quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Região Norte do Brasil

História
Os primeiros habitantes da Região Norte, como no resto do Brasil, foram os indígenas, que compartilhavam uma diversificada quantidade de tribos e aldeias, do período pré-colombiano até a chegada dos europeus.
Os espanhóis, entre eles, Francisco de Orellana, organizaram expedições exploradoras pelo rio Amazonas para conhecer a região. Após longas viagens ao lado de Francisco Orellana, Gonzalo Hernández de Oviedo y Valdés, escreveu em Veneza, uma carta ao cardeal Pedro Bembo, exaltando a fauna e a flora existentes na região até certa época.
Em 1616 chegaram os portugueses. Eles construíram fortes militares para defender a região contra a invasão de outros povos. Os portugueses também se interessaram pelas riquezas da Floresta Amazônica.
A Região também foi parte de caminhos do Movimento das Bandeiras.
Os missionários vieram para a região à procura de índios para catequizar. Eles reuniam os índios em aldeias chamadas missões. As missões deram origem a várias cidades.
Os brasileiros de outros estados, principalmente nordestinos, vieram para a Região Norte a fim de trabalhar na extração da borracha.
Muitas famílias japonesas vieram trabalhar nas colônias agrícolas. Os japoneses iniciaram a plantação da pimenta-do-reino e da juta.
Durante as décadas de 60, 70 e 80, os governos militares implantaram um grande plano de integração dessa região com as demais regiões do Brasil, incluindo a construção de várias rodovias (como a rodovia Transamazônica), instalação de indústrias e a criação da zona franca de Manaus.
Geografia
Possui uma área de 3.659.637,9 km², que corresponde a 42,27% do território brasileiro, sendo a maior região brasileira em superfície. Nesta região estão localizados o maior e o segundo maior estado do Brasil, respectivamente Amazonas e Pará, e também o maior município do mundo em área territorial, Altamira, no Pará, com 161.445,9km², tal extensão tem área superior a aproximadamente 100 países do mundo, um a um, e ainda maior que os Estados de Alagoas, Sergipe, Rio de Janeiro e Espírito Santo juntos.
Limita-se ao sul com os estados de Mato Grosso e Goiás, além da Bolívia, a leste com o Maranhão, Piauí e a Bahia, a oeste com o Peru e com a Colômbia e a norte com Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.
A região norte é a mais extensa das regiões brasileiras. É também a região menos povoadas (com menos habitantes por quilômetro quadrado).
O relevo da Região Norte é constituído por três grandes unidades:
Planícies e Terras Baixas Amazônicas;
Planalto das Guianas;
Planalto Central.
ou
Igapós
Várzeas
Baixos Platôs
Planícies e Terras Baixas Amazônicas
São genericamente conhecidas como Planície Amazônica, embora a verdadeira planície apareça apenas margeando o rio Amazonas ou em pequenos trechos, em meio a áreas mais altas. Esse compartimento do brasil relevo divide-se em: várzeas, tesos ou terraços fluviais e terra firme.
Igapós : Correspondem às áreas mais baixas, constantemente inundadas pelas cheias do rio Amazonas.
Tesos ou terraços fluviais (Várzeas): Suas altitudes são sempre inferiores a 30 metros, sendo inundados pelas cheias mais fortes.
Terra firme: Atinge altitudes de até 350 metros, estando livre das inundações. Ao contrário das várzeas e dos terraços fluviais, formados predominantemente pelos sedimentos que os rios depositam, a terra firme é constituída basicamente por arenitos.

Planalto das Guianas
O Planalto das Guianas localiza-se ao norte da Planície Amazônica, sendo constituído por terrenos cristalinos. Prolonga-se até a Venezuela e as Guianas, e na área de fronteira entre esses países e o Brasil aparece a Região Serrana, constituída — de oeste para leste — pelas serras do Imeri ou Tapirapecó, Parima, Pacaraíma, Acaraí e Tumucumaque. É na Região Serrana que se encontram os pontos mais altos do país, como o pico da Neblina e o pico 31 de Março, na Serra do Imeri, estado do Amazonas, com 3.014 e 2.992 metros de altitude, respectivamente.

