exército do Sri Lanka de dar suporte ao grupo rebelde, cujos remanescentes formaram um novo partido político, o TamilEela Makkal Viduhalai Pilikal (TMVP), partido tâmil opositor aos Tigres.
Durante este período, o cessar-fogo foi desrespeitado mais de 3.000 vezes por parte dos Tigres, e mais de 300 vezes por parte do Exército, segundo os países mediadores do conflito. Ambos os lados acusavam os seus adversários. O governo acusava os Tigres de assassinar oponentes políticos e de recrutar crianças. Por outro lado, os Tigres acusavam o governo de apoiar financeiramente e belicamente grupos paramilitares, especialmente o grupo de Karuna.

Tsunami e suas consequências
Em 26 de dezembro de 2004, o tsunami no Oceano Índico matou mais de 30.000 pessoas no Sri Lanka, incluindo nas regiões controladas pelos Tigres do Tâmil. Logo após o tsunami, países e instituições começaram a enviar doações para o país, mas instantaneamente surgiram desacordos sobre como as doações seriam distribuídas nos territórios controlados pelos Tigres. Em junho de 2005, o governo e os Tigres entraram em acordo e assinaram um acordo sobre a Estrutura de Gerenciamento Operacional Pós-tsunami" (P-TOMS). Porém, o P-TOMS recebeu severas críticas, principalmente dos muçulmanos e do levante marxista de Janatha Vimukthi Peramuna. Mais tarde, o governo dissolveu o P-TOMS, o que recebeu severas críticas dos Tigres, que alegavam que as doações não estavam chegando nas áreas controladas pela organização. No entanto, logo após o tsunami, a violência no norte do país diminuiu consideravelmente.
Em agosto de 2005, o Ministro das Relações Exteriores do Sri Lanka, Lakshman Kadirgamar foi assassinado por um membro dos Tigres. A partir de então, os Tigres começaram a ser desprezados pela comunidade internacional, que ficou em silêncio quando o governo adotou medidas militares contra os Tigres em 2006, violando o Memorando de Entendimento assinado em 2002.
Naquele mesmo ano, a Suprema Corte do Sri Lanka decidiu que o mandato da presidente Kumaratunga tinha expirado e convocou novas eleições. Os principais candidatos a presidente foram o ex-primeiro-ministro Ranil Wickremasinghe, deposto pela própria Kumaratunga em 2004, e o então primeiro-ministro Mahinda Rajapaksa. Enquanto isso, os Tigres do Tâmil declararam que o povo tâmil iria boicotar as eleições. Para impor a sua decisão, os Tigres recorreram à violência para evitar que tâmis votassem nas eleições, o que foi decisivo para o seu resultado final, tendo Mahinda Rajapaksa como vencedor. Acredita-se que os tâmis iriam voltar em Wickremasinghe, que perdeu por uma pequena diferença para Rajapaksa.
Logo após a eleição, o líder dos Tigres do Tâmil, Velupillai Prabhakaran, disse que iria retomar as hostilidades em 2006 se o governo não acelerasse o processo de paz.

Retorno das hostilidades ou a guerra de Eelam IV
Apenas alguns dias após a pronunciação do líder dos Tigres do Tâmil, uma nova onda de violência surgiu. A partir de dezembro de 2005, os Tigres do Tâmil começaram a realizar novos massacres, e a assassinar alvos políticos e intelectuais. A partir de 2008, os Tigres começaram a atacar civis por meio de atentados em ônibus, trens e uma série de ataques isolados,concentrando-se principalmente aos arredores da capital Colombo.

Diálogos e mais violência
Imediatamente após o retorno da violência, mediadores internacionais, principalmente os Estados Unidos, disseram que se as hostilidades retornarem, os Tigres poderia encarar "um exército mais capaz e mais determinado". Enquanto isso, os massacres a civis continuaram, inclusive contra a própria população tâmil. Como última tentativa, a Noruega e um representante dos Tigres se reuniram em Sri Lanka, e ambas as partes concordaram pela manutenção do "Memorando de Entendimento", o acordo de cessar-fogo assinado em 2002. Logo após as negociações, a violência diminuiu. Porém, os ataques dos Tigres recomeçaram em abril de 2006. As negociações pela paz foram frustradas quando os Tigres do Tâmil se recusaram em dialogar, quando se recusaram a embaraçar num navio para a Índia, local da reunião, que estava sendo escoltado por forças estrangeiras.
Após dias de ataques de ambos os lados, os Tigres do Tâmil realizaram um ataque suicida no Quartel General do Exército, em Colombo, matando 10 soldados. Como retaliação, o Exército bombardeou com aeronaves bases dos Tigres; esta foi a primeira vez que o Exército lançou um ataque aéreo em mais de 5 anos. Os ataques dos Tigres, incluindo o assassinato de Lakshman Kadirgamar, o ataque no Quartel General, e o ataque a um navio com 710 pessoas desarmadas, que não obteve sucesso, levou à União Europeia a considerar a organização como terrorista. Novas tentativas de negociações da paz foram planejadas, mas os Tigres não compareceram nas reuniões. Enquanto isso, vários outros ataques e massacres aconteceram em todo o Sri Lanka, inclusive o assassinato do Ministro da Casa Civil e General Parami Kulatunga. O "Memorando de Entendimento" foi questionado por mediadores internacionais, mas especialistas afirmaram que os atentados não ameaçavam o memorando, e que era inevitável que uma guerra de baixa intensidade fosse evitada.

