sábado, 23 de maio de 2009

Exército Republicano Irlândes


O Exército Republicano Irlandês, mais conhecido como IRA (do inglês Irish Republican Army), é um grupo paramilitar católico e reintegralista, que pretende a separação da Irlanda do Norte do Reino Unido e reanexação à República da Irlanda. Outrora recorreu a métodos terroristas, principalmente ataques bombistas e emboscadas com armas de fogo, e tinha como alvos tradicionais protestantes, políticos unionistas e representantes do governo britânico. O IRA tem ligações com outros grupos nacionalistas irlandeses e um braço político: o partido nacionalista Sinn Fein ("Nós Próprios"). Durante mais de duas décadas de luta armada, o grupo foi responsável por mais de 3500 mortes.
A principal razão pela qual o IRA lutava era a igualdade religiosa, visto que 75% da população norte-irlandesa era protestante e o pouco que restava, católica, o que fazia com que houvesse desigualdade e preconceito entre as religiões. Como os protestantes eram maioria, decidiam candidaturas políticas e plebiscitos, entre outros, impedindo que a vontade católica se manifestasse.
Em 28 de Julho de 2005, o IRA anuncia o fim da "luta armada" e a entrega de armas. O processo de entrega de armas terminou em 26 de Setembro de 2005. Todo o processo de desmantelação do armamento foi orientado pelo chefe da Comissão Internacional de Desarmamento, o general canadiano John de Chastelain.

História da Chechênia

Como parte do Império Russo desde 1859, a região da Checheno-Inguchécia foi incorporada como República Socialista Soviética Autônoma da Checheno-Ingushkaya durante a fundação da União Soviética. Durante o regime soviético, os tchetchenos, acusados de colaboração com os nazistas (os quais não chegaram na Chechênia), sofreram uma deportação - de natureza genocidária - para a então República Socialista Soviética do Casaquistão (o atual Cazaquistão independente) e para a Sibéria durante a Segunda Guerra Mundial. A república foi abolida entre 1944 e 1957, tornando-se no óblast de Grózni. Depois do colapso da União Soviética, um movimento de independência surgiu na Chechênia, enquanto a Rússia recusava-se a permitir a secessão.
Djokhar Dudaiev, presidente nacionalista da República da Chechênia, declarou a independência chechena em 1991. Em 1994 o presidente da Rússia Boris Iéltsin enviou quarenta mil soldados para evitar a separação da região da Chechênia, importante produtora de petróleo, da Rússia.
A Rússia entrou numa guerra que alguns comparam ao que foi a guerra do Vietnã para os EUA. Os insurgentes chechenos infligiram grandes baixas aos russos. As tropas russas não tinham conseguido capturar a capital tchetchena, Grózni, até o fim daquele ano. Os russos finalmente tomaram Grózni em fevereiro de 1995 após pesada luta. Em agosto de 1996 Iéltsin concordou com um cessar-fogo com os líderes chechenos, e um tratado de paz foi formalmente assinado em maio de 1997.
O conflito retornou em setembro de 1999, dando início à II Guerra da Chechênia, tornando sem sentido o acordo de 1997. Os separatistas tchetchenos ainda querem a independência da Tchetchênia e organizaram ataques na Chechênia e em outras regiões da Rússia, incluindo Moscou. Uma década de guerra deixou a maior parte da Chechênia sob controle militar. Guerrilheiros islâmicos chechenos invadem a vizinha república russa do Daguestão e anunciam a criação de um Estado islâmico. A maioria da população, em ambas as repúblicas, é muçulmano-sunita. Os militares russos expulsam os rebeldes para a Chechênia em setembro. Neste mês, atentados contra edifícios, em cidades russas, matam mais de 300 pessoas. O governo responsabiliza os separatistas chechenos e envia tropas à república.
Apesar da pressão para um cessar-fogo, o governo russo rejeita mediação internacional. Mas as denúncias de massacres, estupros e torturas cometidos pelas tropas contra centenas de civis levam o país a aceitar em março de 2000 a visita de representantes da ONU à Chechênia. As emboscadas e os ataques camicases contra as tropas russas prosseguem, assim como os bombardeios aéreos russos. Em junho de 2000, Putin põe a Chechênia sob administração direta da Presidência da federação.
Em setembro de 2004, uma escola de Beslan, na república russa da Ossétia do Norte, foi palco de uma das maiores barbáries da atualidade. Terroristas aprisionaram, torturaram e mataram crianças, pais e professores. O líder separatista checheno Shamil Bassaiev assumiu esse e outros ataques (como a explosão no metrô de Moscou, em fevereiro de 2004).
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Curdos 2

A língua curda pertence ao subgrupo noroeste das línguas iranianas, que por sua vez pertence ao ramo indo-iraniano da família de línguas indo-européias. O curdo deve ter evoluído a partir de línguas caucasianas e do aramaico devido a certas peculiarides que a fazem distinta das outras línguas iranianas. A maioria dos ancestrais dos curdos falava várias línguas da família indo-européia.
A língua original dos curdos foi o hurrita, uma língua não indo-européia que pertencia à família caucasiana. A antiga língua foi substituída pelo indo-europeu por volta de 850 a.C. com a chegada dos medos ao Curdistão. Todavia, a influência do hurrita no curdo ainda é evidente na sua estrutura gramatical ergativa e nos topônimos.
A maioria dos curdos são bilíngües ou poliglotas, falando as línguas dos povos da vizinhança tais como o árabe, o turco e o persa como segunda língua. Os judeus curdos e alguns cristãos curdos (não confundir com os assírios étnicos do Curdistão) habitualmente falam aramaico (por exemplo, lishana deni) como sua primeira língua. O aramaico é uma língua semítica muito mais próxima do árabe e do hebraico que do curdo.
A língua curda compreende dois dialetos principais e vários subdialetos:
- O dialeto curmânji
- O dialeto sorâni
- Os subdialetos gorâni, zazaki, feyli, kermanshahi e laki.
Comentando sobre as diferenças entre os dialetos curdos, Kreyenbroek esclarece que em algumas direções, curmânji e sorâni são tão diferentes um do outro como inglês e alemão, dando como exemplo que o curmânji possui gênero gramatical e finais casuais, enquanto o sorâni não, e considera que a referência ao sorâni e ao curmânji como "dialetos" de uma língua é suportada apenas pela "sua origem comum... e o fato de que esta convenção reflete o senso de identidade étnica e unidade dos curdos."

