quarta-feira, 10 de junho de 2009

Semana H de história da UEMA

"SEMANA "H" DE HISTÓRIA: 50 ANOS DE REVOLUÇÃO CUBANA E SUAS INTERFACES" DE 15 À 20 DE JUNHO NO CESI/UEMA.
INSCRIÇÕES COM OS COORDENADORES DO EVENTO EM TODOS OS HORÁRIOS.
INFORMAÇÕES NA BIBLIOTECA, DCE-JM E DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA.
VALOR DAS INCRIÇÕES: 15,00 R$,,,
CARGA HORÁRIA DO EVENTO: 60 HORAS.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Urbanização


Urbanização é um processo de afastamento das características rurais de uma localidade ou região para características urbanas. Usualmente, esse fenômeno está associado ao desenvolvimento da civilização e da tecnologia. Demograficamente, o termo denota a redistribuição das populações das zonas rurais para assentamentos urbanos. O termo também pode designar a ação de dotar uma área com infra-estrutura e equipamentos urbanos, o que é similar a significação dada à urbanização pelo Dicionário Aurélio - Século XXI: "conjunto dos trabalhos necessários para dotar uma área de infra-estrutura (por exemplo, água, esgoto, gás, eletricidade) e/ou de serviços urbanos (por exemplo, de transporte, de educação, de saúde)". Ainda pode ser entendido somente como o crescimento de uma cidade.
A urbanização é estudada por ciências diversas, como a sociologia, a geografia e a antropologia, cada uma delas propondo abordagens diferentes sobre o problema do crescimento das cidades. As disciplinas que procuram entender, regular, desenhar e planejar os processos de urbanização são o urbanismo, o planejamento urbano, o planejamento da paisagem, o desenho urbano, a geografia, entre outras.

A história da urbanização
Embora já existissem grandes cidades na Antiguidade (Roma, em 100 d.C., possuía 650.000 habitantes), a humanidade só presenciou seu extraordinário crescimento no momento da Revolução Industrial. O baixo nível técnico da agricultura demandava grande quantidade de recursos humanos para realizar maiores receitas, o que impediu o emprego dessa mão-de-obra na indústria (essencialmente na indústria de base). Graças aos progressos dos transportes, as cidades tornaram-se menos dependentes das suas proximidades, uma vez que o alimento para o crescente número de habitantes da cidade poderia ser transportado de distâncias maiores. Ao mesmo tempo, isso exigiu cada vez mais trabalhadores nas fábricas. A urbanização era, simultaneamente, tanto o resultado como a causa da Revolução Industrial. Um exemplo é a população de Londres: esta passou de 45 mil a 865 mil habitantes entre o século XV e início do século XIX. Ao mesmo tempo, cresceu a parcela da população urbana no total da população mundial: no início do século XIX, 20,3 milhões de pessoas viviam em cidades (3% da população total mundial); em 1900, esse número já era 224,4 milhões de pessoas (13,6%); em 1950, 729 milhões de pessoas (28.8%); em 1980, já haviam 1,82 bilhão de pessoas vivendo em cidades (41,1%).
A urbanização teve grande influência sobre os hábitos diários das pessoas. Em vez da tradicional família patriarcal rural, onde várias gerações viviam sob um mesmo teto, havia uma família constituída de um homem, sua mulher e seus filhos. Isto também resultou em mais individualismo (porque os laços familiares eram mais flexíveis).
Na Europa e na América do Norte, a primeira fase da urbanização foi concluída entre as décadas de 30 e 50. Em alguns países da América Latina e Ásia, a urbanização está quase completa. Nos outros países asiáticos e latino-americanos, esse processo ainda e(pensa da antiga favela áreas onde os agricultores esperança de uma vida melhor para viver). Em muitos países africanos, o processo de urbanização ainda nem começou.
- A Urbanização na Europa- 75% das pessoas hoje vivem na Europa em media no total, a maior porcentagem dos 5 continentes. Algumas cidades chegam a quase 3000 anos de idade como Roma e Atenas so perdendo em idade para algumas cidades no Egito e Oriente Medio; Turquia e China e India. Sera analisado somente a partir do periodo romano, embora existissem cidades desde antes do periodo grego mas sem toda a europa e sem a unidade europeia. Os periodos sao o seguinte:
1) Romano e etrusco= seculo VIII a.C- II d.C, apice a partir do seculo II a.C 2) A 1a idade media e a retração urbana romano germanica medieval: seculo III d.C- X d.C 3) O renascimento urbano da idade media central dos seculos XI, XII e XIII 4) As cidades no renascimento: seculos XIV e XV 5) As cidades na idade moderna: seculos XVI a XVIII 6) As cidades no seculo XIX a XX
2) A retração da 1a idade media e a herança romano germanica na alta idade media
Por volta do seculo III d.C, o imperio romano que ja tinha o periodo de glorias como passado passa a se desfacelar tanto no ocidente(Galia, Iberia, Italia, Bretanha e Germania e Africa) como no oriente(Egito, Dacia, Tracia, Grecia, Macedonia, Palestina e Siria e Bizancio), mas sobretudo na parte mais ocidental os impactos foram maiores.
A economia romana de base sobretudo rural-latifundiaria-escravista em grandes propriedades rurais no ocidente tendendo quase a monocultura, chegou ao seu limite de contradições explicita, em por volta ja de meados do seculo III d.C pela decadencia do sistema escravista com o fim das conquistas, a queda do numero de escravos e o aumento de custo deles e dos produtos por eles gerados(inflação e crise monetaria e alimenticia), e com também: as crises economicas(escravismo, alimento e comercio) e a inflação acelerada nos seculos III, IV e V; o abandono de cidades e aldeias no ocidente a partir dos seculos II ou III, mas mais intenso no seculo IV e V; o fechamento das estradas que ligam as principais cidades por estarem abandonadas; a queda do rendimento econômico total no império gerado pela escravidão a partir da pax romana no seculo I e as crises de abastecimento de alimentos em todo o imperio e a capital a partir do seculo II, fez ocorrer um processo de "naturalização" da economia com o colonato ou uma ruralização, que dariam num futuro bem distante na genese do sistema feudal ocorrido 800 anos depois no qual um colono romano recebe do proprietário de terras alem de uma liberdade semi-servil, um pedaço de terra para cultivar, proteção e parte da produção na sua mão em troca de pagamentos e de um contrato fixado entre as partes a um proprietário que mais tarde viria a se tornar seu único senhor.
No ocidente as cidades criadas em estilo romano nos seculos I a.C e I d.C como Marselha; Londres; Paris; Bruges; Colonia; Dresden; Napoles e Roma foram inteiramente abandonas assim como varias aldeias e cidades medias ou entraram em retração econômica e demográfica, e o nível urbano no ocidente e o tamanho das maiores cidades no ocidente atinge seu ponto mais baixo em perto do ano 1000.
Enquanto no ano de 120 d.C a população na cidade de Roma era de aproximadamente 1,7 milhões, a maior do mundo e do ocidente,, em 650 e no ano 1000 chegou a apenas 20000 pessoas, entre o fim do seculo VII e inicio do XI, quase 90 vezes menos.
As cidades no ocidente(Europa), nessa 1a idade media, com a formação e consolidação do cristianismo no ocidente como religião oficial, a crise do império romano nos seculos III,IV e V e a formação da igreja como corpo politico do cristianismo, tendem a partir ja do seculo VI e VII d.C a ser sedes monasticas ou cidades monásticas com igrejas e monastérios e uma elite extra- mundana de monges e de entesourar obras da antiguidade clássica; relíquias e dinheiro.
Mesmo assim há exceções nesse período: com a invasão árabe na Peninsula Iberica a Iberia passa a ser regiao mais rica ; urbanizada e intelectualizada do ocidente nos seculos VIII, IX e X(por volta do ano 1000) com cidades como Toledo; Coimbra; Granada e Medina del Campo.
Milao e Ravena passam a ser importantes centros urbanos construidos com a decadencia, nos seculos IV e V e Ravena passa a ser a capital do imperio no seculo V.
O conceito de cidades nesse periodo ou é de um centro de retirada para monges (cristão arcaico) como os monasterios ou passa a ser o lugar de pessoas "mundanas" como judeus; banqueiros e mercadores