Planalto Central
O Planalto Central localiza-se ao sul da região abrangendo o sul do Amazonas e do Pará e a maior parte dos estados de Rondônia e do Tocantins. É constituído por terrenos cristalinos e sedimentares antigos, sendo mais elevado ao sul e no Tocantins.
Clima
Algumas latitudes podem criar uma região com climas quentes. A existência de calor e da enorme massa líquida favorecem a evaporação e fazem da Região Norte uma área bastante úmida. Dominada assim por um clima do tipo equatorial, a região apresenta temperaturas elevadas o ano todo (médias de 24°C a 26°C), uma baixa amplitude térmica, com exceção de algumas áreas de Rondônia e do Acre, onde ocorre o fenômeno da friagem, em virtude da atuação do El Niño, permitindo que massas de ar frio vindas do oceano Atlântico sul penetrem nos estados da Região Sul, entrem por Mato Grosso e atinjam os estados amazônicos, diminuindo a temperatura. Isto ocorre porque o calor da Amazônia propicia uma área de baixa latitude que atrai massas de ar polar. Ocorrendo no inverno, o efeito da friagem dura uma semana ou pouco mais, quando a temperatura chega a descer a 12°C em Manaus e a 6°C em Rio Branco.
O regime de chuvas na região é bem marcado, havendo um período seco, de junho a novembro, e outro com grande volume de precipitação, Dezembro a Maio. As chuvas provocam mais de 2.000 mm de precipitação anuais, havendo trechos com mais de 3.000 mm, como o litoral do Amapá, a foz do rio Amazonas e porções da Amazônia Ocidental.
A Região Norte apresenta o clima mais úmido do Brasil, sendo comum a ocorrência de fortes chuvas. São características da região as chuvas de convecção ou de "hora certa", que em geral ocorrem no final da tarde e se formam da seguinte maneira: com o nascer do Sol, a temperatura começa a subir, ou seja, aumentar em toda a região, aquecimento que provoca a evaporação; o vapor de água no ar se eleva, formando grandes nuvens; com a diminuição da temperatura, causada pelo passar das horas do dia, esse vapor de água se precipita, caracterizando as chuvas de "hora certa".
Vegetação
Na Região Norte está localizado um importante ecossistema para o planeta: a Amazônia. Além da Amazônia, a região apresenta uma pequena faixa de mangue (no litoral) e alguns pontos de cerrado, e também alguns pontos de matas galerias.
Aprender as características físicas de uma região depende, em grande parte, da capacidade de dedução e observação: na Região Norte, a latitude e o relevo explicam a temperatura; a temperatura e os ventos explicam a umidade e o volume dos rios; e o clima e a umidade, somados, são responsáveis pela existência da mais extensa, variada e densa floresta do planeta, ou seja, a Floresta Amazônica ou Hiléia.