Origens genéticas e étnicas
De acordo com a Encyclopædia Britannica, "os persas, curdos e falantes de outras línguas indo-européias no Irã são descendentes das tribos arianas que começaram a migrar da Ásia Central para o atual Irã no segundo milênio a.C." De acordo com a Columbia Encyclopedia, os curdos, assim como outros grupos étnicos migrantes da região, estão "entre os descendentes menos miscigenados dos iranianos originais". De acordo com a Enciclopédia do Islã, a classificação dos curdos como arianos é principalmente baseada em dados lingüísticos e históricos e não prejudica o fato de haver uma complexidade de elementos étnicos a eles incorporados.
De acordo com um estudo de 2001 sobre a população turca, os ancestrais dos "curdos, armênios, iranianos, judeus, e outros grupos mediterrâneos (orientais e ocidentais) parecem dividir um ancestral comum" e pertenciam a um substrato mediterrâneo antigo, ou seja, a grupos hurritas e hititas e que estes povos não tinham conexão com uma invasão ariana que se supõe ter ocorrido por volta de 1200 a.C.
"Conclui-se que esta invasão, se ocorreu, teve relativamente poucos invasores em comparação às populações já estabelecidas, como os grupos hititas anatolianos e hurritas (anteriores a 2000 a.C.). Estes devem ter iniciado as atuais populações curda, turca e armênia."
Em 2001, uma equipe de cientistas israelenses, alemães e indianos descobriu que entre as várias comunidades judaicas, os judeus asquenazi apresentam uma relação mais próxima com os curdos muçulmanos que com a população falante de línguas semíticas mais afastadas do sul da península Arábica, enquanto os judeus curdos e os judeus sefarditas parecem ser muitos próximos entre eles. Mais de 95% dos curdos muçulmanos testados indicam uma procedência no norte do Iraque. Além disso, de acordo com outro estudo, o haplótipo modal Cohen é um marcador genético do norte do Oriente Médio que não é exclusivo dos judeus.
Em outro estudo, os judeus curdos foram identificados como sendo próximos dos muçulmanos curdos, mesmo sendo asquenazi ou sefarditas, sugerindo que muito se não a maioria das similaridades genéticas entre os judeus e muçulmanos curdos descende de épocas antigas.
A comparação da distância genética em outro estudo revelou que os povos falantes de línguas turcas e turcomenas na região do mar Cáspio agrupam-se com os curdos, gregos e ossetas. Neste estudo, os falantes de persa são geneticamente afastados destas populações; eles são, todavia, próximos dos parsis que migraram do Irã para a Índia no final do século VII.

População
O número exato de curdos vivendo no Oriente Médio é desconhecido, devido á análise dos recenseamentos recentes e à relutância dos vários governos das regiões habitadas por curdos em fornecer dados precisos.
De acordo com o CIA Factbook, os curdos compreendem 20% da população da Turquia, de 15 a 20% no Iraque, possivelmente 8% na Síria, 7% no Irã e 1,3% na Armênia. Em todos estes países com exceção do Irã, os curdos formam o segundo maior grupo étnico. Aproximadamente 55% dos curdos no mundo vivem na Turquia, 20% no Irã, 20% no Iraque e um pouco menos de 5% na Síria. Estas estimativas estabelecem o número total de curdos entre 27 e 36 milhões.
Há outras fontes que registram uma população maior de curdos que a mencionada acima. Além disso, estima-se que os curdos, especialmente na Turquia, têm um índice de natalidade quase 50% superior que os turcos. Devido a isso, eles são vistos como um desafio demográfico para o estado.

História moderna

Curdos no Iraque
Os curdos liderados por Mustafa Barzani estiveram em luta contra os sucessivos regimes iraquianos de 1960 a 1975. Em março de 1970, o Iraque anunciou um plano de paz contemplando a autonomia curda. O plano seria implementado em quatro anos. No entanto, ao mesmo tempo, o regime iraquiano iniciou um programa de arabização nas regiões ricas em petróleo de Kirkuk e Khanaqin. O acordo de paz não durou, e em 1974, o governo iraquiano iniciou uma nova ofensiva contra os curdos. Além disso, em março de 1975, Iraque e Irã assinaram o Pacto de Argel, de acordo com o qual o Irã cortava suprimentos para os curdos iraquianos. O Iraque iniciou outra onda de arabização enviando árabes para os campos de petróleo no Curdistão, particulamrnete aos arredores de Kirkuk. Entre 1975 e 1978, duzentos mil curdos foram deportados para outras regiões do Iraque.
Durante a guerra Irã-Iraque na década de 1980, o regime implementou políticas anticurdos e uma guerra civil de facto eclodiu. O Iraque foi amplamente condenado pela comunidade internacional, mas nunca foi seriamente punido pelos meios opressivos que utilizou tais como assassinato em massa de centenas de milhares de civis, a destruição generalizada de milhares de aldeias e a deportação de milhares de curdos para o sul e o centro do Iraque. A campanha do governo iraquiano contra os curdos em 1988 foi chamada Anfal ("Pilhagem de Guerra"). Os ataques Anfal levaram à destruição duas mil aldeias e entre 50 e 100 mil curdos foram mortos.
Após o levante curdo de 1991 (em curdo: Raperîn) liderado pela União Patriótica do Curdistão (UPC) e pelo Partido Democrático do Curdistão (PDC), tropas iraquianas recapturaram as regiões curdas e centenas de milhares de curdos fugiram pelas fronteiras. Para suavizar a situação, uma "zona de exclusão" foi estabelecida pelo Conselho de Segurança da ONU. A região autônoma curda ficou sendo controlada principalmente pelos partidos rivais UPC e PDC. A população curda recebeu com prazer as tropas americanas em 2003. A área controlada pelas forças curdas foi expandida, e os curdos agora têm o controle efetivo em Kirkuk e em partes de Mosul. No início de 2006, as duas regiões curdas foram unidas em uma região unificada. Uma série de consultas populares está agendada para 2007, para determinar as fronteiras definitivas da região curda.