Conceito de cidade
A história da cidade pode ser considerada a história da humanidade. Sempre esteve presente nas obras dos grandes filósofos da Antiguidade. Segundo esses filósofos, qualquer desequilíbrio na estrutura das cidade poderia significar perigo para a unidade e organização da sociedade. Para Ratzel, um dos fundadores da Geografia, ela representa uma forma de aglomeração durável. Utilizando-se o critério de Ratzel e incorporando este das atividades, podemos definir uma cidade da seguinte forma: é todo aglomerado permanente cujas atividades não se caracterizam como agrícolas. A grande concentração das atividades terciárias públicas e privadas do aglomerado e a forma contínua dos espaços edificados onde se dá a proximidade das habitações da população que vive dessas atividades são atributos que permitem caracterizar melhor a cidade. De forma muito genérica, pode-se dizer que, nestas condições, a aglomeração é importante por ser organizada para o trabalho coletivo em atividades não-agrícolas.
Como espaço edificado, representando uma massa composta de habitações, a cidade cria tipos de serviço que somente as formas de organização política são capazes de administrar. Disso resulta ser ela o centro da vida política da sociedade. Sua história confunde-se com a do Estado.

A urbanização brasileira
O surgimento e o crescimento das cidades brasileiras até o século XIX
Diferentemente da colonização portuguesa na América, os espanhóis incentivaram culturas altamente urbanizadas. De sua parte, os astecas no México, os maias na Guatemala e os incas no Peru apresentaram ao colonizador não somente paisagens de grandes monumentos arquitetônicos, como os templos e as estatuárias, mas também uma elevada concentração populacional em cidades com milhares de habitantes.
Quanto ao Brasil, o grande domínio da colonização portuguesa na América, as culturas encontradas no seu território caracterizavam-se por um estágio de desenvolvimento bastante diferente, sem nenhum vestígio de vida urbana, com os indígenas vivendo organizados em tribos de agricultores.
Característica expressiva da urbanização que marcou a colonização espanhola na América, o traçado em linhas retas das ruas e praças pode ser considerado como uma imposição do plano regular das cidades. Nele não se percebe nenhuma liberdade de adaptação desse traçado das ruas à sinuosidade do relevo, como também não se verifica nenhuma valorização simbólica dos lugares, a exemplo das cidades gregas e da região do Lácio, que valorizavam os sítios em acrópole. A cidade em tabuleiro de xadrez foi a expressão da necessidade de dominar o território conquistado.
Quanto à colonização portuguesa no Brasil, os estímulos foram diferentes para a produção do território e da sua urbanização. Nos primórdios da ocupação, sua economia, baseada na produção agrícola, era orientada para a exportação, daí as planícies e os terraços litorâneos terem sido escolhidos para a implantação dos primeiros núcleos urbanos. Os sítios escolhidos eram os localizados próximos à baías ou enseadas junto dessas planícies. As primeiras grandes cidades brasileiras estiveram intrinsecamente ligadas à função de porto comercial e à função militar. As condições de tais sítios favoreciam não somente a ligação com as áreas de produção agrícola como também o estabelecimento seguro de bases militares para garantir a posse da colônia. Exceções foram as cidades de São Paulo, nesse período, de Curitiba, no século XVII, e as cidades da mineração do século XVIII, que deslocaram o eixo da ocupação para o interior do território, como Ouro Preto em Minas Gerais e Goiás Velho em Goiás.
Enquanto as ordens espanholas mandavam evitar fundações de cidades em zonas litorâneas, as portuguesas proibiam que se fundassem cidades no interior sem permissão real, assim como qualquer penetração para o interior do território deveria ser expressamente autorizada.
Somente com a crise da agricultura em fins do século XVII e do XVIII, quando a mineração do ouro e da prata se expandiu, é que as ordenanças portuguesas se afrouxaram e foram fundadas cidades no interior do território brasileiro, como Vila Boa, hoje cidade de Goiás, no século XVIII, pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva; Vila Rica, hoje Ouro Preto, em Minas Gerais, fundada em 1711; Cuiabá, em Mato Grosso, fundada em 1727; Campinas, em São Paulo, elevada à condição de vila em 1797, também dentro do período do bandeirismo e da mineração do ouro.
Apesar de o século XVIII ter presenciado um grande avanço na fundação de vilas e cidades no interior do território brasileiro, esse processo se fez de forma muito descontínua, motivado tanto pela dependência do povoamento em relação às oscilações do mercado externo como também pelo esgotamento dos recursos ou pela concorrência de um produto com outro (caso da cana, da mineração e do café).
Foi um fenômeno constante a descontinuidade no crescimento das cidades do período colonial e mesmo durante o Império. Os recursos naturais, à medida que se esgotavam, levavam à estagnação desses centros. As grandes cidades mais bem localizadas sempre tiveram seu crescimento de forma mais contínuas, principalmente as portuárias. Estas podiam beneficiar-se de sua posição geográfica como centro de exportação de vários pequenos centros regionais, em que a estagnação de um era compensada pelo dinamismo de outro, e assim o grande centro conseguia sempre manter sua função exportadora. A cidade do Rio de Janeiro beneficiou-se da exportação de ouro e, quando este declinou, substitui-o pela exportação do café, que emergiu logo em seguida como o grande produto brasileiro.
Com a retomada do dinamismo do setor agrário da economia brasileira, no início do século XIX, as antigas cidades litorâneas retomaram seu ritmo de crescimento. A cana-de-açúcar, no Nordeste, permitiu que cidades como Salvador e Recife voltassem a crescer, garantindo-lhes o segundo e o terceiro lugares quanto ao número de habitantes entre as cidades brasileiras. O primeiro lugar passou para o Rio de Janeiro.
A transferência da Corte portuguesa para essa cidade, em 1808, não somente lhe permitiu o crescimento demográfico como também lhe garantiu uma transformação urbanística que a colocou muito próxima das cidades européias. Com a implantação da Corte, a criação da Academia Imperial de Belas Artes e a presença da Missão Cultural Francesa, o Brasil começou a viver momentos de transformação no perfil arquitetônico de suas principais cidades. Os edifícios públicos e a residência da Corte passaram a ser construídos segundo os modelos arquitetônicos neo-clássicos, isto é, segundo os padrões europeus.
As principais cidades, a partir da segunda metade do século XIX, passaram a receber uma enorme quantidade de melhorias técnicas, desde a implantação de sistema hidráulico, de iluminação, de transporte coletivos com tração animal e redes de esgoto até planos urbanísticos de logradouros públicos, praças e vias arborizadas.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Guerra da Coréia