Equivalendo a mais de um terço das reservas florestais do mundo, é uma formação tipicamente higrófila, com o predomínio de árvores grandes e largas (espécies latifoliadas), muito próximas umas das outras e entrelaçadas por grande variedade de lianas (cipós lenhosos) e epífitas (vegetais que se apóiam em outros). O clima da região, quente e chuvoso, permite o crescimento das espécies vegetais e a reprodução das espécies animais durante o ano todo. Isso faz com que a Amazônia tenha a flora mais variada do planeta, além de uma fauna muito rica em pássaros, peixes e insetos.
A Floresta Amazônica apresenta algumas variações de aspecto, conforme o local, junto aos rios, nas áreas permanentemente alagadas, surge a mata de igapó, com árvores mais baixas. Mais para o interior surgem associações de árvores mais altas, conhecidas como mata de várzea, inundadas apenas durante as cheias. As áreas mais distantes do leito dos rios, inundadas somente por ocasião das grandes enchentes, são chamadas de mata de terra firme ou caaetê, que significa mata (caa) de proporções grandiosas.
Se não considerarmos a devastação, mais de 90% da área da Região Norte é ocupada pela Floresta Amazônica ou equatorial, embora ela não seja a única formação vegetal da Amazônia. Surgem ainda: Campos da Hiléia, em manchas esparsas pela região, como na ilha de Marajó e no vale do rio Amazonas; o cerrado, que ocupa grande extensão do estado do Tocantins e vastos trechos de Rondônia e Roraima, além da vegetação litorânea.
Hidrografia
A região apresenta a maior bacia hidrográfica do mundo, a bacia amazônica, formada pelo rio Amazonas e seus milhares de afluentes (alguns inclusive não catalogados). Em um de seus afluentes (rio Uamutã) está instalada a Usina Hidrelétrica de Balbina e em outro de seu afluente (rio Jamari) está localizada a usina Hidrelétrica de Samuel, construída na cachoeira de Samuel. Devido ao tamanho do Rio Amazonas, foram construídos três portos durante o curso do rio. Um deles fica no Brasil, localizando-se na cidade de Manaus (Porto de Manaus[1]).
A foz do rio Amazonas apresenta um dos fenômenos naturais mais impressionantes que existe, a pororoca, uma perigosa onda contínua com até 5m de altura, formada na subida da maré e que costumeiramente é explorada por surfistas.
Na foz do rio Amazonas encontra-se a Ilha de Marajó, a maior ilha de água fluvio marítima do mundo, com aproximadamente 50.000km², que também abriga o maior rebanho de búfalos do país. Está no guiness book/2005.
Além da presença da bacia amazônica, na região está localizada boa parte da bacia do Tocantins. Num de seus rios integrantes (rio Tocantins), está instalada a Tucuruí, uma das maiores usinas hidroelétricas do mundo.
Um fato interessante a respeito dessa bacia é a presença da ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, localizada no estado do Tocantins. A ilha é forma pelo rio Araguaia e por um de seus afluentes, o rio Javaés.
Extraído de www.wikipedia.org

Região Norte do Brasil

A Região Norte é uma das cinco regiões brasileiras. É formada por sete estados: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. A Região Norte está localizada na região geoeconômica da Amazônia entre o Maciço das Guianas (ao norte), o Planalto Central (ao sul), a Cordilheira dos Andes (a oeste) e o Oceano Atlântico (a nordeste). Na região predomina o clima equatorial com exceção do norte do Pará, do sul do Amazonas e de Rondônia onde o clima é tropical.
As principais cidades da região são:Manaus, Belém, Macapá, Porto Velho, Rio Branco, Santarém, Ananindeua, Boa Vista, Palmas, Araguaína, Gurupi, Abaetetuba, Castanhal, Marabá, Parintins, Vilhena, Altamira, Coari, Santana e Cruzeiro do Sul. As cidades mais populosas são:
Manaus:1.688.524
Belém:1.428.368
Ananindeua:498.095
Porto Velho:380.974
Macapá:369.367
Rio Branco:314.127
Santarém:280.074
Boa Vista:265.000
Marabá:200.801
Palmas:163.174
Coqueiro:158.462
Abaetetuba:133.316
Araguaína:130.105
As maiores Regiões Metropolitanas são:
Região Metropolitana de Belém com 2.043.537 habitantes.
Região Metropolitana de Manaus com 1.933.327 habitantes.
Região Metropolitana de Macapá com 435.809 habitantes.
Na região predominam os seguintes aspectos naturais: floresta densa e heterogênea, clima quente e úmido, rios extensos e caudalosos drenando terras de altitude geralmente pouco elevada.
Extraído de www.wikipedia.org