Curdos na Turquia
Aproximadamente metade de todos os curdos vivem na Turquia. De acordo com o CIA Factbook, eles representam 20% das 70 milhões de pessoas da Turquia, ou seja, há cerca de 8 milhões de curdos na Turquia. Outras estimativas variam entre 8 e 10 milhões. Eles estão predominantemente distribuídos no sudeste do país.
A melhor estimativa disponível do número de pessoas na Turquia falando uma língua relacionada ao curdo indica cerca de 5 milhões (1980). Há cerca de um milhão de falantes de dimli (zazaki meridional) e cerca de 140 mil falantes de kirmanjki (zazaki setentrional), o qual tem cerca de 70% do léxico similar ao dimli. Estas estimativas são de 1999 no caso do dimli e de 1972 no caso do kirmanjki. Cerca de 3.950.000 outros falam curdo setentrional (curmânji) (1980). O crescimento da população sugere que o número de falantes tenha crescido, e também é verdade que o uso da língua tem sido desencorajado nas cidades turcas, e que poucos curdos étnicos vivem no interior do país onde a língua tradicionalmente tem sido usada. O número de falantes é claramente menor que 8 milhões de pessoas que se identificam como sendo curdos étnicos.
De 1915 a 1918, os curdos lutaram pelo fim do domínio otomano sobre sua região. Eles foram encorajados pelo apoio de Woodrow Wilson às nacionalidades não turcas do império e submeteram sua reivindicação por independência na Conferência de Paz de Paris de 1919. O Tratado de Sèvres determinou a criação de um estado autônomo curdo em 1920, mas o subseqüente Tratado de Lausanne de 1923 não mencionou os curdos. Em 1925 e 1930 revoltas curdas foram suprimidas através do uso da força.
Após estes eventos, a existência de grupos étnicos distintos como os curdos na Turquia foi oficialmente negado e qualquer expressão de identidade étnica feita pelos curdos era duramente reprimida. Até 1991, o uso da língua curda - ainda que freqüente - era ilegal. Como resultado de reformas influenciadas pela União Européia, transmissões de televisão e rádio em curdo agora são permitidas embora com severas restrições de tempo (por exemplo, transmissões de rádio não podem exceder sessenta minutos por dia nem constituir mais que cinco horas semanais enquanto as transmissões de TV estão sujeitas a restrições maiores). Além disso, a educação em curdo agora é permitida embora apenas em instituições privadas.
Em 1994, todavia, Leyla Zana, a primeira representante mulher curda no Parlamento da Turquia, foi punida por fazer "discursos separatistas" e sentenciada a quinze anos de prisão. Na sua posse como membro do parlamento, ela supostamente se identificou como curda. A Anistia Internacional relatou que "ela fez o juramento de lealdade em turco, como exigido pela lei, e então acrescentou em curdo: 'Eu lutarei para que os povos turco e curdo vivam juntos em um sistema democrático'. O Parlamento irrompeu com gritos de 'Separatista!', 'Terrorista!', e 'Prendam-na!'."
O Partiya Karkerên Kurdistan (PKK) (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), também conhecido como KADEK e Kongra-Gel, é considerado pelos Estados Unidos e pela União Européia como sendo uma organização terrorista dedicada a criar um estado curdo independente em um território (tradicionalmente referido como Curdistão) consistindo de partes do sudeste da Turquia, nordeste do Iraque, nordeste da Sìria e noroeste do Irã. É uma organização étnica separatista que usa a força e ameaça de força contra alvos civis e militares com o propósito de alcançar seus objetivos políticos.
Entre 1984 e 1999, o PKK e o exército turco entraram em guerra aberta, e a maior parte do interior do país no sudeste foi despovoada, com os civis curdos sendo deslocados para locais defensíveis como Diyarbakır, Van e Şırnak, assim como para cidades da Turquia ocidental e até mesmo para a Europa ocidental. As causas do despovoamento incluem atrocidades do PKK contra clãs curdos que eles não podiam controlar, a pobreza do sudeste, e as operações militares do estado turco. A Human Rights Watch documentou várias ocorrências onde os militares turcos evacuaram vilas com uso de força, destruíndo casas e equipamentos para evitar o retorno dos habitantes. Estima-se que 3.000 vilas e aldeias curdas na Turquia foram verdadeiramente varridas do mapa, o que representou o deslocamento de mais de 378.000 pessoas.

Curdos no Irã
Os curdos constituem aproximadamente 20% da população total do Irã. Alguns curdos iranianos têm resistido aos esforços do governo iraniano, tanto antes quanto depois da revolução de 1979, para assimilá-los na vida nacional. Junto com os curdos de regiões no Iraque e na Turquia, há movimentos separatistas que apóiam a idéia de se estabelecer um estado independente curdo.
No século XVII, um grande número de curdo foi deportado pelo xá Abbas I da Pérsia para Khorasan no Irã oriental e por meio da força foram assentados nas cidades de Quchan e Birjand. Os curdos de Khorasan, cerca de 700.000, ainda usam o dialeto curdo curmânji. Durante os séculos XIX e XX, sucessivos governos iranianos sufocaram revoltas curdas comandadas por figuras notáveis curdas, tais como o xeque Ubaidullah (contra a dinastia Qajar em 1880) e Simko (contra a dinastia Pahlavi na década de 1920).
Em 1946, a República de Mahabad apoiada pelos soviéticos foi estabelecida no Curdistão iraniano como parte de uma série de estados fantoches soviéticos, mas que durou apenas onze meses.
Após o golpe militar de 1953, Mohammad Reza Pahlavi se tornou mais autocrático e suprimiu a maior parte da oposição, inclusive as minorias étnicas, como os curdos. Ele também proibiu qualquer tipo de ensino em língua curda.
Nos anos recentes, lutas intensas ocorreram entre os curdos e o estado iraniano entre 1979 e 1982. Em agosto de 1979, Ruhollah Khomeini declarou uma "guerra santa" contra os curdos. Uma fotografia de um pelotão de fuzilamento da Guarda Revolucionária executando prisioneiros curdos próximo a Sanandaj ganhou fama internacional e venceu o Prêmio Pulitzer em 1980. O Corpo de Guarda da Revolucão Islâmica atacou as regiões curdas para restabelecer o controle do governo iraniano; como resultado, cerca de dez mil curdos foram mortos. Desde 1983, o governo iraniano mantém o controle sobre todas as áreas habitadas pelos curdos. Intranqüilidade freqüente e tomadas de posições militares tem ocorrido desde a década de 1990.
No Irã, os curdos expressam sua identidade cultural livremente, mas os direitos de governo e auto-administração são negados. Da mesma forma que em outras partes do Irã, membros de qualquer partido político não-governamental no Curdistão pode ser punido com perseguição, aprisionamento e até mesmo a morte. Os ativistas de direitos humanos curdos no Irã têm sido ameaçados pelas autoridades iranianas por causa de seu trabalho. Após a morte do ativista opositor curdo Shivan Qaderi e de dois outros homens curdos pelas forças de segurança iranianas em Mahabad em 9 de julho de 2005, seis semanas de tumultos e protestos ocorreram nas cidades e vilas curdas por todo o Curdistão Oriental. Uma grande quantidade de pessoas foi morta ou ferida, e outros tantos foram presos sem acusação. As autoridades iranianas também fecharam vários dos principais jornais curdos e prenderam editores e repórteres. Entre estes estava Roya Toloui, uma ativista feminista e chefe do jornal Rasan ("Despertar") em Sanandaj. Ela foi torturada por dois meses por suposto envolvimento na organização de protestos pacíficos por toda a província do Curdistão.