A Guerra da Coreia foi travada entre 25 de Junho de 1950 e 27 de Julho de 1953, opondo a Coreia do Sul e seus aliados, que incluíam os Estados Unidos da América e o Reino Unido, à Coreia do Norte, apoiada pela República Popular da China e pela antiga União Soviética. O resultado foi a manutenção da divisão da península da Coreia em dois países, que perdura até aos dias de hoje.
Em 1950, cinco anos e meio depois de derrotar a Alemanha Nazista, os Estados Unidos e a União Soviética, ex-aliados, entram em conflito pelo controle da Coreia, uma nova zona de influência comercial e territorial, arriscando provocar uma terceira guerra mundial.
A península da Coreia é cortada pelo paralelo 38° N, uma linha demarcatória que divide dois exércitos, dois Estados: a República da Coreia, a sul, e a República Popular Democrática da Coreia, a norte. Essa demarcação, existente desde 1945 por um acordo entre os governos de Moscou e Washington, dividiu o povo coreano em dois sistemas políticos opostos: no norte o comunismo apoiado pela União Soviética, e, no sul, o capitalismo apoiado pelos Estados Unidos.
Em 3 de Julho de 1950, depois de várias tentativas para derrubar o governo do sul, a Coreia do Norte ataca de surpresa e toma Seul, a capital. As Nações Unidas condenam o ataque e enviam forças, comandadas pelo general americano Douglas MacArthur, para ajudar a Coreia do Sul a repelir os invasores.
Em Setembro, as forças das Nações Unidas começam uma ambiciosa ofensiva para retomar a costa oeste, ocupada pelo exército norte-coreano. No dia 15 desse mês, chegam com certa facilidade a Incheon, perto de Seul, e algumas horas depois entram na cidade ocupada. Os setenta mil soldados norte-coreanos são vencidos pelos cento e quarenta mil soldados das Nações Unidas. Cinco dias depois, exatamente três meses após o início das hostilidades, Seul é libertada. Com essa vitória, os Estados Unidos mantêm sua supremacia no sul. No primeiro dia de Outubro, as forças internacionais violam a fronteira do paralelo 38, como os coreanos haviam feito, e avançam para a Coreia do Norte.
Durante quase três anos, o povo coreano, uma das mais notáveis culturas da Ásia, foi envolvido em uma brutal guerra fratricida, violentíssima de ambos os lados.
Milhares de prisioneiros amontoados em campos de concentração esperam ansiosamente por um armistício. Com a ajuda da China, as forças das Nações Unidas são rechaçadas para a Coreia do Sul. A luta pelo paralelo 38 continua. Em Seul, as tropas são visitadas por artistas como Marilyn Monroe que tentam elevar seu moral. O General MacArthur, insistindo em um ataque direto à China, é substituído, em Abril de 51, pelo General Ridway.
Em 23 de Junho começam as negociações de paz, que duram dois anos e resultam num acordo assinado em Panmunjon, em 27 de Julho de 1953.
O único resultado é o cessar-fogo. Na guerra coreana morreram cerca de três milhões e meio de pessoas. O tratado de paz ainda não foi assinado, e a Coreia continua dividida em Norte e Sul.

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Imagens do conflito em Ruanda 1994