Disputa pela barragem de Mavil Aru e as ofensivas dos Tigres do Tâmil contra Muttur e Jaffna
Em julho de 2006, os Tigres do Tâmil cortaram o abastecimento de água para cerca de 15.000 pessoas residentes nas áreas controladas pelo governo. Após negociações frustradas, a Força Aérea do Sri Lanka atacou as forças dos Tigres e reabriu a barragem. Porém, há disputas sobre quem realmente reabriu a barragem. Segundo mediadores internacionais, foram os próprios Tigres que reabriram a barragem após negociações pacíficas entre o Exército e a organização. O governo refutou as alegações, e disse que "a infraestrutura do país não deve ser utilizada como ferramenta de barganha" Sob esta alegação, o governo lançou ofensivas adicionais para afastar as tropas dos Tigres do reservatório. Os Tigres do Tâmil confirmaram as alegações dos mediadores internacionais. Mesmo assim, o governo continuou a investida, e tomou o controle total do reservatório em 15 de agosto. Esta foi a primeira batalha entre os Tigres e o Exército desde 2001.
Enquanto o Exército tomava o controle da barragem de Mavil Aru, os Tigres do Tâmil lançaram uma grande ofensiva a uma base da Marinha do Sri Lanka, além do ataque à cidade de Muttur. 30 civis foram mortos e 25.000 residentes foram obrigados a deixar a cidade. Enquanto isso, o massacre de 17 agentes internacionais contra a fome causou comoção internacional. Os mediadores internacionais culparam o próprio governo pelo massacre, que refutou e disse que o grupo de mediadores não estava no local do evento para acusar prontamente qualquer lado. Ao mesmo tempo, os Tigres lançaram uma grande ofensiva para tentar retomar a península de Jaffna. Inicialmente, os Tigres foram bem-sucedidos, mas após 10 horas de confronto pesado, os Tigres resolveram recuar após a morte de 250 soldados. Cerca de 90 soldados do Exército também morreram após a batalha.

Ataque aéreo de Chencholai e a queda de Sampur
O Exército lançou um ataque aéreo contra a base dos Tigres de Chencholai, matando 19 garotas tâmis. Segundo o governo, o Exército destruiu um centro de recrutamento de crianças, mas segundo os Tigres, as garotas estavam tendo um curso de primeiros socorros no local. No mesmo dia, o comboio trazendo autocomissário paquistanês para o Sri Lanka foi atacado. Nenhum grupo se responsabilizou, mas o governo culpou os Tigres pelo atentado.
A base naval da Marinha do Sri Lanka, estabelecida em Trincomalee, estava grandemente ameaçada pelas tropas dos Tigres baseadas na cidade de Sampur, próxima à base naval. A base naval era a única conexão do governo entre Jaffna e o restante do país. Para prevenir um possível ataque dos Tigres à base, o Exército retomou a cidade de Sampur, além das localidades de Kaddaiparichchan e de Thoppur. Os Tigres do Tâmil declarou que se a ofensiva continuasse, poderia desconsiderar oficialmente o cessar-fogo. Esta foi a primeira retomada de território desde 2001. 33 soldados do Exército e 200 soldados dos Tigres do Tâmil foram mortos na batalha de Sampur.

Retaliação dos Tigres do Tâmil e mais negociações pela paz
Após um mês sem batalhas, os Tigres recomeçaram o conflito em outubro de 2006. Numa batalha em Muhamalai, os Tigres mataram cerca de 130 soldados. Dias depois, um ataque suicida realizado pelos Tigres mataram mais de 100 marinheiros da Marinha do Sri Lanka; este foi o pior ataque suicida realizado pelos Tigres em toda a história da guerra civil. Dois dias depois, os Tigres realizaram um atentado na base da Marinha do Sri Lanka no sul do país; esta foi a primeira vez que os Tigres realizaram um ataque direto na região sul do Sri Lanka. Porém, o atentado foi frustrado; todos os quinze participantes do atentado morreram, e apenas um marinheiro foi morto pelos Tigres. Os Tigres desistiram de participar de mais uma rodada de negociações devido a desacordos sobre a utilização da autoestrada A9, a rodovia que liga Jaffna ao restante do país e que estava fechada desde o retorno das hostilidades.