Curdos na Síria
Os curdos são cerca de 15% da população da Síria, o que corresponde a cerca de 1,9 milhão de pessoas. Isto faz deles a maior minoria étnica no país. Eles estão majoritariamente concentrados no nordeste e no norte mas há também populações curdas significativas em Aleppo e Damasco. Eles falam com freqüência curdo em público, a menos que todos os presentes não o façam. Os ativistas de direitos humanos curdos são maltratados e perseguidos. Nenhum partido político é permitido a qualquer grupo, curdo ou não.
As técnicas usadas para suprimir a identidade étnica dos curdos na Síria incluem várias proibições do uso da língua curda, recusa em registrar crianças com nomes curdos, substituição de nomes de lugares curdos com novos nomes em árabe, proibição de negócios que não tenham nomes árabes, proibição de escolas privadas curdas e proibição de livros e outros materiais escritos em curdo. Com o direito à nacionalidade síria negado, cerca de trezentos mil curdos são privados de quaisquer direitos sociais, violando-se assim as leis internacionais. Como conseqüência, estes curdos estão efetivamente de mãos atadas dentro da Síria. Em fevereiro de 2006, no entanto, fontes relataram que que a Síria então estava planejando conceder cidadania a estes curdos.
Em 12 de março de 2004, em um estádio em Qamishli (cidade majoritariamente curda no nordeste da Síria), eclodiram confrontos entre curdos e sírios que duraram vários dias. Pelo menos trinta pessoas foram mortas e mais de cento e sessenta feridas. O distúrbio se espalhou para outras cidades curdas ao longo da fronteira com a Turquia, e em seguida para Damasco e Aleppo.

Curdos na Armênia
Entre as décadas de 1930 e 1980, a Armênia fez parte da União Soviética e os curdos, como outros grupos étnicos, tinham o status de minoria protegida. Aos curdos armênios era permitido ter seu próprio jornal patrocinado pelo estado, transmissões de rádio e eventos culturais.
Durante o conflito em Nagorno-Karabakh, muitos curdos não-yazidis foram forçados a deixar suas casas. Com o fim da União Soviética, os curdos na Armênia foram alijados de seus privilégios culturais e a maioria fugiu para a Rússia ou para a Europa Ocidental.

Curdos no Azerbaijão
Em 1920, as duas áreas habitadas por curdos de Jewanchir (capital Kalbajar) e Zangazur oriental (capital Lachin) foram reunidas para formar o Curdistão Vermelho (Kurdistan Uyezd). O período de existência da unidade administrativa curda foi breve e não durou após 1929. Os curdos subseqüentemente enfrentaram muitas medidas repressivas, inclusive deportações. Como resultado do conflito em Nagorno-Karabakh, muitas regiões curdas foram destruídas e mais de 150.000 curdos foram deportados desde 1988.

Diáspora curda
De acordo com um relatório do Conselho da Europa, aproximadamente 1,3 milhão de curdos vivem na Europa Ocidental. Os primeiros imigrantes foram os curdos da Turquia. que se estabeleceram na Alemanha, Áustria, países do Benelux, Reino Unido (especialmente em Londres), Suíça e França durante a década de 1960. Períodos sucessivos de confusão política e social no Oriente Médio durante as décadas de 1980 e 1990 causou novas ondas de refugiados curdos para a Europa, a maioria do Iraque sob Saddam Hussein e do Irã.
Houve também uma imigração significativa de curdos para a América do Norte, principalmente refugiados políticos e imigrantes em busca de oportunidades econômicas. Estima-se que 100.000 curdos vivam nos Estados Unidos, 50.000 no Canadá e menos de 15.000 na Austrália.

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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Curdos


Os curdos (em curdo Kurdên) são um grupo étnico que se considera como sendo nativo de uma região freqüentemente referida como Curdistão, que inclui partes adjacentes de Irã, Iraque, Síria e Turquia. Comunidades curdas também podem ser encontradas no Líbano, Armênia, Azerbaijão (Kalbajar e Lachin, a oeste de Nagorno-Karabakh) e, em décadas recentes, em alguns países europeus e nos Estados Unidos. Etnicamente aparentados com outros povos iranianos, eles falam curdo, uma língua indo-européia do ramo iraniano. Todavia, as origens étnicas curdas são incertas.
De acordo com Vladimir Minorsky, "não há dúvidas que o termo mar (medos) se refere aos curdos". Além disso, ele escreve que "no raro manuscrito armênio contendo amostras de alfabetos e línguas, escrito em algum momento antes de 1446, uma oração curda aparece como exemplo da língua dos medos".

Origens
Embora os curdos habitem as regiões montanhosas de seu atual território por alguns milênios, sua pré-história é vagamente conhecida devido à falta de um estudo extensivo. De acordo com a Encyclopaedia Kurdistanica, os curdos são descendentes de todos aqueles que tenham historicamente se fixado no Curdistão, e não de um grupo em particular. Os hurritas habitaram as regiões do atual Curdistão (na Mesopotâmia e montes Zagros-Taurus) de 4000 a.C. até 600 a.C. Os hurritas falavam uma língua que pertencia possivelmente à família de línguas caucasianas do nordeste (ou à proposta alarodiana), aparentada ao moderno checheno e ao lezguiano. Os hurritas se espalharam e eventualmente dominaram territórios significativos fora de sua base nos montes Zagros-Taurus. No entanto, como os curdos, eles não se expandiram muito além das montanhas. À medida que se estabeleciam, os hurritas se dividiam em vários clãs e subgrupos, fundando cidades-estado, reinos e impérios com epônimos dos nomes dos clãs. Esses clãs incluíam os gutas, kurti, khaldi, mushku, minni, lullubi e os cassitas entre outros. Todas essas tribos eram parte de um grande grupo de hurritas, e juntos ajudaram a formar a fase hurrita da história curda. Estes grupos, exceto os mitanni, não são considerados como tendo sido indo-europeus.
Do segundo ao primeiro milênio antes de Cristo um grande número de povos se juntou aos hurritas. Entre as tribos indo-européias importantes que se estabeleceram nas montanhas curdas estão os medos, os citas e os ságartas cujos nomes ainda estão preservados em alguns nomes de lugares por todo o Curdistão.
Esta amálgama de povos e tribos continuou a ser conhecida sob um único nome pelos habitantes das terras baixas da Mesopotâmia.Uma das primeiras menções nos registros históricos aparece nos escritos cuneiformes dos sumérios datados de cerca de 3000 a.C, referindo-se à "terra de Karda" nos montes Zagros-Taurus do norte e nordeste da Mesopotâmia. A região era conhecida como a terra dos "Karda" ou "Qarduchi" e a terra dos "Guti" ou "Gutium". Eram descritos como sendo o mesmo povo apenas diferindo no nome tribal. Os babilônios chamavam-nos "Gardu" e "Qarda". Na região vizinha da Assíria, eles eram os "Qurti" ou "Guti". Quando os gregos penetraram no território, eles se referiram a esse povo como "Kardukh", "Carduchi", "Gordukh", Kyrti(oi) e os romanos os conheciam como Cyrti. Os armênios os chamavam "Gortukh" ou "Gortai-kh" e os persas os chamavam "Gord" or "Kord". Em siríaco, hebraico e caldeu eles eram, respectivamente, "Qardu", "Kurdaye" e "Qurdaye". Em aramaico e nestoriano, eram chamados "Qadu".
Assume-se que sua língua original foi influenciada e gradualmente substituída pelo iraniano do noroeste, com a chegada dos medos ao Curdistão. Os curdos se consideram indo-europeus e descendentes dos grupos acima mencionados..