Extraído de imagens do www.google.com









Questão de Ruanda

História de Ruanda
Os mais antigos humanos que se conhecem no Ruanda parecem ter sido os pigmeus twa, que actualmente compreendem cerca de 1% da população deste país. Os hutus e tutsis são povos bantus que provavelmente se instalaram na região durante a expansão bantu. A partir do século XV, os tutsis passaram a dominar a sociedade através duma aristocracia que tinha à frente um Mwami (rei).
Ao contrário dos seus vizinhos, o Ruanda, que era um reino centralizado, não teve a sua “sorte” decidida na Conferência de Berlim (de 1885) e só foi entregue à Alemanha (juntamente com o vizinho Burundi) em 1890, numa conferência em Bruxelas, em troca do Uganda e da ilha de Heligoland. No entanto, as fronteiras desta colónia – que, na altura incluíam também alguns pequenos reinos das margens do Lago Vitória – só foram definidas em 1900.
O governo alemão deixou a autoridade indígena administrar a colónia, usando o sistema utilizado pelos britânicos nos reinos do Uganda. Depois da derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, o protectorado foi entregue à Bélgica, por mandato da Liga das Nações. O domínio belga foi muito mais directo e duro que o dos alemães e, utilizando a igreja católica, manipulou a classe alta dos tutsi para reprimir o resto da população - maioritariamente tutsis e hutus -, incluindo a cobrança de impostos e o trabalho forçado, criando um fosso social maior do que o que já existia.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o Ruanda tornou-se um território “protegido” pelas Nações Unidas, tendo a Bélgica como autoridade administrativa. Através duma série de processos, incluindo várias reformas, o assassinato do rei Mutara III Charles, em 1959 e a fuga do último monarca do clã Nyiginya, o rei Kigeri V, para o Uganda, os hutus ganharam mais poder e, na altura da independência, em 1962, os hutu eram os políticos dominantes. Em 25 de Setembro de 1960, a ONU organizou um referendo no qual os ruandeses decidiram tornar-se uma república. Depois das primeiras eleições, foi declarada a República do Ruanda, com Grégoire Kayibanda como primeiro-ministro.
Após vários anos de instabilidade, em que o governo tomou várias medidas de repressão contra os tutsis, em 5 de Julho de 1973, o major general Juvénal Habyarimana, que era ministro da defesa, destituiu o seu primo Grégoire Kayibanda, dissolveu a Assembleia Nacional e aboliu todas as actividades políticas. Em Dezembro de 1978 foram organizadas eleições, nas quais foi aprovada uma nova constituição e confirmado Habyarimana como presidente, que foi reeleito em 1983 e em 1988, como candidato único mas, em resposta a pressões públicas por reformas políticas, Habyarimana anunciou em Julho de 1990 a intenção de transformar o Ruanda numa democracia multipartidária.
No entanto, nesse mesmo ano, uma série de problemas climáticos e económicos geraram conflitos internos e a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), dominada por tutsis refugiados nos países vizinhos lançou ataques militares contra o governo hutu, a partir do Uganda. O governo militar de Juvénal Habyarimana respondeu com pogroms genocidas contra os tutsis. Em 1992 foi assinado um cessar-fogo entre o governo e a RPF em Arusha, Tanzania.
Em 6 de Abril de 1994, Habyarimana e Cyprien Ntaryamira, o presidente do Burundi, foram assassinados quando o seu avião foi atingido por fogo quando aterrava em Kigali. Durante os três meses seguintes, os militares e milícianos mataram cerca de 800 000 tutsis e hutus, naquilo que ficou conhecido como o Genocídio do Ruanda. Entretanto, a RPF, sob a direção de Paul Kagame ocupou várias partes do país e, em 4 de Julho entrou na capital Kigali, enquanto tropas francesas de “manutenção da paz” ocupavam o sudoeste, durante a “Opération Turquoise”.
Paul Kagame ficou como vice-presidente e Pasteur Bizimungu como presidente mas, em 2000, os dois homens fortes entraram em conflito, Bizimungu renunciou à presidência e Kagame ficou como presidente. Em 2003, Kagame foi finalmente eleito para o cargo, no que foram consideradas as primeiras eleições democráticas depois do Genocídio. Entretanto, cerca de 2 milhões de hutus refugiaram-se na República Democrática do Congo, com medo de retaliação pelos tutsis. Muitos regressaram, mas conservam-se ali milícias que têm estado envolvidas na guerra civil daquele país.

Genocídio de Ruanda

Antecedentes
Distinguem-se em Ruanda dois grupos étnicos: a maioria hutu e o grupo minoritário de tutsis. Desde a independência do país da Bélgica, os seus líderes sempre foram tutsis, num contexto de rivalidade étnica agravada com o tempo devido à escassez de terras e à fraca economia nacional, sustentada pela exportação de café. Em 1989, o preço mundial do café reduziu-se em 50%, e Ruanda perdeu 40% de sua renda com exportação. Nesta época, o país enfrentou sua maior crise alimentícia dos últimos 50 anos, e ao mesmo tempo aumentava os gastos militares em detrimento a investimentos em infra-estrutura e serviços públicos.
Em outubro de 1990, a Frente Patriótica Ruandesa, composta por exilados tutsis expulsos do país por hutus com o apoio do exército, invade Ruanda pela fronteira com Uganda. Em 1993, os dois países firmam um acordo de paz, o Acordo de Arusha.
Cria-se em Ruanda um governo de transição, composto por hutus e tutsis.
Em 1994 as tropas hutus, chamadas Interahamwe, são treinadas e equipadas pelo exército ruandês entre arengas e ânimos à confrontação com os tutsis por parte da Radio Télévision Libre de Mille Collines (RTLM) dirigida pelas facções hutus mais extremas. Estas mensagens incidiam nas diferenças que separavam ambos os grupos étnicos e, ao passo que o conflito avança, os apelos à confrontação e à "caça do tutsi" tornaram-se mais explícitos, designadamente desde o mês de abril, em que se fez circular o boato de a minoria tutsi planejar um genocídio contra os hutus.
De acordo com Linda Melvern [1], uma jornalista britânica que teve acesso a documentos oficiais, o genocídio foi planificado. No início da carnificina, a tropa ruandesa estava composta por 30.000 homens (um membro por cada dez famílias) e organizados por todo o país com representantes em cada vizinhança. Alguns membros da tropa podiam adquirir rifles de assalto AK-47 tão somente preenchendo um formulário de demanda. Outras armas tais como granadas nem sequer requeriam desse trâmite e foram distribuídas de forma maciça.
O genocídio foi financiado, pelo menos parcialmente, com o dinheiro apropriado de programas de ajuda internacionais, tais como o financiamento fornecido pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional sob um Programa de Ajuste Estrutural. Estima-se que 134 milhões de dólares foram gastos na preparação do genocídio em Ruanda -- uma das nações mais pobres da terra -- com 4,6 milhões de dólares gastos somente em facões, enxadas, machados, lâminas e martelos. Estima-se que tal despesa permitiu a distribuição de um novo facão a cada três varões Hutus.
Segundo Melvern, o primeiro-ministro de Ruanda, Jean Kambanda, revelou [2] que o genocídio foi discutido abertamente em reuniões de gabinete, e uma ministra de gabinete disse que ela estava "pessoalmente a favor de conseguir livrar-se de todo os Tutsis... sem os Tutsis todos os problemas do Ruanda desapareceriam".