EUA e Polônia assinam acordo de defesa antimíssil


Os Estados Unidos e a Polônia formalizaram o acordo que prevê a instalação de parte de um escudo de defesa antimísseis americano em território polonês.
Na manhã desta quarta-feira, em Varsóvia, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice e o ministro do Exterior da Polônia, Radek Sikorski, assinaram o acordo, fechado na última quinta-feira, encerrando 18 meses de negociações.
O documento inclui as exigências feitas pela Polônia com relação à segurança do país como compensação por abrigar o escudo americano. Pelo plano, a Polônia aceita a instalação de dez mísseis interceptadores em uma antiga base militar perto da costa polonesa do Mar Báltico.
Em troca, os americanos se comprometem a ajudar o país a melhorar suas forças armadas, além de remanejar para a Polônia mísseis tipo Patriot e militares americanos, com o intuito de reforçar as defesas aéreas polonesas.
Rússia
Enquanto os EUA afirmam que o escudo irá proteger os países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de possíveis ataques de longo alcance, Varsóvia vê a ameaça mais próxima e por isso exigiu reforço na defesa do país em troca de abrigar o escudo.
A Rússia se opõe ao plano e afirma que a base poderia se transformar em alvo para um ataque nuclear e enfraquecer as defesas polonesas. Além disso, o país argumenta que a instalação de um sistema antimísseis americano no Leste Europeu “complica” a segurança global ao afetar o equilíbrio militar na Europa e estimula uma corrida armamentista.
Os russos já haviam ameaçado apontar seus mísseis para a Europa caso os EUA instalassem partes de seu sistema de defesa antimísseis perto da fronteira com a Rússia.
No entanto, Washington argumenta que o sistema irá proteger não só os Estados Unidos, mas a Europa contra mísseis e afirma que os alvos do sistema de defesa seriam países considerados perigosos, como o Irã.
Segundo a correspondente da BBC Kim Ghattas, que acompanhou a viagem de Rice até a Polônia, o momento da assinatura do acordo – durante o conflito com a Geórgia – deixou os russos ainda mais furiosos. Segundo ela, a Rússia já alertou que a Polônia está se colocando em risco de ataque com essa negociação.
Outro correspondente da BBC em Varsóvia, Adam Eston, afirma que tanto o momento escolhido para a assinatura do acordo quanto as exigências sobre a segurança e defesa do país feitas pela Polônia não contribuíram em nada para apaziguar Moscou.
Extraído de www.bbcbrasil.com.br

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Relação EUA-Rússia é marcada por desconfiança, dizem analistas