História

Antiguidade
O lar atual dos curdos, a região montanhosa a sul e sudeste do lago Van entre a Pérsia e a Mesopotâmia, estava sob domínio curdo antes da época do historiador da Grécia Antiga Xenofonte, e era conhecida como o país dos Carduchi, Cardyene ou Corduene. Xenofonte se referiu aos curdos no Anabasis como "Kardukhi... um povo bárbaro e defensor de sua residência na montanha" que atacou os exércitos gregos em 400 a.C. Um reino curdo chamado Corduene, situado a leste de Tigranocerta (a leste e a sul da atual Diyarbakır, na Turquia) tornou-se uma província do Império Romano em 66 a.C. e permaneceu sob controle romano por quatro séculos até 384. O historiador romano Plínio considerou os Cordueni (habitantes de Corduene) como descendentes dos Carduchi. Ele afirmou, "vizinhos a Adiabena estão os povos anteriormente chamados Carduchi e agora Cordueni, acima de quem navega o rio Tigre..."
Outros pequenos reinos curdos foram kavosidas e existiram durante o período sassânida.


Idade Média
No século VII, os árabes tomaram os castelos e fortificações dos curdos. As cidades de Sharazor e Aradbaz foram conquistadas no ano de 643.
Em 846, um dos líderes dos curdos em Mosul se revoltou contra o califa Al Mo'tasam que enviou o notável comandante Aitack para combatê-lo. Nesta guerra, Aitack saiu-se vitorioso e levou muitos dos curdos à morte. Em 903, durante o período de Almoqtadar, os curdos novamente se rebelaram. Finalmente os árabes conquistaram as regiões curdas e converteram a maioria dos curdos ao Islã.
Na segunda metade do século X, a região curda foi dividida entre quatro grandes principados curdos. No norte ficavam os Shaddadidas (951-1174) em partes da atual Armênia e Arran (Azerbaijão), no Azerbaijão; os Rawadidas (955-1221) ficava em Tabriz e Maragheh; No leste estavm os Hasanwayhidas (959-1015 e os Annazidas (990-1117) em Kermanshah, Dinawar e Khanaqin; no oeste estavam os Marwanidas (990-1096) de Diyarbakır. Depois destes, os Ayyubidas (1171-1250) da Síria e a dinastia Ardalan {do século XIV até 1867) estabeleceram-se onde nos dias atuais estão Khanaqin, Kirkuk e Sanandaj.

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Bascos 2


Geografia e distribuição

A atual região autônoma basca da Espanha, conhecida como "Euskadi" em basco, "País Vasco" em espanhol, "Pays Basque" em francês e País Basco em português, é composta de três províncias ou territórios: Álava (Araba/Álava), Biscaia (Bizkaia/Vizcaya) e Guipúzcoa (Gipuzkoa/Guipúzcoa) (nos três casos, o nome basco seguido do espanhol). Há cerca de 2.130.000 pessoas vivendo no País Basco: Álava, 279.000; Biscaia, 1.160.000; Guipúzcoa, 684.000. As mais importantes cidades são: Bilbao (Bilbo/Bilbao) em Biscaia, São Sebastião (Donostia/San Sebastián) em Guipúzcoa e Vitória (Gasteiz/Vitória) em Álava. Tanto o basco quanto o espanhol são línguas oficiais, sendo o espanhol virtualmente entendido por 100% da população; 27% da população fala basco, mas o número de falantes está crescendo pela primeira vez em muitos séculos, devido ao incentivo oficial e à simpatia popular.
Há também um substancial sentimento basco entre a população da vizinha comunidade autônoma espanhola de Navarra e nas regiões vizinhas da França. Também há pelo menos alguma presença étnica basca em muitos países das Américas, como Bolívia, México, Argentina, Chile, Equador, Peru, Uruguai, Venezuela e comunidades em Idaho, no leste de Nevada, sul do Texas e por toda a Califórnia, para onde primeiro emigraram para criar ovelhas.


Conflitos políticos


Língua

Os governos espanhol e francês tentaram, às vezes, suprimir a identidade cultural e lingüistica basca. A República Francesa, epítome do estado-nação, tem uma longa história de tentativas de absorção cultural completa de grupos étnicos minoritários. A Espanha tem, na maior parte da sua história, garantido algum grau de autonomia lingüística, cultural e política aos bascos, mas sob o regime de Francisco Franco o governo espanhol reverteu os avanços do nacionalismo basco, por ter lutado do lado oposto da Guerra Civil Espanhola. A atividade cultural basca foi limitada a eventos folclóricos e à Igreja Católica.
Atualmente, o País Basco dentro da Espanha goza de uma autonomia política e cultural extensiva. Muitas escolas na região usam o basco como primeira língua de ensino. De acordo com a BBC "cerca de 90% das crianças bascas estão agora matriculadas em escolas de ensino em língua basca". Contudo, em Navarra, o basco foi declarada língua em extinção, desde que o governo conservador da Unión del Pueblo Navarro se opôs ao nacionalismo basco e aos símbolos bascos, destacando sua própria autonomia.[8]
O incentivo à língua basca tem causado protestos por aqueles que temem que os falantes apenas de espanhol passem a ser vistos como cidadãos de segunda classe. De qualquer forma, o espanhol é hoje essencial para a vida cotidiana.