O genocídio
Em Abril de 1994 a morte num atentado ao avião do presidente Juvenal Habyarimana e o avanço da Frente Patriótica Ruandesa produziu uma série de massacres no país contra os tutsis, e causou um deslocamento maciço de pessoas para campos de refugiados situados na fronteira com os países vizinhos, em especial o Zaire (hoje República Democrática do Congo). Em Agosto de 1995 tropas do Zaire tentam expulsar estes refugiados para Ruanda. Quatorze mil pessoas são devolvidas a Ruanda, enquanto que outras 150.000 se refugiam nas montanhas. Mais de 500.000 pessoas foram assassinadas e quase cada uma das mulheres que sobreviveram ao genocídio foram violentadas. Muitos dos 5.000 meninos nascidos dessas violações foram assassinados.
O Tribunal criminal internacional, teve voto unanime contra o Dr. Gerard Ntakirutimana, 45 médico missionário que exercia a medicina no hospital pertencente a Igreja Adventista do Sétimo Dia de Mungonero, foi condenado por genocídio e por crimes contra a humanidade e sentenciado a 25 anos de prisão pela morte de duas pessoas e por atirar em refugiados Tutsis em vários locais. Ele foi condenado por fazer parte de ataques contra Tutsis na Colina de Murambi e Colina de Muyira em várias datas. O Pr. Elizaphan Ntakirutimana, 78 pai do Dr. Gerard Ntakirutimana e pastor presidente da associação da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Mugonero, no oeste de Rwanda foi condenado a 10 anos de prisão por crimes menores. O Pr. Elizaphan levou os atacantes para Igreja Adventista de Murambi em Bisesero onde era pastor presidente e ordenou a remoção do telhado do edifício, afim de localizar os Tutsis que lá estavam abrigados. O ato conduziu às mortes de muitos dos que estavam no local. Ele também levou os atacantes a vários locais para localizar e matar Tutsis.
De acordo com a BBC, centenas de Tutsis que procuraram refúgio na igreja e no hospital Adventista enviaram uma carta ao Pr. Elizaphan Ntakirutimana pedindo socorro. A carta, segundo a BBC incluia a frase: " Nos desejamos informar-lhe que amanhã seremos mortos juntamente com nossas famílias". A resposta do Pr. Elizaphan Ntakirutimana foi de que eles deviam se preparar para morrer. As Milícias de Hutu, segundo as testemunhas chegaram pouco tempo depois com ambos os Ntakirutimanas. Só alguns Tutsis sobreviveram a agressão. Os Ntakirutimanas disseram no tribunal que eles tinham deixado a área antes das matanças. O Pr. Elizaphan Ntakirutimana fugiu para os Estados Unidos depois das matanças, mas foi extraditado para a Tânzania. Seu defensor foi um dos mais caros advogados dos Estados Unidos, Dr. Ramsay Clark. O ICTR já realizou nove julgamentos, com 10 condenações e uma absolvição. Oito casos envolvendo 20 suspeitos. A expectativa é que mais seis casos devam ser concluídos este ano de 2003. Foram mortos pelo menos meio milhão de pessoas, a grande maior parte da minoria étnica Tutsi, em atos de violência praticados pela maioria Hutu que estava governando o pais. O Mais interessante é que outro adventista foi o responsável pela salvação de 1268 tutsi e hutu abrigando-os no Hotel Mille Collines em Kigali. Paul Rusesabagina ficou mundialmente conhecido ao ser retratado no filme Hotel Ruanda. Paul Rusesabagina, residente na Bélgica, afirma que se não forem tomadas posturas duras contra o Tribalismo em Ruanda o genocídio poderá ocorrer novamente, desta vez pelas mãos dos tutsis, "governantes" do país desde o fim da matança. O humanitário é conhecido como o Oskar Schindler de Ruanda, feita a comparação com o membro do regime nazista que salvou milhares de judeus durante o Holocausto.

As vítimas
Talvez nunca se venha a saber quantos mortos provocou. Calcula-se entre 800.000 e 1.000.000. Se foram 800.000 equivaleriam aos 11 por cento do total da população e 4/5 dos tutsis que viviam no país. Tão pouco se sabe quantas vítimas provocou a vingança tutsi.








terça-feira, 2 de junho de 2009

Imagens do conflito no Darfur
















Conflito no Darfur


Darfur (دار فور, ou "terra dos fur", em árabe) é uma região no extremo oeste do Sudão, na fronteira com a Líbia, o Chade e República Centro-Africana. Divide-se em três estados federais sudaneses: Garb Darfur (Darfur Ocidental), Djanub Darfur (Darfur do Sul) e Chamal Darfur (Darfur do Norte).
Com uma área de 503.180 km2 e uma população aproximada de 7 milhões de habitantes, Darfur caracteriza-se pelo baixo nível de desenvolvimento. Apenas 44,5% das crianças do sexo masculino e 33,3% das crianças de sexo feminino freqüentam a escola.
Três etnias são predominantes em Darfur: os fur, que emprestam o nome à região, os masalit e os zaghawa, em geral negros muçulmanos ou seguidores de outras religiões africanas.
A região é palco de um conflito decorrente de disputas entre as populações árabe e não-árabe, na franja sul do deserto do Saara. Os não-árabes, separatistas, são alvos de uma ação de extermínio empreendida por milícias árabes, denominadas janjaweed, que, por sua vez, são acusadas de receber apoio do governo sudanês. O conflito já fez mais de 200 mil mortos e cerca de 2 milhões de refugiados desde 2001, em quatro anos de "inércia diplomática" entre os países do mundo. Segundo o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, além das causas sociais, econômicas e políticas, o conflito e a grave crise humanitária decorrente têem sido intensificados por alteração climática que provocam períodos alternados de grande seca, ou chuvas e inundações no sul do Sudão, a partir da década de 1970.
Recentemente, a China tem sido alvo de críticas, por parte de organizações da sociedade civil em muitos países, pelo fato de defender na ONU, e em outros fóruns internacionais, a não-intervenção nos assuntos internos do Sudão. Enquanto isso, o comércio entre os dois países cresce exponencialmente.
Em 23 de abril de 2007 foi instituída a Autoridade Regional de Transição do Darfur (Transitional Darfur Regional Authority) que supervisionará a realização de um referendo nos três estados em 2010.


www.wikipedia.org

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Guerra da Bósnia


A Guerra da Bósnia foi um conflito armado que ocorreu entre abril de 1992 e dezembro de 1995 na região da Bósnia e Herzegovina. Envolveu os três grupos étnicos e religiosos da região: os sérvios cristãos ortodoxos, os croatas católicos romanos e os bósnios muçulmanos. Mais tarde atinge também a Croácia. Se estende até 14 de dezembro de 1995, com a assinatura do Acordo de Dayton. É o conflito mais prolongado e violento da Europa desde o fim da II Guerra Mundial, com duração de 1.606 dias e 200 mil mortos.