A relação entre Estados Unidos e Rússia tende a ser marcada por desconfiança mútua e uma constante guerra retórica, após a ação militar russa em território georgiano, seguida do apoio americano à Geórgia.
É o que pensam analistas internacionais ouvidos pela BBC Brasil. O conflito entre Rússia e Geórgia teve início depois que tropas georgianas invadiram, no último dia 8, a república autônoma da Ossétia do Sul, um enclave de maioria russa situado dentro da Geórgia. A operação gerou uma violenta ação militar por parte da Rússia.
''As crescentes declarações negativas e o uso da mídia por ambas as partes tornarão a atmosfera mais difícil para se chegar a discussões e negociações normais em uma série de temas'', afirma James Collins, diretor do programa de Rússia e Eurásia do instituto de pesquisas Carnegie Endowment for International Peace.
Collins, que foi embaixador americano na Rússia entre 1997 e 2001, acredita que mesmo em meio às tensões entre os dois países, é preciso buscar o diálogo e o consenso em determinados temas.
''A minha carreira dipolmática me ensinou que você não vai muito longe se resolve não falar com quem dicorda de você. É melhor ter um diálogo para descobrir quais os pontos em comum e quais as diferenças'', afirma.
Fim de mandato
Mas o ex-embaixador acredita que o momento não é dos mais propícios, por conta de o governo de George W. Bush estar chegando ao fim e ter pouco poder de fogo.
''Temos de ser realistas. É improvável que muitas iniciativas sejam tomadas por uma administração que está chegando ao fim.''
Para o analista político russo Andrey Piontkovsky, pesquisador do Hudson Institute, de Washington, e diretor-executivo do Centro de Estudos Estratégicos, de Moscou, o governo russo agiu de forma apropriada no início de sua operação militar, mas terminou pecando pelo excesso.
''A percepção por parte da administração americana é de que o governo Putin cruzou o sinal vermelho. Em minha visão, o Kremlin cometeu um sério erro. A Rússia estava certa ao reagir a um ataque inaceitável por parte de Saakashvili (o presidente georgiano Mikhail Saakashvili).''
Naquela ocasião, argumenta o analista, ''nossas forças de paz estavam agindo de forma justa. Quando o governo russo decidiu ampliar a operação para além da Ossétia do Sul e para a Geórgia propriamente, essa percepção de que se estava agindo com justiça foi se esvaindo a cada dia''.
Retórica e ações
Para Gary Schmitt, diretor de programas estratégicos do American Enterprise Institute, os Estados Unidos precisam conciliar a dura retórica com ações da mesma natureza em relação aos russos, já que este tem sido o procedimento por parte de Moscou.
''Nos últimos anos, a retórica vinda de Moscou tem sido bem agressiva e seguida de ações igualmente virulentas. A incapacidade de ter levado essa retórica a sério passou o recado errado aos russos. Por isso, é importante passar a mensagem de que eles cruzaram a linha e precisam recuar.''
Para Schmitt, entre as possíveis ações que as potências ocidentais poderiam tomar contra os russos figuram negar a eles a pretendida adesão à Organização Mundial de Comércio e expulsá-los do G8. Ambas propostas defendidas também pelo virtual candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain.
Sanções econômicas
O analista acredita que outra medida retaliatória eficaz seria a de adotar sanções contra empresas russas. ''Há inúmeras companhias russas envolvidas em atividades ilícitas e estas poderiam ser almejadas.''
''Este é um regime russo que se gaba de conseguir acumular o máximo possível de dólares e euros. É preciso atingí-lo em seu ponto fraco'', afirma Schmitt.
Para o diretor do American Enterprise Institute, a fim de não ficar refém da Rússia, a Europa, atualmente muito dependente do gás proveniente do país, precisa buscar a autonomia energética.
Caso os europeus se encaminhem nessa direção, a Rússia sofrerá os efeitos, diz ele.
''A Rússia só irá recuar se sofrer um castigo pesado. O governo do país é uma autocracia que só sabe reagir à dor.''
Para Schmitt, a operação militar russa selou de vez a relação de desconfiança que o Ocidente mantinha com Moscou.
''Creio que ninguém no governo americano e seguramente ninguém na Europa vê a Rússia como um aliado, mas sim como um mal necessário.''
Extraído de www.bbcbrasil.com.br