Status político e violência

O nacionalismo basco tem defendido com grande força as instituições bascas. Alguns nacionalistas bascos reivindicam que o País Basco tem o direito à autodeterminação, incluindo uma eventual independência. O desejo pela independência é particularmente comum entre os nacionalistas bascos de esquerda. Como a autodeterminação não é reconhecida na Constituição espanhola de 1978, muitos bascos abstiveram-se ou votaram contra no referendo de 6 de dezembro daquele ano. Contudo, a Constituição foi aprovada pela maioria dos espanhóis, navarros e bascos, e o regime autônomo para o País Basco e Navarra foi aprovado em referendos posteriores pelas respectivas populações de cada região.
A atividade nacionalista basca tem seu lado violento no Euskadi Ta Askatasuna (ETA) que apareceu em 1968, uma organização armada que usa assassinatos, bombas e seqüestros contra o que eles consideram "interesses espanhóis". O ETA tem sido responsável por mais de mil mortes entre militares e personalidades políticas, mas também entre centenas de civis. Um dos ataques mais mortais do ETA ocorreu em 1987 quando uma bomba colocada no supermercado Hipercor em Barcelona matou 17 pessoas, incluíndo várias crianças. O ETA é considerado uma organização terrorista pela União Européia e pelos Estados Unidos.
Na luta contra o ETA, o governo e a justiça espanhóis têm tomado medidas como:

- Banimento da coalização eleitoral HB-Batasuna em 2002 (e sucessivas coalizões) assim como de outras organizações políticas onde foi provado fazerem parte do ETA, dividindo metas e recursos. Um dos parlamentares do Batasuna, Josu Ternera foi responsável pela morte de doze policiais em 1986 em um ataque a bomba em Madrid. Ternera nunca foi julgado e desde 2002 ele está foragido devido às suas pendências com a justiça espanhola.

- Fechamento do jornal Egunkaria em 2003. Várias outras publicações e organizações também ligadas ao ETA foram banidas, como o jornal nacionalista Egin e a estação de rádio Egin Irratia. Os jornais Berria e Gara ocuparam os nochos deixados pelos jornais fechados.


GAL

Na década de 1970, forças policiais paramilitares atacaram o ETA. De 1983 a 1987, o Estado Espanhol fundou e controlou os Grupos Antiterroristas de Liberación (GAL), que era uma força paramilitar de direita que atacava e matava ativistas bascos relacionados com o Batasuna e com o ETA tanto na Espanha quanto na França. O GAL assassinou mais de 23 ativistas e terroristas do ETA. Na década de 1990, várias investigações de figuras públicas conhecidas foram conduzidas na Espanha, o que levou à prisão de oficiais de alta patente da polícia e de um ex-ministro do governo. Há evidências que sugerem que o controle do GAL procedia de altos níveis do governo espanhol.


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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Suspensão de toque de recolher causa fuga em massa no Paquistão



Milhares de pessoas estão procurando abrigo em campos de refugiados para escapar do conflito entre o Exército do Paquistão e militantes do Talebã no noroeste do país.
A maioria dos civis vem de Mingora, a principal cidade do vale do Swat, no Paquistão. Na sexta-feira, as autoridades suspenderam um toque de recolher para permitir que seus cidadãos fujam.
Há relatos de que as estradas de Mingora estão engarrafadas com ônibus e caminhões lotados de pessoas. Algumas pegam carona até no teto de veículos. O repórter da BBC Abdul Hasan Kakar, que está próximo da região, acredita que 400 veículos deixaram a cidade na manhã desta sexta-feira.
A ONU afirma que 830 mil pessoas deixaram suas casas fugindo dos confrontos no mês passado. O número total de pessoas que foram internamente deslocadas no Paquistão nos últimos 12 meses subiu para 1,3 milhão.
Destas, cerca de 80 mil pessoas estão morando em campos administrados pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados, baseado na cidade de Mardan.

Ajuda urgente

O primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gilani, disse que o está enfrentando sua pior crise de refugiados desde a partição de 1947, quando Índia e Paquistão, se separaram.
Segundo a correspondente da BBC em Islamabad Barbara Plett, uma primeira leva de pessoas deixou Mingora na semana passada. A cidade está com escassez de comida e outros produtos essenciais.
O Exército continua evitando entrar em combate direto com militantes do Talebã nas ruas da cidade.
Mais de 15 mil soldados foram enviadas ao vale Swat e para outras regiões vizinhas. Elas estão enfrentando cerca de 5 mil militantes.
Na quinta-feira, o Exército disse que 124 militantes foram mortos nas últimas 24 horas. Nove soldados morreram. Um porta-voz do Talebã diz que 37 soldados morreram.
O correspondente da BBC em Karachi, M Ilyas Khan, disse que é difícil confirmar os números, já que as linhas de telefone não estão funcionando no vale do Swat. Muitos aparelhos celulares também não estão funcionando devido à falta de energia elétrica.
O Alto Comissário para Refugiados, Antonio Guterres, alertou que as más condições dos milhares de refugiados podem levar a mais conflitos na região. A ONU está pedindo uma injeção urgente de recursos para ajuda humanitária.
A ofensiva do Exército paquistanês começou no mês passado. Em fevereiro, o governo havia fechado um acordo de paz com o Talebã na região, permitindo inclusive a aplicação da Sharia - a lei islâmica. O acordo foi criticado pelo governo americano na ocasião.
Mas os militantes talebãs expandiram sua atuação para áreas vizinhas, e o governo decidiu pôr fim ao acordo de paz.

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Bascos


Os bascos são um grupo étnico que habita partes do norte da Espanha e do sudoeste da França. Os bascos, sendo nativos de Navarra, são predominantemente encontrados na região conhecida como País Basco, consistindo de quatro províncias na Espanha e três na França, localizadas em volta da borda ocidental dos Pirineus na região costeira do golfo de Biscaia.
Os bascos são conhecidos nas línguas locais como:
- euskaldunak ("falantes de basco") ou euskotarrak ("nativos do País Basco", neologismo pouco utilizado) em basco.
- vascos em castelhano (ou pelo termo antigo vascongados, que no sentido exato se aplica apenas àqueles bascos que vivem nas províncias do País Basco).
- basques em francês.
- bascos em gascão.
Esse artigo discute os bascos como um grupo étnico, o povo basco ou, como em alguns pontos de vista, uma nação, principalmente por outros grupos étnicos vivem nas regiões bascas.