Nacionalismo

Com o fim dos regimes socialistas, a partir da desintegração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), emergem as diferenças étnicas, culturais e religiosas entre as seis repúblicas que formam a Iugoslávia, impulsionando movimentos pela independência. Na Bósnia e Herzegovina cresce o nacionalismo sérvio que quer restaurar a chamada Grande Sérvia, formada por Sérvia e Montenegro, parte da Croácia e quase toda a Bósnia. Quando os bósnios decidem pela independência do país e os sérvios não aceitam, os combates entre os dois grupos intensificam-se. A situação de guerra civil é caracterizada em abril de 1992.

Limpeza étnica

Nas áreas ocupadas, os sérvios da Bósnia fazem a chamada limpeza étnica: expulsão dos não sérvios, massacre de civis, prisão da população de outras etnias e reutilização dos campos de concentração da II Guerra Mundial. A Bósnia e Herzegovina pede a intervenção militar internacional, mas só recebe ajuda humanitária, como alimento e medicamentos. A Croácia entra no conflito. No primeiro momento reivindica parte do território bósnio e, em uma segunda etapa, volta-se contra a Sérvia. Com o acirramento da guerra, a Otan envia tropas. A ONU manda uma força de paz, que, no fim de 1995, chega a 40 mil membros. Tentativas de cessar-fogo propostas pela ONU são repetidamente desrespeitadas. No início de 1995, os sérvios dominam 70% do território da Bósnia e Herzegovina. O quadro muda após a Batalha de Krajina, em Agosto, da qual os croatas saem vitoriosos. A relação de forças torna-se mais equilibrada e facilita a estratégia dos Estados Unidos de promover uma negociação de paz.

Negociação

Um acordo proposto pelos EUA, negociado em Dayton, Ohio, é assinado formalmente em Dezembro de 1995, em Paris. Ele prevê a manutenção do Estado da Bósnia e Herzegovina com suas fronteiras atuais, dividido em uma federação muçulmano-croata, que abrange 51% do território, e em uma república bósnia-sérvia, que ocupa os 49% restantes. É previsto um governo único entregue a uma representação de sérvios, croatas e bósnios. Em 1996, a missão de paz da ONU na região é assumida pelas tropas da Força de Implementação da Paz, da Otan, com 60 mil militares e mandato até Dezembro de 1996. Para reforçar o Acordo de Dayton, várias vezes sob ameaça, os EUA realizam no decorrer do ano reuniões em Roma e Genebra.

Tribunal de Haia

Em Maio de 1996, o Tribunal Internacional de Haia inicia o julgamento de 57 suspeitos de crimes de guerra. Os acusados mais importantes são o líder sérvio Radovan Karadzic, presidente do Partido Democrático Sérvio e da República Sérvia (Srpska), e seu principal comandante militar, o general Ratko Mladic. Ambos são responsáveis pelo massacre ocorrido na cidade de Srebrenica, no qual 3 mil refugiados bósnios muçulmanos foram executados e enterrados em fossas e 6 mil encontram-se desaparecidos. Em Maio de 1997, o Tribunal de Haia condena o sérvio-bósnio Dusan Tadic a 20 anos de prisão por crime contra a humanidade em virtude da participação no extermínio de muçulmanos na Bósnia.

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Entenda a polêmica nuclear envolvendo a Coreia do Norte


A Coreia do Norte anunciou na segunda-feira ter realizado o segundo teste nuclear de sua história, desrespeitando uma proibição internacional.
As autoridades dizem que o artefato, detonado em uma área subterrânea no nordeste do país, é mais poderoso do que o usado no teste nuclear anterior, em 2006.
Notícias não confirmadas da Coreia do Sul dizem que Pyongyang também realizou vários testes com mísseis balísticos de curto alcance.
Os testes foram condenados internacionalmente e, provavelmente, levarão a um isolamento ainda maior da Coreia do Norte.

O que levou ao impasse?
Há algumas semanas a Coreia do Norte vem ameaçando reiniciar seu programa nuclear e construir um arsenal de armas nucleares.
As autoridades em Pyongyang ficaram irritadas quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou o lançamento de seu foguete de longo alcance em abril passado e endureceu sanções existentes.
O governo da Coreia do Norte insistiu que havia apenas colocado um satélite de comunicações em órbita, mas vários países acreditam que aquele foi um lançamento mal disfarçado para testar a tecnologia do míssil de longo alcance Taepodong-2, projetado para alcançar regiões dos Estados Unidos.
Uma resolução aprovada em 2006 pelas Nações Unidas (ONU) proibiu a Coreia do Norte de buscar este tipo de tecnologia.
Em resposta às críticas da ONU, Pyongyang expulsou todos os monitores internacionais do país e retirou-se das longas conversações multilaterais (envolvendo Estados Unidos, Rússia, Japão, China e as duas Coreias) que tinham o objetivo de convencer os norte-coreanos a abrir mão de seu programa nuclear em troca de ajuda econômica.

O que está por trás das ações da Coreia do Norte?
A Coreia do Norte parece ter passado de uma posição de negociação para confrontação, desafiando diretamente as políticas adotadas pelos Estados Unidos e Coreia do Sul.
Apesar de ter prometido um novo início para as relações bilaterais, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que qualificou o lançamento do foguete no mês passado como "provocação", não conseguiu até agora convencer os norte-coreanos a voltarem à mesa de negociações.
Em uma declaração lida na mídia estatal, o Ministério do Exterior da Coreia do Norte disse: "Não se ganha nada em conversar com alguém que continua a nos ver com hostilidade."
As relações entre as duas Coreias se tornaram muito frágeis desde que o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak assumiu o cargo em fevereiro.
O líder conservador insiste que não haverá mais ajuda econômica incondicional à Coreia do Norte e que qualquer concessão vai depender da cooperação para pôr fim ao arsenal nuclear.
Analistas sugerem que a Coreia do Norte está adotando uma atitude beligerante para forçar tanto os Estados Unidos quanto a Coreia do Sul a oferecerem mais concessões econômicas e diplomáticas em troca de seu desarmamento nuclear.