Ofensivas do governo
Em dezembro de 2006, o Exército começou uma forte investida no território controlado pelos Tigres no leste do Sri Lanka, com o objetivo de expulsar os Tigres do leste do país. Após uma breve pausa devido às fortes chuvas de monção, o Exército retomou a batalha em janeiro de 2007, tendo êxito em conquistar a região de Vaarake, desligando a conexão entre os Tigres do Norte e do Leste. No mês seguinte, o Exército começou uma nova investida no leste do país, e tomou com sucesso a principal base militar dos Tigres no leste do país, situada na localidade de Kokkadicholai, no final de março. Além disso, o Exército conquistou toda a extensão da autoestrada A5, que estava sob controle dos Tigres há mais de 15 anos. Com isso, o território controlado pelos Tigres no leste do país diminuiu para apenas uma área de selva com cerca de 160 km². Durante as batalhas, nove soldados do Exército e 184 soldados dos Tigres morreram.
A ofensiva nos territórios controlados pelos Tigres no norte do país começou em setembro de 2007. Após meses de forte conflito, o Exército conquistou a base militar dos Tigres de Parappakandal, no final de dezembro. Segundo o Exército, ataques aos líderes dos Tigres ocorreram em setembro de 2007, e o líder máximo dos Tigres, Velupillai Prabhakaran, foi seriamente ferido após um ataque aéreo.

Desistência do governo ao cessar-fogo
Em 2 de janeiro de 2008, o governo do Sri Lanka desistiu oficialmente do cessar-fogo. Países mediadores e doadores demonstraram profundo pesar pela decisão do governo. Os Tigres do Tâmil reagiram à desistência do Sri Lanka ao cessar-fogo, e pediu à comunidade internacional para que revisse os embargos estipulados por outros países sobre a legalidade da organização. Três meses depois da desistência oficial do cessar-fogo, o Exército do Sri Lanka começou uma investida para romper a terceira linha de frente dos Tigres, com o objetivo de alcançar Kilinochchi, a cidade-sede dos Tigres do Tâmil.
A partir de então, o Exército começou a retomar várias cidades do noroeste do Sri Lanka, e tomou a cidade de Viddattaltivu em julho de 2008, a maior cidade da região e base dos "Tigres Marinhos", a marinha dos Tigres do Tâmil. Em 21 de julho, os Tigres chegaram a declarar um cessar-fogo unilateral, devido à reunião de cúpula que iria decorrer em Colombo entre 28 de julho e 4 de agosto. Porém, o governo desconsiderou o cessar-fogo, e chamou a atitude de desnecessária e pífia.

Ganhos militares significativos do governo
A partir de agosto de 2008, a guerra se intensificou, e o Exército conquistou várias bases dos Tigres e territórios controlados, incluindo as bases do distrito de Mannar durante o começo de agosto, a cidade de Mallavi no começo de setembro, e as cidades de Nachchikuda, última base remanescente dos Tigres Marinhos, além de Kiranchchi, Palavi, Veravil e Valaipadu, em outubro. Em novembro, o Exército retomou a cidade de Mankulam. Porém, mais de 200.000 pessoas foram desalojadas ou ficaram desabrigadas com os intensos conflitos.

Queda de Kilinochchi
Após a batalha de Kilinochchi, durante a qual as Forças Armadas do Sri Lanka capturaram a fortaleza dos Tigres do Tâmil na cidade de Kilinochchi, o Ministério da Defesa do Sri Lanka declarou que o próximo alvo das Forças Armadas era a cidade de Mullaitivu, e que a "batalha já tinha começado". Folhetos foram lançados pela Força Aérea sobre a cidade antes da batalha, pedindo para que os civis fossem para "zonas seguras" controladas pelo governo. O governo também suspendeu todos os serviços públicos para permitir que os funcionários públicos deixassem a área. O Exército do Sri Lanka permitiu uma "zona segura" de 32 quilômetros dentro da zona de guerra com o objetivo de acolher os refugiados da cidade. Agências independentes de ajuda relataram que cerca de 230.000 civis estavam dentro da zona segura em torno da cidade durante a batalha.