Etimologia da palavra basco
A palavra portuguesa "basco", tal como o francês basque (pronunciada /bask/), o gascão basco (/ˈbasku/) e o espanhol vasco (/ˈbasko/), derivam do latim vasco (/wasko/), plural vascones. A aproximante labiovelar latina /w/ tipicamente se desenvolve para a oclusiva bilabial sonora /b/ em gascão e espanhol (betacismo), provavelmente sob a influência do basco e do aquitaniano (uma língua relacionada com o antigo basco e falada na Gasconha na Antiguidade). Isso explica a paranomásia romana às custas dos aquitanianos (ancestrais dos gascãos): "Beati Hispani quibus vivere bibere est", que se traduz como "Abençoados ibéricos (os romanos consideravam os aquitanianos aparentados com os ibéricos) para quem viver é beber".
Uma teoria freqüente sobre a origem da palavra latina vasco é a de que ela derive da latina boscus ou buscus que significa "área arborizada" (bosque, floresta). Estão vascones significa "aqueles que vivem nas terras arborizadas". Contudo, esta etimologia é agora verificadamente equivocada, porque a palavra latina boscus/buscus apareceu apenas na Idade Média, e é provavelmente uma corruptela da palavra do latim clássico arbustus (que significa "plantado como árvore", de arbor, "árvore"), possivelmente sob a influência da palavra germânica busk ou bosk ("arbusto, moita"), cuja origem é desconhecida.
Um outro lado desta teoria indica que a palavra latina vasco ainda signifique "da terra arborizada", mas com origem no moderno basco basoko, onde baso- significa floresta e -ko no final denota posse/genitivo. Além do fato de que basoko é uma palavra do basco moderno (ela pode ter sido uma palavra totalmente diferente há dois mil anos), essa etimologia popular entre os bascos é agora totalmente desacreditada pelos pesquisadores.
Para aumentar o mistério, várias moedas dos séculos II e I a.C. foram encontradas no norte da Espanha, tendo a inscrição barscunes escrita no alfabeto ibérico. O lugar onde foram cunhadas é incerto mas tem sido identificado como Pamplona ou Rocafort, a região onde os historiadores acreditam que os vascones viviam.
Hoje, acredita-se que a palavra latina vasco proceda de uma raiz basca e aquitaniana usada por esses povos para se autodesignar. Esta raiz é eusk-, pronunciada /ewsk/ que é realmente próxima do latim /wasko/. Havia também um povo aquitaniano a que os romanos chamavam Ausci (pronunciado /awski/ em latim), e que parece proceder da mesma raiz.
Em basco moderno, os bascos modernos chamam a si mesmos euskaldunak, singular euskaldun, de euskal- (basco (língua)) e -dun (aquele que tem). Então euskaldun literalmente significa um falante de basco. Deveria-se notar que nem todos os bascos são falantes do idioma basco (euskaldunak), e nem todos os falantes de bascos são etnicamente bascos (estrangeiros que aprenderam basco também são euskaldunak). Para remediar essa incoveniência, um neologismo foi cunhado no século XIX, a palavra euskotar, plural euskotarrak, que significa uma pessoa etnicamente basca, falando o idioma basco ou não.
Estas palavras bascas todas se originam do nome que os bascos usam para denominar sua língua: euskara. Pesquisadores modernos tem reconstruído a pronúncia e o vocabulário dos antigos bascos, e Alfonso Irigoyen propõe que a palavra euskara proceda do verbo "dizer" em basco antigo, que era pronunciado enautsi (em basco moderno esan) e do sufixo -(k)ara ("forma, jeito, caminho (de fazer alguma coisa)). Então euskara poderia significar literalmente "forma de dizer", "forma de falar". Evidências dessa teoria são encontradas no livro espanhol Compendio Historial escrito em 1571 pelo escritor basco Estebán de Garibay, que registrou o nome nativo da língua basca como enusquera. Contudo, como muitas outras coisas relacionadas com a história basca, essa hipótese não é totalmente exata.
No século XIX, o ativista nacionalista basco Sabino Arana pensou que havia uma raiz original eusko de eguzkiko ("do sol", presumindo uma religião solar). A partir disto ele criou o neologismo Euskadi para seu objetivo de um País Basco independente. Esta teoria está em descrédito hoje em dia, com a única etimologia séria sendo enautsi e -(k)ara. Mas o neologismo Euzkadi ainda é largamente usada no basco e no espanhol.

História
Acredita-se que os bascos sejam remanescentes dos primeiros habitantes da Europa Ocidental, mais especificamente daqueles que habitavam a região franco-cantábrica. Tribos bascas foram mencionadas no período romano, por Estrabão e Plínio, o Velho, incluindo os vascones, os aquitanos, entre outros. Existem evidências suficientes de que eles já falavam o basco naquele tempo.[carece de fontes?]
No início da Idade Média o território entre o rio Ebro e o Garonne era conhecido como Vascônia, tendo sido unificado sob a nobreza castelhana. Depois das invasões muçulmanas e da expansão dos francos sob Carlos Magno, o território se fragmentou, e eventualmente o Reino de Castela e o Reino de Pamplona surgiram como os principais estados com população basca no século IX.
Este último estado, que passou a ser conhecido posteriormente como Reino de Navarra, experimentou um processo de feudalização, e acabou tendo que se submeter à influência de seus vizinhos mais poderosos, como Aragão, Castela e França. Castela anexou partes do território de Navarra no século XI, XII e de 1512 a 1521. O restante de Navarra acabou anexado pela França.
Ainda assim as províncias bascas gozaram de alguma forma de auto-governo até o acontecimento da Revolução Francesa, ao Norte, e das guerras de motivação principalmente religiosa, ocorridas ao Sul, denominadas Guerras Carlistas, onde tentou-se estabelecer uma monarquia teocrática católica. Desde então, apesar do atual estatuto de autonomia do País Basco, estabelecido pela Constituição Espanhola, diversos elementos da sociedade basca ainda estão lutando por um Estado completamente separado (ver nacionalismo basco), inclusive através de terrorismo e luta armada.