Que punição a Coreia do Norte pode esperar?
O governo americano já tinha advertido que haveria consequências se a Coreia do Norte realizasse outro teste nuclear. É provável que sejam adotadas mais sanções contra o país.
Mas, dado o isolamento de Pyongyang, os mecanismos diplomáticos disponíveis para tentar limitar seu comportamento são limitados.
Alguns analistas dizem que o regime comunista isolado e empobrecido nunca vai abrir mão de seu arsenal atômico já que tem outras cartas na mão.
Acredita-se que muito vai depender da resposta da China, que continua a ter mais influência sobre a Coreia do Norte do que qualquer outro país.
Como membro-permanente do Conselho de Segurança da ONU, a China tem poder de vetar qualquer resolução contra a Coreia do Norte. Os chineses também são a principal fonte de apoio econômico do país.
A China condenou o teste nuclear que a Coreia do Norte realizou em 2006, dizendo que foi um insulto à sua liderança, mas desta vez analistas dizem que o país pode conter a sua irritação em meio a preocupações de que Pyongyang possa descartar totalmente uma retomada das conversações multilaterais sobre seu programa nuclear. Elas têm sido realizadas em Pequim.
A China também tem muito em jogo para retirar totalmente o seu apoio à Coreia do Norte e vê o país como um elemento estratégico diante das forças americanas e aliadas presentes na região. Os chineses também temem que o colapso do regime norte-coreano leve à entrada de um fluxo descontrolado de refugiados em seu território.

Por que a capacidade nuclear da Coreia do Norte é um assunto tão importante?
As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra porque não foi assinado nenhum acordo de paz depois do conflito ocorrido entre 1950 e 1953.
O analista da BBC para política internacional, Paul Reynolds, diz ainda que não há uma regra fixa para a comunidade internacional lidar com países de comportamento imprevisível. Tudo vai depender do poder que eles têm.
Em 2002, a Líbia foi pressionada a admitir seu programa nuclear e a abrir mão dele porque estava enfraquecida e exposta.
A Coreia do Norte tem um Exército de um milhão de soldados, mais de 4 mil tanques e cerca de 18 mil peças de artilharia, de acordo com o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.
A fronteira entre as duas Coreias é uma das mais militarizadas do mundo e milhares de peças de artilharia estão voltadas para a capital sul-coreana, Seul, que não fica longe dali.
O mais recente teste norte-coreano provavelmente vai reavivar o debate no Japão sobre a opção de lançar um ataque preventivo por medo de um ataque com mísseis.
O teste pode ainda trazer o risco de uma corrida armamentista no Leste da Ásia, pois países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan podem se ver forçados a considerar se também devem buscar armas nucleares.

A Coreia do Norte estaria em condições de detonar uma bomba nuclear agora?
Acredita-se que a Coreia do Norte ainda não desenvolveu um míssil balístico capaz de transportar uma ogiva nuclear.
Mas este segundo teste nuclear vai alimentar temores de que o país esteja mais perto de se tornar uma potência nuclear plena.
Analistas acreditam que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, espera usar os testes para angariar apoio militar em meio a crescentes especulações de que ele está em vias de anunciar um sucessor.
Aparentemente Kim está reafirmando sua posição no poder desde um suposto derrame sofrido no ano passado.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Revolução Iraniana

A Revolução Iraniana, ocorrida em 1979, transformou o Irã - até então comandado pelo Mohammad Reza Pahlevi - de uma monarquia autocrática pró-Ocidente, em uma república populista teocrática islâmica sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini. Para efeito de análise histórica, a Revolução Iraniana é dividida em duas fases:
  • na primeira fase, houve uma aliança entre grupos liberais, grupos de esquerda e religiosos para depor o xá;
  • na segunda, freqüentemente chamada Revolução Islâmica, viu-se a chegada dos aiatolás ao poder.

Causas da Revolução Iraniana

  • A impopularidade do regime dos xás: o xá foi obrigado a promover a revolução branca, pressionado pelas potências ocidentais(Reino Unido, Estados Unidos). A cultura ocidental estava penetrando no Irã na mesma proporção da opressão do regime político.
  • Repressão política executada pelo Savak que empregava censura e recorreria a prisões, tortura de dissidentes, assassinatos de opositores ao regime implantado pelo xá Pahlavi.
  • Os problemas do regime: a pobreza e a inflação, resultado das ações do xá Reza Pahlavi, foram objetos de programa econômico do governo, porém sem sucesso.
  • O crescimento da rivalidade islâmica que se opôs a ocidentalização do Irã e viu em Aiatolá Khomeini como um promotor da Revolução.
  • A subestimação do movimento islâmico do Aiatolá Khomeini pela xá - que pensavam que eles seriam uma ameaça menor - e pelas medidas anti-secularistas de Pahlavi - que pensavam que os pró-Khomeini poderia ser menosprezada.
Antecedentes
O xá estava no poder desde 1941, com uma curta interrupção em 1953 quando teve que abandonar o país. Retornou no mesmo ano ao depor o governo democraticamente eleito de Mohammad Mossadeq, com a ajuda de uma operação da CIA, batizada de Operação Ajax. Pahlevi manteve boas relações com os Estados Unidos, porém conflitou com as visões tradicionais do Islão sobre o álcool, o jogo e as relações sexuais antes do casamento, as quais se recusou a banir. O regime era conhecido por sua corrupção política e práticas brutais, as quais, como resposta, suscitavam protestos tanto internos quanto da comunidade internacional.

Uma forte oposição surgiu durante o regime do xá. Particularmente importante era a oposição religiosa, que crescia desde longa data. A Ulema, ou comunidade de estudiosos das leis islâmicas, unia preocupações religiosas e seculares com uma longa história de ativismo social. Assim, mesclava oposição à brutalidade do governo a um forte compromisso em lutar contra a pobreza. Seu ativismo se mostrava conservador dos valores islâmicos e, à medida em que crescia, o governo reprimia violentamente os dissidentes. Em 1963, por exemplo, estudantes islâmicos foram violentamente atacados quando protestavam contra a abertura de um bar.