Fim da guerra
Com a morte do líder da Tigres de Libertação da Pátria Tâmil, que lutava pela independência do território de minoria hinduísta no norte do país, Velupillai Prabhakaran e de outros 250 rebeldes, o governo do país anunciou em 18 de maio de 2009 o fim da guerra civil de 25 anos. O governo informou que foi retomada a última região que estava nas mãos dos rebeldes. No dia 17 do mesmo mês, a guerrilha já havia comunicado o fim dos combates. "Esta batalha chegou a seu amargo final." Segundo o governo, Prabhakaran foi morto junto com dois de seus comandantes enquanto tentava fugir da zona de guerra em uma van, atingida por mísseis do Exército.
O presidente, Mahinda Rajapaksa, declarou o seguinte: "Meu governo, com total comprometimento das forças armadas, em uma operação humanitária sem precedentes, finalmente derrotou o LTTE militarmente", disse. "Eu retornarei a um país que está totalmente livre dos atos bárbaros do LTTE", em discurso durante um encontro internacional na Jordânia, que foi distribuído para a mídia.


sábado, 13 de junho de 2009

Mahmoud Ahmadinejad

Mahmoud Ahmadinejad (em persa: محمود احمدی‌نژاد; Garmsar, 28 de outubro de 1956) é o sexto presidente do Irão, desde o início de seu mandato, em 3 de agosto de 2005. Nasceu na cidade de Garmsar, no norte do país, o quarto de sete filhos de um ferreiro. Mahmoud e sua família migraram para Teerã quando ele tinha um ano de idade. Em 1975, ele ficou na 130ª posição nos exames nacionais para entrada na universidade. Então obteve seu diploma e foi aceito na Universidade de Ciência e Tecnologia do Irão (علم و صنعت ایران) no campo de Engenharia Civil. Entrou na mesma universidade novamente em 1986 e obteve seu doutorado em 1987 no campo de Engenharia de Transportes.
Na sua carreira militar participou como membro dos serviços de espionagem, na guerra com o Iraque. Tornou-se oficial superior da Brigada Especial da Guarda Revolucionária, estando o seu trabalho relacionado com a supressão de dissidentes para além das fronteiras do Irão. Sobre esse período Ahmadinejad é acusado de estar envolvido em diversos casos de perseguição ou assassinato de antigos dissidentes, como no caso do assassinato do líder curdo Abdorrahman Qassemlou num apartamento em Viena em 1981 e na perseguição - como consequência de uma fatwa islâmica - ao escritor Salman Rushdie. Foi um dos fundadores do movimento estudantil que ocupou a embaixada dos EUA em Teerão em 1979 e serviu na Guarda Revolucionária.
Foi governador das cidades de Makd e Khoy durante quatro anos e conselheiro do governador-geral da província de Curdistão, tendo-se tornado ele próprio governador da província de Arbedil em 1993, até ser deposto em 1997 por Khatami. Torna-se docente na Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã e engenheiro civil, altura que se terá envolvido com grupos radicais de vigilância islâmica.
Ahmadinejad foi o prefeito de Teerã de 3 de maio de 2003 a 28 de junho de 2005 quando foi eleito presidente. Ele é considerado por muitos como um conservador religioso com visões islamistas e popularistas.
Politicamente, Ahmadinejad é membro do Conselho Central da Sociedade Islâmica de Engenheiros, mas ele possui uma base mais poderosa dentro da Aliança de Construtores do Irão Islâmico (também conhecido por Abadgaran), onde é considerado uma das principais personalidades. A aliança ficou dividida ao apoiar ele e Mohammad Bagher Ghalibaf no primeiro turno da eleição presidencial, e enquanto os membros do Conselho Municipal de Teerã apoiavam Ahmadinejad, os deputados parlamentares de Teerã apoiavam Ghalibaf.
É o primeiro presidente não clérigo em 24 anos, sendo considerado muito popular devido às sua promessas de progresso económico e políticas de raiz nacionalista e populista. Considerado um percursor da Revolução Islâmica, em que defende a rejeição aos valores ocidentais e a imposição, não de um governo democrático, mas de um estado islâmico (Teocracia).
Mahmoud Ahmadinejad, liderando um governo considerado ultraconservador, de carácter nacionalista, tem ganho um enorme protagonismo na cena internacional devido às suas posições face ao estado de Israel e à sua política energética que visa o desenvolvimento de energia nuclear. Tem-se mostrado como sendo profundamente antissionista, defendendo inclusive a ideia de "riscar do mapa" o estado de Israel e manifestando publicamente sua descrença em relação às reais dimensões do Holocausto. Ao mesmo tempo, Ahmadinejad tem-se mostrado favorável à pretensão de que seja reconhecido o direito ao Irão de poder desenvolver livremente o seu programa nuclear, o que tem suscitado enormes apreensões por parte da comunidade internacional, refutando as recomendações da Agência Internacional de Energia Nuclear.

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