A diáspora basca
diáspora basca é a descrição dada à dispersão do povo basco por todo o mundo. Os bascos não têm um país independente que possam chamar de seu, estando divididos entre os estados espanhol e francês. Muitos bascos deixaram o País Basco e seguiram para outras partes do mundo por razões políticas ou econômicas.
Um grande número de bascos emigrou para Argentina, Chile, México e Estados Unidos. Em todos esses países lugares foram batizados após sua chegada com nomes bascos como Nova Biscaia, agora Durango no México e Durango e Biscayne Bay nos Estados Unidos. No México a maioria dos grupos estão concentrados em Monterrey e Durango.
O destino da maioria dos imigrantes bascos foi a Argentina, com a cultura basca contribuindo muito com a cultura argentina. Há centros culturais bascos na maioria das grandes cidades, assim como escolas de língua basca. A muitos lugares foram dados nomes bascos, inclusive ao principal aeroporto internacional, Ezeiza. Muitos dos presidentes argentinos eram de ascendência basca, como Hipólito Yrigoyen, Pedro Eugenio Aramburu e Justo José de Urquiza, sem mencionar outras figuras, especialmente Ernesto Che Guevara. Estima-se que haja cerca de 15.000 sobrenomes na Argentina de origem basca.
O Chile também recebeu muitos emigrantes bascos. Por exemplo, Augusto Pinochet é de origem basca (através do sobrenome de solteira da sua mãe, Ugarte).
O Brasil teve um Presidente da República descendente de bascos, foi o general Emílio Garrastazu Médici, que governou o país na década de setenta do século XX, durante o regime militar.
A maior comunidade de bascos na América do Norte está na região da grande Boise, Idaho. Em Boise se localiza o Centro Cultural e Museu Basco. A área em torno do centro inclui várias lojas e restaurantes recheados de cultura basca no assim chamado "quarteirão basco" e a cidade recebe um grande festival basco conhecido como Jaialdi a cada cinco anos. Outra grande comunidade de bascos vive no Vale Central da Califórnia, principalmente na cidade de Bakersfield. Em Bakersfield há vários restaurantes bascos e o salão basco, que anualmente abriga um grande encontro basco. A maioria dos primeiros imigrantes foram para Bakersfield por causa das orportunidades na agricultura e criação de ovelhas. Reno (Nevada), lar do Departamento de Estudos Bascos da Universidade de Nevada, também possui uma significante população de origem basca. Outra área está localizada no extremo sul do Texas ao longo do Rio Grande. Na região em torno do Rio Grande próxima aos atuais Condado de Star, Condado de Zapata e Condado de Hidalgo no Texas, assim como em regiões nos estados mexicanos de Nuevo León e Tamaulipas, sobrenomes de origem basca se destacam como proprietários nas concessões de terra espanholas nos documentos históricos. A maior parte dessas concessões foram usadas para criação e agricultura da mesma forma que criavam ovelhas no País Basco. Esta região do Texas ostenta alguns dos maiores ranchos do estado atualmente.
Alguns desses sobrenomes, como Garza, destacam-se em muitas eleições políticas assim como detêm altos cargos políticos. Uma das famílias mais ricas do México e do mundo carrega esse sobrenome basco. Uma cidade com o nome basco de San Pedro garza García, no México, tem a maior renda per capta de toda a América Latina. No Caribe, há descendentes bascos nas colinas de Esperón na província de Havana, onde a maioria originalmente se fixou dorante o pe´riodo colonial espanhol.

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Cartografia


Cartografia (do grego chartis = mapa e graphein = escrita) é a ciência que trata da concepção, produção, difusão, utilização e estudo dos mapas. O vocábulo foi pela primeira vez proposto pelo historiador português Manuel Francisco Carvalhosa, 2.º Visconde de Santarém, numa carta datada de 8 de Dezembro de 1839, de Paris, e endereçada ao historiador brasileiro Francisco Adolfo de Varnhagen, vindo a ser internacionalmente consagrado pelo uso. Das muitas definições usadas na literatura, colocamos aqui a atualmente adaptada pela Associação Cartográfica Internacional (ACI):
Conjunto dos estudos e operações científicas, técnicas e artísticas que intervêm na elaboração dos mapas a partir dos resultados das observações directas ou da exploração da documentação, bem como da sua utilização
A cartografia encontra-se no curso de uma longa e profunda revolução, iniciada em meados do século passado, e certamente a mais importante depois do seu renascimento, que ocorreu nos séculos XV e XVI. A introdução da fotografia aérea e da detecção remota, o avanço tecnológico nos métodos de gravação e impressão e, mais recentemente, o aparecimento e vulgarização dos computadores, vieram alterar profundamente a forma como os dados geográficos são adquiridos, processados e representados, bem como o modo como os interpretamos e exploramos.

Cartografia matemática é o ramo da cartografia que trata dos aspectos matemáticos ligados à concepção e construção dos mapas, isto é, das projecções cartográficas. Foi desenvolvida a partir do final século XVII, após a invenção do cálculo matemático, sobretudo por Johann Heinrich Lambert e Joseph Louis Lagrange. Foram especialmente relevantes, durante o século XIX, os contributos dos matemáticos Carl Friedrich Gauss e Nicolas Auguste Tissot.
Cartometria é o ramo da cartografia que trata das medições efetuadas sobre mapas, designadamente a medição de ângulos e direções, distâncias, áreas, volumes e contagem de número de objetos.

Os primeiros mapas
A função dos mapas é prover a visualização de dados espaciais e a sua confecção é praticada desde tempos pré-históricos, antes mesmo da invenção da escrita. Com esta, dispomos de mapas em placas de argila sumérias e papiros egípcios. Na Grécia antiga, Aristóteles e Hiparco produziram mapas com latitudes e longitudes. Em Roma, Ptolomeu representou a Terra dentro de um círculo.

A Cartografia medieval
Embora durante a Idade Média o conhecimento geográfico tenha conhecido uma relativa estagnação na Europa ocidental, confinado ao domínio eclesiástico, foram produzidos os mapas OT (orbis terrarum): um T composto pelas águas (Mar Mediterrâneo, Mar Negro e rio Nilo), separando as terras (Europa, Ásia ocidental e Norte de África), dentro de um O (o mundo). No mundo árabe, ao contrário, desde 827 o califa Al Mamum havia determinado traduzir do grego a obra de Ptolomeu. Desse modo, através do Império Bizantino, os árabes resgataram os conhecimentos greco-romanos, aperfeiçoando-os.

A Cartografia da Idade Moderna
Com a reabertura comercial do Mar Mediterrâneo, especialmente a partir do século XI, os mapas ganharam importância renovada, particularmente entre os árabes, que prosseguiram com o seu desenvolvimento.
Em poucos séculos, os mapas de navegação marítima, que passaram a ser grandemente valorizados na região mediterrânica, associados aos progressos técnicos representados pela bússola, pelo astrolábio e pela caravela, permitiram o processo das grandes navegações, marcando a passagem para a Idade Moderna. Os portulanos introduziram a rosa-dos-ventos e motivos temáticos passaram a ilustrar as lacunas do conhecimento geográfico.
Embora a cartografia portuguesa haja conhecido avanços técnicos significativos durante o século XV, será superada, já no século XVI, pela cartografia holandesa, responsável pela publicação e universalização das representações cartográficas, devido aos baixos custos introduzidos pela moderna impressão.

Os mapas atuais
Os mapas, antiga e tradicionalmente feitos usando material de escrita, a partir do aparecimento dos computadores e dos satélites conheceram uma verdadeira revolução. Atualmente são confeccionados utilizando-se softwares próprios (Sistemas de Informação Geográfica) (SIGs, CAD ou softwares especializados em ilustração para mapas). Os dados assim obtidos ou processados são mantidos em base de dados. A tendência atual neste campo é um afastamento dos métodos analógicos de produção e um progressivo uso de mapas interativo de formato digital.
O departamento de cartografia da Organização das Nações Unidas é o responsável pela manutenção do mapa mundial oficial em escala 1/1.000.000 e todos os países enviam seus dados mais recentes para este departamento.

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