O aiatolá Khomeini era um líder da oposição que afirmava que o regime do xá era uma tirania. Após sua prisão e seu exílio em 1964, os protestos dos clérigos aumentaram. Em resposta, Pahlevi decidiu enfrentar os religiosos com violência, prendendo e matando manifestantes. Não se sabe quantos morreram nesta campanha: o regime de Pahlevi falou em 86 mortos; os religiosos afirmaram que foram milhares.

De 1963 a 1967 a economia iraniana cresceu consideravelmente, graças aos aumentos do preço do petróleo e também com a exportação de aço. A inflação cresceu no mesmo período e, embora a economia crescesse, o padrão de vida dos pobres e das classes médias urbanas não melhorava. Ao invés disso, apenas a rica elite e os intermediários das companhias ocidentais é que se beneficiavam das extravagâncias do xá. O governo também dispendia grandes somas na compra de armamentos modernos, particularmente dos Estados Unidos.

Enfrentando crescente oposição de líderes religiosos e de pequenos empresários, o regime do xá decidiu, em 1975, empreender um novo esforço para controlar a sociedade iraniana. Este esforço visava diminuir o papel do islamismo na vida do reino, ressaltando, para isto, as conquistas das civilizações pré-islâmicas do país, especialmente a civilização persa. Nesta linha, em 1976 o calendário islâmico, lunar, foi banido do uso público e substituído por um calendário solar. Publicações marxistas e islâmicas também sofreram forte censura.

As reformas do xá também ficaram conhecidas como a revolução branca. Também foi abolido o regime feudal (dividindo terras dos líderes religiosos, o que diminuiu suas rendas) e dado direito ao voto às mulheres (o que foi visto pelos líderes religiosos como um plano para "trazer as mulheres para as ruas").

A situação pré-revolucionária no Irã

A população mais pobre do país tendia a ser o segmento mais fervorosamente religioso e o menos ocidentalizado. Os pobres viviam predominantemente no campo, ou habitavam favelas das grandes cidades, especialmente de Teerã. Eles desejavam o retorno aos valores básicos do islamismo, em oposição aos esforços modernizadores do regime, cujas promessas de progresso lhes soavam falsas, e baseadas no crescente distanciamento entre os mais ricos e os mais pobres.

À medida que a classe média urbana se educava e se expunha aos valores ocidentais, parte dela passou a enxergar o regime do xá como parte do problema. Além disso, após sua restauração em 1953, a posição do xá tornou-se particularmente perigosa. Isto em grande parte devido aos seus fortes laços com o Ocidente, a corrupção interna, as reformas impopulares e a natureza despótica de seu regime, especialmente a repressão da polícia política, conhecida como Savak.

No início da década de 1970 o preço do petróleo cresceu rapidamente, e o descontentamento com a corrupção, os gastos supérfluos e a violenta repressão aumentaram. A decadência interna foi bem ilustrada com a comemoração dos 2500 anos da fundação do Império Persa, ocorrida em outubro de 1971 em Persépolis, com três dias de celebrações a um custo total de US$ 300 milhões. Dentre as extravagâncias havia 1 tonelada de caviar preparada por 200 chefs vindos diretamente de Paris. Enquanto isto, muitos no país sequer tinham comida ou moradia decente.

À medida que a desigualdade crescia, os protestos por mudanças aumentavam. Até mesmo elementos pró-ocidentais no Irã se incomodaram com a crescente autocracia e a crescente repressão da polícia secreta. Muitos deixaram o país antes da revolução, enquanto outros começaram a se organizar. Ao mesmo tempo, um movimento populista passou a se organizar nas mesquitas, através de sermões que denunciavam a maldade do Ocidente e dos valores ocidentais. O choque entre uma crescente população jovem e um regime que não oferecia nem os avanços de um estado moderno, nem a estabilidade de uma sociedade tradicional, criaram as condições para uma revolução.

Protestos e revolução

Em 1977, após pressões por direitos humanos feitas pelo então presidente norte-americano Jimmy Carter (que ameaçou embargar o suprimento de armas) o regime do xá fez concessões, libertando 300 prisioneiros políticos, relaxando a censura e reformando o sistema judicial. Este relaxamanto conduziu ao aumento de protestos da oposição, e escritores passaram a reivindicar a liberdade de pensamento. Ao mesmo tempo, a política de reforma agrária implementada pelo xá sob pressão da administração Carter enfureceu os mulás (líderes religiosos) que declararam uma guerra santa ao xá.

Em 1978 uma série de protestos, iniciada com um ataque à figura de Khomeini na imprensa oficial do país, criou um ciclo ascendente de violência, até que, em 12 de dezembro daquele ano, cerca de 2 milhões de pessoas inundaram as ruas de Teerã para protestar contra o xá. O exército começou a se desintegrar, à medida que os soldados se recusaram a atirar nos manifestantes e passaram a desertar. O xá concordou em introduzir uma constituição mais moderada, porém já era tarde para isto. A maioria da população já era leal a Khomeini, e, quando ele pediu o fim completo da monarquia, o xá foi forçado a abandonar o país, a 16 de janeiro de 1979. O xá antes de se sair do Irã nomeou para primeiro-ministro Shapour Bakhtiar, mas este esteve no poder apenas 36 dias (suprimiu os jogos de casino, a Savak, mas faltava-lhe o apoio popular). Ruhollah Khomeini não queria colaboração com ele, porque o considerava como um traidor e um colaboracionista. Bakhtiar, vendo que era impossível ter qualquer peso político e até ódio (os funcionários impediram a sua entrada no edifício governamental por ordem de Khomeini) saiu do país e refugiou-se em Paris.

Khomeini retornou da França em 1 de fevereiro, convidado pela revolução anti-xá que prosseguia, e rapidamente afastou os elementos mais moderados, criando uma república islâmica onde se tornou o líder supremo.

Muitos costumes ocidentais (vestuário (proibição do uso da mini-saia, e da maquiagem/maquilhagem), música (do baile ao rock), jogo, cinema, etc) foram proibidos pelo novo regime., Foram reintroduzidos os castigos corporais para quem violasse os preceitos da sharia (sexo fora do casamento, adultério, consumo de álcool), etc. e a pena de morte foi aplicada não só aos defensores do xá (sobretudo ministros e militares do anterior regime), como também foram executados prostitutas, homossexuais, marxistas (por defenderem o laicismo do Estado), membros de outras igrejas (judeus), etc.

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