Não se pode jogar a tortura debaixo do tapete

As reações de militares ao atacar o debate sobre a tortura praticada durante a ditadura não estão em sintonia com o regime democrático vigente no país nem com o sentimento do povo brasileiro.Após afirmar ao sair de ato no Clube Militar, no último dia 7, que “o único erro foi torturar e não matar”, além de agredir manifestantes com palavrões, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), na sessão da Câmara no dia 12, voltou a cometer xingamentos e ofensas, contra ministros do governo Lula.O fato irritou o presidente da sessão, deputado José Inocêncio (PR-PE), a ponto dele determinar ao Serviço de Taquigrafia o corte das indevidas expressões proferidas pelo defensor da tortura e do assassinato. O deputado Bolsonaro responderá a processo regimental e poderá perder o mandato pela permanente quebra do decoro parlamentar.Nota conjunta dos clubes Militar, Naval e da Aeronáutica, classificou como “imoral e fora de propósito” a iniciativa dos titulares da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e da Justiça, Tarso Genro, de defender o direito à memória e à verdade, bem como a apuração de responsabilidade de torturadores, pois, enfatizaram os ministros, a tortura é crime de lesa-humanidade e imprescritível.A mídia dominante de direita procurou desinformar a população. Embora ambos os ministros sublinhassem não estar em jogo a revisão da Lei de Anistia, de 1979, o assunto assim foi apresentado. O Globo, por exemplo, se superou, chegou a apontar os insatisfeitos com a discussão sobre a tortura como os grandes defensores da anistia. A vitoriosa luta democrática e popular da anistia, em nenhum momento, se propôs a “anistiar” torturadores. Eles continuaram a desfrutar de impunidade por conta de um “pequeno detalhe”, a ditadura, na ocasião, continuava a existir no país e ainda nos infelicitaria por quase cinco anos.“Olha que eu chamo o Pires”O inesquecível general Figueiredo, o último dos ditadores do regime de 1964, diante do avanço da luta democrática e popular, vez ou outra ameaçava: “Olha que eu chamo o Pires”, numa referência ao então ministro do Exército, o general Walter Pires.Hoje, com a democracia existente no país, ao se entrar no “site” do Comando Militar do Leste, ainda se depara com a mesma retórica da ditadura, e aparece imediatamente em destaque uma citação do general Walter Pires, de 1983: “Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem a agitadores e terroristas de armas na mão para que a nação não fosse levada à anarquia”. O atual comandante militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira, participou, com traje civil, da reunião do Clube Militar, no último dia 7, em que um dos presentes foi o torturador Brilhante Ustra, o tenebroso Dr. Tibiriçá, ex-comandante do terrorista DOI-Codi paulista.Quanto a terrorismo, o general Walter Pires, e seu superior hierárquico imediato, o inesquecível general Figueiredo, apesar de terem todas as armas à mão, não se contrapuseram aos terroristas do Riocentro, os mesmos que cometeram diversos atentados, incendiaram bancas de jornais, atacaram com bombas jornais de esquerda, assassinaram D. Lyda Monteiro da Silva no atentado à OAB, mutilaram e cegaram o funcionário José Ribamar de Freitas no atentado ao gabinete do vereador Antonio Carlos Carvalho e à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.Note-se, tudo isso em 1980, após a anistia, inconformados com ela e os rumos democráticos para os quais o país se encaminhava. Note-se também que, hoje, o plenário da Câmara carioca, reflexo da democracia, se chama Plenário Vereador Antonio Carlos Carvalho.“Anistia não é amnésia”É o que diz o presidente da OAB, Cezar Britto. Da mesma opinião é Augustino Veit, que foi presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça: “A Lei de Anistia não abrange atrocidades cometidas por agentes de Estado contra brasileiros. Os atos a que me refiro são a tortura, o desaparecimento e a morte, que foram perpetrados por agentes do Estado brasileiro em decorrência de uma decisão política do governo militar na época da ditadura”. Para ele, “se nós não reconhecermos que o Estado brasileiro efetivamente praticou essas atrocidades, corremos o risco de retornar ao Estado ditatorial. Precisamos tomar essas atitudes como fortalecimento e consagração da nossa ainda jovem democracia. É necessário avançar e discutir para acharmos a melhor forma de alcançar isso. Esquecer é um péssimo caminho e não o aceitaremos. A sociedade precisa se manifestar em favor da posição de Tarso Genro e Paulo Vannuchi, ou seja, contra os setores de direita e conservadores, que não querem abrir os arquivos e punir os torturadores e assassinos da ditadura”. Há diferença profunda entre os que lutaram contra a ditadura e seus algozes, segundo Veit: “Aqueles que lutaram eram cidadãos que defendiam liberdade, igualdade e eram contra a ditadura”. Já os defensores da ditadura “praticaram atrocidades da tortura, da morte, do desaparecimento em nome do Estado. Aí está a diferença”.O ex-presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos chega a uma importante conclusão: “Nunca se discutiu o papel das Forças Armadas no Brasil. Conseguimos avançar apenas quando se criou o Ministério da Defesa. As Forças Armadas estão acostumadas a não se integrar nos passos democráticos que o país está dando. Até agora, elas querem trilhar caminhos paralelos ao Estado Civil brasileiro, o que é inconcebível. Não podem operar paralelamente, pretendendo posições não democráticas. Daí ser preciso derrubar esse tabu, o que demanda rever diversas funções que são do Estado brasileiro. Em suma, as Forças Armadas precisam estar em sintonia com o avanço democrático do país”.Luta democráticaDurante ato no dia 13, na Praia do Flamengo, 132, endereço histórico da sede da UNE, o presidente Lula assinou mensagem, encaminhada ao Congresso, na qual reconhece a responsabilidade do Estado pela destruição da sede da União Nacional dos Estudante (UNE) e propõe indenização à entidade.A UNE, permanente alvo da sanha dos golpistas de 1964, teve sua sede incendiada a primeiro de abril de 1964. Em 1980, a ditadura demoliu o próprio prédio da UNE para substituí-lo por um estacionamento.Na solenidade, o presidente Lula se referiu aos heróis do povo brasileiro: “A gente só lembra de Tiradentes. O Brasil tem muitas lutas importantes, mas nós não os cultuamos para dar valor ao que essas pessoas fizeram”.Entre esses heróis, Honestino Guimarães, ex-presidente da UNE, um dos desaparecidos da ditadura. Para reverenciar os heróis do nosso povo, como Honestino e tantos outros, é indispensável se saber a verdade acerca do seu desaparecimento, o que pressupõe a abertura dos arquivos de terror da ditadura. A luta democrática cabe a todos os brasileiros, a todos os poderes, executivo, legislativo e judiciário.“Crimes semelhantes aos dos nazistas”Os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) Marlon Alberto Weichert e Eugênia Augusta Fávero movem ação em São Paulo contra os ex-comandante e subcomandante do DOI-Codi paulista, respectivamente coronéis Brilhante Ustra e Aldir Maciel. A ação dos procuradores visa impedir que todos os torturadores da ditadura ocupem cargos públicos, como é o caso do ex-torturador do mesmo DOI-Codi paulista, Dirceu Gravina, delegado em Presidente Prudente, como atestou recente denúncia da revista Carta Capital.Segundo o procurador Marlon Weichert, “há uma decisão importantíssima da Corte Interamericana de Direitos Humanos, de 2006, que apreciou os crimes cometidos pela ditadura chilena. Essa decisão classificou os crimes cometidos pelas várias ditaduras do Cone Sul, inclui-se aí Chile, Argentina e Brasil, como crimes contra a humanidade, chamados também de crimes de lesa-humanidade. Esses crimes são semelhantes aos dos nazistas”.E a procuradora Eugênia Fávero completa: “Esses crimes não prescrevem. não se sujeitam a nenhuma medida que libere a responsabilização desses autores”.As Forças Armadas, como uma das instituições básicas nacionais, não têm nenhum motivo, ao contrário, para se identificarem à tragédia da tortura. Para bem cumprir suas funções constitucionais podem se guiar por militares e brasileiros exemplares, como o Marechal Rondon (“Morrer se preciso for, matar um índio nunca”.); o grande soldado da legalidade democrática, o Marechal Henrique Lott; ou, mais proximamente, um honrado militar democrata, herói na luta contra o terrorismo, o Capitão Sérgio Macaco, do Parasar.
Antônio Augusto é jornalista

Campanha do Voto Nulo.

Mais um ano de eleições, as mesmas promessas, as velhas e algumas novas caras. Porém, mudança de verdade nem pensar.Está mais que comprovado que eleições não mudam a vida e o mundo, somente a ação direta do povo pode mudar, por isso, conclamo todos ao VOTO NULO!Pra mudar temos que lutar.

VOTE NULO! NÃO ALIMENTE PARASITOS!

Retorno

O blog está de volta. Em breve mais materiais e informações.
Saudações Libertárias.